{"id":17156,"date":"2014-02-12T13:21:31","date_gmt":"2014-02-12T13:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107748"},"modified":"2014-02-12T13:21:31","modified_gmt":"2014-02-12T13:21:31","slug":"filipinas-tenta-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/filipinas-tenta-a-paz\/","title":{"rendered":"Filipinas tentam a paz"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107750\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/MILF_militant_laying_prone.jpg\"><img class=\" wp-image-107750 \" alt=\"MILF militant laying prone Filipinas tentam a paz\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/MILF_militant_laying_prone.jpg\" width=\"500\" height=\"269\" title=\"Filipinas tentam a paz\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um combatente da FMLI treina com uma metralhadora M60. Foto: Keith Kristoffer Bacongco CC B Y 2.5<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Manila, Filipinas, 12\/2\/2014 \u2013 O acordo de paz assinado entre o governo e o maior grupo rebelde e separatista do pa\u00eds, a Frente Moro de Liberta\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica (FMLI), ap\u00f3s dois anos de intensas negocia\u00e7\u00f5es, abre caminho para resolver uma das guerras internas do mundo. O acordo de 25 de janeiro estabelece o desarmamento e um processo de integra\u00e7\u00e3o de aproximadamente 12 mil combatentes da FMLI \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a filipinas.<\/p>\n<p>Assim, seria poss\u00edvel p\u00f4r fim ao principal desafio armado \u00e0 integridade territorial das Filipinas e a quatro d\u00e9cadas de um conflito que deixou 150 mil mortos, na maioria civis, na ilha de Mindanao, ao sul. Por outro lado, o governo facilitar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o da entidade pol\u00edtica aut\u00f4noma de Bangsamoro nas regi\u00f5es predominantemente mu\u00e7ulmanas de Mindanao. Se prev\u00ea que o Congresso filipino d\u00ea exist\u00eancia legal \u00e0 nova entidade este ano.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, vozes cr\u00edticas duvidam da viabilidade do acordo de paz e questionam a escassa inclus\u00e3o com que foram celebradas as negocia\u00e7\u00f5es. \u201cChegar at\u00e9 aqui implicou um caminho dif\u00edcil e sabemos que o que temos pela frente continuar\u00e1 repleto de desafios\u201d, afirmou Teresita Deles, assessora presidencial especial para as negocia\u00e7\u00f5es de paz. \u201cEm um mundo que busca solu\u00e7\u00f5es pac\u00edficas para todos os problemas, estamos agradecidos por termos encontrado a nossa\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Decidido a otimizar os dividendos diplom\u00e1ticos das negocia\u00e7\u00f5es, o governo do presidente Benigno Aquino espera finalizar a cria\u00e7\u00e3o de Bangsamoro antes do fim de sua gest\u00e3o, em 2016. Isso significa que a minoria mu\u00e7ulmana poder\u00e1 finalmente desfrutar de uma importante autonomia sociocultural e pol\u00edtica, pois o governo de Bangsamoro ter\u00e1 poder de administrar os recursos naturais e fiscais dessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Governantes de todo o mundo saudaram o acordo, com a esperan\u00e7a de que um Mindanao mais est\u00e1vel contribua para minimizar o fundamentalismo isl\u00e2mico e o extremismo no sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Estado norte-americano, John Kerry, felicitou o governo de Aquino por \u201cconcluir as negocia\u00e7\u00f5es para um acordo de paz hist\u00f3rico e amplo\u201d, e elogiou a promessa de \u201cpaz, seguran\u00e7a e prosperidade econ\u00f4mica para hoje e para as futuras gera\u00e7\u00f5es de Mindanao\u201d. Washington tamb\u00e9m elogiou a Mal\u00e1sia e o Grupo Internacional de Contato, integrado por especialistas em resolu\u00e7\u00e3o de conflitos de todo o mundo, por seu crucial papel na media\u00e7\u00e3o do acordo final, assinado em Kuala Lumpur.<\/p>\n<p>Por outro lado, investidores internacionais se voltam para o potencial econ\u00f4mico do acordo. Estima-se que Mindanao possui recursos naturais n\u00e3o explorados, principalmente minerais, no valor de US$ 300 bilh\u00f5es. Enquanto cresce a inseguran\u00e7a jur\u00eddica em grandes centros de minera\u00e7\u00e3o, como a Indon\u00e9sia, os investidores consideram as perspectivas de operar em grande escala em \u00e1reas ricas em recursos, como Mindanao.<\/p>\n<p>As Filipinas j\u00e1 est\u00e3o entre as economias de crescimento mais r\u00e1pido da \u00c1sia, com um crescimento anual m\u00e9dio do produto interno bruto (PIB) de 6% a 7% nos \u00faltimos anos. O governo de Aquino busca integrar as regi\u00f5es de Mindanao, desatendidas por muito tempo, \u00e0 onda econ\u00f4mica que vive o resto do pa\u00eds. Em Mindanao est\u00e1 uma das regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds. E, nos \u00faltimos anos, a pobreza aumentou nas prov\u00edncias de maioria mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Como Mindanao sofre um relativo atraso em mat\u00e9ria de infraestrutura, os esfor\u00e7os de reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o conflito podem aumentar de modo significativo o gasto interno e os investimentos. Gra\u00e7as \u00e0 sua geografia favor\u00e1vel e \u00e0s suas terras f\u00e9rteis, a ilha tamb\u00e9m tem potencial de celeiro do pa\u00eds. A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Mindanao pode impulsionar o crescimento do PIB filipino em 0,3%, segundo o economista Jeff Ng, da Standard Chartered.<\/p>\n<p>Mas as Filipinas t\u00eam desafios tremendos pela frente. Grupos cindidos, como os Combatentes Isl\u00e2micos pela Liberdade de Bangsamoro, se op\u00f5em ao acordo e est\u00e3o comprometidos a continuar sua luta contra o governo. Imediatamente ap\u00f3s a assinatura do acordo as for\u00e7as armadas lan\u00e7aram uma ofensiva contra este grupo, para erradicar a resist\u00eancia \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o aut\u00f4noma de Bangsamoro.<\/p>\n<p>No ano passado, alguns grupos rebeldes, entre eles membros da organiza\u00e7\u00e3o m\u00e3e da FMLI, a Frente Moro de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FMLN), tentaram sabotar as negocia\u00e7\u00f5es sitiando a cidade de Zamboanga. O resultado foi uma enorme crise humanit\u00e1ria e semanas de confrontos militares, que puseram \u00e0 prova a for\u00e7a das conversa\u00e7\u00f5es. A principal obje\u00e7\u00e3o de outros setores rebeldes \u00e9 que foram exclu\u00eddos dos di\u00e1logos e que n\u00e3o confiam no governo filipino. Em 1996, o governo e a FMLN selaram um acordo de paz que permitiu criar a Regi\u00e3o Aut\u00f4noma de Mindanao Mu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>No entanto, a tentativa fracassou, pois a FMLN deveria enfrentar os desafios de governan\u00e7a nas \u00e1reas menos desenvolvidas das Filipinas. As posteriores administra\u00e7\u00f5es fizeram pouco para cumprir o acordado. O governo de Joseph Estrada (1998-2001), por exemplo, lan\u00e7ou uma guerra aberta contra outros grupos rebeldes, como o FMLI. O ent\u00e3o mandat\u00e1rio dizia que \u201c\u00e0s vezes \u00e9 preciso travar a guerra para ganhar a paz. \u00c9 preciso mostrar que h\u00e1 apenas uma bandeira, for\u00e7as armadas unidas, um governo\u201d.<\/p>\n<p>Entre outras autoridades, Deles reconhece que aquele acordo \u201cn\u00e3o implantou mecanismos de reconstru\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conflito\u201d. O governo n\u00e3o assumiu compromissos cr\u00edveis e sustentados para garantir a reintegra\u00e7\u00e3o social dos rebeldes e a reabilita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas pela guerra. Assim, nada a estranhar o fato de haver d\u00favidas de que o pr\u00f3ximo governo garantir\u00e1 a ajuda adequada \u00e0s autoridades de Bangsamoro.<\/p>\n<p>Para muitas organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, as negocia\u00e7\u00f5es tampouco permitiram que uma s\u00e9rie de comunidades ind\u00edgenas participasse plenamente da concep\u00e7\u00e3o de uma nova entidade aut\u00f4noma em Mindanao. Contudo, a maior amea\u00e7a se origina nos senhores da guerra e nas oligarquias locais, profundamente arraigadas, que tentar\u00e3o sequestrar a nova institucionalidade estabelecendo redes de clientelismo e controle.<\/p>\n<p>Ao que parece, o governo de Aquino gerou suficiente impulso para instaurar uma nova ordem pol\u00edtica em Mindanao. Mas ainda falta ver se a FMLI transitar\u00e1 com \u00eaxito de organiza\u00e7\u00e3o rebelde a agente efetivo de governabilidade em Mindanao, algo que s\u00f3 pode conseguir com um compromisso sustentado das autoridades nacionais durante as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Manila, Filipinas, 12\/2\/2014 &ndash; O acordo de paz assinado entre o governo e o maior grupo rebelde e separatista do pa&iacute;s, a Frente Moro de Liberta&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica (FMLI), ap&oacute;s dois anos de intensas negocia&ccedil;&otilde;es, abre caminho para resolver uma das guerras internas do mundo. 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