{"id":17141,"date":"2014-02-07T13:07:56","date_gmt":"2014-02-07T13:07:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107524"},"modified":"2014-02-07T13:07:56","modified_gmt":"2014-02-07T13:07:56","slug":"um-aplicativo-para-denunciar-a-corrupcao-nos-transportes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/um-aplicativo-para-denunciar-a-corrupcao-nos-transportes\/","title":{"rendered":"Um aplicativo para denunciar a corrup\u00e7\u00e3o nos transportes"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107525\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/transportes.jpg\"><img class=\" wp-image-107525 \" alt=\"transportes Um aplicativo para denunciar a corrup\u00e7\u00e3o nos transportes\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/transportes.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Um aplicativo para denunciar a corrup\u00e7\u00e3o nos transportes\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A deficiente infraestrutura vi\u00e1ria \u00e9 uma das causas dos crescentes congestionamentos em Kampala. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Qu\u00eania, 7\/2\/2014 \u2013 Tem o aviso bom: \u201cH\u00e1 uma pequena demora de um minuto\u201d. Tem o ruim: \u201cH\u00e1 um terr\u00edvel engarrafamento\u201d. E h\u00e1 o incomum: \u201cN\u00e3o h\u00e1 engarrafamento\u201d. Seja como for, enquanto motoristas e pedestres falam do tr\u00e2nsito em Kampala, os oito ugandenses criadores do aplicativo m\u00f3vel (app) RoadConexion est\u00e3o satisfeitos. Pelo menos por ora.<\/p>\n<p>\u201cAs ruas s\u00e3o um problema em Uganda. A infraestrutura \u00e9 terr\u00edvel\u201d, afirmou \u00e0 IPS Lynn Asiimwe, chefe programadora do aplicativo. \u201cIsso \u00e9 resultado da m\u00e1 governan\u00e7a e da corrup\u00e7\u00e3o. A consequ\u00eancia s\u00e3o os engarrafamentos, as ruas com obras paradas e os buracos por todos os lados\u201d, detalhou. Esta jovem de 25 anos, que faz mestrado em inova\u00e7\u00e3o inclusiva na Escola de Neg\u00f3cios da Universidade da Cidade do Cabo, na \u00c1frica do Sul, trabalha como programadora de software na empresa de tecnologia m\u00f3vel Access Mobile.<\/p>\n<p>Asiimwe e sua equipe trabalharam gratuitamente e \u201cpor paix\u00e3o\u201d para criar o aplicativo, que venceu o \u201chackaton\u201d (encontro de programadores) Tech4Governance, uma competi\u00e7\u00e3o organizada pelo centro local de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica Hive Colab. Agora ela espera que o aplicativo fa\u00e7a as autoridades enfrentarem os problemas.<\/p>\n<p>Em 2010, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni, prometeu iniciar uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a corrup\u00e7\u00e3o em obras de desenvolvimento vi\u00e1rio. No ano seguinte, o jornal local <i>The Independent <\/i>informou que, segundo a Auditoria Geral, houve malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro do or\u00e7amento para a manuten\u00e7\u00e3o de ruas e estradas. O jornal tamb\u00e9m denunciou \u201calarmantes disparidades nos custos\u201d, bem como \u201cbaixos padr\u00f5es e um pobre e tardio cumprimento por parte de numerosos empreiteiros\u201d.<\/p>\n<p>O RoadConexion requer que as pessoas conversem sobre o tr\u00e2nsito. O aplicativo permite aos usu\u00e1rios enviar e receber informes em tempo real sobre buracos e obras de repara\u00e7\u00e3o, acidentes e engarrafamentos em quase todas as ruas de Kampala registradas no mapa do Google na internet. Os motoristas e pedestres podem entrar no servi\u00e7o por meio de dispositivos m\u00f3veis e das redes sociais Twitter ou Facebook.<\/p>\n<p>\u201cTentamos atrair os usu\u00e1rios desde o come\u00e7o\u201d, explicou Asiimwe. \u201cSe a pessoa se d\u00e1 conta de que o tr\u00e2nsito est\u00e1 realmente mau, pode iniciar por sua conta uma discuss\u00e3o, e isso pressionar\u00e1 para que as autoridades assumam suas responsabilidades\u201d, afirmou. \u201cEsperamos que os funcion\u00e1rios do setor finalmente comecem a fazer algo, a se preocupar e a usar o dinheiro de forma adequada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cBodabodas\u201d (motoboys), \u201cmatatus\u201d (micro-\u00f4nibus), autom\u00f3veis, caminh\u00f5es e bicicletas disputam os pequenos espa\u00e7os nas ruas de Kampala. Segundo o jornal local <i>Monitor<\/i>, em 2012 houve 16.765 acidentes de tr\u00e2nsito no pa\u00eds, que deixaram milhares de mortos e centenas de mutilados. Asiimwe acredita que a corrup\u00e7\u00e3o faz com que \u201cempresas n\u00e3o qualificadas se encarreguem das obras vi\u00e1rias, realizando um trabalho de p\u00e9ssima qualidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEssas ruas ficam em mau estado em poucos meses, facilitando a forma\u00e7\u00e3o de desn\u00edveis. Esta degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode resistir ao peso do tr\u00e1fego, o que tem como consequ\u00eancia mais engarrafamento\u201d, ressaltou a jovem. \u201cEssas empresas que fazem obras vi\u00e1rias devem ser responsabilizadas, e estamos tentando isso com o RoadConexion\u201d, acrescentou. Uma pesquisa do Banco Mundial sobre a infraestrutura em Uganda alerta que \u201ccontinua sendo um desafio\u201d e que s\u00e3o necess\u00e1rios mais fundos para melhorar a seguran\u00e7a vi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em uma rua perto da Universidade de Makarere, no centro de Kampala, as obras entregues a um empreiteiro internacional deveriam ter ficado prontas em outubro de 2013, mas nem mesmo come\u00e7aram. \u201cH\u00e1 um enorme cartaz informando qual \u00e9 o empreiteiro, o que est\u00e1 sendo feito, quanto tempo a obra vai demorar\u201d, contou Asiimwe. \u201cMas, quando entramos em contato com eles, disseram: \u2018ah, \u00e9 que tivemos algumas dificuldades, o financiamento n\u00e3o chegou a tempo\u2019. A rua est\u00e1 cheia de terra, os desn\u00edveis permanecem, e ningu\u00e9m informa o que est\u00e1 acontecendo\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O RoadConexion recebe atualmente entre 50 e cem visitas por dia, de computadores ou telefone celular. A maioria dos usu\u00e1rios entra pela manh\u00e3. \u201cA maior parte quer ver informa\u00e7\u00e3o, mas poucos publicam\u201d, disse Asiimwe. \u201cPercebi que em Uganda estamos acostumados a consumir e n\u00e3o temos a mentalidade de fornecer um servi\u00e7o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No Qu\u00eania foi criado um aplicativo semelhante, o Ma3Route, h\u00e1 dois anos. Esta plataforma fornece informa\u00e7\u00e3o sobre o tr\u00e2nsito para dispositivos m\u00f3veis, computadores e mensagens de texto. \u201cMeu desejo de criar uma ferramenta para ajudar os motoristas nos pa\u00edses em desenvolvimento cresceu depois que comprei meu primeiro autom\u00f3vel, e testemunhei todas as horas que os motoristas perdem, muitas vezes evit\u00e1veis, por falta de informa\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS seu criador, Laban Okune.<\/p>\n<p>Este inovador, que cresceu em Butere, na Prov\u00edncia Ocidental do Qu\u00eania, e se mudou para Nair\u00f3bi para estudar engenharia inform\u00e1tica, decidiu construir uma \u201cferramenta tripla\u201d para compartilhar indica\u00e7\u00f5es de tr\u00e2nsito, publicar informa\u00e7\u00e3o e denunciar motoristas imprudentes. \u201cA gota d\u2019\u00e1gua foram os massacres que vi no Qu\u00eania. Os ve\u00edculos de transporte p\u00fablico cruzavam as ruas, lotados de passageiros, e fazendo manobras imprudentes, saindo das ruas e jogando os passageiros no ch\u00e3o. Perdemos tantas vidas\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Pelo menos dois mil quenianos morreram em acidentes de tr\u00e2nsito nos \u00faltimos nove meses, segundo a imprensa local. Okune espera expandir o uso do Ma3Route para outras regi\u00f5es do Qu\u00eania e j\u00e1 tem em mira Kampala e Dar es Salaam, na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Felix Odongkara, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Automobil\u00edstica de Uganda, acredita que esses aplicativos s\u00e3o uma boa alternativa para informes sobre tr\u00e2nsito apresentados pelas emissoras de r\u00e1dio pela manh\u00e3 e \u00e0 tarde. \u201cOs engarrafamentos em Uganda se agravam. Vivo nesta cidade por mais de 30 anos, e a cada ano fica pior\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cA \u00e1rea vi\u00e1ria n\u00e3o cresce em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quantidade de carros e moradores. Al\u00e9m dos \u2018matatus\u2019 e dos \u2018bodabodas\u2019, n\u00e3o h\u00e1 transporte p\u00fablico. As fam\u00edlias levam todos os carros para o centro\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Odongkara disse que a \u00fanica limita\u00e7\u00e3o para aplicativos como o RoadConexion \u00e9 que muita gente n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet em suas casas, e outros nem mesmo no trabalho. E, ainda que a tenham, h\u00e1 os que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a informar problemas de tr\u00e2nsito porque j\u00e1 tiveram m\u00e1s experi\u00eancias ao denunciar e serem tratados como suspeitos pela pol\u00edcia. O Banco Mundial prev\u00ea que as mortes por acidentes de tr\u00e2nsito em Uganda poder\u00e3o aumentar at\u00e9 80% at\u00e9 2020. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Qu&ecirc;nia, 7\/2\/2014 &ndash; Tem o aviso bom: &ldquo;H&aacute; uma pequena demora de um minuto&rdquo;. Tem o ruim: &ldquo;H&aacute; um terr&iacute;vel engarrafamento&rdquo;. 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