{"id":17151,"date":"2014-02-11T13:41:35","date_gmt":"2014-02-11T13:41:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107678"},"modified":"2014-02-11T13:41:35","modified_gmt":"2014-02-11T13:41:35","slug":"suicidio-tira-do-armario-minorias-sexuais-do-azerbaijao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/suicidio-tira-do-armario-minorias-sexuais-do-azerbaijao\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio tira do arm\u00e1rio minorias sexuais do Azerbaij\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107679\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/azeri-640-629x375.jpg\"><img class=\" wp-image-107679 \" alt=\"azeri 640 629x375 Suic\u00eddio tira do arm\u00e1rio minorias sexuais do Azerbaij\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/azeri-640-629x375.jpg\" width=\"529\" height=\"275\" title=\"Suic\u00eddio tira do arm\u00e1rio minorias sexuais do Azerbaij\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O suic\u00eddio de Shakhmarly mobilizou a comunidade LGBT. Foto: Free LGBT<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Baku, Azerbaij\u00e3o, 11\/2\/2014 \u2013 O suic\u00eddio de um ativista homossexual no Azerbaij\u00e3o est\u00e1 empurrando a comunidade de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) deste pa\u00eds asi\u00e1tico a redobrar sua luta pelos direitos civis. Isa Shakhmarly, de 20 anos, presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Free LGBT, morreu no dia 22 de janeiro se enforcando com a bandeira do arco-\u00edris, s\u00edmbolo da comunidade, em seu apartamento de Baku.<\/p>\n<p>Em seu bilhete de suicida, acusou a sociedade azeri de lev\u00e1-lo a sacrificar sua vida. \u201cEste mundo&#8230; n\u00e3o \u00e9 digno de levar minhas cores\u201d, escreveu. A comunidade LGBT at\u00e9 agora mantinha um perfil relativamente baixo na conservadora sociedade do pa\u00eds. Mas a morte de Shakhmarly a levou a iniciar a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No dia 27 de janeiro, mais de 20 ativistas realizaram uma entrevista coletiva em Baku para anunciar a coleta de assinaturas a fim de promover um projeto de lei de prote\u00e7\u00e3o das minorias sexuais, al\u00e9m de lan\u00e7ar uma campanha de informa\u00e7\u00e3o e criar uma linha telef\u00f4nica pela qual ser\u00e1 fornecido aconselhamento psicol\u00f3gico a v\u00edtimas de homofobia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m designaram 22 de janeiro como \u201cDia do orgulho da comunidade LGBT no Azerbaij\u00e3o\u201d. A entrevista coletiva foi a primeira convocada em Baku por ativistas dessa comunidade, e aconteceu sem contratempos. Depois houve um <i>flash mob<\/i> (ato rel\u00e2mpago) no centro da capital em mem\u00f3ria de Shakhmarly, tamb\u00e9m sem incidentes.<\/p>\n<p>Os ativistas tentam capitalizar o fato de o Azerbaij\u00e3o assumir em mar\u00e7o a presid\u00eancia do Conselho da Europa, principal organiza\u00e7\u00e3o regional de direitos humanos, com 47 Estados membros. \u201cAproveitaremos essa oportunidade para exigir mais reformas nessa \u00e1rea\u201d, disse Javid Nabiyev, amigo de Shakhmarly e l\u00edder da Nefes (Alento), organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos da comunidade LGBT.<\/p>\n<p>Em 24 de janeiro o relator do Conselho da Europa sobre direitos LGBT, Robert Bedron, divulgou um comunicado expressando sua preocupa\u00e7\u00e3o pelo suic\u00eddio de Shakhmarly. A campanha pelos direitos civis no Azerbaij\u00e3o tem potencial para derivar em um confronto, como ocorreu na vizinha Ge\u00f3rgia, em maio de 2013. A homossexualidade deixou de ser crime no Azerbaij\u00e3o em 2000, e a Constitui\u00e7\u00e3o consagra a \u201cigualdade de todas as pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, a maioria dos azeris n\u00e3o aceita as demonstra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de afeto entre pessoas do mesmo sexo nem a reivindica\u00e7\u00e3o da identidade homossexual. Os clubes para gays n\u00e3o existem no pa\u00eds. \u201cN\u00e3o somos aceitos pela sociedade, nem pelos pais, nem pelos familiares, nem pelos vizinhos, nem pelos companheiros de classe, etc.\u201d, argumentou Nabiyev na entrevista coletiva. \u201cAlgumas pessoas nos evitam, enquanto outras mostram aberta intoler\u00e2ncia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Amigos de Shakhmarly afirmam que o jovem vivia sozinho \u2013 algo incomum na sociedade azeri \u2013 j\u00e1 que sua fam\u00edlia n\u00e3o aceitava sua homossexualidade. Seu suic\u00eddio parece n\u00e3o ter sido resultado de uma decis\u00e3o espont\u00e2nea. No dia anterior \u00e0 sua morte, pagou todas suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Uma membro do parlamento que pediu para n\u00e3o ser identificado acredita que legislar, como prop\u00f5e a comunidade LGBT, n\u00e3o ajudaria muito para que essas pessoas ganhem aceita\u00e7\u00e3o social. \u201cA lei n\u00e3o pode mudar a atitude das pessoas. \u00c9 preciso um melhor trabalho educativo\u201d, afirmou. A legisla\u00e7\u00e3o azeri j\u00e1 est\u00e1 em sintonia \u201ccom os padr\u00f5es europeus (Conselho da Europa) para a prote\u00e7\u00e3o dos direitos LGBT\u201d, acrescentou o parlamentar, que trabalha em temas sociais. \u201cN\u00e3o h\u00e1 necessidade de aprovar uma nova lei\u201d, ressaltou, prevendo que o parlamento n\u00e3o estar\u00e1 disposto a discutir nenhum projeto sobre o assunto.<\/p>\n<p>Os ativistas dirigem sua frustra\u00e7\u00e3o para a sociedade em geral, mais do que \u00e0s autoridades, mas t\u00eam raz\u00f5es de estarem preocupados pela atitude do governo. Nesse pa\u00eds, h\u00e1 v\u00e1rios grupos que re\u00fanem membros da comunidade, mas nenhum registrado oficialmente como organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental, nem mesmo a Free LGBT. Embora n\u00e3o haja registros oficiais de casos de viol\u00eancia contra as minorias sexuais, a pol\u00edcia nem sempre atende suas den\u00fancias quando s\u00e3o v\u00edtimas de preconceito ou ass\u00e9dio, contou a ativista Gulnara Azimzade, da Free LGBT. \u201cEm geral, \u00e9 in\u00fatil, porque a atitude da pol\u00edcia em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s \u00e9 humilhante\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre o suic\u00eddio e os acontecimentos que se seguiram oscilou entre solidariedade com o falecido e neutralidade. Mas o ambiente \u00e9 diferente na internet, onde muitos usu\u00e1rios de f\u00f3runs e redes sociais, especialmente crentes mu\u00e7ulmanos, publicaram coment\u00e1rios homof\u00f3bicos contra Shakhmarly e a comunidade LGBT.<\/p>\n<p>A mesma hostilidade se viu durante o funeral do ativista, no conservador sub\u00farbio de Bina, na capital. Alguns moradores jogaram pedras contra os amigos de Shakhmarly e seus autom\u00f3veis. No dia anterior, um mul\u00e1 isl\u00e2mico de Bina afirmara que o passado de uma pessoa n\u00e3o podia tirar seu direito a um enterro. Mas os ativistas insistem que as pedras e os insultos n\u00e3o os desanimar\u00e3o. \u201cIsa morreu, mas sua luta pela igualdade de todas as pessoas no Azerbaij\u00e3o continua\u201d, ressaltou Nabiayev. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* <strong>Shahin Abbasov<\/strong> \u00e9 correspondente free-lance em Baku. Este artigo foi publicado originalmente no EurasiaNet.org.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Baku, Azerbaij&atilde;o, 11\/2\/2014 &ndash; O suic&iacute;dio de um ativista homossexual no Azerbaij&atilde;o est&aacute; empurrando a comunidade de l&eacute;sbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) deste pa&iacute;s asi&aacute;tico a redobrar sua luta pelos direitos civis. 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