{"id":17163,"date":"2014-02-13T14:19:55","date_gmt":"2014-02-13T14:19:55","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107866"},"modified":"2014-02-13T14:19:55","modified_gmt":"2014-02-13T14:19:55","slug":"miami-quer-ser-amiga-de-havana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/miami-quer-ser-amiga-de-havana\/","title":{"rendered":"Miami quer ser amiga de Havana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107867\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Miami.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-107867\" alt=\"Miami 300x200 Miami quer ser amiga de Havana\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Miami-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" title=\"Miami quer ser amiga de Havana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">\u201cNo caminho para a mudan\u00e7a\u201d. Barack Obama, quando era candidato \u00e0 Presid\u00eancia dos Estados Unidos. Foto: Bankole Thompson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Washington, Estados Unidos, 13\/2\/2014 \u2013 Se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quiser ser mais r\u00e1pido e reiniciar as rela\u00e7\u00f5es com Cuba, conta com espa\u00e7o pol\u00edtico para faz\u00ea-lo, segundo a an\u00e1lise de uma pesquisa de opini\u00e3o divulgada em Washington no dia 11. A pesquisa, realizada em janeiro, mostra apoio, de 56% de adultos norte-americanos em todo o pa\u00eds, \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos diplom\u00e1ticos ou a uma aproxima\u00e7\u00e3o mais clara com Havana, com uma oposi\u00e7\u00e3o de apenas um ter\u00e7o (35%).<\/p>\n<p>Mas o resultado pol\u00edtico mais importante \u00e9 que uma maioria mais ampla dos entrevistados (63%) no Estado da Fl\u00f3rida apoia o reatamento de rela\u00e7\u00f5es e um compromisso maior. Apenas 30% dos residentes nesse Estado foram contra. Na Fl\u00f3rida vive a mais numerosa comunidade de cubanos-norte-americanos, incluindo v\u00e1rios dos mais ferozes inimigos do governo de Ra\u00fal Castro no Congresso. Al\u00e9m disso, 62% dos entrevistados de origem latino-americana em todo o pa\u00eds est\u00e3o de acordo com a normaliza\u00e7\u00e3o, e apenas 30% contra.<\/p>\n<p>\u201cAs mudan\u00e7as profundas na pol\u00edtica para Cuba seriam bem recebidas pelo povo norte-americano e mais ainda pelos habitantes da Fl\u00f3rida e pelos latinos\u201d, diz uma an\u00e1lise dos resultados feita por Peter Schechter e Jason Marczak, diretor e subdiretor, respectivamente, do Centro Adrienne Arsht para a Am\u00e9rica Latina do Atlantic Council, um centro de pensamento criado em 1961.<\/p>\n<p>\u201cDurante d\u00e9cadas, a pol\u00edtica da Fl\u00f3rida prevaleceu sobre a pol\u00edtica de Estado. Mas isso mudou. Embora os que se op\u00f5em \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o tenham ao seu lado a emo\u00e7\u00e3o e a determina\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro que a demografia e a imigra\u00e7\u00e3o mudaram a equa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Fl\u00f3rida\u201d, acrescentam os analistas.<\/p>\n<p>A pesquisa, feita por consultores experimentados dos dois grandes partidos do pa\u00eds, o governante Democrata e o opositor Republicano, aparece quando um conjunto de personalidades da Fl\u00f3rida faz um chamado p\u00fablico para mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Cuba, destacou o especialista em Cuba, Marc Hanson, do Escrit\u00f3rio em Washington para Assuntos Latino-Americanos (Wola).<\/p>\n<p>Dois candidatos democratas ao governo da Fl\u00f3rida \u2013 incluindo o ex-republicano Charlie Crist, que governou esse Estado entre 2007 e 2011 \u2013 tamb\u00e9m se manifestaram contra o embargo econ\u00f4mico imposto a Cuba h\u00e1 quase 54 anos. Na semana passada, Alfonso Fanjul, um dos ricos irm\u00e3os cubano-norte-americanos que controlam a ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar na Fl\u00f3rida, falou de suas recentes visitas ao seu pa\u00eds de origem e sobre seu interesse em fazer neg\u00f3cios ali.<\/p>\n<p>Outro destacado empres\u00e1rio de origem cubana, Jorge P\u00e9rez, pediu que se estreite o interc\u00e2mbio entre os dois pa\u00edses e expressou seu desejo de expor obras de artistas cubanos \u2013 inclusive vinculados ao governo de Castro \u2013 em seu novo museu de arte em Miami. \u201cAt\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, expressar oposi\u00e7\u00e3o ao embargo era suic\u00eddio pol\u00edtico na Fl\u00f3rida\u201d, recordou Hanson. Mas os recentes an\u00fancios p\u00fablicos mostram at\u00e9 que ponto \u201cmudaram os c\u00e1lculos que manifestar apoio \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 absolutamente um passivo\u201d.<\/p>\n<p>Obama, que adotou uma postura mais liberal sobre Cuba do que seu advers\u00e1rio republicano John McCain na campanha eleitoral de 2008, ganhou na Fl\u00f3rida, talvez o mais not\u00f3rio dos Estados \u201coscilantes\u201d ap\u00f3s os resultados das elei\u00e7\u00f5es de 2000. Ap\u00f3s revogar, no in\u00edcio de seu primeiro mandato, v\u00e1rias medidas que foram adotadas por George W. Bush (2001-2009) para restringir as viagens e o envio de dinheiro dos cubanos-norte-americanos para a ilha, Obama voltou a ganhar na Fl\u00f3rida em 2012, em boa parte porque conseguiu atrair 10% mais de votos da comunidade de origem cubana.<\/p>\n<p>Muitos observadores explicaram esse fen\u00f4meno como uma mudan\u00e7a de gera\u00e7\u00e3o na comunidade cubana da Fl\u00f3rida. Contudo, depois dessas medidas iniciais, Obama se tornou muito cauteloso, em grande parte pela pris\u00e3o em Havana de Alan Gross, um empreiteiro da Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, condenado em 2011 a 15 anos de pris\u00e3o por distribuir sem permiss\u00e3o equipamentos de inform\u00e1tica e comunica\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade judia em Cuba.<\/p>\n<p>A maioria dos analistas acredita que Havana busca trocar Gross pelos \u201ccinco\u201d, como s\u00e3o conhecidos os agentes de intelig\u00eancia cubanos condenados nos Estados Unidos por espionagem e outros crimes no final dos anos 1990. Um deles obteve sua liberdade em 2011 e outro ser\u00e1 libertado este m\u00eas. Por\u00e9m, o governo Obama deu alguns modestos passos nos \u00faltimos anos, como facilitar as viagens a Cuba por motivos educacionais e culturais e autorizar conversa\u00e7\u00f5es bilaterais de n\u00edvel t\u00e9cnico sobre uma variedade de assuntos, como as migra\u00e7\u00f5es, que estavam suspensas desde a \u00e9poca de Bush.<\/p>\n<p>\u201cAtua-se na margem da pol\u00edtica, mas n\u00e3o no fundamental\u201d, opinou Michael Shifter, presidente do Di\u00e1logo Interamericano, um centro de estudos que cobra de Washington posturas mais abertas em rela\u00e7\u00e3o a Havana como via para melhorar as rela\u00e7\u00f5es com o resto da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Para a pesquisa foram ouvidas duas mil pessoas. Al\u00e9m de mais de mil adultos selecionados de forma aleat\u00f3ria, o estudo incluiu subamostras de 671 residentes na Fl\u00f3rida e de 525 latino-americanos.<\/p>\n<p>* Os homens s\u00e3o mais favor\u00e1veis \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o (61%) do que as mulheres (51%).<\/p>\n<p>* 52% dos que se identificaram com republicanos querem uma mudan\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es com Cuba.<\/p>\n<p>* 62% est\u00e3o a favor de as empresas norte-americanas fazerem neg\u00f3cios em Cuba.<\/p>\n<p>* 61% est\u00e3o a favor do fim de todas as restri\u00e7\u00f5es de viagens.<\/p>\n<p>* Quase 80% s\u00e3o favor\u00e1veis a di\u00e1logos com Havana sobre temas como contrabando e tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>Contudo, poucos acreditam que uma proposta de aliviar o embargo seja aprovada neste ano eleitoral e no clima polarizado do Congresso. Por\u00e9m, dizem alguns, os resultados da pesquisa deveriam incentivar Obama a exercer sua autoridade executiva para retirar Cuba da lista do Departamento de Estado de pa\u00edses que patrocinam o terrorismo e para facilitar os tr\u00e2mites para as viagens \u00e0 ilha.<\/p>\n<p>\u201cA import\u00e2ncia da pesquisa \u00e9 que alimentar\u00e1 a discuss\u00e3o pol\u00edtica no pr\u00f3ximo ano\u201d, disse \u00e0 IPS o vice-presidente do influente f\u00f3rum empresarial National Foreign Trade Council, Jake Colvin. \u201cMe surpreende realmente que os habitantes da Fl\u00f3rida estejam mais a favor de mudar a pol\u00edtica do que o resto do pa\u00eds\u201d, destacou.<\/p>\n<p><b>Miami d\u00e1 o tom<\/b><\/p>\n<p>Uma surpresa particular foram os resultados no condado de Miami-Dade, tradicional reduto dos setores anticastristas recalcitrantes e pr\u00f3-bloqueio, cujos representantes no Congresso s\u00e3o os republicanos Ileana Ros-Lehtinen e Mario Diaz-Balart: 64% dos entrevistados ali disseram apoiar o rein\u00edcio das rela\u00e7\u00f5es com Cuba ou uma aproxima\u00e7\u00e3o mais direta.<\/p>\n<p>Em resposta, Ros-Lehtinen denunciou que a pesquisa \u201cfoi feita com uma agenda pol\u00edtica: ajudar a justificar as desastrosas pol\u00edticas para Cuba do presidente Obama\u201d. A legisladora acusou seu correligion\u00e1rio, senador Jeff Flake, que participou da apresenta\u00e7\u00e3o do estudo, de ser \u201co porrista (integrante da Porra, grupo de seguran\u00e7a que em Cuba, na d\u00e9cada de 1930, usava m\u00e9todos violentos para intimidar a popula\u00e7\u00e3o) de Castro no Senado, que obsessivamente faz <i>lobby<\/i> para levantar as san\u00e7\u00f5es contra essa ditadura\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 13\/2\/2014 &ndash; Se o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quiser ser mais r&aacute;pido e reiniciar as rela&ccedil;&otilde;es com Cuba, conta com espa&ccedil;o pol&iacute;tico para faz&ecirc;-lo, segundo a an&aacute;lise de uma pesquisa de opini&atilde;o divulgada em Washington no dia 11. 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