{"id":17252,"date":"2014-03-12T14:21:14","date_gmt":"2014-03-12T14:21:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109294"},"modified":"2014-03-12T14:21:14","modified_gmt":"2014-03-12T14:21:14","slug":"mulheres-urbanas-do-zimbabue-convertem-batata-em-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/mulheres-urbanas-do-zimbabue-convertem-batata-em-ouro\/","title":{"rendered":"Mulheres urbanas do Zimb\u00e1bue convertem batata em ouro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109295\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/potato-plants-640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-109295  \" alt=\"potato plants 640 629x419 Mulheres urbanas do Zimb\u00e1bue convertem batata em ouro\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/potato-plants-640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Mulheres urbanas do Zimb\u00e1bue convertem batata em ouro\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Planta\u00e7\u00e3o de batata no quintal da casa de Lina Chingama, da localidade de Norton, 40 quil\u00f4metros a oeste de Harare. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 12\/3\/2014 \u2013 Shyline Chipfika, de 26 anos, \u00e9 uma das milhares de mulheres em centros urbanos do Zimb\u00e1bue que fazem fortuna cultivando suas pr\u00f3prias batatas. E grande parte de seu sucesso devem a uma proibi\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es. \u201cEu era uma simples dona de casa, e minha vida mudou muito depois que decidi plantar batata\u201d, contou Chipfika \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Seu marido se dedica \u00e0 venda ambulante em \u00f4nibus de Harare desde 2008, quando a empresa em que ent\u00e3o trabalhava fechou, afetada pela hiperinfla\u00e7\u00e3o, que paralisou v\u00e1rios setores da economia. A hist\u00f3ria de sucesso de Chipfka \u00e9 muito rara no Zimb\u00e1bue, e ela garante que n\u00e3o pensa em parar de plantar. \u201cVivia em um pequeno apartamento, mas gra\u00e7as a essa iniciativa consegui reform\u00e1-lo e convert\u00ea-lo em uma propriedade respeit\u00e1vel\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para cultivar batatas n\u00e3o precisa uma grande quantidade de terra, apenas ter um quintal comum e \u00e1gua corrente. Ali muitas mulheres plantam sementes em sacos cheios de terra f\u00e9rtil. \u201cO m\u00e9todo de cultivo de batata em zonas urbanas por parte de mulheres \u00e9 muito simples e extremamente produtivo. Mas, desde tempos imemoriais, as zonas urbanas n\u00e3o foram aproveitadas por muitos, que n\u00e3o viam nenhum valor nelas\u201d, disse \u00e0 IPS o funcion\u00e1rio de extens\u00e3o agr\u00edcola Mike Hunde, em Marondera, capital da prov\u00edncia Mashonalandia Oriental, a 70 quil\u00f4metros de Harare.<\/p>\n<p>O governo estimula a pesquisa agr\u00edcola para melhorar a produtividade, e promove o cultivo de batata para a seguran\u00e7a alimentar e para apoiar os produtores locais. Em 2013, proibiu as importa\u00e7\u00f5es desse alimento b\u00e1sico, e a produ\u00e7\u00e3o local decolou. Aproveitando essa proibi\u00e7\u00e3o, mulheres em povoados e cidades do pa\u00eds formaram associa\u00e7\u00f5es para conseguir ajuda financeira e assist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais para se dedicarem ao cultivo de batatas.<\/p>\n<p>Segundo a Uni\u00e3o de Agricultoras Urbanas, de Harare, em todo o pa\u00eds h\u00e1 151 associa\u00e7\u00f5es que envolvem 16.150 mulheres no cultivo da batata. \u201cDesde que foi proibida a importa\u00e7\u00e3o de batata, cobrimos 8% do mercado nacional, dominado pelos grandes produtores locais, com 88%, e homens cultivadores urbanos que nos imitaram cobrem os 4% restantes\u201d, detalhou \u00e0 IPS a secret\u00e1ria-geral da entidade, Abigail Mlambo.<\/p>\n<p>\u201cComo associa\u00e7\u00e3o de 12 cultivadores de batata, nos aproximamos de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais para pedir financiamento e impulsionar nosso projeto de cultivo urbano\u201d, explicou \u00e0 IPS Nancy Chikwari. Ap\u00f3s reunir US$ 1 mil para comprar insumos, o projeto cresceu rapidamente, acrescentou.<\/p>\n<p>Hoje, essas mulheres podem enviar seus filhos para a escola e a universidade sem dependerem financeiramente de seus maridos. \u201cS\u00f3 em 2013, colhemos 30 toneladas e vendemos cada saco de 15 quilos a US$ 8, obtendo milhares de d\u00f3lares em lucro\u201d, afirmou Chikwari \u00e0 IPS, acrescentando que agora todas elas t\u00eam autom\u00f3vel e uma casa na capital.<\/p>\n<p>As mulheres desse pa\u00eds da \u00c1frica austral s\u00e3o o setor mais afetado pelo desemprego. Segundo o Escrit\u00f3rio Central de Estat\u00edstica, dos 13 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds, 60% s\u00e3o mulheres, e 66% delas est\u00e3o desempregadas. Dados oficiais de 2013 mostram que somente 850 mil zimbabuenses possuem emprego formal. O Programa Mundial de Alimentos estima que o desemprego no pa\u00eds gire em torno dos 60%, e um grande n\u00famero de pessoas sobrevive no setor informal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, para muitas mulheres que agora se dedicam a plantar batata em suas pr\u00f3prias casas, o desemprego \u00e9 coisa do passado. \u201cAs mulheres como eu j\u00e1 n\u00e3o se preocupam com o desemprego. Fa\u00e7o muitas vendas de batata que colho no meu quintal dos fundos\u201d, disse \u00e0 IPS Lina Chingama, de 44 anos, moradora de Norton, 40 quil\u00f4metros a oeste de Harare. Ela contou que realiza tr\u00eas colheitas por ano e consegue 1.200 quilos de cada vez. Cada saca de dez quilos \u00e9 vendida a US$ 10 no mercado local.<\/p>\n<p>Muitas mulheres, antes dependentes de seus maridos, agora se converteram no sustento de suas fam\u00edlias. \u201cQuem disse que as mulheres n\u00e3o podiam manter suas fam\u00edlias? Na verdade, veja o que a magia da batata faz para muitas aqui. N\u00e3o ficamos dormindo nas cidades, mas velando pelo bem-estar de nossas fam\u00edlias\u201d, disse \u00e0 IPS Grace Mbiza, ativista pelos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>O ambientalista independente Archibald Chigumbu destacou que o processo usado pelas mulheres para cultivar batata \u00e9 ecol\u00f3gico. \u201cSeu m\u00e9todo n\u00e3o danifica o meio ambiente, pois os sacos com as plantas s\u00e3o colocados em quintais urbanos\u201d, ressaltou Chigumbu \u00e0 IPS, acrescentando que as variedades mais cultivadas s\u00e3o Amythest, Mont Claire, BPI, Jacaranda, Opal e Emerald.<\/p>\n<p>Ronald Museka, presidente do Conselho da Batata do Zimb\u00e1bue, organiza\u00e7\u00e3o que representa os produtores, declarou \u00e0 IPS: \u201cQueremos garantir que haja produ\u00e7\u00e3o suficiente para o mercado, e as mulheres urbanas est\u00e3o fazendo precisamente isso. Logo poder\u00e3o come\u00e7ar a exportar\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, o ministro da Agricultura, Joseph Made, mostrou um decisivo apoio ao empreendimento das mulheres urbanas. \u201cLideram uma grande iniciativa, maximizando os cultivos de batata em seus quintais, e acabam o dia indo ao banco com um sorriso. N\u00e3o duvidaremos em apoi\u00e1-las em tudo o que for poss\u00edvel\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Mas as cultivadoras de batata t\u00eam dificuldades com as autoridades locais, j\u00e1 que n\u00e3o est\u00e3o claras as margens legais do cultivo dom\u00e9stico para venda. \u201cAs autoridades dos conselhos n\u00e3o aprovam a agricultura urbana, e n\u00e3o estou certo do que pode acontecer com estes projetos\u201d, disse \u00e0 IPS um funcion\u00e1rio local que pediu para ficar no anonimato. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 12\/3\/2014 &ndash; Shyline Chipfika, de 26 anos, &eacute; uma das milhares de mulheres em centros urbanos do Zimb&aacute;bue que fazem fortuna cultivando suas pr&oacute;prias batatas. 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