{"id":17238,"date":"2014-03-10T15:10:35","date_gmt":"2014-03-10T15:10:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109140"},"modified":"2014-03-10T15:10:35","modified_gmt":"2014-03-10T15:10:35","slug":"terramerica-escondendo-o-lixo-debaixo-do-tapete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/terramerica-escondendo-o-lixo-debaixo-do-tapete\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Escondendo o lixo debaixo do tapete"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109141\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/BouwerSemLixo1.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-109141\" alt=\"BouwerSemLixo1 TERRAM\u00c9RICA   Escondendo o lixo debaixo do tapete\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/BouwerSemLixo1.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Escondendo o lixo debaixo do tapete\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Bailarinos gauchescos no Festival da Contamina\u00e7\u00e3o. Foto: Cortesia Bouwer Sin Basura<\/p><\/div>\n<p>Bouwer, Argentina, 10 de mar\u00e7o de 2014 (Terram\u00e9rica).- Enquanto as luxuosas escolas de samba do Brasil preparavam o grande carnaval do Rio de Janeiro, um humilde grupo percorreu um pequeno povoado argentino para alertar sobre um problema urbano subestimado: o lixo. A prov\u00edncia de C\u00f3rdoba est\u00e1 \u00e0 beira do colapso sanit\u00e1rio. A 2.300 quil\u00f4metros do Rio de Janeiro, o grupo Cor e Alegria, do povoado cordob\u00eas de Bouwer, se concentrou aos p\u00e9s de uma r\u00e9plica do Cristo Redentor carioca.<\/p>\n<p>Entretanto, a cruz deste lugar de dois mil habitantes \u00e9 outra. Depois de uma longa luta para fechar em 2010 um lix\u00e3o a c\u00e9u aberto que acumulou 12 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos, Bouwer est\u00e1 novamente diante do perigo de que outro seja aberto, o que agravaria a contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica da regi\u00e3o. Os 24 milh\u00f5es de toneladas de lixo que a capital provincial e outros munic\u00edpios gerarem durante os pr\u00f3ximos 30 anos seriam depositados em uma \u00e1rea de 270 hectares, a apenas 600 metros do velho lix\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO carnaval tem de servir para as pessoas, e hoje estamos aqui para conscientizar sobre o que acontece com lixo\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o diretor do grupo, Sergio Moggi, formado por crian\u00e7as e adolescentes. O grupo foi uma das atra\u00e7\u00f5es do Festival da Contamina\u00e7\u00e3o que os moradores organizaram para chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre seu drama. Um dos crit\u00e9rios para instalar o novo lix\u00e3o foi o valor do uso do solo, e Bouwer sai perdendo, porque \u00e9 pobre.<\/p>\n<p>Em seus arredores tamb\u00e9m h\u00e1 restos de uma fundi\u00e7\u00e3o de chumbo, de uma unidade de armazenamento de res\u00edduos perigosos, um dep\u00f3sito judicial de ve\u00edculos e pesticidas das planta\u00e7\u00f5es vizinhas. A Funda\u00e7\u00e3o para a Defesa do Meio Ambiente (Funam) considera que Bouwer \u201c\u00e9 uma das \u00e1reas mais contaminadas da Argentina\u201d. A grande quantidade de fontes contaminantes e as alarmantes taxas de mortalidade infantil e perinatal levaram o munic\u00edpio a se declarar em \u201cemerg\u00eancia sanit\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNessa \u00e9poca do ver\u00e3o, cada povoado de C\u00f3rdoba tem festivais por algo emblem\u00e1tico que o representa: o salame, a batata&#8230; O que nos caracteriza, tristemente, \u00e9 a quantidade de lixo\u201d, disse ao Terram\u00e9rica a professora Daniela Arce, da associa\u00e7\u00e3o de moradores Bouwer Sem Lixo. E os problemas de Bouwer s\u00e3o os desta prov\u00edncia, que tem uma extensa e f\u00e9rtil plan\u00edcie no leste e cadeias montanhosas a oeste, as Serras de C\u00f3rdoba.<\/p>\n<p>A capital de mesmo nome e sua \u00e1rea metropolitana geram cerca de 2.200 toneladas di\u00e1rias de lixo s\u00f3lido, segundo a Corpora\u00e7\u00e3o Intercomunit\u00e1ria para a Gest\u00e3o Sustent\u00e1vel dos Res\u00edduos da \u00c1rea Metropolitana de C\u00f3rdoba (Cormecor), uma sociedade an\u00f4nima que estuda alternativas t\u00e9cnicas para o manejo e a disposi\u00e7\u00e3o final do lixo da cidade e de outros 16 pequenos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>\u201cEssa realidade gera uma demanda de tecnologia e espa\u00e7o para seu tratamento e disposi\u00e7\u00e3o, que at\u00e9 hoje n\u00e3o se trabalha de maneira integral\u201d, diz a Cormecor em seu site. Seus principais acionistas s\u00e3o a cidade de C\u00f3rdoba, outros nove munic\u00edpios e comunidades, e o sindicato de coletores.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica usual era enterrar ou jogar os dejetos em lix\u00f5es a c\u00e9u aberto, at\u00e9 que, em 1981, come\u00e7aram a enviar para o lix\u00e3o de Bouwer. Fechado este dep\u00f3sito em 2010, que ainda cont\u00e9m o lixo de quase 30 anos, os res\u00edduos come\u00e7aram a se acumular em uma \u00e1rea transit\u00f3ria, Piedras Blancas, \u00e0 margem da rodovia nacional 36 e a apenas cinco quil\u00f4metros de Bouwer.<\/p>\n<p>Piedras Blancas recebe 2.500 toneladas di\u00e1rias desde 2010 \u2013 quando sua vida \u00fatil foi estimada em um ano \u2013 e est\u00e1 \u00e0 beira do colapso, segundo as autoridades. \u201cO lixo \u00e9 depositado diariamente, compactado e se joga terra por cima ao final de cada dia. Os gases emanados n\u00e3o s\u00e3o captados nem tratados, e tampouco s\u00e3o tratados os lixiviados\u201d (l\u00edquidos da decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica), afirmou ao Terram\u00e9rica a encarregada de imprensa da Funam, Nayla Azzinnari.<\/p>\n<p>Agora o governo provincial se apressa em expropriar dois terrenos para o novo projeto: a \u00e1rea pr\u00f3xima ao castigado Bouwer e outro para instalar uma unidade de transfer\u00eancia perto do povoado Estaci\u00f3n Ju\u00e1rez Celman, no centro-norte da prov\u00edncia. Enquanto a Cormecor avalia propostas de 27 empresas (de Argentina, Holanda, Estados Unidos e Brasil) e de universidades para o tratamento do lixo, os que sofrem na pr\u00f3pria carne o problema t\u00eam algumas respostas.<\/p>\n<p>\u201cCada povoado deveria cuidar de seu lixo. A municipalidade de C\u00f3rdoba deveria se ocupar do seu, assim como os demais munic\u00edpios\u201d, opinou ao Terram\u00e9rica o intendente de Bouwer, Juan Lupi. Seu povoado produz menos de meio caminh\u00e3o por semana, enquanto a capital gera 95% do total. Para o bi\u00f3logo Ricardo Su\u00e1rez, assessor t\u00e9cnico de Bouwer, o lixo deve ser contemplado desde sua origem. \u201cO nosso problema \u00e9 enorme\u201d, destacou.<\/p>\n<div id=\"attachment_109142\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/BouwerSemLixo2.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-109142\" alt=\"BouwerSemLixo2 300x224 TERRAM\u00c9RICA   Escondendo o lixo debaixo do tapete\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/BouwerSemLixo2-300x224.jpg\" width=\"300\" height=\"224\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Escondendo o lixo debaixo do tapete\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os int\u00e9rpretes do grupo Cor e Alegria afinam seus instrumentos junto \u00e0 r\u00e9plica do Cristo Redentor. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Os poderes Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio deveriam intervir para promover um consumo comedido e exortar as empresas a venderem seus produtos com menos elementos de descarte, sugeriu Su\u00e1rez. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso uma justi\u00e7a que puna crimes ambientais, como n\u00e3o tratar o lixo, e um forte investimento municipal para implantar planos de separa\u00e7\u00e3o e reciclagem e para educar os cidad\u00e3os nesses novos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>\u201cPodemos conseguir limites (de contamina\u00e7\u00e3o) bem baixos e toler\u00e1veis. O que n\u00e3o podemos aceitar \u00e9 que sejam enterrados, como agora, 12 milh\u00f5es de toneladas em um mesmo lugar\u201d, ressaltou Su\u00e1rez. Por isso, o lixo deve ser \u201cdescentralizado\u201d, para que n\u00e3o continue havendo \u201czonas de sacrif\u00edcio\u201d como Bouwer, pontuou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cA primeira coisa \u00e9 sentar e estudar, e n\u00e3o subestimar o lixo\u201d, disse o engenheiro qu\u00edmico Eduardo Ria\u00f1o, que analisou os efeitos das emiss\u00f5es gasosas e l\u00edquidas de Bouwer, que persistem mesmo d\u00e9cadas depois de fechado o lix\u00e3o. \u201cOs compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis s\u00e3o muito perigosos\u201d e podem causar c\u00e2ncer, explicou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>Por outro lado, esses dep\u00f3sitos de mat\u00e9ria org\u00e2nica tamb\u00e9m poderiam gerar energia. Do biog\u00e1s emitido pelo lix\u00e3o de Bouwer se deduz que \u201co gerado at\u00e9 seu fechamento em 2010 equivaleria a um ano e meio de g\u00e1s de uso dom\u00e9stico e a dois anos e meio de g\u00e1s natural comprimido\u201d para a popula\u00e7\u00e3o local, afirmou Ria\u00f1o.<\/p>\n<p>Para a legisladora provincial Cintia Frencia, do esquerdista Partido Oper\u00e1rio, h\u00e1 interesses econ\u00f4micos que impedem o tratamento e a reciclagem. \u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso que se decida depositar o lixo nas cidades mais pobres vizinhas de C\u00f3rdoba\u201d, disse ao Terram\u00e9rica. \u201cHoje se fala em fazer um novo aterro com prazo de 30 anos. Isso significa que em tr\u00eas d\u00e9cadas n\u00e3o pensam em desenvolver nenhum tipo de tecnologia para reduzir e tratar o lixo, e que simplesmente \u00e9 um neg\u00f3cio\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A Cormecor \u00e9 uma sociedade an\u00f4nima que busca ser cotada na Bolsa de Valores Argentina. O lixo \u00e9 um neg\u00f3cio em todo o mundo. Em lugares como a It\u00e1lia beneficia tanto as empresas quanto as m\u00e1fias que as manejam. O Terram\u00e9rica n\u00e3o conseguiu resposta da Cormecor nem das secretarias ambientais do governo provincial nem da cidade. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><i>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos da IPS<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-um-festival-para-o-lixo\/\" >Um festival para o lixo<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/lixo-zero-em-bogota-com-futuro-incerto-como-o-prefeito\/\" >Lixo Zero em Bogot\u00e1 com futuro incerto como o prefeito<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/negocio-italiano-dos-residuos-toxicos-vai-de-vento-em-popa\/\" >Neg\u00f3cio italiano dos res\u00edduos t\u00f3xicos vai de vento em popa<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bouwer, Argentina, 10 de mar&ccedil;o de 2014 (Terram&eacute;rica).- Enquanto as luxuosas escolas de samba do Brasil preparavam o grande carnaval do Rio de Janeiro, um humilde grupo percorreu um pequeno povoado argentino para alertar sobre um problema urbano subestimado: o lixo. 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