{"id":17195,"date":"2014-02-24T15:40:44","date_gmt":"2014-02-24T15:40:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108459"},"modified":"2014-02-24T15:40:44","modified_gmt":"2014-02-24T15:40:44","slug":"terramerica-onde-colocamos-sua-nova-geleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/terramerica-onde-colocamos-sua-nova-geleira\/","title":{"rendered":"Terram\u00e9rica \u2013 Onde colocamos sua nova geleira?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108460\" style=\"width: 250px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/GlaciarElMoradoSuperiorAnde.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-108460\" alt=\"GlaciarElMoradoSuperiorAnde Terram\u00e9rica   Onde colocamos sua nova geleira?\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/GlaciarElMoradoSuperiorAnde.jpg\" width=\"240\" height=\"180\" title=\"Terram\u00e9rica   Onde colocamos sua nova geleira?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Geleira El Morador Superior, na zona central do Chile, na Cordilheira dos Andes. Foto: Orlando Ruz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Santiago, Chile, 24 de fevereiro de 2014 (Terram\u00e9rica).- A pergunta soa entre tecnologia futurista e ideia descabelada. Contudo, com o acelerado retrocesso das geleiras pelo aquecimento e pela explora\u00e7\u00e3o mineral, a ci\u00eancia busca restaurar ou recriar essas valiosas massas de \u00e1gua doce. \u201cH\u00e1 diversas tecnologias para salvar e criar novas geleiras\u201d, afirmou ao Terram\u00e9rica o glaciologista chileno Cedomir Marangunic. Isso soa como uma doce promessa para o Chile, pa\u00eds mineiro que possui pelo menos 3.100 glaciares e a maioria deles apresenta um evidente retrocesso, segundo dados oficiais.<\/p>\n<p>Essas grandes massas de neve e gelo recristalizado guardam 69% da \u00e1gua doce do planeta. Se formam quando o ac\u00famulo de neve ca\u00edda nas nevadas anuais excede em demasia a quantidade que derrete no ver\u00e3o, juntando enormes quantidades de material em um per\u00edodo geol\u00f3gico curto. Por\u00e9m, no caso de ser uma obra humana, o tempo de cria\u00e7\u00e3o de uma geleira depender\u00e1 de quanto se investir, afirmou Marangunic.<\/p>\n<p>O prazo m\u00ednimo para que um ac\u00famulo de neve suficiente se transforme completamente em gelo \u00e9 de tr\u00eas anos, detalhou Marangunic, ge\u00f3logo da universidade do Chile e doutor em glaciologia na Universidade Estatal de Ohio, nos Estados Unidos. \u201cDeve-se simular o processo natural, vale dizer que o ac\u00famulo de inverno deve ser maior do que o derretimento no ver\u00e3o. E isto n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de conseguir, o importante \u00e9 poder faz\u00ea-lo com o m\u00ednimo custo e de maneira ambientalmente sustent\u00e1vel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>As t\u00e9cnicas testadas \u201capontam para a redu\u00e7\u00e3o da fus\u00e3o na superf\u00edcie do gelo ou da neve, ou, ent\u00e3o, aumentar o ac\u00famulo de neve\u201d, indicou Marangunic. Nos testes realizados no Chile se cobriu com detritos rochosos um dep\u00f3sito artificial de gelo, reduzindo a abla\u00e7\u00e3o a um quarto ou um quinto do normal, pontuou o especialista ao Terram\u00e9rica. A abla\u00e7\u00e3o glacial \u00e9 a perda de massa por derretimento ou outras causas.<\/p>\n<p>Marangunic, diretor de uma empresa que faz projetos e pesquisas em geleiras, neve e avalanches, tamb\u00e9m fez testes transportando uma massa de gelo de um lugar a outro em 2007. Com caminh\u00f5es, foram movidos em um dia 30 mil toneladas de gelo para um lugar separado. Enquanto em seu lugar original o gelo retrocedia cerca de 15 cent\u00edmetros por ano, em sua segunda aloca\u00e7\u00e3o diminuiu 30 cent\u00edmetros no primeiro ano, mas depois a perda ficou mais lenta, tal como se esperava. Em 2012, o gelo s\u00f3 retrocedeu tr\u00eas cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>O especialista testou transformar um campo de gelo em uma pequena geleira, construindo um obst\u00e1culo, como os usados para a prote\u00e7\u00e3o de avalanches ou nas quadras de esqui, e modificando-a para alterar o tr\u00e2nsito do vento durante as tempestades. Isso permitiu duplicar o ac\u00famulo de neve. Entre as t\u00e9cnicas mais usadas \u201cdestaca-se cobrir parte da superf\u00edcie de uma geleira com uma manta de material geot\u00eaxtil, que reduz a abla\u00e7\u00e3o a partir da superf\u00edcie\u201d, explicou o glaciologista.<\/p>\n<p>Marangunic alerta que devem ser tomados cuidados, por exemplo, quando uma geleira \u00e9 impactada \u201cacrescenta-se \u00e1gua \u00e0 sua bacia pela fus\u00e3o acelerada da massa de gelo, mas depois diminui durante o ac\u00famulo artificial\u201d. Todo o processo, reconhece, \u201cpode afetar o ecossistema local, que deve ser manejado para evitar danos\u201d.<\/p>\n<p>Para o diretor do Greenpeace do Chile, Mat\u00edas Asun, trata-se de um assunto n\u00e3o concludente, que n\u00e3o h\u00e1 \u201cbase alguma para se dizer que essa seja uma tecnologia vi\u00e1vel, suficiente, de sucesso, efetiva em custos e, menos ainda, poss\u00edvel de realizar em todos os per\u00edmetros onde h\u00e1 zonas glaciais\u201d. Em um inverno seco, por exemplo, n\u00e3o haveria neve suficiente para o ac\u00famulo que uma nova geleira necessita. E, pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tudo indica que haver\u00e1 mais e mais invernos secos, observou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o duvido que h\u00e1 inten\u00e7\u00f5es muito boas da parte de quem quer tentar desenvolver estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o de geleiras, porque, de fato, parte importante dos riscos poderiam ser minimizados\u201d, afirmou Asun ao Terram\u00e9rica. \u201cO ponto central \u00e9 proteger as geleiras que existem de maneira efetiva. Elas est\u00e3o a\u00ed e deveriam continuar a\u00ed\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, 82% das reservas de \u00e1gua doce em geleiras est\u00e3o no Chile, segundo o Greenpeace. Mas uma boa parte das geleiras chilenas est\u00e1 ou estar\u00e1 amea\u00e7ada pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica e pela minera\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o uma reserva estrat\u00e9gica de \u00e1gua e tamb\u00e9m uma parte importante do patrim\u00f4nio da regi\u00e3o, e hoje em dia n\u00e3o s\u00e3o protegidas por lei\u201d, como na vizinha Argentina, pontuou Asun.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o atual permite que um projeto produtivo afete uma geleira, se o impacto for explicitado no estudo de impacto ambiental e compensado de alguma forma. Em recente interven\u00e7\u00e3o no parlamento, o glaciologista Alexander Brenning, da canadense Universidade de Waterloo, garantiu que a magnitude das interven\u00e7\u00f5es em geleiras do Chile n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o no mundo e exortou no sentido de avaliar seus efeitos acumulativos.<\/p>\n<p>O Poder Legislativo tem em exame um projeto de lei que incluiria uma defini\u00e7\u00e3o clara do que \u00e9 uma geleira e um cadastro permanente. Para Marangunic, \u00e9 essencial que essa defini\u00e7\u00e3o n\u00e3o feche parte importante do territ\u00f3rio a todo tipo de atividades, como turismo ou projetos de desenvolvimento, \u201csem contribuir em nada para a persist\u00eancia das geleiras\u201d. Deve-se estabelecer o dom\u00ednio das geleiras, principalmente as que est\u00e3o em terreno privado, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cPoder\u00e3o ser compradas e transacionadas, como ocorre com os direitos de \u00e1gua?\u201d, questionou o especialista, recordando o C\u00f3digo de \u00c1guas da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), que transformou este recurso em propriedade privada. Projetos de minera\u00e7\u00e3o como Los Bronces, da empresa Anglo American, Andina 244 e Escalones, da Estatal Corpora\u00e7\u00e3o do Cobre do Chile, e Pascua Lama, da Barrick Gold, s\u00e3o a principal amea\u00e7a para v\u00e1rias geleiras deste pa\u00eds, afirmam ambientalistas.<\/p>\n<p>Marangunic, por\u00e9m, afirmou que, embora \u201calguma minera\u00e7\u00e3o\u201d prejudique os glaciais, \u201ca contamina\u00e7\u00e3o ambiental em grandes cidades, como Santiago, ou a fuma\u00e7a da queima de pastagens e florestas\u201d tamb\u00e9m deixam sua marca nesses gelos. Por isso, a seu ver, a futura lei dever\u00e1 ser aplicada igualmente para todos. \u201cComo se poder\u00e1 castigar Santiago por produzir o <i>smog<\/i> que afeta as geleiras da Cordilheira?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Pode-se conseguir o fim do retrocesso de uma geleira em um ano, se for uma relativamente pequena. \u201cMas conseguir que se recomponha em suas dimens\u00f5es hist\u00f3ricas uma que diminuiu por d\u00e9cadas ou s\u00e9culos seguramente demorar\u00e1 um tempo semelhante\u201d, que poderia ser acelerado com alto investimento, destacou.<\/p>\n<p>Para Asun, \u201ca urg\u00eancia hoje n\u00e3o \u00e9 esperar milhares de anos para poder reproduzir outra geleira e ver se d\u00e1 resultado, mas proteger o que existe\u201d. Brincando de ser Deus, \u201cj\u00e1 vimos o que aconteceu com Jurassic Park. Se as geleiras est\u00e3o a\u00ed, vamos proteg\u00ea-las\u201d, enfatizou. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><i>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos da IPS relacionados<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2013\/04\/justicia-chilena-suspende-proyecto-minero-pascua-lama\/\" >Justi\u00e7a chilena suspende projeto Pascua Lama, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/noticias\/o-paradoxo-das-geleiras\/\" >O paradoxo das geleiras<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2010\/09\/argentina-los-glaciares-ya-tienen-proteccion\/\" >As geleiras argentinas j\u00e1 t\u00eam prote\u00e7\u00e3o \u2013 2010, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2005\/11\/ambiente-chile-al-rojo-conflicto-por-glaciares-andinos\/\" >Al rojo conflito por geleiras andinas \u2013 2005, em espanhol<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 24 de fevereiro de 2014 (Terram&eacute;rica).- A pergunta soa entre tecnologia futurista e ideia descabelada. 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