{"id":17298,"date":"2014-03-24T13:59:11","date_gmt":"2014-03-24T13:59:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110038"},"modified":"2014-03-24T13:59:11","modified_gmt":"2014-03-24T13:59:11","slug":"inseguranca-impede-regresso-de-refugiados-na-africa-ocidental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/inseguranca-impede-regresso-de-refugiados-na-africa-ocidental\/","title":{"rendered":"Inseguran\u00e7a impede regresso de refugiados na \u00c1frica ocidental"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"line-height: 1.5em;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/africa640.jpg\"><img class=\"aligncenter  wp-image-110039\" alt=\"africa640 Inseguran\u00e7a impede regresso de refugiados na \u00c1frica ocidental\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/africa640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Inseguran\u00e7a impede regresso de refugiados na \u00c1frica ocidental\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abidjan, Costa do Marfim, 24\/3\/2014 \u2013 As crise em Mali e na Costa do Marfim geraram um enorme n\u00famero de refugiados na \u00c1frica ocidental, e a nova onda de viol\u00eancia em forma\u00e7\u00e3o poderia impedir que estes regressem aos seus lares no curto prazo. Na Nig\u00e9ria, grupos isl\u00e2micos lan\u00e7aram ataques contra civis, muitos dos quais se esconderam nos vizinhos N\u00edger e Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Mali, ainda que a miss\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) d\u00ea apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, os isl\u00e2micos do Movimento para a Unidade da Jihad na \u00c1frica Ocidental (Mujwa) continuam sendo uma amea\u00e7a, e houve uma s\u00e9rie de atentados com bombas nas \u00faltimas semanas. A Costa do Marfim sofre inseguran\u00e7a. O pa\u00eds se recupera da viol\u00eancia p\u00f3s-eleitoral, que acabou com as vidas de tr\u00eas mil pessoas entre 2010 e 2011, e os refugiados come\u00e7am lentamente a regressar de Gana, Togo e Lib\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">Atualmente h\u00e1 93.738 refugiados marfinenses na regi\u00e3o, principalmente na Lib\u00e9ria, Gana e Togo, bem como 24 mil refugiados internos, segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur). A situa\u00e7\u00e3o no oeste do pa\u00eds, na regi\u00e3o de Bas-Sassandra, onde ocorreu a maioria das matan\u00e7as durante a crise, continua sendo fr\u00e1gil, sobretudo depois do rein\u00edcio dos ataques nas \u00faltimas semanas.<\/span><\/p>\n<p>Ilmari K\u00e4ihk\u00f6, estudante de doutorado em pesquisa de paz e conflitos na Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, realizou amplos estudos de campo no leste da Lib\u00e9ria e sobre os refugiados marfinenses no pa\u00eds. Em conversa com a IPS, explicou que os expatriados marfinenses est\u00e3o esperando o resultado das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, previstas para 2015, antes de decidirem se voltam ou n\u00e3o ao seu pa\u00eds. \u201cOs refugiados acreditam que o atual presidente, Allassane Ouattara, perder\u00e1. Pode haver uma rea\u00e7\u00e3o negativa se ele vencer\u201d, alertou.<\/p>\n<p>O governo marfinense fez um esfor\u00e7o especial para estimular a volta de seus compatriotas. Por exemplo, enviou delega\u00e7\u00f5es aos acampamentos para garantir-lhes que ser\u00e3o bem-vindos em seu pa\u00eds. Esta pol\u00edtica est\u00e1 dando alguns resultados. O ex-presidente Laurent Gbagbo retornou \u00e0 Costa do Marfim, bem como o ex-diretor da Autoridade de Portos, Marcel Gossio, e mais de 1.300 ex-combatentes. Gbagbo \u00e9 acusado de crimes contra a humanidade durante a crise, e espera seu julgamento no Tribunal Penal Internacional.<\/p>\n<p>Para Ilmari, a situa\u00e7\u00e3o continua tensa e a possibilidade de a viol\u00eancia recome\u00e7ar continua sendo alta, pois ainda h\u00e1 problemas sobre a propriedade da terra no oeste da Costa do Marfim que devem ser resolvidos para garantir um regresso seguro dos refugiados.<\/p>\n<p>Os marfinenses que emigraram para a Lib\u00e9ria s\u00e3o em sua maioria origin\u00e1rios do oeste da Costa do Marfim, importante zona produtora de cacau. Mas muitos ocupavam suas terras de fato, sem ter os t\u00edtulos de posse, e se regressarem poder\u00e3o ter um conflito com os novos ocupantes da \u00e1rea. Segundo Ilmari, esses temas referentes \u00e0 propriedade da terra s\u00e3o a raz\u00e3o fundamental para muitos decidirem permanecer na Lib\u00e9ria. Consideram que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam para onde voltar.<\/p>\n<p>A Nig\u00e9ria tamb\u00e9m enfrenta uma grande inseguran\u00e7a. Nos \u00faltimos meses, os ataques cometidos pelo grupo isl\u00e2mico Boko Haram, no norte do pa\u00eds, obrigaram 1.500 pessoas a fugirem para o sul de N\u00edger, e mais de quatro mil para Camar\u00f5es. O Boko Haram, atacou escolas, hospitais e outras institui\u00e7\u00f5es que considera pr\u00f3-ocidentais. E, enquanto aumenta o n\u00famero de refugiados, as opera\u00e7\u00f5es para dar assist\u00eancia a esses grupos s\u00e3o limitadas pela inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em toda \u00c1frica ocidental ocorrem sequestros e ataques contra trabalhadores humanit\u00e1rios. No dia 8 de fevereiro os isl\u00e2micos do Mujwa atacaram um comboio da Cruz Vermelha e sequestraram cinco empregados malineses. Diante dos ataques, as ag\u00eancias humanit\u00e1rias s\u00e3o obrigadas a gastar mais dinheiro em sua seguran\u00e7a, quando esse fundo poderia ser usado para melhorar sua aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos que contar com escolta militar nessa regi\u00e3o para proteger a miss\u00e3o de poss\u00edveis sequestros\u201d, contou \u00e0 IPS o chefe de informa\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio do Acnur em Burikina Faso, Mohammad Bah. Este pa\u00eds faz fronteira com Mali e, embora a situa\u00e7\u00e3o ali permane\u00e7a relativamente est\u00e1vel, o Acnur informou que \u201ch\u00e1 r\u00edgidas medidas de seguran\u00e7a nas \u00e1reas rurais, particularmente em Dori e Djibo, que limitam o acesso desta ag\u00eancia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es que mais preocupam\u201d.<\/p>\n<p>Isso complica tanto as opera\u00e7\u00f5es de ajuda como os esfor\u00e7os de repatria\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos do apoio da Minusma (Miss\u00e3o Multidimensional Integrada de Estabiliza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Mali) para ajudar os repatriados. V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais limitaram sua presen\u00e7a nessas \u00e1reas\u201d, disse o chefe do escrit\u00f3rio do Acnur em Mali, Olivier Beer.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2012, poucas semanas antes de as for\u00e7as francesas lan\u00e7arem uma opera\u00e7\u00e3o contra os isl\u00e2micos em Mali, havia pelo menos 500 mil refugiados desse pa\u00eds. Agora, enquanto os esfor\u00e7os de estabiliza\u00e7\u00e3o continuam e a Minusma assume progressivamente as opera\u00e7\u00f5es, o n\u00famero caiu para 167 mil refugiados, fundamentalmente em acampamentos isolados em Burkina Faso, N\u00edger, Arg\u00e9lia e Maurit\u00e2nia, e para cerca de 200 mil dentro do territ\u00f3rio de Mali.<\/p>\n<p>O Acnur ainda n\u00e3o recomenda o retorno. \u201cPara um regresso organizado s\u00e3o necess\u00e1rios certos crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o que devem ser cumpridos, de forma a garantir a seguran\u00e7a e a dignidade\u201d, ressaltou Beer. A falta de moradias, escolas e um sistema de justi\u00e7a eficiente, bem como a inseguran\u00e7a latente, atrasam o retorno dos refugiados. Outro problema grave \u00e9 a crise de alimentos que a regi\u00e3o sofre.<\/p>\n<p>Mais de 800 mil malineses, segundo a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam, necessitam de ajuda alimentar, e a situa\u00e7\u00e3o se agravar\u00e1 quando acabarem as reservas e come\u00e7ar a habitual temporada de carestia em meados de maio. Os refugiados de Mali enfrentam problema semelhante. O chefe do escrit\u00f3rio do Acnur na Lib\u00e9ria, Jassim Diagne, advertiu que, se n\u00e3o for aumentada a ajuda, nos pr\u00f3ximos dois meses mais de 52 mil marfinenses morrer\u00e3o de inani\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Abidjan, Costa do Marfim, 24\/3\/2014 &ndash; As crise em Mali e na Costa do Marfim geraram um enorme n&uacute;mero de refugiados na &Aacute;frica ocidental, e a nova onda de viol&ecirc;ncia em forma&ccedil;&atilde;o poderia impedir que estes regressem aos seus lares no curto prazo. 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