{"id":17172,"date":"2014-02-17T13:49:54","date_gmt":"2014-02-17T13:49:54","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108013"},"modified":"2014-02-17T13:49:54","modified_gmt":"2014-02-17T13:49:54","slug":"movimentos-sociais-brasileiros-espionados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/movimentos-sociais-brasileiros-espionados\/","title":{"rendered":"Movimentos sociais brasileiros espionados"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108014\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/membros.jpg\"><img class=\" wp-image-108014 \" alt=\"membros Movimentos sociais brasileiros espionados\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/membros.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Movimentos sociais brasileiros espionados\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os membros da miss\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos Humanos, durante a apresenta\u00e7\u00e3o das conclus\u00f5es preliminares de sua visita ao Brasil. Foto: Justi\u00e7a Global<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 17\/2\/2014 \u2013 Empresas privadas do Brasil, de setores estrat\u00e9gicos como minera\u00e7\u00e3o ou infraestrutura, espionam e se infiltram nos movimentos sociais e em suas atividades, segundo uma miss\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos Humanos (FIDH), que foi conclu\u00edda no dia 14. H\u00e1 quase um ano, no dia 24 de janeiro de 2013, durante reuni\u00e3o de planejamento dos l\u00edderes do Movimento Xingu Vivo para Sempre, em Altamira, norte do Estado do Par\u00e1, suspeitou-se que uma pessoa registrava as conversa\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es do encontro.<\/p>\n<p>Esse coletivo, que re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es sociais e ambientais de \u00e1reas pr\u00f3ximas ao projeto da megacentral hidrel\u00e9trica de Belo Monte, a terceira do mundo quando entrar em opera\u00e7\u00e3o, se op\u00f5e \u00e0 instala\u00e7\u00e3o da represa no rio Xingu, na Amaz\u00f4nia brasileira. As suspeitas se confirmaram quando se verificou que um dos participantes, rec\u00e9m-chegado ao movimento, tinha nas m\u00e3os uma caneta esferogr\u00e1fica espi\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cTodas as vezes que algu\u00e9m intervinha, ele dirigia a caneta para onde estava a pessoa. Foi algo completamente inesperado\u201d, contou \u00e0 IPS a advogada Roberta Amanaj\u00e1s, da Sociedade Paraense de Direitos Humanos, que integra o Movimento. \u201cEssa reuni\u00e3o foi um momento muito estrat\u00e9gico, em que trocamos informa\u00e7\u00f5es privilegiadas, que s\u00f3 as organiza\u00e7\u00f5es do coletivo possuem. Ele era um espi\u00e3o contratado pelo cons\u00f3rcio que constr\u00f3i a obra\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Descoberto, o espi\u00e3o se identificou como Ant\u00f4nio e confessou ter se infiltrado no Movimento para vigiar as atividades de sua coordenadora, Ant\u00f4nia Melo. Segundo a advogada, o espi\u00e3o contou que enviaria o material para a divis\u00e3o de intelig\u00eancia do Cons\u00f3rcio Construtor Belo Monte e para a Ag\u00eancia Brasileira de Intelig\u00eancia (Abin), que mant\u00e9m um agente em Altamira. \u201cEle contou que tinha de seguir todos os passos da coordenadora para o Cons\u00f3rcio e que tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pela demiss\u00e3o de 80 trabalhadores da obra\u201d, afirmou Amanaj\u00e1s.<\/p>\n<p>Outra fun\u00e7\u00e3o do infiltrado era detectar l\u00edderes sindicais que pudessem organizar greves na obra, acrescentou. \u201cN\u00e3o temos d\u00favidas sobre o processo de espionagem, s\u00f3 n\u00e3o sabemos como acontece. O Movimento Xingu Vivo \u00e9 o que mais representa a resist\u00eancia ao modelo de constru\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas, e mais, ao desenvolvimento que se imp\u00f5e na Amaz\u00f4nia\u201d, afirmou a advogada. O Movimento critica a expropria\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, que n\u00e3o garante os direitos dos povos naturais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A espionagem das organiza\u00e7\u00f5es sociais da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 um caso isolado do Brasil, denunciaram os ativistas da miss\u00e3o da FIDH, que entre 9 e 14 deste m\u00eas se encontrou com membros de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, do Minist\u00e9rio P\u00fablico, e diretores de empresas acusadas de espionar. A miss\u00e3o internacional integra as atividades do Observat\u00f3rio para a Prote\u00e7\u00e3o dos Defensores dos Direitos Humanos, um programa conjunto com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial Contra a Tortura, e esteve em Bras\u00edlia, Bel\u00e9m e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cO que nos preocupa \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e as empresas. H\u00e1 provas de articula\u00e7\u00e3o com agentes do Estado\u201d, afirmou Jimena Reyes, chefe da FIDH para a Am\u00e9rica, ao apresentar as primeiras conclus\u00f5es da visita. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito preocupante. S\u00e3o utilizados esquemas p\u00fablicos para atua\u00e7\u00f5es ilegais e ileg\u00edtimas, para espionar movimentos sociais\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A coniv\u00eancia dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos com as empresas foi comprovada pela miss\u00e3o, ao constatar que h\u00e1 companhias que t\u00eam acesso a dados secretos do governo, por meio do Infoseg, uma rede que aglutina a informa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica obtida por mais de 400 ag\u00eancias brasileiras de investiga\u00e7\u00e3o. Alexandre Faro, integrante do Observat\u00f3rio, disse que, pelo fato de terem destinado grandes recursos, as empresas t\u00eam muito interesse em saber o que as organiza\u00e7\u00f5es sociais far\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos seus projetos.<\/p>\n<p>\u201cPenso que \u00e9 uma cultura que as companhias t\u00eam h\u00e1 muito tempo. Descobrimos no ano passado, n\u00e3o temos provas, mas suponho que s\u00e3o pr\u00e1ticas generalizadas em setores sens\u00edveis como minera\u00e7\u00e3o e energia\u201d, opinou Faro \u00e0 IPS sobre a atividade de espionagem dos grupos empresariais contra ativistas na Am\u00e9rica Latina. As acusa\u00e7\u00f5es de espionagem tamb\u00e9m recaem sobre a empresa Vale, gigante da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Membros da Justi\u00e7a nos Trilhos, uma organiza\u00e7\u00e3o que defende as comunidades prejudicadas por projetos mineradores, contaram que s\u00e3o espionados desde 2008, pouco depois de iniciarem seu trabalho. Os delegados da FIDH conversaram com um ex-empregado da Vale, identificado como Andr\u00e9 Almeida, que forneceu dados sobre as rela\u00e7\u00f5es da empresa com o governo, durante audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Senado, no dia 24 de outubro do ano passado.<\/p>\n<p>Entre as acusa\u00e7\u00f5es, destacaram espionagem de jornalistas, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e l\u00edderes sindicais, al\u00e9m da infiltra\u00e7\u00e3o de espi\u00f5es nas organiza\u00e7\u00f5es sociais e nos sindicatos, para obter informa\u00e7\u00e3o privilegiada. Essas atividades ilegais tiveram a participa\u00e7\u00e3o ou o apoio de agentes da Abin para atividades de treinamento, incluindo pagamento a agentes do Estado. Segundo essas revela\u00e7\u00f5es, estima-se que a Vale destinou cerca de US$ 200 mil mensais \u00e0 espionagem, informou Faro.<\/p>\n<p>\u201cO que est\u00e1 em jogo no Brasil \u00e9 o valor da democracia, trata-se de privilegiar a intelig\u00eancia\u201d, disse o integrante da miss\u00e3o internacional. \u201cO que n\u00e3o \u00e9 comum \u00e9 informa\u00e7\u00f5es assim chegarem ao conhecimento do p\u00fablico. Revela que est\u00e3o completamente desinibidos a respeito de tudo que fazem de ilegal\u201d, acrescentou Faro. A seu ver, \u201cas empresas privadas acreditam que t\u00eam suficiente legitimidade para invadir a vida das pessoas e investigar seus filhos, seus maridos e seus antecedentes\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Danilo Chammas, advogado da Justi\u00e7a nos Trilhos, afirmou \u00e0 IPS que o primeiro ind\u00edcio de que eram espionados obtiveram j\u00e1 em 2008. Em janeiro de 2012, seu escrit\u00f3rio foi destru\u00eddo e, em outubro do mesmo ano e em janeiro de 2013, sua p\u00e1gina na internet foi invadida. \u201cEsperamos que a miss\u00e3o da FIDH impulsione mudan\u00e7as profundas e que as investiga\u00e7\u00f5es ganhem maior ritmo e as pr\u00f3prias empresas modifiquem suas pr\u00e1ticas. O objetivo de tudo isso \u00e9 que desistamos de agir\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os delegados da FIDH apresentar\u00e3o o informe com suas conclus\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es, no prazo de dois meses. Amanaj\u00e1s recordou que a visita da miss\u00e3o que protege os defensores dos direitos humanos ocorre ap\u00f3s a pol\u00eamica generalizada gerada ao se ficar sabendo que o governo brasileiro foi espionado pela Ag\u00eancia Nacional de Seguran\u00e7a (NSA), dos Estados Unidos. \u201cComo o governo n\u00e3o gosta de ser espionado, os movimentos sociais tamb\u00e9m n\u00e3o gostam\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Sobre as perguntas da IPS, a Vale informou que n\u00e3o se pronunciar\u00e1 sobre um caso que est\u00e1 na justi\u00e7a e sob segredo processual, enquanto o cons\u00f3rcio de Belo Monte n\u00e3o deu respostas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 17\/2\/2014 &ndash; Empresas privadas do Brasil, de setores estrat&eacute;gicos como minera&ccedil;&atilde;o ou infraestrutura, espionam e se infiltram nos movimentos sociais e em suas atividades, segundo uma miss&atilde;o da Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Direitos Humanos (FIDH), que foi conclu&iacute;da no dia 14. 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