{"id":17207,"date":"2014-02-25T15:30:48","date_gmt":"2014-02-25T15:30:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108580"},"modified":"2014-02-25T15:30:48","modified_gmt":"2014-02-25T15:30:48","slug":"direitos-humanos-abatidos-em-protestos-venezuelanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/direitos-humanos-abatidos-em-protestos-venezuelanos\/","title":{"rendered":"Direitos humanos abatidos em protestos venezuelanos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108581\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/F-concentracion-op8-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-108581 \" alt=\"F concentracion op8 629x472 Direitos humanos abatidos em protestos venezuelanos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/F-concentracion-op8-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Direitos humanos abatidos em protestos venezuelanos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Concentra\u00e7\u00e3o opositora no \u00faltimo fim de semana em Caracas. Foto: Cortesia MUD<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caracas, Venezuela, 25\/2\/2014 \u2013 Treze mortos, dezenas de feridos, cerca de 500 detidos, den\u00fancias de tortura, de repress\u00e3o ilegal por for\u00e7as de seguran\u00e7a e grupos irregulares e de agress\u00e3o \u00e0 imprensa, marcam as duas semanas de confronta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas ruas de mais de 30 cidades da Venezuela.<\/p>\n<p>O Estado \u201cjogou no lixo os princ\u00edpios b\u00e1sicos das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre uso da for\u00e7a e de armas de fogo (aprovados em Havana em 1990), com o desd\u00e9m de seus \u00f3rg\u00e3os controladores, como a Procuradoria e a Defensoria do Povo\u201d, denunciou \u00e0 IPS o coordenador da organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Provea, Marino Alvarado.<\/p>\n<p>Segundo testemunhas, investiga\u00e7\u00f5es da imprensa e v\u00eddeos que circulam nas redes sociais, v\u00e1rios manifestantes morreram por disparos de policiais em roupas civis, de grupos violentos que interceptaram manifesta\u00e7\u00f5es, ou por balas de chumbo supostamente lan\u00e7adas por efetivos da militarizada Guarda Nacional Bolivariana.<\/p>\n<p>Um dos \u00faltimos mortos, ontem pela manh\u00e3, foi Jimmy Vargas, de 34 anos, que caiu do segundo andar de um pr\u00e9dio atacado supostamente por efetivos da Guarda Nacional com balas de chumbo e bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo em San Crist\u00f3bal, capital do Estado de T\u00e1chira, no sudoeste andino fronteiri\u00e7o com a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>No dia 23 morreu o engenheiro de sistemas Alejandro M\u00e1rquez, v\u00edtima de um golpe desferido supostamente por guardas nacionais quando registrava com seu telefone celular incidentes junto a uma barricada em uma \u00e1rea central de Caracas. Entre os mortos tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00edtimas de vandalismo de grupos de manifestantes. No dia 21, morreu o funcion\u00e1rio de um supermercado Elvis Dur\u00e1n, de 29 anos, quando voltava para casa dirigindo sua motocicleta e se chocou com um arame farpado colocado aparentemente por opositores na entrada da rua onde morava.<\/p>\n<p>Em Valencia, cidade industrial a oeste de Caracas, foi denunciado que em um entre alguns jovens torturados, Juan Carrasco, introduziram o cano de um fuzil em seu reto. \u201cMeu filho foi violado, humilhado pelos de uniforme verde. Destro\u00e7aram sua vida e a de outros rapazes\u201d, lamentou sua m\u00e3e, Rebeca Gonz\u00e1lez de Carrasco. A jovem Geraldine Moreno Orozco morreu v\u00edtima de balas de chumbo disparadas \u00e0 queima-roupa em seu rosto, depois de ter sido derrubada.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias cidades houve den\u00fancias de que foi jogada gasolina em jovens detidos, que amea\u00e7ados de serem queimados, ou que torturados com cassetetes el\u00e9tricos. As den\u00fancias tamb\u00e9m se referem a agentes de seguran\u00e7a lan\u00e7ando g\u00e1s lacrimog\u00eaneo dentro de casas.<\/p>\n<p>Os primeiros manifestantes abatidos, ao fim de uma marcha em Caracas no dia 12, ca\u00edram em um tiroteio no qual atuaram efetivos do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia (pol\u00edcia pol\u00edtica) que desobedeceram uma ordem de aquartelamento, segundo o presidente Nicol\u00e1s Maduro. De acordo com o mandat\u00e1rio, 30 pessoas morreram porque as \u201cguarimbas\u201d (abrigos resultantes das barricadas) os impediam de receber atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Entidade de juristas, como o F\u00f3rum Penal Venezuelano e a Funda\u00e7\u00e3o para os Direitos e a Igualdade, recolhem den\u00fancias para apresentar a inst\u00e2ncias internacionais. \u201cRespons\u00e1veis do governo podem ser acusados por crimes de lesa humanidade\u201d, explicou \u00e0 IPS a advogada Elenis Rodr\u00edguez.<\/p>\n<p>A onda de manifesta\u00e7\u00f5es come\u00e7ou no dia 6 na capital de T\u00e1chira, com estudantes protestando contra a criminalidade, pois em sua universidade uma aluna quase foi violentada por assaltantes. O protesto foi dissolvido e deu origem a outro maior, contra a repress\u00e3o, na qual alguns exaltados jogaram pedras contra a resid\u00eancia do governador da regi\u00e3o, Jos\u00e9 Vielma, militar aposentado e integrante do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).<\/p>\n<p>Tr\u00eas jovens foram presos, processados e enviados para uma pris\u00e3o na cidade de Coro. Ent\u00e3o, os protestos estudantis se espalharam, como uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia, para outras cidades pedindo sua liberdade, e nos Andes foram acompanhados por milhares de moradores, em solidariedade.<\/p>\n<p>No dia 12 deste m\u00eas, Dia da Juventude na Venezuela e data do bicenten\u00e1rio de uma batalha da guerra de independ\u00eancia, movimentos estudantis prepararam marchas em todo o pa\u00eds, e um setor cr\u00edtico da coaliz\u00e3o opositora Mesa de Unidade Democr\u00e1tica, encabe\u00e7ado pelo dirigente Leopoldo L\u00f3pez, pediu \u201ca sa\u00edda\u201d de Maduro do governo.<\/p>\n<p>Houve grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, encabe\u00e7adas por jovens e setores da classe m\u00e9dia cuja causa, segundo coincidem analistas pol\u00edticos, \u00e9 o descontentamento pelas err\u00e1ticas pol\u00edticas do governo diante da escassez de produtos b\u00e1sicos, da infla\u00e7\u00e3o e do auge da criminalidade. Embora o grosso das demonstra\u00e7\u00f5es seja pac\u00edfico, algumas s\u00e3o acompanhadas de apedrejamento, improvisa\u00e7\u00e3o de barricadas com lixo ao qual se coloca fogo em ruas e avenidas, e outros atos de vandalismo.<\/p>\n<p>O governo determinou a pris\u00e3o do dirigente opositor L\u00f3pez, do pequeno partido de centro-direita Vontade Popular, acusando-o de instigar as desordens ao pedir \u201ca sa\u00edda\u201d, mediante a ocupa\u00e7\u00e3o das ruas, e este se entregou em meio a uma enorme concentra\u00e7\u00e3o em Caracas. Para o Estado de T\u00e1chira foram enviados avi\u00f5es de combate e helic\u00f3pteros militares que sobrevoaram as manifesta\u00e7\u00f5es de rua, bem como um batalh\u00e3o de paraquedistas para limpar os acessos a San Crist\u00f3bal.<\/p>\n<p>Um elemento novo foi o surgimento de \u201ccoletivos\u201d armados, grupos irregulares que se deslocam principalmente em motocicletas e que agem tanto para enfrentar os manifestantes como para castigar resid\u00eancias em \u00e1reas opositoras de cidades como Caracas e M\u00e9rida, com disparos e destruindo ve\u00edculos e janelas.<\/p>\n<p>Para Alvarado, trata-se de \u201cparamilitares de esquerda\u201d, que se amparam no trabalho social em bairros de Caracas e outras cidades para exercer a viol\u00eancia em favor do governo. Maduro advertiu contra \u201ca demoniza\u00e7\u00e3o dos coletivos\u201d, aos quais elogiou em diversos atos. Nem todos os coletivos chavistas ou revolucion\u00e1rios, como s\u00e3o chamados os grupos oficialistas e seguidores do falecido presidente Hugo Ch\u00e1vez (1999-2013), est\u00e3o armados e exercem a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Luis Cede\u00f1o, da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental sobre seguran\u00e7a Paz Ativa, explicou \u00e0 IPS que \u201cgrupos parapoliciais, que na aus\u00eancia do Estado controlam certos espa\u00e7os urbanos, se autodenominam coletivos e atuam como um bra\u00e7o armado do oficialismo para assim obter certa legitimidade e impunidade\u201d. O desarmamento e a dissolu\u00e7\u00e3o desses grupos se converteu em palavra de ordem da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, Alvarado criticou que \u201ca Promotoria e a Defensoria, que deviam agir de of\u00edcio, fazem ouvidos de surdos, adiantando indevidamente opini\u00e3o a favor do governo e culpando os dirigentes opositores, e tamb\u00e9m se calando diante da contamina\u00e7\u00e3o de provas efetuadas por respons\u00e1veis do Poder Executivo\u201d.<\/p>\n<p>Rodr\u00edguez e Alvarado lamentam que as for\u00e7as de seguran\u00e7a e outros poderes p\u00fablicos ignorem a Lei para Prevenir e Castigar a Tortura, aprovada por unanimidade pelo parlamento h\u00e1 menos de um ano. \u201cNa Venezuela n\u00e3o se tortura\u201d, insistiu Maduro em entrevista coletiva no dia 22.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o jornalismo recebeu golpes. Organiza\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas denunciaram 62 agress\u00f5es no contexto dos protestos deste m\u00eas. Inclusive foi suspenso o sinal do canal a cabo da emissora de televis\u00e3o colombiana de not\u00edcias NTN24 e pende a amea\u00e7a de se fazer o mesmo com a CNN em espanhol.<\/p>\n<p>Para Alvarado, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) e a Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas \u201cpodem contribuir com uma media\u00e7\u00e3o, com base nas cl\u00e1usulas em favor da democracia, dos direitos humanos e do di\u00e1logo pol\u00edtico, inclu\u00eddas nos textos que d\u00e3o suporte \u00e0 sua exist\u00eancia\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Caracas, Venezuela, 25\/2\/2014 &ndash; Treze mortos, dezenas de feridos, cerca de 500 detidos, den&uacute;ncias de tortura, de repress&atilde;o ilegal por for&ccedil;as de seguran&ccedil;a e grupos irregulares e de agress&atilde;o &agrave; imprensa, marcam as duas semanas de confronta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica nas ruas de mais de 30 cidades da Venezuela. 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