{"id":17150,"date":"2014-02-11T13:46:08","date_gmt":"2014-02-11T13:46:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107682"},"modified":"2014-02-11T13:46:08","modified_gmt":"2014-02-11T13:46:08","slug":"mexico-avanca-em-perigoso-experimento-com-autodefesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/mexico-avanca-em-perigoso-experimento-com-autodefesas\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico avan\u00e7a em perigoso experimento com autodefesas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107683\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Mexico.jpg\"><img class=\" wp-image-107683 \" alt=\"Mexico M\u00e9xico avan\u00e7a em perigoso experimento com autodefesas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Mexico.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"M\u00e9xico avan\u00e7a em perigoso experimento com autodefesas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de autodefesa na zona de Tierra Caliente, em Michoac\u00e1n, que desde 2013 combate de forma ilegal o cartel do narcotr\u00e1fico e que agora o governo busca regularizar. Foto: F\u00e9lix M\u00e1rquez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 11\/2\/2014 \u2013 \u201cNo longo prazo, o que nos dar\u00e1 a regulamenta\u00e7\u00e3o das autodefesas? Acredita que tenho aptid\u00e3o ou voca\u00e7\u00e3o profissional para ser policial?\u201d, questionou Juan Carlos Trujillo, um ativista pela paz do estado mexicano de Michoac\u00e1n. Fugitivo da viol\u00eancia e com quatro irm\u00e3os desaparecidos, Trujillo, da localidade de Pajacuar\u00e1n, n\u00e3o espera muito da \u00faltima estrat\u00e9gia do governo do presidente Enrique Pe\u00f1a Nieto para enfrentar a guerra travada nesse Estado do sudoeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os protagonistas da batalha s\u00e3o, de um lado, os Cavaleiros Templ\u00e1rios, principal cartel do narcotr\u00e1fico assentado na regi\u00e3o e, de outro, as autodefesas de Michoac\u00e1n, uma esp\u00e9cie de confedera\u00e7\u00e3o de grupos civis armados ilegalmente, formado em abril de 2013, diante da falta de resposta do Estado para garantir sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois de meses de choques armados, que chegaram a um ponto culminante em janeiro, as autodefesas acompanharam, no dia 9 deste m\u00eas, efetivos policiais e militares na tomada do munic\u00edpio de Apatzing\u00e1n, considerado um reduto dos Templ\u00e1rios, sem disparar um s\u00f3 tiro e sem capturar nenhum chefe desse cartel. Cerca de cem membros desarmados das autodefesas fizeram uma marcha pela paz e asseguraram que n\u00e3o partir\u00e3o do munic\u00edpio \u201cenquanto este n\u00e3o estiver limpo\u201d.<\/p>\n<p>Essa opera\u00e7\u00e3o aconteceu depois da assinatura, em 27 de janeiro, de um ins\u00f3lito conv\u00eanio entre o governo mexicano, o governador de Michoac\u00e1n, Fausto Vallejo, e os l\u00edderes das autodefesas, que responde \u00e0 decis\u00e3o presidencial de incorporar dez mil civis armados ilegalmente em Michoac\u00e1n aos Corpos de Defesa Rurais das pol\u00edcias municipais.<\/p>\n<p>O primeiro dos oito pontos desse acordo diz que \u201cas autodefesas ser\u00e3o institucionalizadas ao se incorporarem aos Corpos de Defesa Rurais\u201d. Para isso dever\u00e3o apresentar uma lista com os nomes de seus integrantes e o registro ser\u00e1 controlado pelo ex\u00e9rcito. As autodefesas tamb\u00e9m est\u00e3o obrigadas a registrar as armas que possuem ou portam, enquanto as for\u00e7as federais se comprometem e \u201cfornecer as ferramentas necess\u00e1rias para sua comunica\u00e7\u00e3o, traslado e opera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No complicado quebra-cabe\u00e7a de Michoac\u00e1n, o acordo n\u00e3o convence ningu\u00e9m. Especialistas em seguran\u00e7a alertam para o perigo de legitimar um modelo paramilitar. Erubiel Tirado, pesquisador da Universidade Iberoamericana, disse \u00e0 revista <i>Processo<\/i> que o governo \u201ccombateu ilegalidade com ilegalidade\u201d e que criou, com as autodefesas, uma \u201cvers\u00e3o p\u00f3s-moderna de Chucho el Roto\u201d, sobrenome de Jes\u00fas Arriaga (1858-1894), um m\u00edtico ladr\u00e3o mexicano que, como Robin Hood, roubava dos ricos para dar aos pobres.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o, sobretudo das organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos, \u00e9 que as mesmas regras s\u00e3o aplicadas aos diferentes grupos de autodefesas criados no pa\u00eds nos \u00faltimos anos. \u201cN\u00e3o se pode estabelecer uma medida geral para todas as autodefesas. Deve ser caso a caso\u201d, opinou \u00e0 IPS a advogada Karla Michelle Salas, da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Advogados Democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Para Salas, \u201cdeve-se distinguir casos como os de Cher\u00e1n ou a Comunit\u00e1ria de Guerrero, onde as autodefesas obedecem a uma forma hist\u00f3rica de organiza\u00e7\u00e3o dos povos mediante seus usos e costumes\u201d. A advogada insistiu que \u201ctampouco temos todos que nos tornar policiais porque o Estado n\u00e3o cumpre a obriga\u00e7\u00e3o de garantir a seguran\u00e7a. Para muitos dentro dos grupos de autodefesas, n\u00e3o interessa se manter armado e, na medida em que o Estado faz seu trabalho, poder\u00e3o deixar as armas\u201d.<\/p>\n<p>O Conselho Maior do povo ind\u00edgena de Cher\u00e1n, de aproximadamente 13 mil habitantes, tamb\u00e9m v\u00ea com desconfian\u00e7a o acordo. \u201cTivemos cuidado para que n\u00e3o registrem nossos nomes\u201d no acordo de regulariza\u00e7\u00e3o das autodefesas, explicou \u00e0 IPS um dos integrantes do Conselho, Trinidad Ram\u00edrez. \u201cO que prop\u00f5em \u00e9 coopt\u00e1-los para integr\u00e1-los \u00e0 pol\u00edcia, mas se a pol\u00edcia \u00e9 frequentemente levada a reboque pelo crime, n\u00e3o podemos esperar que isso seja bom\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Cher\u00e1n \u00e9 uma comunidade pur\u00e9pecha que ficou famosa porque, em abril de 2011, se entrincheirou contra grupos criminosos que saqueavam suas terras, dep\u00f4s suas autoridades municipais e instaurou um governo baseado em suas tradi\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o o povoado est\u00e1 cercado por barricadas e protegido por seus pr\u00f3prios moradores. Pelas cabe\u00e7as desses pur\u00e9pechas n\u00e3o passa a menor possibilidade de se desarmar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vamos deixar as armas\u201d, assegurou Ram\u00edrez. \u201cTemos li\u00e7\u00f5es aprendidas porque a gente tem mem\u00f3ria. E porque ningu\u00e9m est\u00e1 acabando com o crime em Michoac\u00e1n, cujas m\u00e1fias est\u00e3o apenas se reacomodando\u201d, afirmou. O dirigente pur\u00e9pecha destacou que \u201cdesmantelar um desses grupos vai al\u00e9m dos l\u00edderes, porque possuem uma estrutura de organiza\u00e7\u00e3o que se um cai j\u00e1 tem que o substitua\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio n\u00e3o poderia ser mais complexo e o acordo entre governo e autodefesas deixa, no momento, mais d\u00favidas do que certezas, al\u00e9m de ser visto por muitos analistas como um golpe publicit\u00e1rio de Nieto. O presidente se atreve a aventurar uma sa\u00edda pr\u00f3xima do conflito, no qual o governo mexicano tem uma atitude ambivalente. As autodefesas proporcionam informa\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as regulares e v\u00e1rias vezes as acompanharam em opera\u00e7\u00f5es para recuperar um povoado sob controle dos Templ\u00e1rios. Contudo, em outros momentos, ficam sozinhas.<\/p>\n<p>Em 13 de janeiro o governo lan\u00e7ou uma opera\u00e7\u00e3o para desarmar os grupos de autodefesas, que acabou com tr\u00eas civis mortos. Por\u00e9m, n\u00e3o houve desarmamento, e em 21 de janeiro, os Templ\u00e1rios e as autodefesas se enfrentaram a tiros durante tr\u00eas horas em duas comunidades dos munic\u00edpios de Par\u00e1cuaro e Apatzing\u00e1n, enquanto um helic\u00f3ptero do ex\u00e9rcito sobrevoava a \u00e1rea com ordem de n\u00e3o intervir, segundo os jornalistas locais. \u201c\u00c9 a estrat\u00e9gia \u2018Iodex\u2019, de morde e assopra\u201d, observou Arturo Cano, experiente jornalista do di\u00e1rio <i>La Jornada<\/i>, de circula\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Para os moradores de Michoac\u00e1n, as possibilidades de normalizar sua vida ainda parecem distantes. \u201cGostaria de regressar ao meu povoado e fazer uma organiza\u00e7\u00e3o que aponte e vigie os governantes\u201d, contou o ativista Trujillo. \u201cCreio que estes senhores das autodefesas poderiam fazer o mesmo, mas n\u00e3o como grupos inseridos no Estado, mas como um observat\u00f3rio cidad\u00e3o. Essa \u00e9 minha humilde opini\u00e3o, mas agora&#8230; pois n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Trujillo \u00e9 mais uma das v\u00edtimas da guerra mexicana contra os cart\u00e9is da droga, instaurada pelo presidente anterior, Felipe Calder\u00f3n (2006-2012), que j\u00e1 deixou mais de 80 mil mortos e 20 mil desaparecidos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 11\/2\/2014 &ndash; &ldquo;No longo prazo, o que nos dar&aacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o das autodefesas? Acredita que tenho aptid&atilde;o ou voca&ccedil;&atilde;o profissional para ser policial?&rdquo;, questionou Juan Carlos Trujillo, um ativista pela paz do estado mexicano de Michoac&aacute;n. 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