{"id":17220,"date":"2014-02-28T13:55:48","date_gmt":"2014-02-28T13:55:48","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108824"},"modified":"2014-02-28T13:55:48","modified_gmt":"2014-02-28T13:55:48","slug":"coreia-do-norte-segue-bem-sem-a-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/coreia-do-norte-segue-bem-sem-a-do-sul\/","title":{"rendered":"Coreia do Norte segue bem sem a do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108825\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/coreadelnorte640.jpg\"><img class=\" wp-image-108825 \" alt=\"coreadelnorte640 Coreia do Norte segue bem sem a do Sul\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/coreadelnorte640.jpg\" width=\"529\" height=\"257\" title=\"Coreia do Norte segue bem sem a do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um novo centro de esqui inaugurado no ano passado na Coreia do Norte atrai muitos turistas. Foto: Koryo Tours, Pequim<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seul, Coreia do Sul, 28\/2\/2014 \u2013 Se nos anos 1990 a Coreia do Norte era vista como uma na\u00e7\u00e3o fam\u00e9lica que gerava um \u00eaxodo de famintos, o panorama deveria ser ainda mais nefasto agora, seis anos depois de encerrada a generosa ajuda da Coreia do Sul. Mas, n\u00e3o \u00e9 assim. Essa na\u00e7\u00e3o de 24 milh\u00f5es de habitantes, a mais fechada do mundo e considerada uma amea\u00e7a nuclear, parece ter se sa\u00eddo bem com o passar dos anos.<\/p>\n<p>Atualmente h\u00e1 not\u00edcias de melhora na situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Muito mais gente se dedica ao com\u00e9rcio. O regime comunista, cuja condu\u00e7\u00e3o coube por heran\u00e7a ao l\u00edder supremo Kim Jong Eun ap\u00f3s a morte de seu pai em 2011, est\u00e1 atraindo investidores estrangeiros e turistas e introduzindo reformas. Pyongyang inclusive flexibilizou sua atitude em rela\u00e7\u00e3o a Seul para retomar as conversa\u00e7\u00f5es entre as duas partes.<\/p>\n<p>Entre 1998 e 2007, o governo liberal sul-coreano fornecia anualmente ao seu vizinho do norte cerca de 400 mil toneladas de arroz, grandes quantidades de leite em p\u00f3 e rem\u00e9dios para beb\u00eas, bem como cimento, equipamentos para a constru\u00e7\u00e3o e fertilizantes. Os caminh\u00f5es carregados cruzavam a fronteira hipercontrolada que separa os dois pa\u00edses desde a Guerra da Coreia (1950-1953).<\/p>\n<p>A cada m\u00eas, milhares de turistas sul-coreanos visitavam o pitoresco monte Kumgang, no norte, o que rendia milh\u00f5es de d\u00f3lares a Pyongyang. Mas os v\u00ednculos entre as duas Coreias quase ficaram congelados ap\u00f3s a assun\u00e7\u00e3o de um governo conservador no Sul em 2008. Em maio de 2010, ap\u00f3s o afundamento de um navio de guerra que Seul atribuiu a Pyongyang, a Coreia do Sul interrompeu todo envio e a maioria de seus investimentos com seu vizinho e rival.<\/p>\n<p>Gradualmente, a Coreia do Norte foi ficando sem os alimentos e demais produtos sul-coreanos. Ao perder Seul como principal doador, Pyongyang se tornou mais dependente da China, sua maior benfeitora e aliada. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Com\u00e9rcio da Coreia, entre 2012 e 2013 o interc\u00e2mbio entre China e Coreia do Norte aumentou 10%, ficando em US$ 6,54 bilh\u00f5es. A Coreia do Norte tamb\u00e9m foi obrigada a ser mais autossuficiente.<\/p>\n<p>Multiplicaram os empres\u00e1rios de \u201cclasse m\u00e9dia\u201d e entre eles est\u00e3o cerca de 240 mil norte-coreanos, que possuem entre US$ 50 mil e US$ 100 mil em bens como apartamentos, segundo o jornal <i>Chosun Ilbo<\/i>, publicado em Seul.<\/p>\n<p>\u201cEstas novas camadas m\u00e9dias s\u00e3o uma indica\u00e7\u00e3o de que Pyongyang permite aos agricultores e \u00e0s pessoas comuns fazerem neg\u00f3cios no mercado. Antes, isso era algo impens\u00e1vel, a menos que se demonstrasse lealdade ao governante Partido Comunista\u201d, pontuou ao jornal um funcion\u00e1rio de Seul. Desertores norte-coreanos na Coreia do Sul explicam que essas pessoas endinheiradas costumam ser ex-agricultores, comerciantes ou diplomatas.<\/p>\n<p>Recente estudo da Media Research que analisou os casos de 200 desertores da Coreia do Norte diz que pelo menos 80% das pessoas comuns participam do com\u00e9rcio local. Os norte-coreanos j\u00e1 n\u00e3o dependem das ra\u00e7\u00f5es do regime, que nos \u00faltimos anos ca\u00edram pela metade. Os chamados \u201capartamentos da superclasse\u201d na capital norte-coreana s\u00e3o vendidos a US$ 100 mil cada um.<\/p>\n<p>Segundo o Programa Mundial de Alimentos, agora h\u00e1 menos norte-coreanos precisando de comida. Seu estudo de 2013 diz que 46% dos consultados contavam com alimentos \u201cadequados\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com 26% em 2012. Se algo toda essa situa\u00e7\u00e3o indica \u00e9 que a suspens\u00e3o da ajuda de Seul criou dificuldades apenas no curto prazo para o Norte, mas no longo prazo ajudou a reformar a economia.<\/p>\n<p>Ao cessarem os alimentos e a ajuda que vinham do Sul, os trabalhadores que se dedicavam a administrar esses fornecimentos perderam seus empregos e tiveram de encontrar outra ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cMuitos se converteram em vendedores que v\u00e3o de um mercado a outro\u201d, disse Joo Sung-Ha, especialista em temas da Coreia do Norte radicado em Seul.<\/p>\n<p>Por outro lado, na medida em que os Estados Unidos aumentam sua press\u00e3o sobre a China para que a Coreia do Norte renuncie \u00e0s armas nucleares, Pyongyang dever\u00e1 buscar novas fontes de financiamento, segundo analistas.<\/p>\n<p>A Coreia do Norte j\u00e1 lan\u00e7ou uma s\u00e9rie de reformas. Em junho de 2012 introduziu um sistema de \u201cgranjas familiares\u201d pelo qual cada estabelecimento familiar deve entregar 30% de sua colheita ao governo e pode comercializar o resto de forma privada. O governo tamb\u00e9m anunciou a constru\u00e7\u00e3o de 14 zonas francas, onde os investidores estrangeiros poder\u00e3o negociar em condi\u00e7\u00f5es preferenciais.<\/p>\n<p>Em janeiro foi inaugurado um novo centro de esqui na cidade de Wonsan, onde turistas estrangeiros podem se misturar aos locais e beber cervejas europeias e at\u00e9 Coca-Cola. Pyongyang tamb\u00e9m prop\u00f4s o rein\u00edcio das conversa\u00e7\u00f5es com Seul. Este m\u00eas, pela primeira vez desde 2007, funcion\u00e1rios de alto n\u00edvel dos dois pa\u00edses se sentaram para debater a reunifica\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias separadas desde a guerra.<\/p>\n<p>Kim Jong Eun tem motivos para realizar reformas. Governa uma na\u00e7\u00e3o vista como uma amea\u00e7a para o mundo. E se deseja refor\u00e7ar sua legitimidade deve reduzir a forte depend\u00eancia da China e tentar abrir a economia. Mas, por acaso essas reformas podem gerar uma mudan\u00e7a real?<\/p>\n<p>Eun, que sucedeu seu pai Kim Jong Il e seu av\u00f4, Kim II Sung, \u00e9 acusado de promover o culto \u00e0 personalidade para manter sua fam\u00edlia no poder. No ano passado, mandou executar o n\u00famero dois do regime, seu tio Jang Song Taek, acusado de trai\u00e7\u00e3o. \u201cAgora Kim est\u00e1 aterrorizando a na\u00e7\u00e3o ao enviar centenas de homens do c\u00edrculo de Jang para campos de concentra\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Cho Myong-Chull, legislador do Coreia do Sul que foi professor na Universidade Kim II Sung, de Pynongyang.<\/p>\n<p>Muitos norte-coreanos dizem que seu governo se preocupa mais por si mesmo do que em alimentar o povo. Cerca de 90% dos entrevistados pela Media Research acreditam que h\u00e1 uma grande brecha entre ricos e pobres devido ao surgimento de uma nova classe endinheirada. As ind\u00fastrias s\u00e3o afetadas pela falta de eletricidade. Contudo, ao mesmo tempo, o norte-coreano est\u00e1 come\u00e7ando a conhecer o mundo exterior.<\/p>\n<p>O estudo da Media Research sobre os dissidentes concluiu que 70% dos entrevistados haviam visto telenovelas e ouvido can\u00e7\u00f5es populares sul-coreanas enquanto viviam no Norte. Estima-se que mais de tr\u00eas milh\u00f5es de norte-coreanos possuem telefone celular. A maioria dos dissidentes assentados na Coreia do Sul fala por este meio de comunica\u00e7\u00e3o com os familiares que ficaram em seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na Coreia do Sul vivem mais de 26.100 dissidentes norte-coreanos. Os que fugiram na d\u00e9cada de 1990 o fizeram pela fome. E, desde 2007, mais e mais pessoas v\u00e3o em busca de uma vida melhor e de uma educa\u00e7\u00e3o de mais qualidade para os filhos. Nos \u00faltimos anos, a Coreia do Norte tentou o retorno dos dissidentes mais do que sua persegui\u00e7\u00e3o. E, de fato, a emigra\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds vizinho diminuiu desde que Eun chegou ao poder, segundo o Minist\u00e9rio de Unifica\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Seul, Coreia do Sul, 28\/2\/2014 &ndash; Se nos anos 1990 a Coreia do Norte era vista como uma na&ccedil;&atilde;o fam&eacute;lica que gerava um &ecirc;xodo de famintos, o panorama deveria ser ainda mais nefasto agora, seis anos depois de encerrada a generosa ajuda da Coreia do Sul. Mas, n&atilde;o &eacute; assim. 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