{"id":17139,"date":"2014-02-07T12:49:52","date_gmt":"2014-02-07T12:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107517"},"modified":"2014-02-07T12:49:52","modified_gmt":"2014-02-07T12:49:52","slug":"rolezinhos-reclamam-direito-juvenil-ao-consumismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/rolezinhos-reclamam-direito-juvenil-ao-consumismo\/","title":{"rendered":"Rolezinhos reclamam direito juvenil ao consumismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107518\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Brasil-chica-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-107518 \" alt=\"Brasil chica 629x472 Rolezinhos reclamam direito juvenil ao consumismo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Brasil-chica-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Rolezinhos reclamam direito juvenil ao consumismo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O personagem Batman, habitual nas manifesta\u00e7\u00f5es do Rio de Janeiro, apoia os rolezinhos em frente ao Shopping Leblon, com um cartaz que diz \u201ctodos somos iguais\u201d. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 7\/2\/2014 \u2013 Irromperam em massa nos centros comerciais para se divertirem. Mas a resposta, uma mescla de medo, admira\u00e7\u00e3o e dura repress\u00e3o, fez surgir no Brasil um novo movimento juvenil, o dos rolezinhos. Na linguagem juvenil, \u201cdar um rol\u00e9\u201d significa sair com amigos, e a convoca\u00e7\u00e3o para esses passeios em grupo se transformou, para alguns, em um movimento revolucion\u00e1rio, e, para outros, no espelho do desejo consumista da classe m\u00e9dia emergente.<\/p>\n<p>Surgiram em dezembro, quando alguns jovens convocaram pelo Facebook um rolezinho em um shopping de S\u00e3o Paulo, \u201cpara que rolasse algo divertido\u201d, em um pa\u00eds onde o entretenimento e a cultura s\u00e3o caros. Apareceram seis mil jovens. A repress\u00e3o policial e o medo do governo do Brasil, que receber\u00e1 em junho e julho a Copa do Mundo da Fifa, estenderam os rolezinhos para outras cidades.<\/p>\n<p>\u201cViemos para mostrar que o jovem pobre pode consumir\u201d, disse \u00e0 IPS o estudante de geografia Iata Anderson, quando os rolezinhos foram convocados em 19 de janeiro diante do luxuoso Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, o que provocou o fechamento preventivo do estabelecimento, apesar da pequena aflu\u00eancia.<\/p>\n<p>Anderson, como muitos outros participantes de rolezinhos, tem menos de 20 anos e, apesar de viver em uma favela, representa uma nova classe m\u00e9dia brasileira, que estuda em universidade p\u00fablica e tem acesso \u00e0 internet, ao cr\u00e9dito e ao poder de compra, gra\u00e7as a uma d\u00e9cada de governos esquerdistas, de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) e da atual presidente, Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>\u201cVim apoiar os rolezinhos de S\u00e3o Paulo, reprimidos com gases e surra pela pol\u00edcia. Isso s\u00f3 acontece porque s\u00e3o negros da periferia, que n\u00e3o se enquadram no padr\u00e3o de luxo e sofistica\u00e7\u00e3o dos shoppings\u201d, afirmou Anderson. No dia 11 de janeiro, a Pol\u00edcia Militar enfrentou com balas de borracha e g\u00e1s pimenta cerca de mil jovens em um rolezinho em um shopping da periferia de paulistana. Houve 60 pris\u00f5es.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileiras de Centros Comerciais assegurou que esses s\u00e3o \u201cespa\u00e7os democr\u00e1ticos que atendem pessoas de todos os perfis sociais e de diferentes idades, e acolhem a diversidade e a inclus\u00e3o social, muitas vezes em regi\u00f5es com escassas op\u00e7\u00f5es de entretenimento. Tamb\u00e9m s\u00e3o ponto de encontro da maioria dos jovens\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, para o soci\u00f3logo Ign\u00e1cio Cano, do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises de Viol\u00eancia, da Universidade do Rio de Janeiro, \u201cfoi desproporcional\u201d a repress\u00e3o e inclusive o fechamento dos shoppings para evitar os rolezinhos. \u201cVai contra a tend\u00eancia hist\u00f3rica dos shoppings, templos de consumo e agora tamb\u00e9m centros de divers\u00e3o, que atraem cada vez mais gente diversa, comprando ou n\u00e3o, e ultimamente acolhem servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d, declarou Cano \u00e0 IPS. Ele teme que os shoppings percam sua voca\u00e7\u00e3o \u201cuniversalista\u201d para se tornarem \u201cmais elitistas\u201d. Mas muitos j\u00e1 sofriam isto.<\/p>\n<p>\u201cSe um negro vai ao shopping, logo a seguran\u00e7a vem atr\u00e1s achando que vai roubar\u201d, contou \u00e0 IPS o auxiliar de carga Diego Meier, que qualificou esses estabelecimentos como \u201clugares da burguesia e do capitalismo\u201d. Segundo Anderson, afro-brasileiro como Meier, \u201c\u00e0s vezes sou mal atendido e observo que os negros s\u00e3o os da seguran\u00e7a ou os que limpam os banheiros. Temos que ter os mesmos direitos, independente da cor, da classe social ou do poder aquisitivo\u201d.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria presidente Dilma Rousseff criticou a repress\u00e3o e o preconceito contra os jovens pobres. A ministra para as Pol\u00edticas de Igualdade Racial, Luiza Bairros, argumentou que os rolezinhos fazem \u201cmanifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas\u201d e que n\u00e3o se deve associar o fato de serem negros com o crime, como \u00e9 comum. \u201cOs problemas surgem quando brancos se assustam com a presen\u00e7a desses jovens\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cO shopping \u00e9 uma novidade. Queremos conhecer um lugar onde s\u00f3 iam as classes altas\u201d, explicou \u00e0 IPS o estudante de inform\u00e1tica Waldei Teixeira. No Brasil, as classes m\u00e9dia e alta vinculam a aflu\u00eancia maci\u00e7a de jovens pobres e negros a espa\u00e7os p\u00fablicos, como as praias, aos arrast\u00f5es. No entanto, o pessoal dos rolezinhos n\u00e3o saqueia, n\u00e3o rouba, n\u00e3o destr\u00f3i.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muito mais tumulto nos shoppings durante as compras de Natal. Por acaso isso compromete a seguran\u00e7a do shopping?\u201d, questionou Anderson. Mas o que nasceu como uma divers\u00e3o coletiva evoluiu, principalmente pela repress\u00e3o, que \u201cgera um objetivo pol\u00edtico, porque, ao se sentir desafiado, o jovem tenta romper essas proibi\u00e7\u00f5es\u201d, pontuou Cano.<\/p>\n<p>O mundial de futebol e as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de outubro convertem os rolezinhos em um instrumento pol\u00edtico, apontou \u00e0 IPS o jornalista e ex-deputado pelo Partido Verde, Fernando Gabeira. \u201cPequenos movimentos podem se transformar em grandes movimentos, como ocorreu em junho\u201d de 2013, quando houve grandes protestos contra o aumento da passagem no transporte p\u00fablico e a corrup\u00e7\u00e3o, e pela melhoria na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, recordou.<\/p>\n<p>Inicialmente, os rolezinhos \u201ctinham ao argumento da democratiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o ou de desfrutar da beleza dos shoppings\u201d, indicou Gabeira. Agora, cada um coloca no fen\u00f4meno \u201cseus desejos pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos\u201d, ressaltou. Para organiza\u00e7\u00f5es sociais e de esquerda, os rolezinhos expressam descontentamento popular ou luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, no governo s\u00e3o considerados \u201cexpress\u00e3o do dinamismo, da mobilidade social e das mudan\u00e7as que caracterizam a sociedade brasileira nos \u00faltimos anos\u201d. Essa mobilidade se expressou mediante o desejo consumista desse novo \u201cnicho de mercado\u201d, no qual, paradoxalmente, tamb\u00e9m apostaram os shoppings. Uma nova classe m\u00e9dia \u00e1vida por celulares, computadores, televisores de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o ou roupa de marca.<\/p>\n<p>Para Gabeira, os rolezinhos reclamam que, como parte de uma sociedade de consumo, tamb\u00e9m t\u00eam direito de consumir. A transforma\u00e7\u00e3o de uma classe social, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo sem futuro em outra que tem sonhos, j\u00e1 se expressava na m\u00fasica ouvida a todo volume pelos jovens agora integrantes dos rolezinhos nos centros comerciais. O \u201cfunk ostenta\u00e7\u00e3o\u201d mostra nas letras e nos v\u00eddeos que o caminho para a felicidade \u00e9 a ascens\u00e3o social, marcado pela posse de bens de luxo e, depois de t\u00ea-los, pelo acesso a mulheres loiras.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de funk j\u00e1 anunciava o fen\u00f4meno dos rolezinhos. Mostra um desejo de se integrar socialmente, consciente ou inconsciente. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 parte de sua cultura\u201d, explicou \u00e0 IPS o estudante de cinema Gonzalo Gaudenzi, que acompanhou o surgimento do g\u00eanero. O funk brasileiro (inspirado no rap norte-americano) surgiu nas periferias urbanas com letras sobre temas cotidianos, como narcotr\u00e1fico, drogas, repress\u00e3o policial ou sexo.<\/p>\n<p>Entretanto, com o bem-estar social, passou a refletir as aspira\u00e7\u00f5es de muitos dos 30 milh\u00f5es que sa\u00edram da pobreza nesse pa\u00eds de quase 200 milh\u00f5es de habitantes, gra\u00e7as a um modelo econ\u00f4mico que adota o consumo interno como trampolim para o crescimento. \u201cSe a m\u00fasica que ouvem o dia todo lhes fala que para conseguir melhores mulheres e <i>status<\/i> social \u00e9 preciso ter os melhores carros, as melhores roupas, rel\u00f3gios, embora n\u00e3o possam comprar, querem estar perto desse mundo, senti-lo. E onde se consegui isso? Nos shoppings\u201d, enfatizou Gaudenzi. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 7\/2\/2014 &ndash; Irromperam em massa nos centros comerciais para se divertirem. 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