{"id":17192,"date":"2014-02-21T15:26:19","date_gmt":"2014-02-21T15:26:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108404"},"modified":"2014-02-21T15:26:19","modified_gmt":"2014-02-21T15:26:19","slug":"familiares-de-soldados-desaparecidos-de-mali-pedem-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/familiares-de-soldados-desaparecidos-de-mali-pedem-justica\/","title":{"rendered":"Familiares de soldados desaparecidos de Mali pedem justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108405\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/mali6401.jpg\"><img class=\" wp-image-108405 \" alt=\"mali6401 Familiares de soldados desaparecidos de Mali pedem justi\u00e7a\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/mali6401.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Familiares de soldados desaparecidos de Mali pedem justi\u00e7a\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Aminata Diarra mostra uma fotografia de seu irm\u00e3o Malamine, um Boina Vermelha que desapareceu no come\u00e7o de 2012. Foto: Marc-Andre Boisvert\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bamako, Mali, 21\/2\/2014 \u2013 A malinesa Aminata Diarra viu seu irm\u00e3o, Malamine, com vida pela \u00faltima vez h\u00e1 quase dois anos, na televis\u00e3o nacional. Ele era membro dos Boinas Vermelhas de Mali, for\u00e7as especiais leais ao deposto presidente Amadou Toumani Tour\u00e9. Foi em maio de 2012, n\u00e3o muito depois que o general Amadouy Haya Sanogo, ent\u00e3o capit\u00e3o, tomou o controle de Bamako.<\/p>\n<p>Setores das for\u00e7as armadas, que sofreram v\u00e1rias derrotas humilhantes diante dos rebeldes tuaregues no norte do pa\u00eds, iniciaram um motim contra o governo em sua aposta por mais recursos para combater o levante. Cinco dias depois do golpe, os malineses conheceram o l\u00edder da nova junta militar. Sanogo ganhou popularidade instant\u00e2nea entre uma popula\u00e7\u00e3o que via o governo democraticamente eleito como corrupto.<\/p>\n<p>Pequenas motocicletas chinesas, um meio de transporte muito popular em Bamako, foram decorados com adesivos de propaganda do novo l\u00edder. \u201cNos oferecia esperan\u00e7as. Mas agora sabemos que estava ali para enriquecer\u201d, disse Oumar, morador em Bamako que conversou com a IPS enquanto tomava ch\u00e1 com amigos em uma esquina, \u00e0 sombra de uma banca de jornal.<\/p>\n<p>Sanogo foi chefe de Estado apenas por algumas semanas, at\u00e9 que a press\u00e3o internacional o obrigou a renunciar. Ent\u00e3o, voltou a ordem constitucional e foi estabelecido um governo de transi\u00e7\u00e3o, liderado pelo presidente da Assembleia Nacional, Dioncounda Traor\u00e9. Mas isso n\u00e3o ocorreu antes de os Boinas Vermelhas, leais ao presidente deposto, lan\u00e7arem um frustrado \u201ccontragolpe\u201d contra Sanogo e seus Boinas Verdes, em abril de 2012.<\/p>\n<p>Os relatos sobre quem iniciou as hostilidades n\u00e3o s\u00e3o claros. V\u00e1rios Boinas Vermelhas foram assassinados e presos. O irm\u00e3o de Diarra foi um dos 21 desparecidos logo ap\u00f3s o contragolpe fracassar. A \u00faltima vez que as fam\u00edlias destes 21 Boinas Vermelhas os viram com vida foi na televis\u00e3o nacional, pouco depois de serem presos no centro de opera\u00e7\u00f5es de Sanogo, a base militar de Kati, nos sub\u00farbios de Bamako.<\/p>\n<p>\u201cNo dia 2 de maio de 2012, fui a Kati ver se meu irm\u00e3o estava vivo. Voltei diariamente. Me amea\u00e7aram. Continuei indo. Mas nunca tivemos not\u00edcias\u201d, contou Diarra \u00e0 IPS. Ela explicou que, embora alguns tenham conseguido se comunicar com suas fam\u00edlias depois do contragolpe, toda comunica\u00e7\u00e3o sobre os soldados foi interrompida por volta de abril desse ano.<\/p>\n<p>Embora essa na\u00e7\u00e3o do ocidente africano se recupere lentamente do golpe militar de 2012, e da ocupa\u00e7\u00e3o do norte de seu territ\u00f3rio por extremistas isl\u00e2micos \u2013 que realizaram elei\u00e7\u00f5es em julho de 2013 \u2013, as fam\u00edlias das v\u00edtimas militares ainda esperam por justi\u00e7a. Sanogo foi preso e acusado de assassinato e sequestro em novembro de 2013.<\/p>\n<p>Pouco depois de sua pris\u00e3o foi descoberta uma fossa comum com 21 corpos a poucos quil\u00f4metros de sua base militar de Kati. Muitos acreditam que se tratava dos corpos dos 21 Boinas Vermelhas desaparecidos. Espera-se que em breve sejam divulgados os resultados dos exames gen\u00e9ticos dos cad\u00e1veres. \u201cEsperamos pacientemente os resultados. Ent\u00e3o, a justi\u00e7a poder\u00e1 agir\u201d, disse Diarra, que tamb\u00e9m \u00e9 magistrada.<\/p>\n<p>Bintou Maiga Sagara tamb\u00e9m acompanha a situa\u00e7\u00e3o de perto. Seu filho Dokale est\u00e1 entre os desaparecidos. \u201cFico aliviada com a descoberta dos cad\u00e1veres\u201d, disse \u00e0 IPS mostrando uma foto de seu filho uniformizado. Ela tem f\u00e9 de que a justi\u00e7a ser\u00e1 feita. \u201cMali n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds violento. Sabemos que torturaram e mataram nossos familiares. Lutaremos por justi\u00e7a\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o tenham sido investigadas as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e os fatos violentos cometidos pelo ex\u00e9rcito no norte, o Grupo Internacional de Crise diz em um informe divulgado em janeiro que \u00e9 necess\u00e1ria uma reforma das for\u00e7as armadas. Tamb\u00e9m pediu a \u201cgarantia do car\u00e1ter republicano de um ex\u00e9rcito que n\u00e3o se comprometer\u00e1 com pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, Moctar Mariko, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Malinesa de Direitos Humanos, acredita que antes de tudo deve-se lan\u00e7ar uma luz sobre os v\u00e1rios epis\u00f3dios de viol\u00eancia. \u201cMali tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de impunidade, especialmente dentro do ex\u00e9rcito. \u00c9 hora de se afastar dela\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Sanogo e seus seguidores n\u00e3o s\u00e3o acusados apenas de matar Boinas Vermelhas. Em setembro de 2012, o l\u00edder golpista sufocou um motim tamb\u00e9m entre os Boinas Verdes. Trinta membros desse grupo foram presos e depois libertados, mas pelo menos oito desapareceram. Um m\u00eas depois, foram encontrados tr\u00eas cad\u00e1veres. Mas os outros cinco homens ainda est\u00e3o desaparecidos, e suas fam\u00edlias esperam para saber se est\u00e3o vivos.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o de Nantoume Fatoumata Doumbia, Lassine Keita, desapareceu quando bebia em um bar de Kati, em setembro de 2012. Poucos dias depois seu cad\u00e1ver foi encontrado. \u201cEu sabia o que tinha acontecido. No dia seguinte ao motim, Sanogo disse que mataria todo aquele que se levantasse contra ele\u201d, contou a mulher \u00e0 IPS. Fanta Keita ainda n\u00e3o sabe o que aconteceu com seu marido, Ibrahim Doumbia. \u201cQueremos saber a verdade. Saber se est\u00e3o vivos ou n\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel continuar vivendo dessa maneira\u201d, enfatizou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bamako, Mali, 21\/2\/2014 &ndash; A malinesa Aminata Diarra viu seu irm&atilde;o, Malamine, com vida pela &uacute;ltima vez h&aacute; quase dois anos, na televis&atilde;o nacional. 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