{"id":17294,"date":"2014-03-25T14:36:01","date_gmt":"2014-03-25T14:36:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110044"},"modified":"2014-03-25T14:36:01","modified_gmt":"2014-03-25T14:36:01","slug":"egito-mostra-seus-musculos-no-nilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/egito-mostra-seus-musculos-no-nilo\/","title":{"rendered":"Egito mostra seus m\u00fasculos no Nilo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110045\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nile-waters-IPS-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-110045 \" alt=\"Nile waters IPS 629x472 Egito mostra seus m\u00fasculos no Nilo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Nile-waters-IPS-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Egito mostra seus m\u00fasculos no Nilo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cerca de 85 milh\u00f5es de eg\u00edpcios dependem do Nilo para atender suas necessidades de \u00e1gua. Foto: Cam McGrath\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 24\/3\/2014 \u2013 Quando o ent\u00e3o presidente eg\u00edpcio Mohammad Morsi declarou, em junho de 2013, que \u201ctodas as op\u00e7\u00f5es\u201d estavam sobre a mesa, incluindo a interven\u00e7\u00e3o militar, caso a Eti\u00f3pia continuasse construindo represas no rio Nilo, muitos minimizaram suas declara\u00e7\u00f5es. Contudo, especialistas acreditam que o Cairo fala seriamente quando amea\u00e7a defender o hist\u00f3rico recurso h\u00eddrico, e alertam que n\u00e3o se deve descartar um ataque militar eg\u00edpcio se a Eti\u00f3pia realizar a constru\u00e7\u00e3o do que se considera a maior represa hidrel\u00e9trica da \u00c1frica.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre Egito e Eti\u00f3pia ficaram tensas desde que Adis Abeba iniciou, em 2011, a constru\u00e7\u00e3o da Grande Represa do Renascimento, no valor de US$ 4,2 bilh\u00f5es. O Cairo teme que a represa, que entraria em opera\u00e7\u00f5es em 2017, reduza o caudal do Nilo, do qual dependem 85 milh\u00f5es de eg\u00edpcios para atender quase todas suas necessidades h\u00eddricas. Funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio da Agricultura disseram que o Egito perder\u00e1 entre 20% e 30% de sua parte da \u00e1gua do rio e quase um ter\u00e7o da eletricidade gerada por sua Represa Alta de Asuan.<\/p>\n<p>A Eti\u00f3pia insiste que a Grande Represa do Renascimento e seu reservat\u00f3rio de 74 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos na cabeceira do Nilo Azul n\u00e3o afetar\u00e3o o Egito. Adis Abeba espera que o projeto, que vai gerar seis mil megawatts, lhe permitir\u00e1 ser energeticamente autossuficiente e tirar grande parte dos et\u00edopes da pobreza. \u201cO Egito considera a \u00e1gua do Nilo como um assunto de seguran\u00e7a nacional\u201d, disse \u00e0 IPS o analista estrat\u00e9gico Ahmed Abdel Halim. \u201cPara a Eti\u00f3pia, a nova represa \u00e9 uma fonte de orgulho nacional e \u00e9 essencial para seu futuro econ\u00f4mico\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o se agravou desde que o governo et\u00edope come\u00e7ou a desviar parte da \u00e1gua do rio, em maio de 2013. Alguns parlamentares eg\u00edpcios propuseram enviar uma for\u00e7a comando ou apoiar rebeldes locais para que sabotem o projeto. A televis\u00e3o estatal da Eti\u00f3pia respondeu, no m\u00eas passado, com uma ampla cobertura da visita ao lugar por parte de altos comandantes do ex\u00e9rcito, que expressaram sua disposi\u00e7\u00e3o de \u201cpagar o pre\u00e7o\u201d de defender o projeto hidrel\u00e9trico.<\/p>\n<p>Citando tratados da era colonial, o Egito argumenta ter direito a n\u00e3o menos do que dois ter\u00e7os da \u00e1gua do Nilo e poder de veto sobre qualquer projeto em seu curso superior, tanto constru\u00e7\u00e3o de represas como irriga\u00e7\u00e3o. Um acordo delineado pela Gr\u00e3-Bretanha em 1929, emendado em 1959, divide as \u00e1guas do rio entre Egito e Sud\u00e3o, sem mesmo consultar os pa\u00edses onde nasce o rio.<\/p>\n<p>O tratado concede ao Egito 55,5 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos do fluxo anual m\u00e9dio do rio, estimado em 84 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos, enquanto o Sud\u00e3o recebe 18,5 bilh\u00f5es. Outros 10 bilh\u00f5es se perdem na evapora\u00e7\u00e3o do lago Nasser, criado para a constru\u00e7\u00e3o da represa de Asu\u00e3 nos anos 1970. Os outros nove pa\u00edses banhados pelo rio n\u00e3o t\u00eam direitos sobre ele.<\/p>\n<p>Embora essas disposi\u00e7\u00f5es pare\u00e7am ser muito injustas para os Estados rio acima, analistas dizem que estes t\u00eam outras fontes de \u00e1gua alternativas nas montanhas orientais da \u00c1frica, ao contr\u00e1rio dos des\u00e9rticos Egito e Sud\u00e3o, que dependem exclusivamente do Nilo para cobrir suas necessidades h\u00eddricas.<\/p>\n<p>\u201cUm motivo para o alto n\u00edvel de ansiedade \u00e9 que ningu\u00e9m sabe realmente como esta represa vai afetar a parte da \u00e1gua que cabe ao Egito\u201d, apontou Richard Tutwiler, especialista em manejo de recursos h\u00eddricos na Universidade Norte-Americana do Cairo. \u201cO Egito \u00e9 totalmente dependente do Nilo. Sem ele, n\u00e3o h\u00e1 Egito\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o do Cairo parece estar justificada quando se considera que seu acesso \u00e0 \u00e1gua \u00e9 de apenas 660 metros c\u00fabicos por habitante, entre os menores do mundo. Al\u00e9m disso, se prev\u00ea que sua popula\u00e7\u00e3o duplique nos pr\u00f3ximos 50 anos, o que significar\u00e1 maior press\u00e3o sobre os j\u00e1 escassos recursos. Mas as na\u00e7\u00f5es rio acima tamb\u00e9m t\u00eam crescentes popula\u00e7\u00f5es \u00e0s quais devem garantir acesso a \u00e1gua, e usar o Nilo para sustentar sua agricultura \u00e9 muito tentador para eles.<\/p>\n<p>O desejo de conseguir uma distribui\u00e7\u00e3o mais igual do Nilo levou \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, em 2010, do Acordo de Entebe, que substitui as antigas cotas e inclui uma cl\u00e1usula que permite toda atividade rio acima desde que n\u00e3o haja um impacto \u201csignificativo\u201d em toda seguran\u00e7a h\u00eddrica de outras na\u00e7\u00f5es da bacia do Nilo. Cinco pa\u00edses \u00e1gua acima (Eti\u00f3pia, Qu\u00eania, Uganda, Tanz\u00e2nia e Ruanda) assinaram esse acordo nesse ano. Burundi o fez em 2011.<\/p>\n<p>O Egito rejeitou o novo tratado, mas ap\u00f3s d\u00e9cadas de esgrimir sua influ\u00eancia pol\u00edtica para deter qualquer projeto h\u00eddrico de seus empobrecidos vizinhos agora est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda de ver evaporar seu dom\u00ednio sobre as aulas do Nilo. \u201cA a\u00e7\u00e3o da Eti\u00f3pia n\u00e3o tem precedentes. Nunca antes um pa\u00eds rio acima havia constru\u00eddo unilateralmente uma represa sem aprova\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses rio abaixo\u201d, destacou \u00e0 IPS o analista Ayman Shabaana, do Instituto para Estudos da \u00c1frica, com sede no Cairo. \u201cSe outros pa\u00edses de \u00e1guas acima fizerem o mesmo, o Egito sofrer\u00e1 uma s\u00e9ria emerg\u00eancia h\u00eddrica\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Para tranquilizar seus vizinhos, a Eti\u00f3pia destaca que a represa \u00e9 um projeto hidrel\u00e9trico, n\u00e3o de irriga\u00e7\u00e3o. Mas a represa \u00e9 parte de um plano muito mais amplo, no qual se poderiam construir pelo menos mais tr\u00eas. O Cairo afirma que os planos et\u00edopes s\u00e3o \u201cprovocadores\u201d. O Egito apelou a organismos internacionais para obrigar a Eti\u00f3pia a parar a constru\u00e7\u00e3o da represa at\u00e9 que se possa avaliar o impacto rio abaixo. E, enquanto os funcion\u00e1rios do governo esperam uma solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, os militares garantem estar preparados para usar a for\u00e7a, se necess\u00e1rio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 24\/3\/2014 &ndash; Quando o ent&atilde;o presidente eg&iacute;pcio Mohammad Morsi declarou, em junho de 2013, que &ldquo;todas as op&ccedil;&otilde;es&rdquo; estavam sobre a mesa, incluindo a interven&ccedil;&atilde;o militar, caso a Eti&oacute;pia continuasse construindo represas no rio Nilo, muitos minimizaram suas declara&ccedil;&otilde;es. 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