{"id":17239,"date":"2014-03-10T14:32:11","date_gmt":"2014-03-10T14:32:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109151"},"modified":"2014-03-10T14:32:11","modified_gmt":"2014-03-10T14:32:11","slug":"o-sol-brilha-para-as-mulheres-da-floresta-na-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/o-sol-brilha-para-as-mulheres-da-floresta-na-india\/","title":{"rendered":"O sol brilha para as mulheres da floresta na \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109152\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sol640.jpg\"><img class=\" wp-image-109152 \" alt=\"sol640 O sol brilha para as mulheres da floresta na \u00cdndia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sol640.jpg\" width=\"529\" height=\"253\" title=\"O sol brilha para as mulheres da floresta na \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres da floresta de Anantagiri, no sudeste da \u00cdndia, examinam seu secador solar. Foto: Stella Paul\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anantagiri, \u00cdndia, 10\/3\/2014 \u2013 A indiana Chintapakka Jambulamma, de 34 anos, observa admirada um secador solar, invej\u00e1vel propriedade da Sociedade Cooperativa de Mulheres Ind\u00edgenas Advitalli, coletivo da qual \u00e9 a l\u00edder. Abre uma gaveta do aparelho, retira um punhado de kalmegh, uma planta medicinal, e diz: \u201cVejam, est\u00e1 secando rapidamente\u201d. \u00c0 sua volta, as mulheres da cooperativa caem na gargalhada. Pertencem \u00e0s tribos koya e konds, nas montanhas Ghat orientais do sul da \u00cdndia. A floresta sempre foi seu lar e sua fonte de sustento. Agora, aproveitam o sol que brilha atrav\u00e9s dessa vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O secador solar tem quatro pain\u00e9is. Foi instalado h\u00e1 dois anos pela Funda\u00e7\u00e3o Kovel, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que ajuda as tribos florestais a defenderem seus direitos e a melhorar seus meios de vida. A m\u00e1quina, uma de duas instaladas at\u00e9 agora pela Funda\u00e7\u00e3o, custa em torno de US$ 17 mil, explica Krishna Rao, seu diretor. O investimento valeu a pena, porque as mulheres est\u00e3o usando o secador para dirigir um neg\u00f3cio de maneira sustent\u00e1vel, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cNa cooperativa h\u00e1 2.500 mulheres de 20 aldeias. Nenhuma delas foi al\u00e9m do curso prim\u00e1rio, mas sabem como administrar bem uma empresa\u201d, pontuou Rao \u00e0 IPS. \u201cEst\u00e3o organizadas e fazem um bom trabalho de equipe. Tamb\u00e9m aprendem a coletar ra\u00edzes, folhas e frutos sem danificar a planta m\u00e3e, para que seus recursos n\u00e3o se esgotem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As florestas dessa regi\u00e3o fornecem mais de 700 produtos n\u00e3o madeireiros, que incluem folhas, ervas comest\u00edveis, plantas medicinais, fungos, sementes e ra\u00edzes.\u00a0 Entre eles, os mais populares s\u00e3o mel, resinas e amla (groselha indiana), as folhas de tendu e de mahua, e sab\u00e3o-de-soldado. Durante s\u00e9culos, os koya e os konds ganharam a vida com estes produtos florestais.<\/p>\n<p>Penikala Ishwaramma, de 23 anos, est\u00e1 entre as que se dedicam a juntar ervas. Em um dia bom, pode colher entre 20 e 25 quilos. Este ano h\u00e1 um cultivo recorde de kalmegh na floresta, por isso colheu 116 quilos desta erva. O departamento florestal compra boa parte destes produtos; 25 deles devem ser vendidos apenas a esse organismo. Mas os povos ind\u00edgenas consideram lento o processo de compras do departamento, e seus pre\u00e7os s\u00e3o menores do que os de mercado.<\/p>\n<p>O departamento paga 45 rupias por um quilo de groselha, cujo pre\u00e7o no mercado passa de 60 rupias (cerca de US$ 1). Foi esta decep\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os do governo que levou as mulheres a criarem sua pr\u00f3pria empresa coletiva de venda de produtos florestais. No prazo de dois anos conseguiram ganhar quase os US$ 3.300 que a Funda\u00e7\u00e3o Kovel lhes emprestara. A Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m lhes deu forma\u00e7\u00e3o empresarial b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Todos os dias, mulheres como Ishwaramma levam sua produ\u00e7\u00e3o diretamente \u00e0 cooperativa, onde a equipe administradora a pesa e compra, pagando muito mais do que o governo. \u201cTrabalhamos duro, coletamos ervas e sementes de boa qualidade. Nossa vida depende desse dinheiro. Por que dever\u00edamos nos conformar com menos?\u201d, questionou Ishwaramma.<\/p>\n<p>Mas conseguir um ganho para a cooperativa depende de produzir ervas de boa qualidade com rapidez e efici\u00eancia, tarefa dif\u00edcil porque as mulheres carecem de infraestrutura adequada para armazenar ou secar seus produtos. Al\u00e9m disso, as aldeias florestais s\u00e3o muito vulner\u00e1veis \u00e0s condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas extremas, especialmente aos ciclones.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Manejo de Desastres do Estado de Andhra Pradesh, no sul da \u00cdndia, a \u00e1rea sofreu 60 ciclones nos \u00faltimos 40 anos, e a frequ\u00eancia est\u00e1 aumentando. Usar a energia solar para secar suas ervas ajuda as mulheres a minimizar os riscos de danos. Em 2013, sua floresta foi a\u00e7oitada por cinco grandes ciclones: Mahasen, Failin, Helen, Lehar e Madi. Mas as perdas do grupo foram m\u00ednimas.<\/p>\n<p>\u201cAntes que uma tempestade se aproxime, tentamos secar a maior quantidade poss\u00edvel de ervas e empacot\u00e1-las. J\u00e1 n\u00e3o precisamos deixar secando no quintal\u201d, destacou Jambulamma. Como a secagem e embalagem j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o feitas ao ar livre, agora a cooperativa se centra em criar uma rede de compradores regulares, que a ajude a ser rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Bhagya Lakshmi, gerente de programas na Funda\u00e7\u00e3o Kovel que conecta as mulheres com os fabricantes de produtos a partir de ervas, concorda. \u201cJ\u00e1 conseguiram seu primeiro grande cliente, que \u00e9 uma empresa farmac\u00eautica fitoter\u00e1pica de Bangalore chamada Natural Remedies Private Limited. Atualmente, compram kalmegh a granel, mas tentamos encontrar mais empresas para comprar seus produtos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estabelecer sua clientela, as mulheres planejam modernizar sua tecnologia. Krupa Shanti lidera cinco aldeias florestais da \u00e1rea e diz estar orgulhosa da cooperativa e deseja que cres\u00e7a. O governo instalou uma central fotovoltaica em uma escola pr\u00f3xima que pode converter e armazenar energia solar. Shanti pressiona as autoridades para que instalem uma dessas centrais em sua aldeia.<\/p>\n<p>\u201cO governo tem muitos programas de bem-estar. Mas para mulheres da floresta, como n\u00f3s, o melhor programa ser\u00e1 nos ajudar a sermos economicamente independentes. Se o governo instalar uma central solar em cada uma de nossas aldeias poderemos expandir esse neg\u00f3cio e mudar nosso futuro\u201d, assegurou Shanti. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Anantagiri, &Iacute;ndia, 10\/3\/2014 &ndash; A indiana Chintapakka Jambulamma, de 34 anos, observa admirada um secador solar, invej&aacute;vel propriedade da Sociedade Cooperativa de Mulheres Ind&iacute;genas Advitalli, coletivo da qual &eacute; a l&iacute;der. 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