{"id":17248,"date":"2014-03-11T12:47:44","date_gmt":"2014-03-11T12:47:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109226"},"modified":"2014-03-11T12:47:44","modified_gmt":"2014-03-11T12:47:44","slug":"fabricas-de-roupa-causam-indignacao-trabalhista-no-camboja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/fabricas-de-roupa-causam-indignacao-trabalhista-no-camboja\/","title":{"rendered":"F\u00e1bricas de roupa causam indigna\u00e7\u00e3o trabalhista no Camboja"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109228\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/camboya640.jpg\"><img class=\" wp-image-109228 \" alt=\"camboya640 F\u00e1bricas de roupa causam indigna\u00e7\u00e3o trabalhista no Camboja\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/camboya640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"F\u00e1bricas de roupa causam indigna\u00e7\u00e3o trabalhista no Camboja\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhadoras na hora do almo\u00e7o diante das f\u00e1bricas fornecedoras das marcas H&amp;M em Phnom Penh. Foto: Michelle Tolson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Phnom Penh, Camboja, 11\/3\/2014 \u2013 O Camboja vive em uma falsa calma ap\u00f3s a repress\u00e3o do governo contra os protestos dos trabalhadores da ind\u00fastria de confec\u00e7\u00f5es, em janeiro. Com a proibi\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e a acusa\u00e7\u00e3o contra 23 l\u00edderes e ativistas sindicais, o descontentamento n\u00e3o sai \u00e0s ruas, mas continua fervendo. O primeiro-ministro, Hun Sen, que agora pediu o fim da proibi\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es p\u00fablicas, ap\u00f3s a repress\u00e3o em que, no dia 3 de janeiro, morreram quatro trabalhadores, cerca de 30 ficaram feridos gravemente e um grevista continua desaparecido.<\/p>\n<p>\u201cO governo n\u00e3o deveria estar reprimindo os manifestantes se deseja mostrar que o Camboja \u00e9 um pa\u00eds democr\u00e1tico\u201d, disse \u00e0 IPS a oper\u00e1ria t\u00eaxtil Phorn Sreywin, de 26 anos. Ela conta com apoio do Centro de Informa\u00e7\u00e3o aos Trabalhadores, que ajuda as mulheres que trabalham na ind\u00fastria do vestu\u00e1rio, mas as vozes que pedem sal\u00e1rio m\u00ednimo maior nesse pa\u00eds pobre do sudeste asi\u00e1tico parecem ter sido caladas por agora.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o deveria existir essa proibi\u00e7\u00e3o, porque contradiz a Constitui\u00e7\u00e3o e os tratados (internacionais) ratificados pelo Camboja\u201d, disse \u00e0 IPS por correio eletr\u00f4nico Naly Pilorge, diretora da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental de direitos humanos LICADHO.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes de Roupa do Camboja (GMAC) invoca o Conv\u00eanio 87 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) como argumento de que os trabalhadores do setor n\u00e3o t\u00eam \u201cdireito \u00e0 greve\u201d. Dos associados \u00e0 GMAC, 93% s\u00e3o empres\u00e1rios estrangeiros, procedentes principalmente de Singapura, Hong Kong, Taiwan e Coreia do Sul.<\/p>\n<p>\u201cA liberdade de associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser desculpa para sair livre da conduta ilegal e para afetar a capacidade de governar de uma administra\u00e7\u00e3o\u201d, declarou a entidade em um comunicado em sua p\u00e1gina na internet, em refer\u00eancia aos protestos dos dias 2 e 3 de janeiro por parte de trabalhadores do setor, reprimidos por efetivos militares. A GMAC argumenta que a greve foi violenta.<\/p>\n<p>\u201cIn\u00fameros sindicatos continuam criando oposi\u00e7\u00e3o nos lugares de trabalho, incluindo uma massa crescente de sindicatos n\u00e3o representativos. As lutas internas sindicais dentro das f\u00e1bricas para ganhar popularidade, a tergiversa\u00e7\u00e3o do n\u00famero de seus membros por uma dupla contabilidade e a incapacidade para um compromisso construtivo dos sindicatos\u201d s\u00e3o parte do problema, segundo a associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os ativistas, esse comunicado representa uma intimida\u00e7\u00e3o da GMAC. Sindicatos de todo o mundo protestaram diante dos consulados do Camboja em solidariedade aos trabalhadores t\u00eaxteis desse pa\u00eds. Os sindicatos tamb\u00e9m condenaram a GMAC por declarar que aceita a dura a\u00e7\u00e3o militar contra os grevistas do setor no dia 3 de janeiro.<\/p>\n<p>\u201cA resposta do governo \u00e9 muito opressora\u201d, disse Pranom Somwong, ativista sindical e assessora da Campanha Roupa Limpa, que ajudou a organizar um protesto em frente ao consulado cambojano em Bangcoc. Al\u00e9m disso, os empres\u00e1rios da confec\u00e7\u00e3o mant\u00eam uma atitude \u201cde confronto\u201d com os sindicatos, pontuou \u00e0 IPS. \u201cNegar aos trabalhadores o direito \u00e0 liberdade de assembleia e o direito a um sal\u00e1rio digno \u00e9 inaceit\u00e1vel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nos dias anteriores ao protesto, o Minist\u00e9rio do Trabalho havia aprovado aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo para o setor do vestu\u00e1rio de US$ 80 para US$ 95 mensais. Mas os sindicatos e os trabalhadores disseram que esse valor n\u00e3o d\u00e1 para viver e exigiram um sal\u00e1rio m\u00ednimo de US$ 160. Agora, os sindicalistas s\u00e3o amea\u00e7ados com a perda de seus empregos ou com processos, contou \u00e0 IPS a coordenadora interina do Centro de Informa\u00e7\u00e3o aos Trabalhadores, Sophea Chrek.<\/p>\n<p>Tola Moeun, do Centro Comunit\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o Legal, afirmou que \u201cYang Sophron (presidente da Alian\u00e7a Cambojana de Sindicatos) foi processado pelos donos de f\u00e1bricas por mobilizar os trabalhadores para a greve\u201d, e destacou que, apesar de 90% dos oper\u00e1rios do setor de confec\u00e7\u00e3o ser de mulheres, a lideran\u00e7a sindical majoritariamente \u00e9 exercida por homens, em parte pelo entorno combativo. \u201cAs mulheres n\u00e3o se sentem seguras em seus postos, ou n\u00e3o t\u00eam suficientes oportunidades de crescer, especialmente devido aos seus magros sal\u00e1rios e aos contratos de curto prazo\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Thida Jus, diretora-executiva da Silaka, organiza\u00e7\u00e3o dedicada a capacitar mulheres, acredita que as trabalhadoras t\u00eam a chave para modificar seu ambiente de trabalho. \u201cElas precisam usar sua natural qualidade de lideran\u00e7a para tratar com o contexto, usar melhores habilidades de negocia\u00e7\u00e3o com os gerentes nas f\u00e1bricas, com o governo e com as elites, que velam pelos interesses de seus chefes\u201d, opinou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Dennis Arnold, pesquisador de assuntos trabalhistas, redigiu um informe detalhando como o poder de negocia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do Camboja enfraqueceu desde que o pa\u00eds entrou, em 2005, na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. Arnold afirmou que, antes do acordo de liberaliza\u00e7\u00e3o para ingressar na OMC, a maioria dos trabalhadores em f\u00e1bricas registradas tinham contrato de longo prazo com benef\u00edcios e f\u00e9rias pagas, al\u00e9m de licen\u00e7as por doen\u00e7a e maternidade. Mas, desde ent\u00e3o, os contratos se tornaram de curto prazo, entre tr\u00eas e seis meses, e os benef\u00edcios desapareceram.<\/p>\n<p>Os empres\u00e1rios dizem que as marcas ocidentais de roupa preferem contratos flex\u00edveis, mas a mudan\u00e7a nas condi\u00e7\u00f5es deixou os oper\u00e1rios mais manej\u00e1veis. Estima-se que nas f\u00e1bricas registradas h\u00e1 400 mil trabalhadores, mas se forem inclu\u00eddos os das ind\u00fastrias n\u00e3o registradas e que s\u00e3o parte da cadeia de fornecimento, o n\u00famero subir\u00e1 para 600 mil, segundo Arnold. A elite desvia fundos mediante \u201csubornos, burocracia e corrup\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS, o que eleva os custos de produ\u00e7\u00e3o. Os fabricantes usam essa realidade como pretexto para n\u00e3o aumentar o sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma conjuntura cr\u00edtica para que os trabalhadores e os sindicatos da confec\u00e7\u00e3o usem sua influ\u00eancia como bloco de vota\u00e7\u00e3o para pressionar as duas partes por melhores sal\u00e1rios\u201d, pontuou Arnold. \u201cIsso \u00e9 parte de esfor\u00e7os mais amplos pela redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza e pelo poder a favor dos trabalhadores, e se v\u00ea muito claramente a profunda resist\u00eancia que, diante disso, exercem a GMAC e o governante Partido Popular Cambojano\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O opositor Partido Cambojano de Resgate Nacional (CNRP) est\u00e1 totalmente de acordo. Mu Sochua, legislador pelo CNRP e diretor de Assuntos P\u00fablicos, disse \u00e0 IPS que \u201c\u00e9 preciso promover sindicatos fortes, uma r\u00edgida aplica\u00e7\u00e3o do direito trabalhista (contr\u00e1ria aos contratos de curto prazo) e dos conv\u00eanios com a OIT, e n\u00e3o se deveria permitir \u00e0s marcas mundiais nenhuma exce\u00e7\u00e3o para evitar as negocia\u00e7\u00f5es por um sal\u00e1rio decente\u201d.<\/p>\n<p>Um porta-voz da transnacional sueca H&amp;M, uma das maiores firmas de roupa que confecciona suas cole\u00e7\u00f5es no Camboja, disse \u00e0 IPS por email que planeja trabalhar por um sal\u00e1rio digno \u201cpara 2018\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Phnom Penh, Camboja, 11\/3\/2014 &ndash; O Camboja vive em uma falsa calma ap&oacute;s a repress&atilde;o do governo contra os protestos dos trabalhadores da ind&uacute;stria de confec&ccedil;&otilde;es, em janeiro. 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