{"id":17198,"date":"2014-02-24T14:54:13","date_gmt":"2014-02-24T14:54:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108489"},"modified":"2014-02-24T14:54:13","modified_gmt":"2014-02-24T14:54:13","slug":"ucrania-entre-a-violencia-e-um-descontentamento-mais-profundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/ucrania-entre-a-violencia-e-um-descontentamento-mais-profundo\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia entre a viol\u00eancia e um descontentamento mais profundo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108490\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Kiev-violence-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-108490 \" alt=\"Kiev violence 629x419 Ucr\u00e2nia entre a viol\u00eancia e um descontentamento mais profundo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Kiev-violence-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Ucr\u00e2nia entre a viol\u00eancia e um descontentamento mais profundo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A pol\u00edcia reprime manifestantes em Kiev. A preocupa\u00e7\u00e3o pelos dist\u00farbios se mant\u00e9m. Foto: Natalia Kravchuk\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kiev, Ucr\u00e2nia, 24\/2\/2014 \u2013 Mesmo que se supere a persistente onda de viol\u00eancia na Ucr\u00e2nia, o profundo descontentamento social gerado n\u00e3o desaparecer\u00e1 de um dia para outro. Os protestos contra o governo come\u00e7aram em novembro como resposta generalizada \u00e0 decis\u00e3o do presidente Viktor Yanaukovych de dar as costas \u00e0 primeira fase de ades\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE). Por\u00e9m, logo se converteram em express\u00e3o mais profunda de descontentamento e frustra\u00e7\u00e3o com o governo.<\/p>\n<p>\u201cTudo come\u00e7ou com a decis\u00e3o repentina de n\u00e3o assinar um acordo com a UE. Por\u00e9m, se tratava de mais do que isso. As pessoas estavam cansadas do governo de Yanukovych\u201d, explicou \u00e0 IPS Valerii Drotenko, uma manifestante de 45 anos. Desde que Yanukovych assumiu o poder, em 2010, as liberdades civis foram vulneradas, os opositores sofreram repress\u00e3o e a independ\u00eancia e integridade das for\u00e7as da ordem desapareceram, segundo denunciam grupos de direitos humanos locais e internacionais.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 uma crescente percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de corrup\u00e7\u00e3o generalizada, favoritismo e nepotismo no governo. Os cr\u00edticos denunciam que Yanukovych concentrava o poder pol\u00edtico em seu gabinete e, ao mesmo tempo, est\u00e1 convertendo toda sua fam\u00edlia em um fator de riqueza e dom\u00ednio social. A tudo isto se soma que a economia nacional atravessa um momento dif\u00edcil desde a crise financeira de 2008. Sua moeda est\u00e1 \u00e0 beira da desvaloriza\u00e7\u00e3o, o d\u00e9ficit comercial e o or\u00e7ament\u00e1rio dispararam e o pa\u00eds est\u00e1 h\u00e1 18 meses em recess\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas ficaram fartas de Yanukovych. A corrup\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica provocaram a ira que levou a popula\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas. A situa\u00e7\u00e3o seria mais civilizada se a economia estivesse melhor. Como est\u00e3o as coisas, no momento s\u00f3 gera caos e ira\u201d, disse \u00e0 IPS a economista desempregada Masha Kostishyn, de 34 anos, moradora de Kiev. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, somada \u00e0 incapacidade de atrair investimento estrangeiro, deixou o pa\u00eds cada vez mais dependente do com\u00e9rcio com a R\u00fassia, especialmente no leste do territ\u00f3rio, onde se concentra a maior parte da ind\u00fastria pesada da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 exista uma aproxima\u00e7\u00e3o cultural com a R\u00fassia (um sexto da popula\u00e7\u00e3o ucraniana tem origem russa), isso deu ao Kremlin um impulso adicional para fortalecer sua influ\u00eancia pol\u00edtica em Kiev. Mas esse processo afasta cada vez mais a popula\u00e7\u00e3o do governo, em particular no oeste, tradicionalmente mais favor\u00e1vel \u00e0 Europa. A repentina mudan\u00e7a no final de novembro, quando o presidente voltou atr\u00e1s com rela\u00e7\u00e3o ao acordo e aparentemente deixou o futuro do pa\u00eds nas m\u00e3os de seu vizinho do leste, foi o ponto de inflex\u00e3o para muitas pessoas que temiam que a Ucr\u00e2nia se convertesse em um Estado t\u00edtere do Kremlin.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia, e em particular o derramamento de sangue dos \u00faltimos dias, s\u00f3 aprofundaram o ressentimento contra o governo. No entanto, enquanto a oposi\u00e7\u00e3o pedia a sa\u00edda de Yanukovych (destitu\u00eddo no dia 22 pelo Parlamento), muitos manifestantes afirmavam n\u00e3o confiar muito nos poss\u00edveis sucessores. O principal partido da oposi\u00e7\u00e3o, Patria, \u00e9 considerado outro setor pol\u00edtico corrupto.<\/p>\n<p>\u201cAs autoridades s\u00e3o criminosas por natureza, mas a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas a outra cara da mesma moeda\u201d, opinou Drotenko. \u201cEstavam muito a gosto em sua fun\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o \u2018marionete\u2019 ou de \u2018decora\u00e7\u00e3o\u2019, pagos pelos mesmos oligarcas do partido de governo e, como Yanukovych, ignorando a voz do povo. A maioria das pessoas que protesta em Kiev est\u00e1 longe de ser entusiasta partid\u00e1ria da oposi\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Outros assinalam o partido de ultradireita Svoboda, um dos principais movimentos que participam das manifesta\u00e7\u00f5es. Alguns manifestantes acusam os dirigentes opositores de carecerem de unidade e coes\u00e3o nos \u00faltimos meses para acabar com a crise nas primeiras semanas de protesto. \u201cSem d\u00favida, Yanukovych \u00e9 est\u00fapido e culpado por seus atos criminosos, mas a oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 culpada por n\u00e3o ter adotado medidas r\u00e1pidas e decisivas no in\u00edcio das manifesta\u00e7\u00f5es\u201d, enfatizou Drotenko.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia dos \u00faltimos dias provocou uma enxurrada de respostas diplom\u00e1ticas da UE, dos Estados Unidos e da R\u00fassia. No dia 21, foi divulgado um acordo entre oposi\u00e7\u00e3o, governo e diplomatas russos e da UE para acabar com a crise e realizar elei\u00e7\u00f5es antecipadas. Mas em Kiev h\u00e1 quem sinta frustra\u00e7\u00e3o pelo fato de s\u00f3 agora surgir uma iniciativa diplom\u00e1tica. E as tens\u00f5es mais profundas continuam<\/p>\n<p>Olga Kovalchuk, professora de 37 anos, de Kiev, sintetizou esse sentimento: \u201cTalvez enquanto se tratava de um conflito puramente pol\u00edtico, antes de come\u00e7ar a viol\u00eancia, poderia ter sido \u00fatil UE e R\u00fassia tomarem algum tipo de medida, mas agora n\u00e3o. Perderam a oportunidade\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kiev, Ucr&acirc;nia, 24\/2\/2014 &ndash; Mesmo que se supere a persistente onda de viol&ecirc;ncia na Ucr&acirc;nia, o profundo descontentamento social gerado n&atilde;o desaparecer&aacute; de um dia para outro. 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