{"id":17194,"date":"2014-02-24T16:00:57","date_gmt":"2014-02-24T16:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108462"},"modified":"2014-02-24T16:00:57","modified_gmt":"2014-02-24T16:00:57","slug":"terramerica-keystone-xl-em-um-perigoso-limbo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/terramerica-keystone-xl-em-um-perigoso-limbo\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Keystone XL em um perigoso limbo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108463\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/GasodutoKeystoneXLEstadosUn.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-108463\" alt=\"GasodutoKeystoneXLEstadosUn Terram\u00e9rica   Keystone XL em um perigoso limbo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/GasodutoKeystoneXLEstadosUn.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"Terram\u00e9rica   Keystone XL em um perigoso limbo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Areias petrol\u00edferas de Alberta. Foto: Dru Oja Jay\/CC 2.0<\/p><\/div>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 24 de fevereiro de 2014 (Terram\u00e9rica).- A reserva de Pine Ridge do povo lakota, na regi\u00e3o do meio-oeste dos Estados Unidos, \u00e9 um dos locais mais abandonados do pa\u00eds, e do mundo. O desemprego na reserva gira em torno de 80% e s\u00f3 uma pessoa em cada dez terminou o ensino secund\u00e1rio. A expectativa de vida das mulheres \u00e9 de 52 anos, a dos homens 48. Metade dos que t\u00eam mais de 40 anos sofre de diabetes. E uma em cada quatro crian\u00e7as nasce com s\u00edndrome fetal alco\u00f3lica.<\/p>\n<p>Assim, quando as grandes empresas que projetam o pol\u00eamico oleoduto Keystone XL tra\u00e7aram sua rota contornando Pine Ridge, \u00e9 poss\u00edvel que tenham pensado muito pouco nessa comunidade que n\u00e3o chega a 30 mil habitantes. No m\u00e1ximo, ter\u00e3o suposto que os lakota se alegrariam com alguns empregos. Mas o que Pine Ridge n\u00e3o tem em bens materiais sobra em apego ao seu ambiente.<\/p>\n<p>Em 2012, quando caminh\u00f5es de uma construtora de oleodutos quiseram atravessar o territ\u00f3rio da reserva, no Estado de Dakota do Sul, foram bloqueados pelas autoridades nativas e outros moradores que tinham lan\u00e7ado um alerta na p\u00e1gina do Facebook da emissora de r\u00e1dio local. Mesmo pobres, os lakota sabem que os poss\u00edveis empregos que a obra gerar no lugar ter\u00e3o vida curta e que a manuten\u00e7\u00e3o do oleoduto ser\u00e1 feita por t\u00e9cnicos especializados que vir\u00e3o de outras partes.<\/p>\n<p>Debbie White Plume, ativista lakota que vive em Pine Ridge, afirmou que o oleoduto vai contra a concep\u00e7\u00e3o de vida e a rela\u00e7\u00e3o de seu povo com a natureza. Eles n\u00e3o v\u00e3o permitir que se construa sem lutar, afirmou ao Terram\u00e9rica por telefone. Plume contribui na organiza\u00e7\u00e3o do Mocassins no Ch\u00e3o, um programa que instrui os nativos nas habilidades e t\u00e1ticas da a\u00e7\u00e3o direta n\u00e3o violenta.<\/p>\n<p>Viajando de uma comunidade a outra nessa reserva, Plume ensina seus habitantes sobre os direitos que t\u00eam como cidad\u00e3os e formas de protestar contra a invas\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es. \u201cVemos o que est\u00e1 causando a explora\u00e7\u00e3o de areias betuminosas no Canad\u00e1 e a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo nas Dakota, como corroem, violam e ferem a m\u00e3e Natureza. Sabemos que \u00e9 o mesmo ecossistema e que todos precisamos viver nele\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O XL \u00e9 a \u00faltima de quatro fases do sistema de oleodutos Keystone para transportar o betume dilu\u00eddo extra\u00eddo das areias petrol\u00edferas de Alberta, no sudoeste do Canad\u00e1, at\u00e9 o Golfo do M\u00e9xico, no sudeste dos Estados Unidos, para ser refinado. O \u00f3leo dessas areias \u00e9 altamente corrosivo e um dos combust\u00edveis f\u00f3sseis mais contaminantes. Exige grandes quantidades de energia para ser extra\u00eddo e nesse processo gera subprodutos como o coque de petr\u00f3leo, subst\u00e2ncia s\u00f3lida com grande conte\u00fado de enxofre que quando queimada \u00e9 mais suja do que carv\u00e3o.<\/p>\n<p>O trecho norte-americano da quarta fase do oleoduto se estenderia entre o povoado fronteiri\u00e7o de Morgan, em Montana, noroeste do pa\u00eds, e a central Steele City, em Nebraska, onde se conectaria com tubula\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes que se dirigem para o sul. O trecho norte final atravessaria v\u00e1rios rios importantes, como os dois Vermelho, o Misuri e o Yellowstone, e passaria sobre o aqu\u00edfero Ogallala, uma fonte de \u00e1gua doce subterr\u00e2nea que abastece mais de um quarto das terras agr\u00edcolas irrigadas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se chegar a ser constru\u00eddo, transportar\u00e1 por ano o equivalente a 181 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono. Embora o tra\u00e7ado contorne o territ\u00f3rio da reserva de Pine Ridge, na realidade passa entre este e Rosebud Reservoir, onde as comunidades lakota extraem a \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cPara n\u00f3s, esta \u00e9 nossa \u00e1gua\u201d, pontuou Plume em uma reuni\u00e3o realizada em agosto de 2013, em Bridger, Dakota do Sul. \u201cVeneramos nossa \u00e1gua e temos de proteg\u00ea-la\u201d. Segundo a ativista, os lakota tamb\u00e9m conseguiram o apoio de pecuaristas e agricultores n\u00e3o ind\u00edgenas em lugares como Nebraska, que temem que a contamina\u00e7\u00e3o arru\u00edne suas terras.<\/p>\n<p><b>Vazamentos<\/b><\/p>\n<p>Com o <i>boom<\/i> da explora\u00e7\u00e3o das areias de Alberta, os acidentes est\u00e3o aumentando. Em mar\u00e7o de 2013 vazaram entre cinco mil e sete mil barris de \u00f3leo pesado no oleoduto Pegasus da ExxonMobil em Mayflower, Arkansas, causando um desastre ambiental. Em outubro vazaram 20.600 barris de \u00f3leo de outro duto em Dakota do Norte.<\/p>\n<p>Segundo o PBS, o servi\u00e7o de televis\u00e3o p\u00fablica dos Estados Unidos, no ano passado foram registrados 362 vazamentos de oleodutos nos Estados Unidos. E em Alberta os acidentes tamb\u00e9m s\u00e3o comuns. Uma investiga\u00e7\u00e3o descobriu que nessa prov\u00edncia canadense houve 25 mil vazamentos nos \u00faltimos 37 anos.<\/p>\n<p>Com esses antecedentes, um vazamento em Keystone \u00e9 quase certo. Quando alguns ativistas do Kansas se fecharam em um segmento rec\u00e9m-instalado do trecho sul do sistema Keystone, o sol entrava pelos enormes buracos de uma coberta externa que deveria ser \u00e0 prova d\u2019\u00e1gua. Nesse mesmo dia esse trecho afundou.<\/p>\n<p><b>Corrup\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s anos de campanha contra o projeto, o Departamento de Estado publicou seu informe de impacto ambiental no dia 31 de janeiro. O documento afirma que o oleoduto n\u00e3o elevaria de forma significativa as emiss\u00f5es de carbono. Esse \u00e9 o fator que o presidente Barack Obama tomou como elemento para vetar ou aprovar o projeto. O estudo tamb\u00e9m afirma que, se fa\u00e7a ou n\u00e3o o oleoduto, as areias petrol\u00edferas continuar\u00e3o sendo exploradas no mesmo ritmo e ser\u00e3o exportadas por trem.<\/p>\n<p>Estudos da ind\u00fastria mostram, por\u00e9m, que o sistema ferrovi\u00e1rio \u00e9 incapaz de absorver maior transporte de \u00f3leo. Legisladores do governante Partido Democrata pedem que o governo adie sua decis\u00e3o de impacto at\u00e9 que seu pr\u00f3prio inspetor-geral termine uma investiga\u00e7\u00e3o sobre poss\u00edvel conflito de interesses da empresa contratada pelo governo para fazer a avalia\u00e7\u00e3o, a Environmental Resource Management (ERM).<\/p>\n<p>Grupos de ecologistas divulgaram documentos mostrando que o Departamento de Estado fez poucos esfor\u00e7os para verificar se a informa\u00e7\u00e3o da ERM \u00e9 ver\u00eddica. Com sede em Londres, a empresa recebe boa parte de seus ganhos de contratos com empresas como Conoco Phillips, Chevron, ExxonMobil e Canadian Natural Resources, todas benefici\u00e1rias do futuro oleoduto e das areias de Alberta.<\/p>\n<p>V\u00e1rios dos analistas que redigiram a avalia\u00e7\u00e3o aparecem como ex-empregados da TransCanada, a empresa construtora do oleoduto. \u201cApresentamos toneladas de provas de que a ERM mentiu em suas declara\u00e7\u00f5es\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o ativista da Amigos da Terra, Ross Hammond. \u201cPara os investidores em geral, Keystone \u00e9 um assunto cr\u00edtico, e o Departamento de Estado escamoteou a quest\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cAssim, na ess\u00eancia, eles dizem que, como n\u00e3o h\u00e1 impacto clim\u00e1tico, podem construir Keystone. H\u00e1 inst\u00e2ncias em que a an\u00e1lise \u00e9 realmente deficiente\u201d, destacou Hammond. A Amigos da Terra afirma que a TransCanada planejou contratar ex-funcion\u00e1rios do governo Obama como lobistas junto ao Departamento de Estado.<\/p>\n<p>Anita Dunn, ex-diretora de comunica\u00e7\u00e3o da Casa Branca e agora lobista-chefe de uma firma que representa a TransCanada, visitou seu antigo emprego mais de cem vezes depois de deixar o cargo em 2009. \u201cA \u00fanica forma de aprov\u00e1-lo \u00e9 ignorar as m\u00faltiplas mentiras que a TransCanada contou. Lamento ver que isso n\u00e3o incomoda o Departamento de Estado\u201d, enfatizou o representante democrata Ra\u00fal Grijalva.<\/p>\n<p>Est\u00e3o correndo os 30 dias, que terminam em 7 de ma\u00e7o, para apresenta\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios ao informe. A \u00faltima vez que abriu essa possibilidade, o Departamento de Estado se viu inundado com mais de 1,5 milh\u00e3o de cartas, emails e faxes, a imensa maioria desaprovando o plano.<\/p>\n<p>Em Pine Ridge a decis\u00e3o \u00e9 clara. \u201cNossa hist\u00f3ria nos coloca neste lugar desde o come\u00e7o dos tempos. Esperamos que o presidente Obama diga n\u00e3o. Mas, se disser sim, ent\u00e3o poremos nossos mocassins no ch\u00e3o e nos lan\u00e7aremos \u00e0 desobedi\u00eancia civil\u201d, afirmou Plume. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><i>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/i><\/p>\n<p><b>Artigos da IPS relacionados<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/terramerica\/keystone-xl-um-oleoduto-ate-a-europa\/\" >Keystone XL: Um oleoduto at\u00e9 a Europa?<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-o-destino-do-petroleo-do-keystone-xl\/\" >O destino do petr\u00f3leo do Keystone XL<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 24 de fevereiro de 2014 (Terram&eacute;rica).- A reserva de Pine Ridge do povo lakota, na regi&atilde;o do meio-oeste dos Estados Unidos, &eacute; um dos locais mais abandonados do pa&iacute;s, e do mundo. 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