{"id":17145,"date":"2014-02-10T12:49:14","date_gmt":"2014-02-10T12:49:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107598"},"modified":"2014-02-10T12:49:14","modified_gmt":"2014-02-10T12:49:14","slug":"energia-nuclear-aviva-campanha-eleitoral-em-toquio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/energia-nuclear-aviva-campanha-eleitoral-em-toquio\/","title":{"rendered":"Energia nuclear aviva campanha eleitoral em T\u00f3quio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107599\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Japan-protest-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-107599 \" alt=\"Japan protest 629x419 Energia nuclear aviva campanha eleitoral em T\u00f3quio\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Japan-protest-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Energia nuclear aviva campanha eleitoral em T\u00f3quio\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um protesto em T\u00f3quio contra a energia nuclear. Foto: Suvendrini Kakuchi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 10\/2\/2014 \u2013 A capital do Jap\u00e3o, uma das maiores cidades do mundo e das mais \u00e1vidas por energia, votou ontem para eleger seu novo governador. O resultado pode ser crucial para deter a inten\u00e7\u00e3o do governo de reiniciar alguns reatores nucleares este ano. Tamb\u00e9m poder\u00e1 dar um importante impulso \u00e0s fontes renov\u00e1veis de energia.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 os dirigentes pol\u00edticos podem p\u00f4r fim \u00e0 perigosa energia at\u00f4mica no Jap\u00e3o. Por isso \u00e9 vital que o candidato antinuclear mais popular do pa\u00eds tenha um s\u00f3lido desempenho nas elei\u00e7\u00f5es deste m\u00eas\u201d, afirmou Yurika Ayukawa, especialista em mudan\u00e7a clim\u00e1tica da Universidade de Com\u00e9rcio da China. \u201cA dolorosa ironia \u00e9 que o Jap\u00e3o j\u00e1 lidera em tecnologias inovadoras livres de carbono que podem substituir a fonte nuclear\u201d, ponderou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O candidato a governador Morihiro Hosokawa, ex-primeiro-ministro (1993-1994) que rompeu com a hegemonia do poderoso Partido Liberal Democr\u00e1tico (PLD), \u00e9 o novo rosto do movimento antinuclear no Jap\u00e3o. Ele entrou na campanha em janeiro, mas sua promessa de proibir a energia at\u00f4mica e impulsionar as fontes renov\u00e1veis teve um impacto imediato em um p\u00fablico ainda preocupado pelas consequ\u00eancias do acidente na central de Fukushima, em 11 de mar\u00e7o de 2011, em raz\u00e3o de um terremoto seguido de tsunami. \u201cSe for eleito adotarei uma pol\u00edtica de zero energia at\u00f4mica. A mensagem ao mundo \u00e9 que o Jap\u00e3o substituir\u00e1 a perigosa energia nuclear por fontes renov\u00e1veis\u201d, disse Hosokawa \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Seu advers\u00e1rio \u00e9 Yoichi Masuzoe, que tem apoio do primeiro-ministro, Shinzo Abe, do PLD. Ao contr\u00e1rio de Hosokawa, ele promove a energia at\u00f4mica como op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para sustentar a economia japonesa, a terceira maior do mundo. O setor industrial \u00e9 respons\u00e1vel por 43% dos quase 860 bilh\u00f5es de quilowatts de eletricidade consumidos no pa\u00eds em 2011. O transporte p\u00fablico ficou em segundo lugar, com 24%. Apesar de a \u00e1rea de Fukushima continuar contaminada por radia\u00e7\u00e3o, Abe insiste que a energia nuclear \u00e9 necess\u00e1ria e vi\u00e1vel se forem adotadas melhores medidas de seguran\u00e7a nos reatores.<\/p>\n<p>O governo do PLD apoia h\u00e1 muito tempo essa lucrativa fonte e concedeu subs\u00eddios para que as empresas el\u00e9tricas constru\u00edssem grandes centrais at\u00f4micas, que atendiam quase 30% da demanda energ\u00e9tica do pa\u00eds at\u00e9 o acidente de Fukushima. Mas a cat\u00e1strofe for\u00e7ou o governo a apoiar a explora\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis, para responder \u00e0 desconfian\u00e7a p\u00fablica e encontrar uma alternativa para os combust\u00edveis f\u00f3sseis, importados quando foi preciso desligar os reatores nucleares.<\/p>\n<p>Uma clara mudan\u00e7a da pol\u00edtica energ\u00e9tica tradicional foi a decis\u00e3o de destinar, nos \u00faltimos dois anos, fundos estatais e adotar medidas de desregulamenta\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de fontes com baixa emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono, como a solar, a e\u00f3lica e a de biomassa. A pol\u00edtica nacional energ\u00e9tica de 2012, por exemplo, estabeleceu novas metas para as fontes renov\u00e1veis, que agora, cobrem 11% da demanda nacional e dever\u00e3o passar para 35% at\u00e9 2030. Para isso ser\u00e3o destinados mais de US$ 700 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Um passo importante foi a ado\u00e7\u00e3o em abril de 2013 de um novo sistema de tarifas reguladas (<i>feed-in-tariff<\/i>), destinado a abrir o protegido e lucrativo mercado das empresas de servi\u00e7os p\u00fablicos e estimular os investimentos em energias renov\u00e1veis. Segundo esse sistema, o Estado interv\u00e9m nos pre\u00e7os da energia renov\u00e1vel que uma produtora privada vende \u00e0s grandes empresas de servi\u00e7os el\u00e9tricos, estabelecendo tarifas especiais ou pr\u00eamios para que possa assegurar a recupera\u00e7\u00e3o de seu investimento inicial.<\/p>\n<p>Deste regime se beneficiou, por exemplo, a Solar Sharing Association, companhia privada que fornece pain\u00e9is solares a agricultores. Estes geram sua pr\u00f3pria eletricidade em suas terras e vendem o excedente. \u201cNossa empresa busca incrementar a produ\u00e7\u00e3o de energia solar e diminuir a depend\u00eancia da nuclear. Nos focamos nos agricultores, que querem ampliar a renda\u201d, declarou seu porta-voz, Mayumi Yamada. A empresa tem mais de cem empregados.<\/p>\n<p>Kenta Hiaasa, um agricultor que investiu em julho US$ 8 mil para instalar pain\u00e9is solares em suas terras, disse que agora sua renda mensal chega a US$ 1,5 mil. No setor agr\u00edcola tamb\u00e9m se multiplica a energia e\u00f3lica. Um dos objetivos \u00e9 estend\u00ea-la \u00e0s assoladas costas do nordeste do pa\u00eds, que sofreram o impacto do tsunami. A Hokkaido Power Company prometeu comprar 390 quilowatts de energia e\u00f3lica (equivalente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de tr\u00eas reatores nucleares) de empresas privadas nos pr\u00f3ximos dez anos. O projeto custar\u00e1 \u00e0 empresa US$ 30 milh\u00f5es, em sua maior parte procedente do novo sistema de tarifas reguladas.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar desses avan\u00e7os, o maior obst\u00e1culo para as energias renov\u00e1veis no Jap\u00e3o continua sendo a falta de uma clara postura do governo a respeito da pol\u00edtica nuclear, pontuou a especialista Ayukawa. \u201cGrande parte das estimativas e metas oficiais de compra de energia alternativa s\u00e3o tra\u00e7adas pelas empresas sob a suposi\u00e7\u00e3o de que a energia nuclear continua sendo uma op\u00e7\u00e3o. Essa pol\u00edtica n\u00e3o constitui um fundamento est\u00e1vel para expans\u00e3o das fontes renov\u00e1veis\u201d, acrescentou. Por esta raz\u00e3o, as elei\u00e7\u00f5es para governador de T\u00f3quio poder\u00e3o ser o primeiro degrau da t\u00e3o esperada mudan\u00e7a pol\u00edtica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 10\/2\/2014 &ndash; A capital do Jap&atilde;o, uma das maiores cidades do mundo e das mais &aacute;vidas por energia, votou ontem para eleger seu novo governador. O resultado pode ser crucial para deter a inten&ccedil;&atilde;o do governo de reiniciar alguns reatores nucleares este ano. 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