{"id":17240,"date":"2014-03-10T14:27:10","date_gmt":"2014-03-10T14:27:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109148"},"modified":"2014-03-10T14:27:10","modified_gmt":"2014-03-10T14:27:10","slug":"no-mundo-arabe-a-mulher-ainda-caminha-dois-passos-atras-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/no-mundo-arabe-a-mulher-ainda-caminha-dois-passos-atras-do-homem\/","title":{"rendered":"No mundo \u00e1rabe, a mulher ainda caminha dois passos atr\u00e1s do homem"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109149\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/tunisian-women-640-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-109149 \" alt=\"tunisian women 640 629x472 No mundo \u00e1rabe, a mulher ainda caminha dois passos atr\u00e1s do homem\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/tunisian-women-640-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"No mundo \u00e1rabe, a mulher ainda caminha dois passos atr\u00e1s do homem\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres protestam em T\u00fanis para exigir respeito por seus direitos. Foto: Giuliana Sgrena\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 10\/3\/2014 \u2013 Em boa parte do mundo \u00e1rabe, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na for\u00e7a de trabalho \u00e9 a menor do planeta, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), e \u00e9 raro encontr\u00e1-las na pol\u00edtica no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica. Talvez, uma das poucas exce\u00e7\u00f5es seja a Arg\u00e9lia, disse Lakshmi Puri, diretora-executiva adjunta da ONU Mulheres. Essa na\u00e7\u00e3o do norte da \u00c1frica alcan\u00e7ou a massa cr\u00edtica de 30% de mulheres no parlamento, enquanto a Ar\u00e1bia Saudita lhes deu as boas-vindas no Conselho da Shura.<\/p>\n<p>De todo modo, a m\u00e9dia regional de mulheres legisladoras supera pouco os 12%, o que indica que o mundo \u00e1rabe est\u00e1 muito longe da m\u00e9dia mundial, que j\u00e1 \u00e9 baixa, de 20%, de acordo com a ONU. Perguntada se isto se deve a fatores culturais ou religiosos, Puri disse \u00e0 IPS que \u201cn\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil apontar uma s\u00f3 causa para a baixa participa\u00e7\u00e3o das mulheres na for\u00e7a de trabalho e na pol\u00edtica no mundo \u00e1rabe e, mais amplamente, em todo o mundo\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Puri, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que arraigados estere\u00f3tipos de g\u00eanero e normas sociais que perdoam a discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres t\u00eam um papel negativo, mas destacou que tamb\u00e9m devem ser considerados outros fatores. Entre eles, por exemplo, o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 qualidade da mesma, as oportunidades para conciliar a vida profissional ou a pol\u00edtica com as responsabilidades familiares, a estrutura geral do mercado profissional e a preval\u00eancia da viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n<p>Quando representantes de organiza\u00e7\u00f5es femininas estiverem reunidos nesta semana em Nova York, um dos muitos assuntos a serem tratados na Comiss\u00e3o da ONU sobre o Status da Mulher ser\u00e1 a baixa participa\u00e7\u00e3o delas na for\u00e7a de trabalho e na vida pol\u00edtica e social em todo o mundo. A Comiss\u00e3o, que realizar\u00e1 suas sess\u00f5es anuais a partir de hoje e at\u00e9 o dia 21, \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o pol\u00edtico intergovernamental sobre igualdade de g\u00eanero e promo\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Este ano, suas reuni\u00f5es se centrar\u00e3o nos desafios e \u00eaxitos na implanta\u00e7\u00e3o dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, especialmente para as mulheres e as meninas. \u201cN\u00e3o devemos dar como certo que a baixa participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os p\u00fablicos (pol\u00edtico e econ\u00f4mico) se deve a valores culturais ou religiosos arraigados\u201d, pontuou \u00e0 IPS Sanam Anderlini, cofundadora da Rede de A\u00e7\u00e3o pela Sociedade Civil (Ican) e integrante do Centro para os Estudos Internacionais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a cultura e a religi\u00e3o desempenham algum papel, mas o fato \u00e9 que nos \u00faltimos 30 anos, e particularmente na \u00faltima d\u00e9cada, vimos uma crescente mar\u00e9 de for\u00e7as muito conservadoras na regi\u00e3o \u2013 em grande parte apoiadas pelos pr\u00f3prios governos regionais \u2013 que est\u00e3o promovendo uma agenda regressiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres\u201d, afirmou Anderlini. E n\u00e3o se deve esquecer que o Egito teve um movimento feminista no s\u00e9culo 19, acrescentou.<\/p>\n<p>Puri listou v\u00e1rios fatores que prejudicam mulheres e meninas. Entre eles destacou os c\u00f3digos familiares e sistemas paralelos tradicionais, tanto legais como de justi\u00e7a, que negam \u00e0s mulheres os direitos de propriedade e heran\u00e7a, impedem seu acesso a recursos produtivos, sancionam a poligamia e o casamento precoce, e as deixa em desvantagem diante do casamento e do div\u00f3rcio. Ao mesmo tempo, \u00e9 essencial abordar as interpreta\u00e7\u00f5es negativas da religi\u00e3o ou da cultura que n\u00e3o s\u00f3 perdoam, mas perpetuam os mitos sobre a desigualdade inerente entre homens e mulheres, e justificam a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cComo assinalamos na ONU Mulheres, junto com muitas organiza\u00e7\u00f5es religiosas e de outro tipo, a igualdade entre mulheres e homens foi defendida h\u00e1 s\u00e9culos na regi\u00e3o \u00e1rabe\u201d, apontou Puri. Al\u00e9m disso, governos e demais atores, entre eles a sociedade civil, t\u00eam que implantar um contexto que permita aumentar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em todas as esferas da vida, acrescentou.<\/p>\n<p>Anderlini afirmou \u00e0 IPS que no mundo \u00e1rabe, como em qualquer outra parte do planeta, sempre h\u00e1 diferentes for\u00e7as culturais que operam simultaneamente: as conservadoras e as progressistas. Mas no mundo \u00e1rabe as for\u00e7as conservadoras buscam eliminar ou desacreditar os \u00eaxitos obtidos no passado. \u201cGostam de associar direitos femininos com imoralidade e ocidentaliza\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma agenda pol\u00edtica clara que se fomenta e n\u00e3o devemos sucumbir \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 cultural ou religiosa\u201d, disse Anderlini, que no ano passado foi nomeada \u00e0 frente do Grupo de Trabalho sobre G\u00eanero e Inclus\u00e3o da Rede de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel para a agenda econ\u00f4mica posterior a 2015 da ONU.<\/p>\n<p>Anderlini tamb\u00e9m disse que o Isl\u00e3 reclama direitos iguais \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para mulheres e homens, bem como igual pagamento e o direito feminino \u00e0 heran\u00e7a e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica. \u201cO que se propaga s\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es extremas do Isl\u00e3 que podem estar arraigadas em pa\u00edses como a Ar\u00e1bia Saudita, mas que s\u00e3o mais novas para Egito, Tun\u00edsia ou L\u00edbano\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 pergunta sobre como se pode promover a participa\u00e7\u00e3o feminina no mundo \u00e1rabe, Puri respondeu \u00e0 IPS que, \u201ccomo em qualquer outra parte, conseguir promover a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas esferas pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social nos Estados \u00e1rabes exige interven\u00e7\u00f5es em m\u00faltiplos n\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 necess\u00e1rio implantar uma reforma das constitui\u00e7\u00f5es e leis, bem como dos sistemas legal e judici\u00e1rio, e criar um contexto pol\u00edtico prop\u00edcio, baseado nas normas e nos instrumentos internacionais sobre direitos femininos, como a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher e a Plataforma para a A\u00e7\u00e3o apresentada em 1995, em Pequim.<\/p>\n<p>Esse contexto deveria n\u00e3o s\u00f3 permitir mas tamb\u00e9m incentivar as mulheres a participarem da for\u00e7a de trabalho e da vida p\u00fablica. Deveria incluir medidas especiais tempor\u00e1rias, como cotas em todas as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Educa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de habilidades tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Na for\u00e7a de trabalho, conciliar as responsabilidades familiares com a vida profissional \u00e9 algo que se deve abordar, pois as mulheres ainda assumem a maior parte do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados no lar, afirmou Puri. Isso deve incluir pr\u00e1ticas e disposi\u00e7\u00f5es efetivas em mat\u00e9ria de licen\u00e7a-maternidade, bem como cuidados infantis baratos e acess\u00edveis e outras estruturas de cuidado, al\u00e9m de incentivos para que homens e meninos tenham um papel maior nas tarefas dom\u00e9sticas, como uma licen\u00e7a paternidade obrigat\u00f3ria, acrescentou.<\/p>\n<p>O contexto pol\u00edtico tamb\u00e9m deve centrar-se em prevenir a viol\u00eancia contra as mulheres dentro de casa, bem como o ass\u00e9dio nos locais de trabalho e nos espa\u00e7os p\u00fablicos, a fim de que tanto elas como as meninas n\u00e3o temam nenhuma repercuss\u00e3o negativa por participa\u00e7\u00e3o na vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, continuou Puri, \u00e9 preciso produzir uma mudan\u00e7a vertical a partir das bases. \u201cIsso significa mudar as arraigadas mentalidades patriarcais, e se afastar de atitudes e cren\u00e7as que se centram no papel reprodutivo das mulheres para passar aos pap\u00e9is femininos produtivos e p\u00fablicos\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 10\/3\/2014 &ndash; Em boa parte do mundo &aacute;rabe, a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres na for&ccedil;a de trabalho &eacute; a menor do planeta, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), e &eacute; raro encontr&aacute;-las na pol&iacute;tica no Oriente M&eacute;dio e na &Aacute;frica. 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