{"id":17208,"date":"2014-02-25T15:23:44","date_gmt":"2014-02-25T15:23:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108575"},"modified":"2014-02-25T15:23:44","modified_gmt":"2014-02-25T15:23:44","slug":"ilheus-de-chagos-nao-cedem-em-sua-luta-pelo-retorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/ilheus-de-chagos-nao-cedem-em-sua-luta-pelo-retorno\/","title":{"rendered":"Ilh\u00e9us de Chagos n\u00e3o cedem em sua luta pelo retorno"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108577\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Chagos.jpg\"><img class=\" wp-image-108577 \" alt=\"Chagos Ilh\u00e9us de Chagos n\u00e3o cedem em sua luta pelo retorno\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Chagos.jpg\" width=\"490\" height=\"372\" title=\"Ilh\u00e9us de Chagos n\u00e3o cedem em sua luta pelo retorno\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um grupo de chagossianos que visitou o arquip\u00e9lago em 2006. Muitos ainda lutam para voltar \u00e0s ilhas das quais foram desalojados h\u00e1 mais de 40 anos. Foto: Cortesia do Grupo de Refugiados de Chagos<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Port Louis, Maur\u00edcio, 25\/2\/2014 \u2013 \u201cA \u00c1rea Marinha Protegida criada em torno do arquip\u00e9lago de Chagos \u00e9 um novo obst\u00e1culo colocado pelo governo brit\u00e2nico para impedir nossa volta \u00e0 nossa p\u00e1tria\u201d, afirmou Olivier Bancoult, l\u00edder de uma associa\u00e7\u00e3o de refugiados desse grupo de ilhas no Oceano \u00cdndico. Nos \u00faltimos 40 anos os chagossianos realizam uma campanha para regressarem ao arquip\u00e9lago, formado por 55 ilhas e localizado 1.200 quil\u00f4metros ao norte de Maur\u00edcio.<\/p>\n<p>Viveram ali por cinco gera\u00e7\u00f5es at\u00e9 serem desalojados no come\u00e7o dos anos 1970 pela Gr\u00e3-Bretanha e pelos Estados Unidos no contexto de seus planos militares para a regi\u00e3o. O arquip\u00e9lago faz parte atualmente do Territ\u00f3rio Brit\u00e2nico do Oceano \u00cdndico (BIOT), apesar de reclamado por Maur\u00edcio.<\/p>\n<p>Os chagossianos se queixam de n\u00e3o poderem voltar a habitar suas ilhas de origem desde que em 2010 foi criada a \u00c1rea Marinha Protegida, que impede as viagens e os assentamentos humanos no arquip\u00e9lago, a menos que haja uma autoriza\u00e7\u00e3o expressa de Londres. \u201cN\u00e3o vamos ceder\u201d, disse \u00e0 IPS Bancoult, que se prepara para uma nova batalha legal contra o governo brit\u00e2nico, cuja primeira audi\u00eancia ser\u00e1 em 30 de mar\u00e7o na Suprema Corte de Justi\u00e7a de Londres.<\/p>\n<p>Bancoult tinha quatro anos quando ele e sua m\u00e3e, Rita, emigraram para Maur\u00edcio. Em 1983, criou o Grupo de Refugiados de Chagos (CRG) para defender os direitos de sua comunidade. Ao longo dos anos esta organiza\u00e7\u00e3o fez v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e greves de fome. A \u00c1rea Marinha Protegida tem cerca de 545 mil quil\u00f4metros quadrados e o objetivo de sua cria\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger os recursos naturais de Chagos, implementando severos controles \u00e0 pesca e \u00e0 vida nas ilhas, proibindo prejudicar o meio ambiente e a matan\u00e7a ou coleta de animais.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Gr\u00e3-Bretanha e da Comunidade Brit\u00e2nica designou o arquip\u00e9lago como \u00e1rea a ser preservada, considerando que se trata de \u201cum dos mais estimados e puros ambientes tropicais que restam na Terra\u201d. Em um estudo de 2002, o Minist\u00e9rio conclui que o regresso de assentamentos humanos ao arquip\u00e9lago \u00e9 invi\u00e1vel devido \u00e0 pouca eleva\u00e7\u00e3o das ilhas e ao fato de estas \u201cj\u00e1 serem objeto de inunda\u00e7\u00f5es, ondas fortes e eros\u00e3o das praias\u201d.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m adverte que, \u201cconforme o avan\u00e7o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u00e9 prov\u00e1vel que esses eventos cres\u00e7am em severidade e regularidade\u201d. No entanto, os cientistas Richard Dunne e Barbara Brown, que estudaram os arrecifes de coral no Oceano \u00cdndico durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, n\u00e3o est\u00e3o de acordo. Dunne afirmou \u00e0 IPS que o governo brit\u00e2nico vem apresentando essas conclus\u00f5es ao parlamento, aos tribunais e ao p\u00fablico nos \u00faltimos dez anos como justificativa para impedir a volta dos chagossianos.<\/p>\n<p>\u201cAgora sabemos que o estudo de viabilidade apresentava falhas cient\u00edficas e suas conclus\u00f5es merecem pouca confian\u00e7a\u201d, acrescentou Dunne, ressaltando que esta pode ser uma das causas de o Minist\u00e9rio pretender fazer este ano uma nova investiga\u00e7\u00e3o. Chagos \u00e9 formado por \u201cilhas de coral baixas com altitude m\u00e9dia de apenas dois metros. Por isto s\u00e3o, como as Maldivas no norte, suscet\u00edveis a mudan\u00e7as no n\u00edvel do mar, a tempestades, eros\u00f5es e inunda\u00e7\u00f5es\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o cientista n\u00e3o v\u00ea nenhuma raz\u00e3o para os chagossianos n\u00e3o voltarem. \u201cViveram\u00a0 nestas ilhas por quase dois s\u00e9culos e, segundo a evid\u00eancia cient\u00edfica que temos hoje, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para n\u00e3o poderem continuar ali pelo menos no futuro pr\u00f3ximo, e com isso me refiro \u00e0s pr\u00f3ximas quatro ou cinco d\u00e9cadas\u201d, afirmou Dunne.<\/p>\n<p>Bancoult acredita que seu povo pode viver no ambiente particular das ilhas. \u201cComo europeus, norte-americanos e outras pessoas ricas de outras partes podem ficar durante meses em Diego Garc\u00eda, Peros Banhos e Ilhas Salom\u00e3o, que s\u00e3o parte do arquip\u00e9lago, mas os chagossianos n\u00e3o podem viver ali?\u201d, perguntou. Simon Hughes, secret\u00e1rio do Fundo de Conserva\u00e7\u00e3o de Chagos, organiza\u00e7\u00e3o que h\u00e1 20 anos trabalha para preservar a biodiversidade e os ecossistemas do arquip\u00e9lago, negou que a \u00c1rea Marinha Protegida esteja desenhada para proibir a volta dos chagossianos.<\/p>\n<p>A \u00e1rea \u201ctem apenas tr\u00eas anos, e tampouco seria uma ferramenta para esse prop\u00f3sito. Pode-se revisar seu marco para acomod\u00e1-lo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local, se \u00e9 que haver\u00e1 uma no futuro\u201d, argumentou Hughes \u00e0 IPS. Ele tamb\u00e9m explicou que as pr\u00f3prias leis do BIOT j\u00e1 impedem de habitar ou visitar o territ\u00f3rio a menos que se tenha permiss\u00e3o, por isso \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea marinha protegida n\u00e3o tem impacto imediato na comunidade chagossiana\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O Fundo de Conserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m advertiu que o aumento do n\u00edvel do mar e a eros\u00e3o continuar\u00e3o sendo um problema para as ilhas. Segundo esse \u00f3rg\u00e3o, os benef\u00edcios da \u00c1rea Marinha Protegida em torno de Chagos s\u00e3o m\u00faltiplos, e a aus\u00eancia de uma popula\u00e7\u00e3o humana instalada, o r\u00edgido regime ambiental e a m\u00ednima pegada da base militar em Diego Garc\u00eda permitem um alto grau de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs ilhas, os sistemas de arrecifes e as \u00e1guas em torno de Chagos, em termos de preserva\u00e7\u00e3o e biodiversidade, est\u00e3o entre os mais ricos do planeta, e cont\u00eam cerca de metade dos arrecifes do Oceano \u00cdndico que permanecem em boas condi\u00e7\u00f5es\u201d, explicou Hughes.<\/p>\n<p>O advogado brit\u00e2nico e conselheiro para os chagossianos, Richard Giffor, disse \u00e0 IPS que o arquip\u00e9lago \u00e9 um lugar maravilhoso para viver mas, \u201cobviamente, h\u00e1 problemas, com recuperar a infraestrutura, a economia, a moradia e o transporte\u201d. No entanto, \u201cas possibilidades s\u00e3o extremamente positivas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A maioria dos 1.500 chagossianos originais faleceu, restando 682, que est\u00e3o decididos a lutar contra a \u00c1rea Marinha Protegida. \u201cTrabalhamos em nosso pr\u00f3prio plano de reassentamento, que apresentaremos no final deste ano aos tr\u00eas governos envolvidos, de Maur\u00edcio, Gr\u00e3-Bretanha e Estados Unidos\u201d, ressaltou Bancoult.<\/p>\n<p><b>Como os chagossianos perderam sua terra<\/b><\/p>\n<p>A Gr\u00e3-Bretanha, pot\u00eancia colonial dominante na regi\u00e3o, reconheceu a independ\u00eancia de Maur\u00edcio em 1968, mas manteve o arquip\u00e9lago de Chagos sob controle e expulsou sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das ilhas, Diego Garc\u00eda, foi cedida em loca\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos em 1966, por 50 anos, para ser usada como base militar.<\/p>\n<p>O acordo contempla uma extens\u00e3o at\u00e9 2036, que deve ser decidida entre as partes em dezembro deste ano.<\/p>\n<p>Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Port Louis, Maur&iacute;cio, 25\/2\/2014 &ndash; &ldquo;A &Aacute;rea Marinha Protegida criada em torno do arquip&eacute;lago de Chagos &eacute; um novo obst&aacute;culo colocado pelo governo brit&acirc;nico para impedir nossa volta &agrave; nossa p&aacute;tria&rdquo;, afirmou Olivier Bancoult, l&iacute;der de uma associa&ccedil;&atilde;o de refugiados desse grupo de ilhas no Oceano &Iacute;ndico. 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