{"id":17146,"date":"2014-02-10T12:44:38","date_gmt":"2014-02-10T12:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107594"},"modified":"2014-02-10T12:44:38","modified_gmt":"2014-02-10T12:44:38","slug":"o-norte-de-mali-segue-em-crise-enquanto-o-sul-se-recupera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/o-norte-de-mali-segue-em-crise-enquanto-o-sul-se-recupera\/","title":{"rendered":"O norte de Mali segue em crise enquanto o sul se recupera"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107595\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Mali1.jpg\"><img class=\" wp-image-107595 \" alt=\"Mali1 O norte de Mali segue em crise enquanto o sul se recupera\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Mali1.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"O norte de Mali segue em crise enquanto o sul se recupera\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pessoas lavando roupa em \u00e1guas do rio N\u00edger, em Bamako. Foto: Marc-Andre Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bamako, Mali, 10\/2\/2014 \u2013 Sob o abrasador sol vespertino, Daouda Dicko lava as roupas de seus clientes na encosta do rio N\u00edger, que atravessa a capital de Mali. \u201cH\u00e1 dois anos comecei a fazer este trabalho para sobreviver. Agora estou acostumado e me agrada o dinheiro extra que rende\u201d, disse \u00e0 IPS este homem, que tamb\u00e9m trabalha como jardineiro.<\/p>\n<p>Dicko se esfor\u00e7ou para alimentar sua fam\u00edlia durante a crise em Mali, em mar\u00e7o de 2012, quando os rebeldes tuaregues e os isl\u00e2micos tomaram o controle de quase dois ter\u00e7os desse pa\u00eds do ocidente africano. Mas a interven\u00e7\u00e3o militar da Fran\u00e7a libertou o norte em janeiro de 2013 e levou a elei\u00e7\u00f5es no pa\u00eds em julho do mesmo ano. O conflito destruiu a economia de Mali e gerou press\u00e3o sobre as fam\u00edlias. Mas a situa\u00e7\u00e3o agora mostra lentos sinais de melhoria no sul.<\/p>\n<p>Binetou Diarra acomoda tomates em sua banca de madeira do Quartier du Fleuve, um mercado de Bamako. \u201cOs pre\u00e7os aumentaram muito h\u00e1 um ano. Mas agora praticamente voltaram \u00e0 normalidade\u201d, disse \u00e0 IPS esta mulher de 37 anos, vestindo uma camiseta da campanha presidencial do ano passado. O \u00f3leo de cozinha, que aumentou para o equivalente a US$ 2,47 em setembro de 2012, agora baixou para US$ 1,75. Mas em Bamako n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nos bolsos dos consumidores que se nota sinais vis\u00edveis de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Os hot\u00e9is, fechados entre 2012 e 2013, reabriram. Mas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o cheios com os 250 mil turistas que, segundo o Escrit\u00f3rio de Turismo de Mali, chegaram ao pa\u00eds em 2009. O Hotel de l\u2019Amiti\u00e9, um dos maiores edif\u00edcios de Bamako, se converteu na sede da miss\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) na capital. Outros hot\u00e9is est\u00e3o repletos de pessoal de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e de outras miss\u00f5es para ajudar Mali a retomar seu caminho.<\/p>\n<p>Os restaurantes e outros com\u00e9rcios tamb\u00e9m est\u00e3o ocupados com o regresso de expatriados. Fatoumata Coulibaly e seus amigos t\u00eam com\u00e9rcios perto de v\u00e1rios bairros de expatriados. E o regresso deles tem um efeito direto sobre seus faturamentos. \u201cEst\u00e1 entrando mais dinheiro. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sobreviver, mas somos positivos. Sabemos que o pior ficou para atr\u00e1s\u201d, afirmou a IPS.<\/p>\n<p><b>Rumo ao crescimento<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>Em janeiro, Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), disse que o produto interno bruto de Mali aumentar\u00e1 6,6% ao ano, corrigindo, assim, uma previs\u00e3o anterior de 5,7%. Lagarde disse \u00e0 imprensa em Mali que o pa\u00eds deveria avan\u00e7ar para a recupera\u00e7\u00e3o. \u201cAgora temos que fortalecer os fundamentos econ\u00f4micos para aumentar o crescimento, gerar empregos e reduzir a pobreza\u201d, acrescentou. No entanto, haver\u00e1 desafios.<\/p>\n<p>Quando foram impostas san\u00e7\u00f5es a Mali depois do golpe de Estado de 2012, o pa\u00eds perdeu 30% de seu or\u00e7amento de US$ 3,5 bilh\u00f5es, que dependia da ajuda estrangeira. Os escrit\u00f3rios do governo centralizados na Cidade Administrativa, um complexo localizado na costa do rio N\u00edger, se converteram em um distrito fantasma durante um ano, devido \u00e0 escassez de dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cFicamos totalmente paralisados durante a crise. Recebi meu sal\u00e1rio, mas atrasado. N\u00e3o havia or\u00e7amento para realizar opera\u00e7\u00f5es. Mas agora as coisas voltam \u00e0 normalidade. Nos pagam e temos as ferramentas para trabalhar\u201d, contou \u00e0 IPS Fofana Daouda, funcion\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No entanto, enquanto a capital experimenta uma lenta recupera\u00e7\u00e3o, o norte ainda carece de oportunidades econ\u00f4micas, e muitos ainda vivem na pobreza extrema, disse Dedeou Traore, membro do parlamento pela regi\u00e3o de Niafunk\u00e9, do norte. \u201cA economia \u00e9 ruim\u201d, afirmou \u00e0 IPS. Os habitantes do norte, cujo sustento dependia em grande parte da agricultura de subsist\u00eancia perderam tudo. \u201cEm Niafunk\u00e9, o prefeito est\u00e1 de volta, mas a justi\u00e7a e outras institui\u00e7\u00f5es estatais n\u00e3o voltaram. As pessoas se sentem abandonadas\u201d, explicou o parlamentar.<\/p>\n<p>Em maio de 2013, doadores internacionais ofereceram quase US$ 3,5 bilh\u00f5es para reconstruir Mali. Mas na semana passada voltaram a se reunir em Bruxelas porque s\u00f3 entregaram metade dos fundos prometidos. Enquanto isso, um relat\u00f3rio, divulgado no dia 5, pela Oxfam Internacional pede melhor governan\u00e7a e melhor distribui\u00e7\u00e3o dos recursos estatais. O documento denuncia que \u201co impacto combinado de descentraliza\u00e7\u00e3o fr\u00e1gil, corrup\u00e7\u00e3o e falta de transpar\u00eancia na destina\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e na distribui\u00e7\u00e3o da ajuda causou uma cren\u00e7a generalizada de que os cidad\u00e3os do pa\u00eds n\u00e3o recebem do governo o que lhes cabe\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o no norte de Mali \u00e9 fr\u00e1gil. Os doadores n\u00e3o devem esquecer que mais de 800 mil pessoas precisam de ajuda alimentar imediata devido ao impacto do conflito, \u00e0s m\u00e1s colheitas e \u00e0s chuvas escassas. Mali precisa de uma resposta exaustiva aos muitos desafios que enfrenta\u201d, disse Mohammad L. Coulibaly, diretor da Oxfam neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>Aicha Belco Maiga integra o partido do presidente Ibrahim Boubacar Keita, que tem maioria no parlamento. Ela representa a regi\u00e3o de Tessalit, um dos lugares mais isolados e \u00e1ridos de Mali, perto da fronteira com a Arg\u00e9lia. \u201cEm Tessalit est\u00e3o paralisadas todas as atividades econ\u00f4micas. A localidade est\u00e1 vazia. As pessoas que ficaram tiveram que vender seus pertences para comprar alimentos. N\u00e3o h\u00e1 nada para comer. N\u00e3o h\u00e1 uma administra\u00e7\u00e3o que funcione. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim que se v\u00ea que s\u00e3o trocados mais dinares argelinos do que francos CFA. Essa popula\u00e7\u00e3o precisa de nossa ajuda. A economia n\u00e3o est\u00e1 em crise. Est\u00e1 morta\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Bamako, Mali, 10\/2\/2014 &ndash; Sob o abrasador sol vespertino, Daouda Dicko lava as roupas de seus clientes na encosta do rio N&iacute;ger, que atravessa a capital de Mali. &ldquo;H&aacute; dois anos comecei a fazer este trabalho para sobreviver. 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