{"id":17191,"date":"2014-02-21T14:23:24","date_gmt":"2014-02-21T14:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108368"},"modified":"2014-02-21T14:23:24","modified_gmt":"2014-02-21T14:23:24","slug":"precos-argentinos-em-alta-ameacam-ampliar-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/precos-argentinos-em-alta-ameacam-ampliar-desigualdade\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os argentinos em alta amea\u00e7am ampliar desigualdade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108385\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Argentina-chica-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-108385 \" alt=\"Argentina chica 629x472 Pre\u00e7os argentinos em alta amea\u00e7am ampliar desigualdade\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Argentina-chica-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Pre\u00e7os argentinos em alta amea\u00e7am ampliar desigualdade\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Supermercados e outros com\u00e9rcios de alimentos e produtos b\u00e1sicos da Argentina aderiam ao programa de Pre\u00e7os Cuidados. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 21\/2\/2014 \u2013 Convocados pelas redes sociais, muitos consumidores da Argentina come\u00e7aram a se mobilizar contra a escalada de pre\u00e7os que coloca em risco avan\u00e7os importantes do pa\u00eds em mat\u00e9ria de redu\u00e7\u00e3o de pobreza e desigualdade social. A proposta do \u201capag\u00e3o de consumo\u201d teve resultados animadores, segundo algumas associa\u00e7\u00f5es de consumidores e porta-vozes do governo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 resultados quantificados. Mas a exorta\u00e7\u00e3o para n\u00e3o comprar por 24 horas, no dia 7 deste m\u00eas, em supermercados, lojas de eletrodom\u00e9sticos e postos de combust\u00edveis, teve uma ades\u00e3o de mais de 280 mil internautas e esvaziou de maneira vis\u00edvel muitos estabelecimentos. \u201cComecei a ir a v\u00e1rios lugares pesquisando pre\u00e7os. H\u00e1 diferen\u00e7as enormes\u201d, contou \u00e0 IPS a psicanalista Ester Vallez, que disse ter pago por uma chave 30% mais entre uma semana e outra, o que \u201cobviamente, se transporta para outros produtos\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso haver um controle do governo e entre todos buscar uma estrat\u00e9gia de press\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS um trabalhador na \u00e1rea de manuten\u00e7\u00e3o, Javier Sequeira, que vive em La Matanza, oeste da Grande Buenos Aires. O que Sequeira ganha por quinzena n\u00e3o d\u00e1 para atender sua fam\u00edlia. Ele est\u00e1 pensando em se juntar com vizinhos para comprar alimentos mais baratos, no atacado, no Mercado Central. \u201cDeixando de comprar alguns produtos caros, as f\u00e1bricas come\u00e7ar\u00e3o a sentir a diferen\u00e7a. Muitos usam o d\u00f3lar como desculpa para se aproveitar\u201d, lamentou Sequeira, pai de dois filhos e \u201coutro a caminho\u201d, que teve o aumento anual do sal\u00e1rio tragado pela infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O apag\u00e3o do consumo se soma a outras iniciativas que, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, convocam a comparar pre\u00e7os, denunciar quem os aumentam e controlar para que n\u00e3o faltem os produtos inclu\u00eddos na lista de Pre\u00e7os Cuidados. Esta lista responde a um acordo entre o governo da presidente Cristina Fern\u00e1ndez e as redes de abastecimento e comerciantes, para oferecer a pre\u00e7os acess\u00edveis alimentos, bebidas, cosm\u00e9ticos, produtos de limpeza, de educa\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o contra os pre\u00e7os especulativos surgiu ap\u00f3s a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda argentina, o peso, que s\u00f3 em janeiro foi superior a 34% em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, na maior queda desde 2002, o que desencadeou aumentos indiscriminados. Em 2013, o valor oficial do peso caiu 25% diante do d\u00f3lar, e no paralelo 47%, segundo empresas de consultoria. \u201c\u00c9 hora de todos os setores assumirem a responsabilidade que lhes cabe para que as coisas continuem funcionando\u201d, convocou a presidente, ao criticar grupos de poder econ\u00f4mico que estimulariam ataques especulativos e a fuga de capitais.<\/p>\n<p>Ernesto Mattos, economista do Centro de Pesquisa e Gest\u00e3o da Economia Solid\u00e1ria, apontou \u00e0 IPS que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso \u00e9 uma \u201cdesculpa\u201d para aumentar os pre\u00e7os, especular e deteriorar o valor dos sal\u00e1rios. Tamb\u00e9m destacou que, entre junho e dezembro, empresas que comercializam alimentos \u201cj\u00e1 haviam aumentado em 200% seus pre\u00e7os\u201d, mesmo os de muitos produtos que n\u00e3o t\u00eam insumos importados.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edsticas e Censos, a infla\u00e7\u00e3o de 2013 foi de 10,9%, enquanto consultorias privadas a estimam em 28,3%. Segundo Mattos, \u201cn\u00e3o est\u00e1 em jogo apenas a especula\u00e7\u00e3o e o sal\u00e1rio dos trabalhadores, mas um projeto nacional e o tipo de pa\u00eds que se deseja\u201d. Um pa\u00eds a servi\u00e7o das grandes transnacionais ou um pa\u00eds capaz de abastecer suas necessidades b\u00e1sicas e \u201cde unir for\u00e7as\u201d com o resto da regi\u00e3o \u201cpara avan\u00e7ar na inclus\u00e3o social e reduzir as brechas de desigualdade\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>O economista defende a participa\u00e7\u00e3o popular no controle de pre\u00e7os nos supermercados, porque ali se constr\u00f3i o \u201cpadr\u00e3o de consumo dos argentinos nas grandes cidades\u201d, e a cria\u00e7\u00e3o de \u201cmecanismos de den\u00fancia que permitam sancionar empresas n\u00e3o s\u00f3 na fase de comercializa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na de produ\u00e7\u00e3o\u201d. Vallez exortou o governo \u201ca colocar mais gente na rua para controlar os pre\u00e7os, e que n\u00f3s, como cidad\u00e3os, fa\u00e7amos nossa parte, n\u00e3o abaixando a cabe\u00e7a, denunciando e n\u00e3o comprando produtos superfaturados\u201d.<\/p>\n<p>O governo respondeu com uma artilharia de medidas para contrapor aos resultados da desvaloriza\u00e7\u00e3o e do descontentamento social por seus efeitos nos pre\u00e7os. Al\u00e9m do Pre\u00e7os Cuidados, instrumentou novos programas sociais, como Progresar (Progredir), que destina uma quantia mensal a jovens desempregados ou com empregos prec\u00e1rios entre 18 e 24 anos para que iniciem ou completem seus estudos.<\/p>\n<p>Segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), a Argentina \u00e9 o pa\u00eds com menor pobreza na regi\u00e3o (4,3%) e o segundo, atr\u00e1s do Uruguai, com menor n\u00edvel de indig\u00eancia (1,7%). Em dezembro, segundo a Cepal, a Argentina apareceu como um dos que mais diminu\u00edram a desigualdade na regi\u00e3o no per\u00edodo 2008-2012. Mas a deteriora\u00e7\u00e3o salarial e do poder de compra pode reverter esses \u00eaxitos.<\/p>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o da desigualdade durante a \u00faltima d\u00e9cada tem como principal fonte o aumento do componente de renda n\u00e3o oriundo do trabalho (como subs\u00eddios e outras ajudas) nas fam\u00edlias mais pobres, mas n\u00e3o melhorou a renda com trabalho nesses mesmos extratos\u201d, afirmou Agust\u00edn Salvia, diretor do Programa Mudan\u00e7a Estrutural, do Instituto de Pesquisa Gino Germani, da Universidade de Buenos Aires. A escalada inflacion\u00e1ria tender\u00e1 a aumentar a pobreza e tamb\u00e9m a desigualdade, acrescentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Isso \u201cjustamente pelo empobrecimento dos setores assalariados e n\u00e3o assalariados menos protegidos pelas regulamenta\u00e7\u00f5es trabalhistas\u201d, destacou Salvia, tamb\u00e9m pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas Cient\u00edficas e T\u00e9cnicas. Apesar das medidas governamentais para neutralizar o impacto, n\u00e3o se poder\u00e1 \u201cimpedir um efeito regressivo para os trabalhadores dos setores informais\u201d e inclusive para os aposentados.<\/p>\n<p>\u201cO governo deve cuidar firmemente para que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o gere maior dispers\u00e3o de renda, aprofundando as pol\u00edticas existentes para esses setores\u201d, pontuou \u00e0 IPS a economista e especialista em pol\u00edtica Jimena Valdez. A seu ver, \u201ctoda essa situa\u00e7\u00e3o se agravaria diante de uma escalada na infla\u00e7\u00e3o, por isso deve estar entre os interesses primordiais do governo que isso n\u00e3o aconte\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Para evitar essa situa\u00e7\u00e3o, segundo Valdez, o governo pode convocar um di\u00e1logo com empres\u00e1rios e sindicatos, para discutir pol\u00edticas trabalhistas e aumentos salariais. Tamb\u00e9m deveria atualizar os valores destinados pelos programas sociais de acordo com a infla\u00e7\u00e3o. Salvia considera \u201cmuito importante conscientizar e mobilizar a opini\u00e3o p\u00fablica, e pressionar os formadores de pre\u00e7os para que n\u00e3o haja nenhum transbordamento\u201d. Por\u00e9m, recordou, o movimento dos pre\u00e7os \u201cser\u00e1 determinado, fundamentalmente, por fatores como a massa monet\u00e1ria, o n\u00edvel de demanda (em baixa), desvaloriza\u00e7\u00e3o e expectativas inflacion\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p><b>D\u00e9ficit de justi\u00e7a para os consumidores<\/b><\/p>\n<p>Sandra Collado, presidente da A\u00e7\u00e3o do Consumidor (Adelco), considera que \u00e9 preciso afinar o cumprimento das leis que defendem os consumidores. \u201cUm passo fundamental que o Estado deve dar \u00e9 implantar uma justi\u00e7a gratuita de pequenas causas ou de menor valor\u201d, para que o consumidor prejudicado possa ter onde reclamar, opinou \u00e0 IPS. Por exemplo, um eletrodom\u00e9stico com sobrepre\u00e7o, cujo valor \u00e9 inferior ao que est\u00e1 sendo vendido, deve ser denunciado judicialmente.<\/p>\n<p>A Adelco n\u00e3o aderiu ao \u201capag\u00e3o de consumo\u201d por considerar que essas iniciativas s\u00e3o efetivas apenas quando destinadas a produtos e empresas identificadas previamente. \u201cHoje ningu\u00e9m sabe ao certo se houve mais ou menos venda de alguns produtos e qual foi o impacto no volume de vendas de uma empresa ou marca em particular\u201d, observou Collado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 21\/2\/2014 &ndash; Convocados pelas redes sociais, muitos consumidores da Argentina come&ccedil;aram a se mobilizar contra a escalada de pre&ccedil;os que coloca em risco avan&ccedil;os importantes do pa&iacute;s em mat&eacute;ria de redu&ccedil;&atilde;o de pobreza e desigualdade social. 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