{"id":17265,"date":"2014-03-19T16:00:05","date_gmt":"2014-03-19T16:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109723"},"modified":"2014-03-19T16:00:05","modified_gmt":"2014-03-19T16:00:05","slug":"referendo-da-crimeia-separa-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/referendo-da-crimeia-separa-familias\/","title":{"rendered":"Referendo da Crimeia separa fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109724\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/crimea640.jpg\"><img class=\" wp-image-109724 \" alt=\"crimea640 Referendo da Crimeia separa fam\u00edlias\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/crimea640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Referendo da Crimeia separa fam\u00edlias\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Multid\u00e3o agita bandeiras da Crimeia e da R\u00fassia em Simferopol depois do referendo. Foto: Alexey Yakushechkin\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kiev, Ucr\u00e2nia, 19\/3\/2014 \u2013 A Crimeia se prepara para se integrar \u00e0 R\u00fassia, ap\u00f3s um referendo que a maior parte da comunidade internacional considera totalmente ilegal, enquanto muitas fam\u00edlias da pen\u00ednsula devem se separar devido \u00e0 agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e outras pensam em abandonar a regi\u00e3o. O referendo, realizado no dia 16, mostrou que uma esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o da Crimeia quer voltar a ser parte da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Segundo dados oficiais, 97% dos eleitores apoiaram unir-se \u00e0 R\u00fassia, com um comparecimento \u00e0s urnas de 82% dos habilitados a votar. A Crimeia \u00e9 at\u00e9 agora uma rep\u00fablica do sul da Ucr\u00e2nia. Muita gente comemorou nas ruas em cidades como Sebastopol e Simferopol, esta \u00faltima capital regional, quando foram conhecidos os resultados, mas a decis\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou a impactar muitas fam\u00edlias locais.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 conflitos nas fam\u00edlias daqui. Algumas t\u00eam av\u00f3s com ra\u00edzes familiares russas e que apoiam a R\u00fassia firmemente. Depois h\u00e1 seus netos, que se sentem ucranianos e que no referendo votaram contra a integra\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia\u201d, disse \u00e0 IPS a professora Valery Dorozhkhin, de 39 anos, da Universidade de Simferopol.<\/p>\n<p>Historicamente, grandes partes do sul e leste da Ucr\u00e2nia t\u00eam v\u00ednculos culturais estreitos com a R\u00fassia. Mas estes s\u00e3o particularmente profundos na Crimeia. Essa pen\u00ednsula foi anexada pelo imp\u00e9rio russo no final do s\u00e9culo 18, mas os russos n\u00e3o foram maioria na regi\u00e3o at\u00e9 depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Isso aconteceu em grande parte depois que o ditador sovi\u00e9tico Josef Stalin enviou mais de 200 mil t\u00e1rtaros para campos de trabalho na \u00c1sia central, sob a falsa acusa\u00e7\u00e3o de terem colaborado com os nazistas. Quase 40 mil deles morreram durante a viagem.<\/p>\n<p>Pertencentes ao povo turco mu\u00e7ulmano que viveu na regi\u00e3o durante s\u00e9culos, foram substitu\u00eddos por russos na pen\u00ednsula e s\u00f3 regressaram \u00e0 regi\u00e3o quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica come\u00e7ou a se desintegrar. Agora representam cerca de 14% da popula\u00e7\u00e3o da Crimeia e, por sua hist\u00f3ria, muitos desconfiam da R\u00fassia. Em 1954, o ent\u00e3o l\u00edder sovi\u00e9tico Nikita Kruschev converteu a Crimeia em parte da Ucr\u00e2nia. Atualmente, 60% da popula\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula \u00e9 de origem russa e tem o russo como l\u00edngua materna.<\/p>\n<p>Como parte da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, as eventuais tens\u00f5es \u00e9tnicas foram mantidas contidas. Por\u00e9m, desde que a Ucr\u00e2nia ficou independente, em 1991, come\u00e7aram as reclama\u00e7\u00f5es separatistas por parte de grupos da comunidade russa da Crimeia, com altos e baixos em seu apoio. Os levantes pol\u00edticos registrados na Ucr\u00e2nia nos \u00faltimos meses acabaram exacerbando essas tens\u00f5es \u00e9tnicas. Muitos ativistas pelos direitos humanos e observadores independentes destacam que a r\u00e1pida campanha pelo referendo foi marcada por fatos de viol\u00eancia e repress\u00e3o contra comunidades n\u00e3o russas e contra quem apoiava o novo governo ucraniano em Kiev.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma linha ideol\u00f3gica que divide os ucranianos nativos dos de origem russa. Tamb\u00e9m existe uma not\u00f3ria divis\u00e3o pol\u00edtica entre os mais jovens e os mais velhos. Os jovens foram maioria entre os milhares de manifestantes que apoiaram que a Crimeia continuasse sendo parte da Ucr\u00e2nia. Os mais jovens s\u00f3 conheceram uma Crimeia integrada \u00e0 Ucr\u00e2nia e se sentem confusos, e em alguns casos tamb\u00e9m temerosos sobre como ser\u00e3o suas vidas sob um regime diferente.<\/p>\n<p>\u201cNeste momento, os mais jovens t\u00eam um momento especialmente dif\u00edcil na Crimeia. Eles veem a si mesmos como ucranianos, se sentem ucranianos\u201d, pontuou Dorozhkhin \u00e0 IPS. Essa preocupa\u00e7\u00e3o sobre o futuro imediato j\u00e1 levou<\/p>\n<p>alguns a pensarem em abandonar a Crimeia. H\u00e1 registro de casos de fam\u00edlias que decidiram abandonar a regi\u00e3o, enquanto outros est\u00e3o preocupados com seus empregos. Alguns ucranianos residentes na Crimeia asseguraram que perderam seus empregos ao serem vistos como favor\u00e1veis \u00e0s autoridades em Kiev.<\/p>\n<p>Valdimir Vasylenko, de 37 anos, trabalha em uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental em Sebastopol. Seu estado de \u00e2nimo resume o de todos aqueles preocupados com o futuro. Quase \u00e0s l\u00e1grimas, explicou \u00e0 IPS que teme que a atitude negativa das autoridades russas com as entidades da sociedade civil coloque em risco seu trabalho. Tamb\u00e9m disse que est\u00e1 preocupado por n\u00e3o ter ideia de como ser\u00e1, em geral, a vida sob o regime russo.<\/p>\n<p>\u201cMe pergunto se devo ir embora. \u00c0s vezes penso que sim, mas minha m\u00e3e e minha av\u00f3 n\u00e3o ir\u00e3o, porque n\u00e3o querem. Tenho que pensar nelas tamb\u00e9m. Simplesmente n\u00e3o sei o que fazer. O pior \u00e9 que ningu\u00e9m sabe o que acontecer\u00e1 em seguida\u201d, ponderou Vasylenko.<\/p>\n<p>Na Crimeia, as tens\u00f5es persistem, apesar do apoio esmagador pela uni\u00e3o com a R\u00fassia. A popula\u00e7\u00e3o t\u00e1rtara, que representa 13% dos habitantes da pen\u00ednsula, boicotou o referendo. As comunidades t\u00e1rtaras t\u00eam cada vez mais medo: muitos integrantes desconfiam da R\u00fassia devido ao que aconteceu aos seus ancestrais sob o regime de Stalin.<\/p>\n<p>Os t\u00e1rtaros denunciam que suas comunidades t\u00eam cada vez mais medo de ataques de grupos de autodefesas pr\u00f3-russos, que perambulam pelas ruas \u00e0 noite. Segundo eles, \u00e0s vezes, pela manh\u00e3, se encontra cruzes brancas pintadas nas portas de suas casas. Em resposta, formaram seus pr\u00f3prios esquadr\u00f5es de autodefesa, que controlam \u00e1reas com popula\u00e7\u00f5es t\u00e1rtaras, enquanto outros fazem a seguran\u00e7a nas mesquitas.<\/p>\n<p>J\u00e1 os que apoiam a reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia preveem um futuro brilhante para a Crimeia. Aleksandr Pavluk, de 54 anos, vive em Simferopol e trabalha em uma das ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas da Crimeia, o turismo. \u201cAqui todos est\u00e3o bem depois do referendo. Estamos muito felizes e a popula\u00e7\u00e3o sonha ser parte da R\u00fassia\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cTodos esperamos um grande ver\u00e3o, quando aguardamos pela chegada de muitos turistas, tanto da R\u00fassia quanto da Ucr\u00e2nia\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kiev, Ucr&acirc;nia, 19\/3\/2014 &ndash; A Crimeia se prepara para se integrar &agrave; R&uacute;ssia, ap&oacute;s um referendo que a maior parte da comunidade internacional considera totalmente ilegal, enquanto muitas fam&iacute;lias da pen&iacute;nsula devem se separar devido &agrave; agita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e outras pensam em abandonar a regi&atilde;o. 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