{"id":17170,"date":"2014-02-14T13:00:11","date_gmt":"2014-02-14T13:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107951"},"modified":"2014-02-14T13:00:11","modified_gmt":"2014-02-14T13:00:11","slug":"os-danos-nucleares-nunca-se-extinguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/os-danos-nucleares-nunca-se-extinguem\/","title":{"rendered":"Os danos nucleares nunca se extinguem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107952\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/la-foto4-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-107952 \" alt=\"la foto4 629x472 Os danos nucleares nunca se extinguem\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/la-foto4-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Os danos nucleares nunca se extinguem\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Yasuaki Yamashita na confer\u00eancia de Nuevo Vallarta. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nuevo Vallarta, M\u00e9xico, 14\/2\/2014 \u2013 Durante d\u00e9cadas, o sil\u00eancio corroeu Yasuaki Yamashita sobre suas viv\u00eancias como sobrevivente do ataque nuclear que os Estados Unidos lan\u00e7aram sobre a cidade japonesa de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945. Yamashita, um artista pl\u00e1stico de 74 anos que reside no M\u00e9xico desde 1968, rompeu o lacre que fechava sua boca em 1995, para contar o que viveu naquela manh\u00e3 que mudou o destino de Nagasaki e do mundo inteiro.<\/p>\n<p>\u201cTinha seis anos e viv\u00edamos a 2,5 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do ponto zero (local de detona\u00e7\u00e3o da bomba). Normalmente ia \u00e0 montanha pr\u00f3xima para ca\u00e7ar insetos com meus amigos. Mas nesse dia estava sozinho diante da minha casa, perto da minha m\u00e3e, que preparava o almo\u00e7o\u201d, contou \u00e0 IPS esse homem de fala pausada, cabelo branco e tra\u00e7os marcantes.<\/p>\n<p>Yamashita, que, em 1968, veio para o M\u00e9xico como correspondente para cobrir o Jogos Ol\u00edmpicos e ficou no pa\u00eds, mergulha no passado para resgatar a cena de sua m\u00e3e chamando para entrar no abrigo instalado em sua casa. \u201cQuando entramos veio uma luz tremendamente cegante. Minha m\u00e3e me jogou no ch\u00e3o, me cobriu com seu corpo, veio um tremendo barulho, ouv\u00edamos voar muitas coisas acima de n\u00f3s\u201d, descreveu. Ao redor s\u00f3 havia desola\u00e7\u00e3o, tudo ardia, n\u00e3o havia m\u00e9dicos, enfermeiras, nem comida. Era apenas o princ\u00edpio de uma trag\u00e9dia que ainda perdura.<\/p>\n<p>Aos 20 anos, Yamashita come\u00e7ou a trabalhar no hospital de Nagasaki, que tratava os sobreviventes da bomba, o qual deixou anos depois. Com seu relato, esse homem fez tremer os participantes da Segunda Confer\u00eancia Sobre o Impacto Humanit\u00e1rio das Armas Nucleares, que come\u00e7ou ontem em Nuevo Vallarta, centro tur\u00edstico no Estado de Nayarit, com a participa\u00e7\u00e3o de delegados de 140 pa\u00edses e de mais de cem organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais de todo o mundo.<\/p>\n<p>O objetivo do encontro de dois dias, que acontece ap\u00f3s a de Oslo em mar\u00e7o de 2013, \u00e9 avan\u00e7ar para a aboli\u00e7\u00e3o das armas nucleares, pois s\u00e3o uma amea\u00e7a econ\u00f4mica, humanit\u00e1ria, sanit\u00e1ria e ecol\u00f3gica para a humanidade e o planeta. No mundo h\u00e1 pelo menos 19 mil ogivas at\u00f4micas, a maioria nas m\u00e3os de China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia \u2013 autorizados a possu\u00ed-las pelo Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares \u2013 al\u00e9m de Coreia do Norte, \u00cdndia, Israel e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do M\u00e9xico estima que existam mais de duas mil armas nucleares em \u201calerta operacional alto\u201d, prontas para serem lan\u00e7adas em quest\u00e3o de minutos. \u201cEssas armas s\u00e3o inaceit\u00e1veis. Devem ser proibidas, como ocorreu com as biol\u00f3gicas e as qu\u00edmicas. N\u00e3o h\u00e1 capacidade de resposta nacional ou internacional para abordar os danos\u201d, destacou \u00e0 IPS o pesquisador e ativista Richard Moyes, da Artigo 36, uma entidade sem fins lucrativos, com sede na Gr\u00e3-Bretanha, que denuncia os efeitos indesej\u00e1veis de determinados armamentos.<\/p>\n<p>Em fevereiro do ano passado, essa institui\u00e7\u00e3o divulgou um estudo sobre o impacto de uma detona\u00e7\u00e3o nuclear de cem quilotons na cidade brit\u00e2nica de Manchester, que, com sua \u00e1rea metropolitana, \u00e9 o lar de 2,7 milh\u00f5es de pessoas. A explos\u00e3o causaria a morte imediata de pelo menos 81 mil pessoas, mais de 212 mil feridos, destrui\u00e7\u00e3o de pontes e estradas e severo preju\u00edzo aos servi\u00e7os de sa\u00fade. Isso tornaria imposs\u00edvel a\u00e7\u00f5es de remedia\u00e7\u00e3o, com graves deriva\u00e7\u00f5es no longo prazo.<\/p>\n<p>A Cidade do M\u00e9xico e sua \u00e1rea metropolitana, onde vivem mais de 20 milh\u00f5es de pessoas, tamb\u00e9m fez uma medi\u00e7\u00e3o semelhante. A explos\u00e3o de uma bomba de 50 quilotons deixaria uma \u00e1rea afetada de 66 quil\u00f4metros ao redor da zona zero, com cerca de 22 milh\u00f5es de afetados, entre mortos e feridos, pois seus efeitos se estenderiam a pontos distantes no centro deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAs consequ\u00eancias seriam graves: perda de faculdade operacional do sistema de emerg\u00eancia, elimina\u00e7\u00e3o de recursos humanos de resgate, de sa\u00fade, hospitais, cl\u00ednicas\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o funcion\u00e1rio Rogelio Conde, diretor geral de Vincula\u00e7\u00e3o, Inova\u00e7\u00e3o e Normatividade em Mat\u00e9ria de Prote\u00e7\u00e3o Civil do Minist\u00e9rio do Interior. \u201cPrecisar\u00edamos de ajuda de outros Estados mexicanos e internacional, com equipamentos, pessoal operacional e especializado\u201d, acrescentou. O desastre ecol\u00f3gico e os danos \u00e0 infraestrutura equivaleriam \u00e0 perda de 20% da economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os lugares do planeta que se converteram em laborat\u00f3rios at\u00f4micos, como as ilhas Marshall no Pac\u00edfico, sofrem diversos danos. Esse conjunto de dezenas de at\u00f3is de coral e \u00ednsulas suportou 67 testes nucleares entre 1946 e 1958. \u201cHouve problemas ambientais e de sa\u00fade, embora n\u00e3o haja estimativas. Muitos de nossos sobreviventes se converteram em cobaias humanas nos laborat\u00f3rios e quase 60 anos depois ainda estamos sofrendo\u201d, denunciou o senador das ilhas, Jeban Riklon.<\/p>\n<p>Riklon tinha dois anos de idade e vivia com sua av\u00f3 no atol Rongelap, quando os Estados Unidos fizeram o teste Castle Bravo, no atol Bikini, em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1954: uma bomba mil vezes mais poderosa do que a lan\u00e7ada sobre Hiroshima em 1945. Imediatamente os Estados Unidos fizeram um estudo m\u00e9dico secreto para investigar as consequ\u00eancias da radia\u00e7\u00e3o em humanos.<\/p>\n<p>Um informe especial do Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) constatou, em 2012, viola\u00e7\u00f5es ao direito \u00e0 sa\u00fade, a uma remedia\u00e7\u00e3o efetiva e \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m de deslocamentos for\u00e7ados e outras graves omiss\u00f5es dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os promotores da confer\u00eancia do M\u00e9xico esperam que o Tratado para Proscri\u00e7\u00e3o das Armas Nucleares na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, assinado em 1967, seja a base de uma futura conven\u00e7\u00e3o mundial contra esses armamentos, embora para isso seja preciso vencer d\u00e9cadas de imobilismo diplom\u00e1tico. Em raz\u00e3o desse pacto, foi criada na regi\u00e3o a primeira das cinco Zonas Livres de Armas Nucleares (ZLAN), que incluem atualmente 114 Estados. As outras quatro est\u00e3o no Pac\u00edfico Sul, \u00c1frica, Sudeste Asi\u00e1tico e \u00c1sia Central.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Preparat\u00f3ria da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado de Proibi\u00e7\u00e3o Completa dos Testes Nucleares quer conseguir um mapa do caminho claro, que leve a um mundo livre desse armamento at\u00e9 2020. Esse Tratado j\u00e1 tem 161 Estados partes, mas sua entrada em vigor depende das assinaturas e ratifica\u00e7\u00f5es de China, Coreia do Norte, Egito, Estados Unidos, \u00cdndia, Ir\u00e3, Israel e Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Nuevo Vallarta n\u00e3o h\u00e1 representantes das cinco grandes pot\u00eancias nucleares: Estados Unidos, China, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e R\u00fassia. \u201cN\u00e3o sei quantas gera\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias para que isso termine. Por que fazer sofrer tanta gente inocente? N\u00e3o h\u00e1 nenhuma necessidade. Por isso temos que fazer muitos esfor\u00e7os para abolir as armas nucleares\u201d, enfatizou Yamashita. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nuevo Vallarta, M&eacute;xico, 14\/2\/2014 &ndash; Durante d&eacute;cadas, o sil&ecirc;ncio corroeu Yasuaki Yamashita sobre suas viv&ecirc;ncias como sobrevivente do ataque nuclear que os Estados Unidos lan&ccedil;aram sobre a cidade japonesa de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945. 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