{"id":17237,"date":"2014-03-10T15:15:32","date_gmt":"2014-03-10T15:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109136"},"modified":"2014-03-10T15:15:32","modified_gmt":"2014-03-10T15:15:32","slug":"terramerica-mocambique-inovacao-brasileira-para-um-agro-sem-financiamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/terramerica-mocambique-inovacao-brasileira-para-um-agro-sem-financiamento\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Mo\u00e7ambique: Inova\u00e7\u00e3o brasileira para um agro sem financiamento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109137\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/MocambiqueErasmoLaldas.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-109137 \" alt=\"MocambiqueErasmoLaldas TERRAM\u00c9RICA   Mo\u00e7ambique: Inova\u00e7\u00e3o brasileira para um agro sem financiamento\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/MocambiqueErasmoLaldas.jpg\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Mo\u00e7ambique: Inova\u00e7\u00e3o brasileira para um agro sem financiamento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Erasmo Lald\u00e1s em sua planta\u00e7\u00e3o de morango em Naamacha, Mo\u00e7ambique. Foto: Amos Zacarias\/IPS<\/p><\/div>\n<p><strong><\/strong>Maputo, Mo\u00e7ambique, 10 de mar\u00e7o de 2014 (Terram\u00e9rica).- Uma parte da excel\u00eancia tecnol\u00f3gica que o Brasil empregou para revolucionar sua agricultura tropical est\u00e1 chegando a pequenos produtores de Mo\u00e7ambique. Contudo, n\u00e3o basta para acalmar a fome de financiamento que o setor tem. O agricultor Erasmo Lald\u00e1s, que trabalha h\u00e1 15 anos em Namaacha, um povoado a 75 quil\u00f4metros da capital mo\u00e7ambicana, recebeu no ano passado 15 mil mudas de Festival, uma nova variedade de morango de origem norte-americana.<\/p>\n<p>Lald\u00e1s produziu sete toneladas, empregando oito trabalhadores. Vendeu toda sua colheita em Maputo e em janeiro liderou as vendas nesse mercado, porque na \u00c1frica do Sul, seu principal competidor, a fruta j\u00e1 escasseava. \u201cO fruto \u00e9 de muito boa qualidade, n\u00e3o exige muitos produtos qu\u00edmicos como o morango sul-africano e seu per\u00edodo de colheita se prolonga mais do que a variedade nativa que eu vinha plantando\u201d, contou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Lald\u00e1s, de 37 anos, \u00e9 o primeiro produtor nacional beneficiado pela coopera\u00e7\u00e3o brasileira e norte-americana mediante apoio t\u00e9cnico ao Programa de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional de Mo\u00e7ambique (PSAL). Iniciado em 2012, o projeto associa o Instituto de Pesquisa Agr\u00e1ria de Mo\u00e7ambique (IIAM) com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), para ampliar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Primeiro foi estudada a adapta\u00e7\u00e3o de sementes ao clima tropical. O IIAM recebeu mais de 90 variedades de tomate, repolho, alface, cenoura e piment\u00e3o, que est\u00e3o em testes na Esta\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria de Umbeluz, a 25 quil\u00f4metros de Maputo. \u201cOs resultados dos testes s\u00e3o animadores porque identificamos 17 variedades que est\u00e3o prontas para serem distribu\u00eddas aos produtores, por terem as qualidades fitossanit\u00e1rias desejadas. Estamos esperando que sejam registradas e aprovadas com o selo de Mo\u00e7ambique\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o pesquisador Carvalho Ecole, lamentando que seu pa\u00eds n\u00e3o registre novas variedades na horticultura h\u00e1 50 anos.<\/p>\n<p>A horticultura \u00e9 um setor estrat\u00e9gico para gerar empregos e renda entre os pequenos agricultores, pois esta produ\u00e7\u00e3o representa 20% dos gastos familiares, afirma Ecole, integrante do IIAM. \u201cPor muito tempo a horticultura foi descuidada. Ao falar de seguran\u00e7a alimentar o governo s\u00f3 pensava em milho, mapira (uma esp\u00e9cie de sorgo) e mandioca. Al\u00e9m disso, nossos produtores continuam sem ter cr\u00e9ditos nem financiamento\u201d, criticou.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul \u00e9 o maior fornecedor de hortali\u00e7as e frutas para o sul de Mo\u00e7ambique. Dados do IIAM mostram que at\u00e9 2010 quase toda cebola, 65% do tomate e 57% do repolho consumidos nas cidades de Maputo e Matola eram sul-africanos. E essas propor\u00e7\u00f5es se mant\u00eam. Em consequ\u00eancia, os pre\u00e7os s\u00e3o altos. Um quilo de tomate custa entre 50 e 60 meticales (US$ 1,6 e US$ 2) e a cebola um pouco menos. Quando as novas esp\u00e9cies aprovadas estiverem dispon\u00edveis para os camponeses nacionais, os pre\u00e7os baixar\u00e3o, pontuou Ecole.<\/p>\n<p>Mo\u00e7ambique tamb\u00e9m importa manga, banana, laranja, abacate, morango e outras frutas da \u00c1frica do Sul. \u201cTemos que capacitar os camponeses nacionais para que nos pr\u00f3ximos anos produzam quantidades suficientes para abastecer o mercado interno\u201d, opinou ao Terram\u00e9rica o coordenador da Embrapa em Mo\u00e7ambique, Jos\u00e9 Bellini. A coopera\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 o caminho escolhido pelo Brasil, desde o governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (2003-2011) para consolidar sua pol\u00edtica de ajuda ao desenvolvimento, especialmente na \u00c1frica.<\/p>\n<p>A Embrapa, um conglomerado estatal de 47 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil e com v\u00e1rias representa\u00e7\u00f5es no exterior, se mobilizou para transferir a outros pa\u00edses do Sul uma parte dos conhecimentos em agricultura tropical que acumulou em seus 41 anos de exist\u00eancia. Seu escrit\u00f3rio para a \u00c1frica foi instalado em Gana.<\/p>\n<p>Mas a presen\u00e7a do Brasil em Mo\u00e7ambique tem uma dimens\u00e3o dif\u00edcil de igualar com o ProSavana, nome pelo qual \u00e9 conhecido o Programa de Coopera\u00e7\u00e3o Tripartite para o Desenvolvimento Agr\u00edcola da Savana Tropical deste pa\u00eds, apoiado pelas ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o brasileira (ABC) e pela japonesa (Jica) e inspirado na experi\u00eancia que fez do Brasil um celeiro mundial e maior exportador de soja.<\/p>\n<p>A meta \u00e9, num horizonte de duas d\u00e9cadas, beneficiar de forma direta 400 pequenos e m\u00e9dios agricultores e indiretamente outros 3,6 milh\u00f5es, com um forte aumento da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade no Corredor de Nacala, ao norte. O Brasil construir\u00e1 um laborat\u00f3rio para estudos de solos e plantas na cidade de Lichinga. A Embrapa treina pesquisadores do IIAM no corredor, al\u00e9m de modernizar dois centros locais de pesquisas.<\/p>\n<div id=\"attachment_109138\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/MocambiqueEstagiarios.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-109138\" alt=\"MocambiqueEstagiarios TERRAM\u00c9RICA   Mo\u00e7ambique: Inova\u00e7\u00e3o brasileira para um agro sem financiamento\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/MocambiqueEstagiarios.jpg\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Mo\u00e7ambique: Inova\u00e7\u00e3o brasileira para um agro sem financiamento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Estudantes do Instituto M\u00e9dio Agr\u00e1rio de Inhambane analisam a evolu\u00e7\u00e3o de uma variedade de alface na Esta\u00e7\u00e3o Agr\u00e1ria de Umbeluzi, Mo\u00e7ambique. Foto: Amos Zacarias\/IPS<\/p><\/div>\n<p>No entanto, o ProSavana \u00e9 um programa pol\u00eamico. Camponeses e ativistas temem que replique problemas brasileiros, com o predom\u00ednio do agroneg\u00f3cio, as monoculturas, a grande concentra\u00e7\u00e3o da terra e a produ\u00e7\u00e3o em poucas empresas transnacionais, em um pa\u00eds como Mo\u00e7ambique, onde 80% da popula\u00e7\u00e3o pratica a agricultura familiar.<\/p>\n<p>O apoio ao PSAL tem outro sentido. Voltado \u00e0 horticultura, destina-se claramente ao pequeno produtor e a melhorar a alimenta\u00e7\u00e3o local. Mas sofre limita\u00e7\u00f5es de escala e de recursos. \u201cN\u00e3o podemos melhorar nosso sistema de produ\u00e7\u00e3o sem investimentos. Demos um passo gigantesco, h\u00e1 mais pesquisa e transfer\u00eancia de tecnologia, mas isso tem de estar acompanhado de elevados investimentos\u201d, afirmou Ecole.<\/p>\n<p>O Estado mo\u00e7ambicano investe muito pouco no setor agr\u00e1rio, embora tenha aumentando. Em 2013, destinou \u00e0 agricultura 7,6% de seu or\u00e7amento, equivalente a cerca de US$ 6 bilh\u00f5es. Segundo dados de 2012 do Secretariado T\u00e9cnico de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, 30% da popula\u00e7\u00e3o nacional sofre fome. E aproximadamente 80 mil menores de cinco anos morrem por ano v\u00edtimas de desnutri\u00e7\u00e3o, afirma a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Save the Children.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros n\u00e3o se justificam em Mo\u00e7ambique, que tem condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis e m\u00e3o de obra abundante para uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em grande escala, observou Ecole. Namaacha ilustra essa contradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 o \u00fanico distrito do pa\u00eds que produz morango. Chegou a abastecer todo o mercado de Maputo, mas muitos produtores quebraram por falta de cr\u00e9dito, ressaltou Cec\u00edlia Ruth Bila, respons\u00e1vel pela \u00e1rea de frutas do IIAM.<\/p>\n<p>\u201cOs camponeses enfrentam dificuldades de acesso a financiamento, nossos bancos tampouco ajudam muito, por isso os produtores desistem\u201d, afirmou Bila. Aproximadamente 150 agricultores de morango de Namaacha abandonaram a atividade nos \u00faltimos cinco anos por falta de cr\u00e9dito, segundo informa\u00e7\u00f5es do setor.<\/p>\n<p>Lald\u00e1s \u00e9 um dos poucos sobreviventes. Talvez por isso alimente grandes sonhos. Para este ano solicitou 150 mil mudas para ampliar seu cultivo para tr\u00eas hectares, enquanto busca financiar a instala\u00e7\u00e3o de eletricidade, tr\u00eas estufas, um sistema de irriga\u00e7\u00e3o e uma pequena ind\u00fastria de beneficiamento. \u201cTudo isso me custar\u00e1 cerca de seis milh\u00f5es de meticales\u201d (quase US$ 200 mil), explicou, esperan\u00e7oso. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><i>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos da IPS<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/camponeses-de-mocambique-temem-modernizacao-agricola-brasileira\/\" >Camponeses de Mo\u00e7ambique temem moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e0 brasileira<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/a-agua-e-a-bencao-e-a-maldicao-de-mocambique-3\/\" >A \u00e1gua \u00e9 a ben\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/agricultores-mocambicanos-temem-escassez-de-terras\/\" >Agricultores mo\u00e7ambicanos temem escassez de terras<\/a><span style=\"line-height: 1.5em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maputo, Mo&ccedil;ambique, 10 de mar&ccedil;o de 2014 (Terram&eacute;rica).- Uma parte da excel&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica que o Brasil empregou para revolucionar sua agricultura tropical est&aacute; chegando a pequenos produtores de Mo&ccedil;ambique. 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