{"id":17222,"date":"2014-02-28T13:42:12","date_gmt":"2014-02-28T13:42:12","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=108817"},"modified":"2014-02-28T13:42:12","modified_gmt":"2014-02-28T13:42:12","slug":"agricultores-da-costa-rica-se-tornam-trapezistas-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/agricultores-da-costa-rica-se-tornam-trapezistas-climaticos\/","title":{"rendered":"Agricultores da Costa Rica se tornam trapezistas clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_108818\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Crica-chica-629x418.jpg\"><img class=\" wp-image-108818 \" alt=\"Crica chica 629x418 Agricultores da Costa Rica se tornam trapezistas clim\u00e1ticos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Crica-chica-629x418.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Agricultores da Costa Rica se tornam trapezistas clim\u00e1ticos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Alberto Chac\u00f3n retira o mato no terreno onde cultiva feij\u00e3o, em sua pequena propriedade de Pacayas, nas ladeiras do vulc\u00e3o Iraz\u00fa, na Costa Rica. O cultivo em degrau permite controlar as correntes de \u00e1gua que causariam a eros\u00e3o do solo. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alvarado, Costa Rica, 28\/2\/2014 \u2013 Jos\u00e9 Alberto Chac\u00f3n percorre o sinuoso caminho que cruza sua pequena propriedade nas ladeiras do vulc\u00e3o Iraz\u00fa, na Costa Rica. O avan\u00e7o \u00e9 lento porque o agricultor desenhou uma trilha que serpenteia o terreno, para evitar que a chuva leve os nutrientes do solo. Assim, ele assegura a produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o, milho e cenoura em seu meio hectare que, como de muitos outros produtores da zona de Pacayas, fica em uma \u00e1rea escarpada e de fortes inclina\u00e7\u00f5es, o que facilita a perda das camadas f\u00e9rteis do solo.<\/p>\n<p>Diante do desafio, Chac\u00f3n disse \u00e0 IPS que se reinventa constantemente com t\u00e9cnicas como a trilha, os degraus ou os muros de conten\u00e7\u00e3o com sobras de colheitas, e se sente um trapezista que salta de uma medida para outra, a fim de manter viva sua propriedade familiar. \u201cD\u00e1 pena ver a terra sendo levada para o rio. Ficamos velhos e o terreno continua o mesmo, ent\u00e3o \u00e9 preciso ir buscando como deix\u00e1-lo plano com os degraus para poder trabalhar enquanto Deus quiser\u201d, explicou Chac\u00f3n, de 51 anos, casado e com tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>Um deles o ajuda na venda do excedente de sua colheita. Sua mulher, Irma Rosa Loaiza, de 50 anos, compartilha dos trabalhos agr\u00edcolas. \u201cSomos um modelo de agricultura familiar. Ela ajuda trabalhando no terreno\u201d, contou o marido.<\/p>\n<p>A comunidade de Pacayas, a uma hora de dist\u00e2ncia de S\u00e3o Jos\u00e9, fica no extremo oriental do f\u00e9rtil vale central costarriquenho, entre os vulc\u00f5es Iraz\u00fa e Turrialba. Tem densidade populacional superior \u00e0 m\u00e9dia nacional, 2.300 mil\u00edmetros de chuvas por ano e inclina\u00e7\u00f5es que chegam a 70%. Agora se soma a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que aumentou as chuvas e o desgaste do solo. O Minist\u00e9rio de Meio Ambiente e Energia calcula que a eros\u00e3o reduziu o produto interno bruto (PIB) agr\u00edcola em 7,7% entre 1970 e 1989.<\/p>\n<p>O Censo Agr\u00edcola de 2014 poder\u00e1 mostrar um agravamento nesse pa\u00eds centro-americano de 4,4 milh\u00f5es de habitantes, cuja agricultura representou, em 2000, 10,7% do PIB total, mas em 2012 chegava a apenas 8,67%. Chac\u00f3n, usando botas negras e chap\u00e9u branco para se proteger do Sol, avan\u00e7a entre as fileiras de cultivos. Seu terreno tem inclina\u00e7\u00e3o de 50%, e entre um degrau e outro de milho h\u00e1 at\u00e9 20 cent\u00edmetros, o suficiente para que a \u00e1gua n\u00e3o passe r\u00e1pida para o rio Pacayas, ao fundo do c\u00e2nion.<\/p>\n<p>A sua \u00e9 uma agricultura de subsist\u00eancia, como a do resto da \u00e1rea, com terrenos de 2,5 hectares, em m\u00e9dia, e raspam suas colheitas da montanha. Se cultivam pouco, n\u00e3o comem; se semeiam muito e o solo \u00e9 lavado, tampouco conseguem sustento. \u201c\u00c9 preciso buscar um equil\u00edbrio entre sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar. N\u00e3o se pode dizer a eles: esse terreno n\u00e3o \u00e9 apto para a agricultura, melhor plantarem na floresta, porque \u00e9 s\u00f3 o que t\u00eam\u201d, explicou \u00e0 IPS a engenheira agr\u00f4noma Beatriz Solano, enviada para a regi\u00e3o h\u00e1 17 anos pelo Minist\u00e9rio de Agricultura e Pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2013 pela revista <i>Environmental Science &amp; Policy<\/i> descreve como uma \u201ccombina\u00e7\u00e3o de chuvas extremas, topografia empinada e um question\u00e1vel uso da terra levou a uma eros\u00e3o forte e \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de regula\u00e7\u00e3o de solos\u201d, na \u00e1rea. Inclusive as fam\u00edlias com terrenos de inclina\u00e7\u00e3o suave precisam aplicar novas t\u00e9cnicas. A propriedade org\u00e2nica certificada Guisol \u00e9 um exemplo. Suas propriet\u00e1rias, Mar\u00eda Solano, de 68 anos, e Marta Guill\u00e9n, de 43, mostraram \u00e0 IPS como aram em pequenas parcelas usando cercas vivas para conter a eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem todos os produtores da \u00e1rea s\u00e3o conscientes da import\u00e2ncia dessas a\u00e7\u00f5es. Uma pesquisa de 2010 feita por um especialista do interamericano Centro Agron\u00f4mico Tropical de Pesquisa e Ensino (Catie), com sede nesse pa\u00eds, evidenciou que sete em cada dez agricultores de Pacayas n\u00e3o utilizavam t\u00e9cnicas de prote\u00e7\u00e3o de solos. Al\u00e9m disso, a fragmenta\u00e7\u00e3o em pequenas parcelas impede que possam se beneficiar do pagamento por cobertura florestal, o sistema preferido pela Costa Rica para controlar a eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Os especialistas afirmam que as novas pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o de solos para a agricultura familiar ser\u00e3o indispens\u00e1veis em Pacayas pelas mudan\u00e7as no regime de chuvas. \u201cAntes a chuva era igual de outubro a janeiro ou fevereiro, com forte neblina. Agora \u00e9 mais inst\u00e1vel, e sem \u00e1gua a batata n\u00e3o cresce e quem perde somos n\u00f3s, porque cada vez est\u00e3o mais caras as sementes e os adubos\u201d, disse \u00e0 IPS o agricultor Guillermo Quir\u00f3s, de 68 anos, que h\u00e1 dois teve de refazer os canais de filtra\u00e7\u00e3o de suas terras.<\/p>\n<p>O pesquisador Carlos Hidalgo, do Instituto Nacional de Transfer\u00eancia Tecnol\u00f3gica em Agricultura, concluiu em 2011 um trabalho de pesquisa e acompanhamento da gest\u00e3o de solos na \u00e1rea. \u201c\u00c9 um processo que tem de incorporar todos os atores, incluindo munic\u00edpios, produtores e centros de pesquisa\u201d, explicou Hidalgo \u00e0 IPS em seu escrit\u00f3rio em S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Esse esfor\u00e7o multidisciplinar avan\u00e7a. A cada dois meses se re\u00fane na Municipalidade de Alvarado, cant\u00e3o ao qual pertence Pacayas, um grupo integrado por diferentes atores, que forma o comit\u00ea de manejo de solos da bacia do rio Birr\u00eds. Ali planejam o trabalho do per\u00edodo seguinte. Este m\u00eas, o modesto pal\u00e1cio municipal de Alvarado recebeu a primeira reuni\u00e3o de 2014. Foi presidida pela gestora ambiental do cant\u00e3o, Gabriela G\u00f3mez, e sete dos oito participantes eram mulheres.<\/p>\n<div id=\"attachment_108819\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/agricultura.jpg\"><img class=\" wp-image-108819 \" alt=\"agricultura Agricultores da Costa Rica se tornam trapezistas clim\u00e1ticos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/agricultura.jpg\" width=\"540\" height=\"326\" title=\"Agricultores da Costa Rica se tornam trapezistas clim\u00e1ticos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os agricultores de Pacayas tra\u00e7am as linhas de cultivo com certa inclina\u00e7\u00e3o, para que as chuvas n\u00e3o lavem suas terras. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Pacayas, os homens dominam a tarefa agr\u00edcola, enquanto as mulheres v\u00e3o assumindo o planejamento e a conserva\u00e7\u00e3o do cant\u00e3o. \u201cVamos falar com o Instituto Tecnol\u00f3gico da Costa Rica (TEC) para fazer um estudo do escorrimento da \u00e1gua da chuva, para poder fazer melhor as trilhas, evitar que sejam inundadas partes baixas do cant\u00e3o e reduzir a eros\u00e3o\u201d, pontuou G\u00f3mez \u00e0 IPS. Ela liderou iniciativas ambientais reconhecidas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de Pacayas tem a ver com a bacia do rio Birr\u00eds, um complexo hidrogr\u00e1fico que nasce nas montanhas pr\u00f3ximas ao povoado e que alimenta as hidrel\u00e9tricas do Instituto Costarriquenho de Eletricidade (ICE). O Instituto gasta cerca de US$ 4 milh\u00f5es anuais para limpar os sedimentos de suas represas, tamb\u00e9m afetadas pela eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Chac\u00f3n e outros pequenos agricultores continuam tra\u00e7ando curvas de n\u00edvel em suas terras, para evitar que a \u00e1gua lave a terra. O impacto \u00e9 facilmente vis\u00edvel. Do outro lado do rio que limita com sua \u00e1rea, a margem oposta mostra tons avermelhados de terra e apenas peda\u00e7os verdes ladeira abaixo. \u201cEsse terreno j\u00e1 foi lavado\u201d, garantiu a agr\u00f4noma Solano. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Alvarado, Costa Rica, 28\/2\/2014 &ndash; Jos&eacute; Alberto Chac&oacute;n percorre o sinuoso caminho que cruza sua pequena propriedade nas ladeiras do vulc&atilde;o Iraz&uacute;, na Costa Rica. O avan&ccedil;o &eacute; lento porque o agricultor desenhou uma trilha que serpenteia o terreno, para evitar que a chuva leve os nutrientes do solo. Assim, ele assegura a produ&ccedil;&atilde;o [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/agricultores-da-costa-rica-se-tornam-trapezistas-climaticos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2342,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178],"class_list":["post-17222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2342"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17222"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17222\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}