{"id":17276,"date":"2014-03-20T18:22:19","date_gmt":"2014-03-20T18:22:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109833"},"modified":"2014-03-20T18:22:19","modified_gmt":"2014-03-20T18:22:19","slug":"oriente-medio-cada-vez-com-mais-fome-de-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/oriente-medio-cada-vez-com-mais-fome-de-armas\/","title":{"rendered":"Oriente M\u00e9dio cada vez com mais fome de armas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109835\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/saudi-arabia-640-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-109835 \" alt=\"saudi arabia 640 629x472 Oriente M\u00e9dio cada vez com mais fome de armas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/saudi-arabia-640-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Oriente M\u00e9dio cada vez com mais fome de armas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 o quinto maior importador de armas do mundo. Entre 2004 e 2008 ocupava o 18\u00ba lugar. Foto: R\u00e1dio Nederland Wereldomroep\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 20\/3\/2014 \u2013 O Oriente M\u00e9dio continua sendo um dos mercados de armas mais lucrativos do mundo, e duas na\u00e7\u00f5es do Golfo encabe\u00e7am a lista mundial de grandes importadores: Ar\u00e1bia Saudita e Emirados \u00c1rabes Unidos (EAU). Entre 2009 e 2013, 22% das transfer\u00eancias de armas para a regi\u00e3o foram para os EAU, 20% para a Ar\u00e1bia Saudita e 15% para a Turquia, segundo estudo publicado no dia 17 pelo Stockholm International Peace Research Institute (Sipri). Os Estados Unidos forneceram 42% de todo armamento recebido na regi\u00e3o nesse per\u00edodo, afirma o estudo.<\/p>\n<p>O apetite armamentista \u00e9 atribu\u00eddo a v\u00e1rios fatores, que incluem a percep\u00e7\u00e3o de um potencial perigo no Ir\u00e3, as crescentes divis\u00f5es entre mu\u00e7ulmanos xiitas e sunitas, um temor generalizado pelo terrorismo, a instabilidade pol\u00edtica e a elevada renda obtida com o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma mistura de todos esses fatores\u201d, disse Nicole Auger, analista militar encarregado do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica na empresa de investiga\u00e7\u00e3o de mercados de defesa Forecast International, com sede nos Estados Unidos. O mercado do Oriente M\u00e9dio est\u00e1 crescendo de maneira not\u00e1vel pelo descontentamento da popula\u00e7\u00e3o, pela instabilidade internacional, em especial entre Ir\u00e3 e os pa\u00edses do Golfo, e os altos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, acrescentou o analista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Toby C. Jones, professor associado de hist\u00f3ria na Universidade Rutgers, afirmou \u00e0 IPS que \u201co Golfo \u00e9 o Eldorado para os comerciantes de armas ocidentais e para os governos que querem reciclar um pouco da riqueza gerada pelo petr\u00f3leo\u201d. N\u00e3o h\u00e1 um conjunto de pa\u00edses com mais dinheiro e mais entusiasmo por adquirir armamento caro do que os do Golfo, ressaltou.<\/p>\n<p>Seja qual for o valor estrat\u00e9gico que tenham essas armas, \u00e9 importante considerar que s\u00e3o majoritariamente in\u00fateis para uma guerra \u201creal\u201d, e por isso os Estados Unidos continuam mantendo<\/p>\n<p>uma enorme presen\u00e7a militar na regi\u00e3o, acrescentou Jones. \u201cN\u00e3o h\u00e1 virtualmente nada mais que os Estados possam comprar e que lhes permita reciclar um pouco do dinheiro que \u00e9 abundante no Golfo\u201d, apontou.<\/p>\n<p>As vendas de armas geram muitos benef\u00edcios, disse Jones, ex-membro do Projeto Petr\u00f3leo, Energia e Oriente M\u00e9dio da Universidade de Princeton, e autor do livro <i>Desert Kingdom: How Oil and Water Forged Modern Saudi Arabia\u201d<\/i> (Reino do Deserto: Como o Petr\u00f3leo e a \u00c1gua Forjaram a Moderna Ar\u00e1bia Saudita).<\/p>\n<p>O Ir\u00e3, impossibilitado de comprar a maioria das grandes armas devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es impostas pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), adquiriu apenas 1% das importa\u00e7\u00f5es de armamentos da regi\u00e3o no per\u00edodo 2009-2013, segundo o Sipri. No mesmo per\u00edodo, os EAU ocuparam o quarto lugar entre os maiores importadores de armas do mundo e a Ar\u00e1bia Saudita o quinto (entre 2004 e 2008 estava em 18\u00ba alugar). Os tr\u00eas primeiros importadores foram, pela ordem, \u00cdndia, China, Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cinco principais fornecedores de armamento no per\u00edodo 2009-2013 foram Estados Unidos, com 29% das exporta\u00e7\u00f5es mundiais, R\u00fassia, com 27, Alemanha com 7, China com 6%, e Fran\u00e7a com 5%.<\/p>\n<p>O principal interesse atual do Oriente M\u00e9dio em modernizar ou adquirir sistemas antim\u00edsseis se deve ao medo de potenciais ataques por parte do Ir\u00e3. Este pa\u00eds parece ser a principal raz\u00e3o para o Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o para os Estados \u00c1rabes do Golfo tentar criar um comando militar conjunto apoiado pelos Estados Unidos, afirmou Auger. Os pa\u00edses do Conselho s\u00e3o Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein, EAU, Kuwait, Om\u00e3 e Catar.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a interna \u00e9 o segundo fator, depois dos levantes pr\u00f3-democr\u00e1ticos de 2011, pela persistente instabilidade em certos pa\u00edses e pelo perigo que se percebe em grupos fundamentalistas estabelecidos ou emergentes, segundo Auger. \u201cIsso \u00e9 evidente no novo interesse pelas opera\u00e7\u00f5es especiais, pela vigil\u00e2ncia eletr\u00f4nica e por equipamentos de ciberseguran\u00e7a\u201d, ressaltou. Al\u00e9m disso, a abundante disponibilidade de recursos que t\u00eam estas na\u00e7\u00f5es exportadoras de petr\u00f3leo tamb\u00e9m tende a jogar sua parte, acrescentou.<\/p>\n<p>A venda norte-americana de armas no ano passado, no valor de US$ 10,5 bilh\u00f5es, uma das maiores dos \u00faltimos anos no Oriente M\u00e9dio, incluiu 26 avi\u00f5es ca\u00e7a F-16 para EAU e sofisticados m\u00edsseis antia\u00e9reos e ar-terra para a Ar\u00e1bia Saudita. Esses m\u00edsseis s\u00e3o para equipar 154 avi\u00f5es de combate F-15 que come\u00e7ar\u00e3o a ser entregues em 2015 e que foram comprados dos Estados<\/p>\n<p>Unidos em 2010 pela assombrosa quantia de US$ 29,5 bilh\u00f5es. Os m\u00edsseis s\u00e3o destinados a \u201cenfrentar o perigo que representa o Ir\u00e3\u201d, segundo um alto funcion\u00e1rio norte-americano citado em um artigo.<\/p>\n<p>O fabuloso contrato de armamento incluiu tamb\u00e9m mil bombas antibunker GBU-35 para a Ar\u00e1bia Saudita e cinco mil para os EAU. Esses explosivos est\u00e3o concebidos para destruir instala\u00e7\u00f5es nucleares subterr\u00e2neas. Apesar dessas vendas a na\u00e7\u00f5es do Oriente M\u00e9dio, Washington sempre afirma que continuar\u00e1 \u201cgarantindo a vantagem militar qualitativa de Israel\u201d sobre os pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Segundo Jones, os Estados do Golfo s\u00e3o politicamente vulner\u00e1veis no \u00e2mbito dom\u00e9stico, e os tr\u00eas \u00faltimos anos s\u00e3o prova disso. Embora o Golfo n\u00e3o tenha vivido as revolu\u00e7\u00f5es que afetaram outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e do norte da \u00c1frica, regimes como o de Riad est\u00e3o nervosos diante da possibilidade de um cont\u00e1gio do fervor revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cSempre esteve, mas a ansiedade \u00e9 mais marcante agora. De modo que comprar quantidades de armas costuma estar relacionado com o controle interno e as medidas de contrainsurg\u00eancia\u201d, pontuou Jones. E muito pouco prov\u00e1vel que esse armamento seja usado de verdade em um conflito regional, ressaltou.<\/p>\n<p>Para Jones, mesmo os sistemas complexos e de longo alcance t\u00eam pouco a ver com o interesse desses pa\u00edses em fazer guerra ao Ir\u00e3 ou mesmo em se defender dele. \u201cPara isso, t\u00eam os Estados Unidos\u201d, afirmou. Mas, ao comprar esse armamento, os pa\u00edses do Golfo tamb\u00e9m indicam que est\u00e3o atentos aos problemas energ\u00e9ticos dos Estados Unidos em uma vizinhan\u00e7a perigosa.<\/p>\n<p>\u201cEsses s\u00e3o argumentos enganosos, concebidos para refor\u00e7ar a inquieta\u00e7\u00e3o norte-americana sobre os perigos da regi\u00e3o e garantir que seja mantida sua presen\u00e7a militar\u201d, destacou Jones. Os Estados \u00e1rabes necessitam que a \u201ccrise\u201d seja uma condi\u00e7\u00e3o permanente para maximizar o compromisso ocidental, e em especial de Washington, com a seguran\u00e7a regional, exista ou n\u00e3o tal crise, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 20\/3\/2014 &ndash; O Oriente M&eacute;dio continua sendo um dos mercados de armas mais lucrativos do mundo, e duas na&ccedil;&otilde;es do Golfo encabe&ccedil;am a lista mundial de grandes importadores: Ar&aacute;bia Saudita e Emirados &Aacute;rabes Unidos (EAU). 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