{"id":17215,"date":"2014-02-27T15:14:02","date_gmt":"2014-02-27T15:14:02","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108754"},"modified":"2014-02-27T15:14:02","modified_gmt":"2014-02-27T15:14:02","slug":"a-pobreza-cresce-entre-o-ouro-do-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/a-pobreza-cresce-entre-o-ouro-do-pacifico\/","title":{"rendered":"A pobreza cresce entre o ouro do Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108755\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/papua640.jpg\"><img class=\" wp-image-108755 \" alt=\"papua640 A pobreza cresce entre o ouro do Pac\u00edfico\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/papua640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"A pobreza cresce entre o ouro do Pac\u00edfico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Habitantes de Papua Nova Guin\u00e9 apontam para sua aldeia destru\u00edda em um deslizamento de terras de um canteiro onde se realizava escava\u00e7\u00f5es para um projeto de g\u00e1s natural l\u00edquido. Foto: Catherine Wilson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sydney, Austr\u00e1lia, 27\/2\/2014 \u2013 Ouro, cobre, n\u00edquel, g\u00e1s e madeira s\u00e3o alguns dos recursos naturais extra\u00eddos de Papua Nova Guin\u00e9 e das Ilhas Salom\u00e3o para alimentar as economias do leste e sudeste asi\u00e1ticos. Embora estas na\u00e7\u00f5es do Oceano Pac\u00edfico ocidental tenham crescido entre 6% e 11% nos \u00faltimos sete anos, isto n\u00e3o se refletiu em seu desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>\u201cNas comunidades h\u00e1 pouca confian\u00e7a nos projetos de extra\u00e7\u00e3o de recursos operados pelos governos\u201d, explicou \u00e0 IPS Maureen Penjueli, coordenadora da n\u00e3o governamental Pacific Network on Globalisation in Fiji. \u201cExiste a percep\u00e7\u00e3o de que os governos est\u00e3o a favor das grandes empresas e dos investimentos estrangeiros, e que d\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. Os propriet\u00e1rios tradicionais das terras e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil n\u00e3o s\u00e3o adequadamente consultados sobre o tipo de desenvolvimento que consideram apropriado para o Pac\u00edfico\u201d, afirmou Penjueli.<\/p>\n<p>Em Papua Nova Guin\u00e9 h\u00e1 pelo menos seis minas das quais s\u00e3o extra\u00eddos ouro e cobre. A previs\u00e3o \u00e9 que o maior projeto da na\u00e7\u00e3o, o Papua Nova Guin\u00e9 LNG (G\u00e1s Natural Liquefeito de Papua Nova Guin\u00e9), nas terras altas do pa\u00eds, comece a funcionar este ano, gerando at\u00e9 US$ 1,5 bilh\u00e3o de ganhos anuais para o governo durante os pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>As Ilhas Salom\u00e3o, um arquip\u00e9lago a nordeste da Austr\u00e1lia, t\u00eam uma hist\u00f3ria de 50 anos de explora\u00e7\u00e3o madeireira. O corte contribui atualmente com 15% dos ganhos do Estado e com 60% dos derivados de exporta\u00e7\u00f5es. Os recursos naturais atra\u00edram grandes corpora\u00e7\u00f5es decididas a fazer lucro no curto prazo e dispostas a competir com os interesses locais, que priorizam a cultura, a identidade e o bem-estar das gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>O governo de Papua Nova Guin\u00e9 afirma que o Estado tem direitos sobre os recursos minerais, enquanto nas Ilhas Salom\u00e3o os propriet\u00e1rios tradicionais das terras determinam a extra\u00e7\u00e3o de madeira. Dos dois modos, os cidad\u00e3os comuns n\u00e3o recebem benef\u00edcio algum.<\/p>\n<p>Dois milh\u00f5es dos mais de sete milh\u00f5es de habitantes de Papua Nova Guin\u00e9 vivem na pobreza, enquanto a taxa de mortalidade entre menores de cinco anos \u00e9 de 75 em cada mil nascimentos. Nas Ilhas Salom\u00e3o, 23% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha da pobreza, e o alfabetismo \u00e9 de 17%. Os governos das ilhas do Pac\u00edfico, com d\u00e9ficit de capacidade e de per\u00edcia, podem ficar em desvantagem na negocia\u00e7\u00e3o de acordos com investidores internacionais.<\/p>\n<p>Uma alian\u00e7a entre as elites pol\u00edticas locais e as empresas estrangeiras serve aos interesses de uns poucos e afeta a maioria da popula\u00e7\u00e3o rural, onde os servi\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o inadequados e a prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos \u00e9 escassa. Na d\u00e9cada de 1980, a chegada em massa de empresas madeireiras do sudeste asi\u00e1tico \u00e0s Ilhas Salom\u00e3o causou um aumento da corrup\u00e7\u00e3o e uma flexibiliza\u00e7\u00e3o no cumprimento das regulamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs v\u00ednculos entre pol\u00edticos e madeireiras estrangeiras s\u00e3o complexos e est\u00e3o muito arraigados\u201d, disse \u00e0 IPS um porta-voz da Transpar\u00eancia Internacional em Honiara, capital das Ilhas Salom\u00e3o. \u201cFrequentemente ouvimos sobre pol\u00edticos que usam seu poder para proteger os desmatadores, influenciar a pol\u00edcia e conceder exonera\u00e7\u00e3o de impostos a empresas estrangeiras. Por outro lado, os cortadores de madeira financiam pol\u00edticos\u201d.<\/p>\n<p>Lily Duri Dani, uma latifundi\u00e1ria nas Ilhas Salom\u00e3o, disse que a corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m marginaliza as mulheres das decis\u00f5es sobre o uso da terra. \u201cAs mulheres tomariam decis\u00f5es honestas, abertas e justas para todos. Usar\u00edamos o dinheiro (dos recursos) para ajudar as pessoas comuns\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo a organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW), \u201ca m\u00e1 governan\u00e7a e a corrup\u00e7\u00e3o (em Papua Nova Guin\u00e9) impedem que os cidad\u00e3os comuns se beneficiem da riqueza de recursos. Projetos extrativistas de grande escala geram preocupa\u00e7\u00f5es ambientais e de direitos humanos que o governo n\u00e3o aborda\u201d. O projeto Papua Nova Guin\u00e9 LNG enriquecer\u00e1 investidores que tenham 80% de participa\u00e7\u00e3o, entre eles Exxon Mobil e sua subsidi\u00e1ria, Esso Highlands.<\/p>\n<p>Um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zel\u00e2ndia, alerta para impactos sociais como aumento da desigualdade, do consumo de \u00e1lcool, da viol\u00eancia dom\u00e9stica e da prostitui\u00e7\u00e3o. As comunidades locais tamb\u00e9m sofrem aumento de 38% nos pre\u00e7os dos alimentos, enquanto os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade se deterioram, j\u00e1 que o pessoal busca empregos mais lucrativos relacionados com o LNG.<\/p>\n<p>Em 2012, um devastador deslizamento de terra de um canteiro escavado por uma subcontratada do projeto enterrou duas aldeias, Tumbi e Tumbiago. Estima-se que tenha matado 60 pessoas e destru\u00eddo 42 casas. No ano anterior, a consultoria ambiental independente D\u2019Appolonia havia identificado riscos de seguran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es em canteiros.<\/p>\n<p>O governo de Papua Nova Guin\u00e9 n\u00e3o encomendou uma investiga\u00e7\u00e3o independente do desastre, o que deixou as v\u00edtimas privadas de justi\u00e7a. O chefe da aldeia de Tumbi, Jokoya Piwako, que perdeu toda sua fam\u00edlia na trag\u00e9dia, afirmou que o governo e as empresas \u201cest\u00e3o preocupadas por sua renda e seu ganho, e n\u00e3o pelas vidas nas comunidades\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Jubilee Australia informou no ano passado que \u201ch\u00e1 s\u00e9rios riscos de os ganhos gerados pelo projeto (Papua Nova Guin\u00e9 LNG) n\u00e3o mitigar os impactos econ\u00f4micos e sociais negativos\u201d.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, a mina de ouro Porgera, na prov\u00edncia de Enga e majoritariamente propriedade da empresa canadense Barrick Gold, produziu ouro no valor de US$ 20 bilh\u00f5es. As comunidades da \u00e1rea vivem afundadas em uma pobreza severa, enquanto a HRW relatou que gangues integradas por pessoal de seguran\u00e7a privada cometeram viola\u00e7\u00f5es no local da mina em 2011.<\/p>\n<p>No ano passado, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) organizou uma confer\u00eancia em Fiji para estudar como a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais no Pac\u00edfico poderia melhorar as vidas dos cidad\u00e3os comuns. Mas na regi\u00e3o ainda n\u00e3o existe o contexto necess\u00e1rio para uma governan\u00e7a adequada e transparente para uma forte regulamenta\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias extrativistas, para medidas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e social e para a participa\u00e7\u00e3o das comunidades rurais nas decis\u00f5es sobre o uso da terra.<\/p>\n<p>Penjueli ressaltou que \u201cum papel essencial para as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u00e9 mobilizar o p\u00fablico para que se comprometa com quest\u00f5es dif\u00edceis de direitos humanos e justi\u00e7a social\u201d no setor extrativista. As comunidades ind\u00edgenas precisam ser empoderadas com habilidades, conhecimentos sobre as implica\u00e7\u00f5es das decis\u00f5es e meios de sustento alternativo, al\u00e9m de melhor acesso a apoio legal para defender seus direitos, pontuam ativistas.<\/p>\n<p>\u201cTemos que educar todos os propriet\u00e1rios de terra porque eles t\u00eam de tomar boas decis\u00f5es\u201d, enfatizou \u00e0 IPS Judy Tabiru, presidente do Conselho de Mulheres da Prov\u00edncia de Isabel nas Ilhas Salom\u00e3o. \u201cDevemos criar regras para proteger nossos recursos para benef\u00edcio de nosso povo. \u00c9 para melhorar nossa gera\u00e7\u00e3o e a dos filhos de nossos filhos\u201d, opinou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sydney, Austr&aacute;lia, 27\/2\/2014 &ndash; Ouro, cobre, n&iacute;quel, g&aacute;s e madeira s&atilde;o alguns dos recursos naturais extra&iacute;dos de Papua Nova Guin&eacute; e das Ilhas Salom&atilde;o para alimentar as economias do leste e sudeste asi&aacute;ticos. 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