{"id":17262,"date":"2014-03-14T14:32:45","date_gmt":"2014-03-14T14:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109486"},"modified":"2014-03-14T14:32:45","modified_gmt":"2014-03-14T14:32:45","slug":"petroleira-dos-estados-unidos-cria-tensao-no-saara-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/petroleira-dos-estados-unidos-cria-tensao-no-saara-ocidental\/","title":{"rendered":"Petroleira dos Estados Unidos cria tens\u00e3o no Saara Ocidental"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109488\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sahara640.jpg\"><img class=\" wp-image-109488  \" alt=\"sahara640 Petroleira dos Estados Unidos cria tens\u00e3o no Saara Ocidental\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sahara640.jpg\" width=\"529\" height=\"325\" title=\"Petroleira dos Estados Unidos cria tens\u00e3o no Saara Ocidental\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Organiza\u00e7\u00f5es como a Western Sahara Resource Watch questionam a legalidade de empresas estrangeiras como a Kosmos trabalhem com o governo marroquino para explorar os recursos do Saara Ocidental. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 14\/3\/2014 \u2013 Enquanto empres\u00e1rios dos Estados Unidos e do Marrocos procuram fortalecer os v\u00ednculos bilaterais, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil exp\u00f5em sua preocupa\u00e7\u00e3o pelos planos de uma firma energ\u00e9tica norte-americana de buscar petr\u00f3leo no disputado territ\u00f3rio de Saara Ocidental. Representantes do governo e do setor privado dos dois pa\u00edses se reuniram na segunda Confer\u00eancia de Desenvolvimento Empresarial Estados Unidos-Marrocos, no come\u00e7o desta semana em Rabat.<\/p>\n<p>O governo marroquino espera capitalizar o acordo de livre com\u00e9rcio assinado em 2006 com Washington, apresentando-o como uma porta de entrada aos mercados da Europa, \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio, e incentivar investimentos norte-americanos.<\/p>\n<p>\u201cNo Marrocos est\u00e3o ocorrendo muitas coisas, e a grande pergunta \u00e9 como real\u00e7ar aquilo que pode atrair investimentos norte-americanos e que depois possa se dirigir a um mercado europeu ou ao sul, aos mercados africanos\u201d, disse \u00e0 IPS Jean Abi Nader, diretor-executivo do Centro Marroquino-Norte-Americano de Com\u00e9rcio e Investimentos, criado pelo rei Mohammad VI.<\/p>\n<p>Em sua pol\u00edtica energ\u00e9tica, o Marrocos d\u00e1 \u00eanfase especial \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Empresas participantes da confer\u00eancia desta semana, como a Dow Chemical, tiveram a oportunidade de assistir apresenta\u00e7\u00f5es sobre o setor energ\u00e9tico do pa\u00eds, destacando o potencial do reino em mat\u00e9ria de investimento, tanto em fontes renov\u00e1veis como nas baseadas no carv\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora os investimentos internacionais em energias renov\u00e1veis favore\u00e7am h\u00e1 tempos o Marrocos, habilitando a constru\u00e7\u00e3o de usinas solares e parques e\u00f3licos, corpora\u00e7\u00f5es norte-americanas e europeias tamb\u00e9m procuram concess\u00f5es para explora\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, algumas delas no Saara Ocidental. Esse territ\u00f3rio est\u00e1 ocupado quase em sua totalidade pelo Marrocos, mas a soberania marroquina sobre ele n\u00e3o \u00e9 reconhecida pela comunidade internacional.<\/p>\n<p>Uma das firmas interessadas \u00e9 a Kosmos Energy, com sede no Texas, que j\u00e1 iniciou explora\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas de hidrocarbonos em tr\u00eas blocos da bacia de Agadir. O projeto mais pol\u00eamico \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o petroleira que a Kosmos pretende iniciar em outubro em Cabo Bojador, na costa norte do Saara Ocidental.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es com a Western Sahara Resource Watch (WSRW) questionam a legalidade dos neg\u00f3cios de empresas estrangeiras com o governo marroquino para explorar recursos do Saara Ocidental. Rabat \u201cn\u00e3o est\u00e1 disposta a permitir ao povo saarau\u00ed o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, e a ind\u00fastria do petr\u00f3leo est\u00e1 se tornando um obst\u00e1culo para pressionar o Marrocos a aceitar esse direito\u201d, afirmou \u00e0 IPS o presidente da WSRW, Erik Hagen.<\/p>\n<p>\u201cOs saarau\u00ed est\u00e3o parados \u00e0 margem desse projeto, movendo os bra\u00e7os e dizendo \u00e0s empresas que deixam de fazer isto em nome do governo marroquino. Essas empresas trabalham com um governo ocupante\u201d, destacou Hagen. O Marrocos tomou o controle do territ\u00f3rio, ao qual chama de Prov\u00edncias do Sul, ap\u00f3s um pol\u00eamico acordo, de 1976, com a Espanha, at\u00e9 ent\u00e3o a pot\u00eancia colonial.<\/p>\n<p>Entretanto, contra a ocupa\u00e7\u00e3o marroquina a Frente Polis\u00e1rio pegou em armas, apoiada pela Arg\u00e9lia, e declarou a independ\u00eancia da Rep\u00fablica \u00c1rabe Saarau\u00ed Democr\u00e1tica. Ap\u00f3s anos de conflito armado, a comunidade internacional estabeleceu a Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Referendo em Saara Ocidental (Minurso), em 1991.<\/p>\n<p>A Minurso recebeu o mandato de velar por um cessar-fogo e organizar para 1992 um referendo sobre o futuro do territ\u00f3rio, mas a vota\u00e7\u00e3o nunca aconteceu por desacordos sobre quem poderia votar. A Frente Polis\u00e1rio n\u00e3o queria que colonos marroquinos no Saara Ocidental participassem da consulta. At\u00e9 agora, nenhum outro Estado reconhece a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental, que est\u00e1 na Lista de Territ\u00f3rios N\u00e3o Autogovernados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Em 2002, o Marrocos concedeu contratos de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no territ\u00f3rio a uma empresa com sede nos Estados Unidos, a Kerr McGee, e \u00e0 francesa Total S.A. Em resposta, a ONU emitiu o que se conhece como Opini\u00e3o Corell, relativa \u00e0 legalidade da extra\u00e7\u00e3o de recursos no Saara Ocidental. Seu autor \u00e9 o ex-subsecret\u00e1rio geral de Assuntos Jur\u00eddicos da ONU, Hans Corell.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, tanto firmas energ\u00e9ticas multinacionais como organiza\u00e7\u00f5es que apoiam os interesses do Saara Ocidental interpretam de maneira diversa a postura da ONU. A Opini\u00e3o Corell reconhece o Marrocos como a pot\u00eancia administrativa de fato no Saara Ocidental.<\/p>\n<p>Mas, tamb\u00e9m estabelece que, \u201capesar de os contratos espec\u00edficos n\u00e3o serem ilegais em si mesmos, se houver maiores atividades de prospec\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sem respeitar os interesses e desejos do povo do Saara Ocidental, estariam violando os princ\u00edpios do direito internacional aplic\u00e1veis a atividades de recursos minerais em Territ\u00f3rios N\u00e3o Autogovernados\u201d.<\/p>\n<p>Abi Nader acredita que as atividades extrativistas do Marrocos est\u00e3o gerando benef\u00edcios econ\u00f4micos para a popula\u00e7\u00e3o local saarau\u00ed, como estipula a Opini\u00e3o Corell. A OCP, a empresa estatal de fosfatos do Marrocos, \u201cfaz um trabalho realmente extenuante\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Nader, \u201cderam participa\u00e7\u00e3o \u00e0 consultoria norte-americana PricewaterhouseCoopers e fizeram um estudo de dois anos sobre quem estava ficando com os lucros da mina Bou Craa no Saara Ocidental. \u00c9 muito claro que n\u00e3o est\u00e1 contribuindo realmente com seu objetivo primordial, mas est\u00e1 gerando empregos. Est\u00e1 criando valor agregado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m citando a Opini\u00e3o Corell, a Kosmos Energy afirma que, como o Marrocos garante distribuir de modo equitativo e justo os recursos entre a popula\u00e7\u00e3o saarau\u00ed, a explora\u00e7\u00e3o e potencial extra\u00e7\u00e3o petroleira no territ\u00f3rio atender\u00e1 os padr\u00f5es legais da comunidade internacional.<\/p>\n<p>Em uma declara\u00e7\u00e3o, a Kosmos cita um informe de 2013 do Conselho Econ\u00f4mico, Social e Ambiental do rei Mohammad VI, segundo o qual \u201co objetivo do Conselho \u00e9 contribuir com o esfor\u00e7o coletivo necess\u00e1rio para cumprir o desafio de obter a coes\u00e3o social, a prosperidade e o benef\u00edcio equitativo a partir dos recursos\u201d do Saara Ocidental.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Hagen disse duvidar das inten\u00e7\u00f5es do governo marroquino de compartilhar adequadamente a riqueza com os saarau\u00eds. Al\u00e9m disso, eles n\u00e3o querem que o governo do Marrocos e as empresas multinacionais explorem seus recursos, o que torna ilegais as atividades da Kosmos no contexto da Opini\u00e3o Corell, ressaltou. Hagen tamb\u00e9m expressou sua preocupa\u00e7\u00e3o pelos frequentes abusos dos direitos humanos, tanto no Saara Ocidental como no pr\u00f3prio Marrocos.<\/p>\n<p>\u201cO informe de 2013 do relator especial da ONU sobre a tortura \u00e9 muito ilustrativo de como as pessoas sofrem abusos ou tortura enquanto est\u00e3o sob cust\u00f3dia policial, e isso \u00e9 frequente\u201d, pontuou Hagen. \u201cCada semana ouvimos reportagens sobre pessoas saarau\u00ed que foram presas pela pol\u00edcia durante alguns dias ou algumas horas e depois foram soltos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A WSRW n\u00e3o pede apenas que a Kosmos abandone seus planos de realizar explora\u00e7\u00f5es no Saara Ocidental, como tamb\u00e9m pressiona uma firma perfuradora com sede nos Estados Unidos, a Atwood Oceanics, para que n\u00e3o forne\u00e7a \u00e0 Kosmos a plataforma que esta encomendou para usar em Cabo Bojador. Nem a Kosmos nem a Atwood responderam \u00e0s consultas da IPS at\u00e9 o fechamento deste artigo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 14\/3\/2014 &ndash; Enquanto empres&aacute;rios dos Estados Unidos e do Marrocos procuram fortalecer os v&iacute;nculos bilaterais, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil exp&otilde;em sua preocupa&ccedil;&atilde;o pelos planos de uma firma energ&eacute;tica norte-americana de buscar petr&oacute;leo no disputado territ&oacute;rio de Saara Ocidental. 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