{"id":17278,"date":"2014-03-20T18:02:22","date_gmt":"2014-03-20T18:02:22","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=109825"},"modified":"2014-03-20T18:02:22","modified_gmt":"2014-03-20T18:02:22","slug":"centro-africanos-lotam-refugio-temporario-em-camaroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/centro-africanos-lotam-refugio-temporario-em-camaroes\/","title":{"rendered":"Centro-africanos lotam ref\u00fagio tempor\u00e1rio em Camar\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_109826\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/criancasrefugiados.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-109826\" alt=\"criancasrefugiados Centro africanos lotam ref\u00fagio tempor\u00e1rio em Camar\u00f5es\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/criancasrefugiados.jpg\" width=\"629\" height=\"472\" title=\"Centro africanos lotam ref\u00fagio tempor\u00e1rio em Camar\u00f5es\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as centro-africanas refugiadas na fronteiri\u00e7a localidade camaronesa de Garoua-Boulai. Foto: Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14px; line-height: 1.5em;\">Garoua-Boulai, Camar\u00f5es 20\/3\/2014 \u2013 Abdul Karim chegou \u00e0 fronteiri\u00e7a localidade camaronesa de Garoua-Boulai, procedente da Rep\u00fablica Centro-Africana, no final de fevereiro, como parte de uma nova onda de refugiados. Este m\u00eas, cerca de 30 mil pessoas \u2013 o maior n\u00famero desde que come\u00e7ou a crise centro-africana em mar\u00e7o de 2013 \u2013 cruzaram a fronteira para Camar\u00f5es, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur).<\/span><\/p>\n<p>Agora, a pequena localidade de Garoua-Boulai enfrenta dificuldades para atender as necessidades b\u00e1sicas dos refugiados e de seus pr\u00f3prios moradores. Desde que chegaram, Karim e os 32 membros de sua fam\u00edlia dividem uma barraca de campanha de 50 metros quadrados no acampamento tempor\u00e1rio de Pont-Bascule, em Garoua-Boulai. \u201cEstou aqui com minhas duas esposas, meus filhos, os filhos do meu irm\u00e3o e minha m\u00e3e. Fugimos da Rep\u00fablica Centro-Africana sem nada. S\u00f3 contamos com o Acnur para atender nossas necessidades b\u00e1sicas\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Karim e milhares de outros refugiados esperam que o escrit\u00f3rio do Acnur em Camar\u00f5es os registre e encontre um lugar definitivo para viverem. Segundo trabalhadores de ajuda da ag\u00eancia, v\u00e1rios cidad\u00e3os do Chade e da Nig\u00e9ria que estavam na Rep\u00fablica Centro-Africana tamb\u00e9m fugiram para Garoua-Boulai. Os enfrentamentos entre as mil\u00edcias mu\u00e7ulmanas S\u00e9l\u00e9ka e as crist\u00e3s Antibalaka (antifac\u00e3o) acabaram com a vida de duas mil pessoas e deslocaram um quarto dos quatro milh\u00f5es de habitantes da\u00a0Rep\u00fablica Centro-Africana, desde que as primeiras deram um golpe de Estado, em mar\u00e7o de 2013.<\/p>\n<p>Estima-se que atualmente existam cerca de 130 mil refugiados centro-africanos em Camar\u00f5es. O n\u00famero de centro-africanos que fogem de seu pa\u00eds cresce a cada dia. Centenas de caminh\u00f5es de carga saem diariamente do Aeroporto Internacional de Douala, em Camar\u00f5es, e se dirigem \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana atrav\u00e9s da estrada de Garoua-Boulai. E a cada dia, quase cem regressam trazendo muitos mu\u00e7ulmanos perseguidos pelas mil\u00edcias Antibalaka.<\/p>\n<p>\u201cMais de cem caminh\u00f5es chegaram ontem da Rep\u00fablica Centro-Africana com refugiados, e hoje j\u00e1 come\u00e7aram a chegar alguns. \u00c9 assim desde fevereiro\u201d, pontuou \u00e0 IPS o comandante do ex\u00e9rcito camaron\u00eas em Garoua-Boulai, Ngotio Koeke.<\/p>\n<div id=\"attachment_109827\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Centroafricano.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-109827\" alt=\"Centroafricano Centro africanos lotam ref\u00fagio tempor\u00e1rio em Camar\u00f5es\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Centroafricano.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" title=\"Centro africanos lotam ref\u00fagio tempor\u00e1rio em Camar\u00f5es\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Muitos centro-africanos entram em Camar\u00f5es viajando em caminh\u00f5es de carga procedentes de Bangui. Foto: Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>\n<p>O caminhoneiro Adamu Usman disse \u00e0 IPS que \u201ctransportamos muitos refugiados cada vez que descarregamos e voltamos a Camar\u00f5es desde Bangui\u201d, a capital centro-africana. \u201cN\u00e3o posso estimar quantos meu caminh\u00e3o leva, mas podem ser cerca de cem\u201d, afirmou, acrescentando que em sua \u00faltima viagem \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana foi testemunha de uma trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u201cUma gr\u00e1vida que estava em meu caminh\u00e3o de repente entrou em trabalho de parto e perdeu o beb\u00ea antes de chegar a Camar\u00f5es\u201d, contou Usman, detalhando que, quando chegaram a um posto de controle dos Antibalaka, e precisou parar, jovens milicianos entraram no caminh\u00e3o mas desceram imediatamente sem molestar ningu\u00e9m, porque viram \u201ca mulher ca\u00edda sobre seu pr\u00f3prio sangue com um beb\u00ea morto ao seu lado\u201d.<\/p>\n<p>A maioria dos refugiados \u00e9 do povo ind\u00edgena mbororo, do oeste e norte da Rep\u00fablica Centro-Africana, aos quais as mil\u00edcias atacam para roubar seu gado. \u201cNem mesmo sab\u00edamos quem eram os S\u00e9l\u00e9ka, mas agora somos n\u00f3s que sofremos. N\u00e3o \u00e9 justo odiar todos os mu\u00e7ulmanos. N\u00f3s nem mesmo parecemos com os mu\u00e7ulmanos chadianos na Rep\u00fablica Centro-Africana, mas, de todo modo, os Antibalaka nos atacam\u201d, disse \u00e0 IPS o refugiado mbororo Abdul. \u201cNada tenho. Deixei para tr\u00e1s meu gado. N\u00e3o vou recuperar se voltar\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Enquanto os adultos do acampamento se preocupam com o futuro de suas numerosas fam\u00edlias, pode-se ver meninos e meninas tranquilos, sempre com suas m\u00e3es, dividindo alimentos em bandejas comuns ou brincando em seu novo ambiente. Por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o em Garoua-Boulai est\u00e1 longe de ser id\u00edlica.<\/p>\n<p>A prefeita da cidade, Esther Yaffo Ndoe, declarou \u00e0 IPS que a localidade n\u00e3o tem capacidade para atender tantos refugiados. \u201cGaroua-Boulai possui apenas 40 mil habitantes, mas agora h\u00e1 cerca de 80 mil devido \u00e0 crise na Rep\u00fablica Centro-Africana\u201d, afirmou. \u201cAs atuais necessidades da cidade em mat\u00e9ria de sa\u00fade, alimento e abrigo excedem a capacidade da administra\u00e7\u00e3o local e das ag\u00eancias de ajuda. Os refugiados est\u00e3o nesse local tempor\u00e1rio por mais de dois meses esperando para serem transferidos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ndoe tamb\u00e9m apontou que a crescente chegada de refugiados est\u00e1 dificultando a vida dos moradores, \u201cj\u00e1 que os escassos recursos agora devem ser divididos\u201d. Os alimentos m\u00ednguam e os pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os aumentam. Em especial aumentou o custo de produtos como arroz e milho. O quilo do primeiro passou de US$ 1,50, enquanto o de milho subiu US$ 0,80. Ndoe tamb\u00e9m afirmou que a presen\u00e7a de refugiados aumentou a inseguran\u00e7a e a delinqu\u00eancia juvenil.<\/p>\n<p>Buba, produtor agr\u00edcola de 24 anos, contou \u00e0 IPS que refugiados atacaram sua propriedade. \u201cQuebraram a cerca da minha planta\u00e7\u00e3o. Agora est\u00e1 exposta ao gado (que a come). Alguns refugiados est\u00e3o colhendo antecipadamente os produtos de outras fazendas\u201d. Por outro lado, muitos dos refugiados se dedicam a comercializar artigos pequenos, como lenha e alimentos b\u00e1sicos, para outros refugiados e residentes camaroneses.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria tamb\u00e9m preocupa. Muitos apresentam desnutri\u00e7\u00e3o, diarreia desordens gastrointestinais e mal\u00e1ria, segundo a organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF). \u201cEnquanto os refugiados n\u00e3o estiverem em acampamentos definitivos com acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, saneamento, alimento e abrigo, tamb\u00e9m h\u00e1 perigo de epidemias como c\u00f3lera, sarampo e mal\u00e1ria\u201d, advertiu \u00e0 IPS o chefe da miss\u00e3o do MSF em Camar\u00f5es, Jon Irwin. \u201cEsses riscos aumentaram porque j\u00e1 come\u00e7aram as chuvas, e \u00e9 necess\u00e1ria uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Irwin explicou que o MSF se concentra em atender crian\u00e7as com desnutri\u00e7\u00e3o aguda. Segundo o Acnur, 51% dos refugiados centro-africanos em Camar\u00f5es s\u00e3o menores de 11 anos. \u201cAs crian\u00e7as desnutridas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 mal\u00e1ria e \u00e0s infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, e esta \u00e9 exatamente a tend\u00eancia que vemos nos refugiados centro-africanos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O MSF pediu uma urgente mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos para atender os refugiados espalhados pela fronteira de Camar\u00f5es. Uma cl\u00ednica m\u00f3vel da organiza\u00e7\u00e3o, que d\u00e1 assist\u00eancia a refugiados em diferentes localidades e aldeias fronteiri\u00e7as, atende cerca de 70 pessoas por dia. \u201cLogisticamente tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil para nossas\u00a0equipes ajudarem os refugiados que est\u00e3o espalhados por v\u00e1rias localidades. Queremos dar aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica ao maior n\u00famero de pessoas, mas passamos nosso tempo viajando para chegar aos que mais precisam de n\u00f3s\u201d, enfatizou Irwin. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Garoua-Boulai, Camar&otilde;es 20\/3\/2014 &ndash; Abdul Karim chegou &agrave; fronteiri&ccedil;a localidade camaronesa de Garoua-Boulai, procedente da Rep&uacute;blica Centro-Africana, no final de fevereiro, como parte de uma nova onda de refugiados. 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