{"id":1731,"date":"2006-05-02T00:00:00","date_gmt":"2006-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1731"},"modified":"2006-05-02T00:00:00","modified_gmt":"2006-05-02T00:00:00","slug":"populao-sada-de-siderrgica-turva-relaes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/america-latina\/populao-sada-de-siderrgica-turva-relaes\/","title":{"rendered":"Popula&ccedil;&atilde;o: Sa&iacute;da de sider&uacute;rgica turva rela&ccedil;&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>TARIJA, 02\/05\/2006 &ndash; A sa&iacute;da da empresa brasileira EBX da Bol&iacute;via deixa a salvo milhares de hectares de florestas, mas afeta a rela&ccedil;&atilde;o bilateral.<br \/> <!--more--> O governo boliviano decidiu expulsar a sider&uacute;rgica brasileira EBX, argumentando que h&aacute; o risco de as florestas do departamento de Santa Cruz se converterem em carv&atilde;o. Por&eacute;m, a medida afetou as rela&ccedil;&otilde;es com o Brasil e exacerbou os &acirc;nimos de moradores locais que defendem a empresa. Em 2005, a EBX iniciou a constru&ccedil;&atilde;o de dois fornos de fundi&ccedil;&atilde;o no pequeno munic&iacute;pio de Puerto Su&aacute;rez, 1,8 mil quil&ocirc;metros a sudeste de La Paz, na fronteira com o Brasil, a fim de produzir ferro-gusa (mat&eacute;ria-prima na ind&uacute;stria do a&ccedil;o) com base em carv&atilde;o vegetal.<\/p>\n<p> Segundo o governo do presidente Evo Morales, a sider&uacute;rgica come&ccedil;ou a construir os dois fornos sem licen&ccedil;a ambiental e violou a Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica do Estado, que pro&iacute;be estrangeiros de se estabelecerem dentro dos 50 quil&ocirc;metros de fronteira. Com esses argumentos, as autoridades anunciaram, no dia 24 de abril, a sa&iacute;da da EBX e, dois dias depois, sua exclus&atilde;o do processo de licita&ccedil;&atilde;o da jazida de ferro El Mut&uacute;n, uma das mais importantes da regi&atilde;o, com reservas de 44 milh&otilde;es de toneladas do metal. Trata-se da primeira expuls&atilde;o de um investidor estrangeiro do pa&iacute;s desde que Morales assumiu a presid&ecirc;ncia, em janeiro.<\/p>\n<p> Organismos ambientais apoiaram a retirada da empresa por considerar que cerca de 250 mil hectares de florestas estavam em risco de desmatamento. De acordo com as autoridades, a significativa demanda por carv&atilde;o vegetal por parte da empresa (450 mil toneladas ao ano) causaria uma forte press&atilde;o sobre as &aacute;reas florestais da regi&atilde;o, aumentando os riscos sobre esses recursos atuais e potenciais. Eike Batista, dono da EBX e considerado o &quot;bar&atilde;o da energia&quot; no Brasil, negou todas as acusa&ccedil;&otilde;es, mas anunciou, no dia 25, sua decis&atilde;o de retirar seus investimentos do pa&iacute;s e em uma semana desmontar os fornos em constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o me querem na Bol&iacute;via&quot;, disse, deixando claro que este pa&iacute;s perder&aacute; US$ 450 milh&otilde;es em investimento e a cria&ccedil;&atilde;o de 620 empregos em 282 hectares que obteve na zona franca de Puerto Su&aacute;rez, associando-se, com um contrato de risco, &agrave; empresa boliviana Zoframaq. &quot;Como boliviano, creio que o pa&iacute;s perde a oportunidade de desenvolver a siderurgia a curto prazo&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Fernando Tuma, presidente da Zoframaq.<\/p>\n<p> &quot;Em 12 meses, a siderurgia poderia estar produzindo 800 mil toneladas de ferro-gusa e 300 mil toneladas de a&ccedil;o, 200 mil delas para exporta&ccedil;&atilde;o e 100 mil para substituir as importa&ccedil;&otilde;es bolivianas, gerando uma economia de divisas de US$ 60 milh&otilde;es ao ano e US$ 280 milh&otilde;es em exporta&ccedil;&otilde;es&quot;, disse Tuma. No Brasil, legisladores e comentaristas dos principais jornais expressam mal-estar pelo tratamento dado &agrave; empresa e disseram que Morales est&aacute; amea&ccedil;ando os interesses brasileiros.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o posso acreditar que o presidente Lula e o embaixador do Brasil defendam empresas que n&atilde;o respeitam as leis nem a Constitui&ccedil;&atilde;o&quot;, havia declarado, no dia 24, Morales, cujo governo tamb&eacute;m prepara mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o dos hidrocarbonos, que poder&atilde;o afetar outras empresas importantes do Brasil. Entretanto, grupos de moradores de Puerto Su&aacute;rez, que h&aacute; uma semana chegaram a seq&uuml;estrar tr&ecirc;s ministros em protesto pela sa&iacute;da da EBX, disseram que continuar&atilde;o mobilizados para proteger suas fontes de trabalho. O Comit&ecirc; C&iacute;vico de Santa Cruz, o p&oacute;lo de maior desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s, tamb&eacute;m anunciou uma paralisa&ccedil;&atilde;o, para o dia 4 de maio, exigindo aten&ccedil;&atilde;o por parte do governo central para uma s&eacute;rie de demandas, entre elas a agiliza&ccedil;&atilde;o da licita&ccedil;&atilde;o da jazida El Mut&uacute;n. <\/p>\n<p> A EBX opera em v&aacute;rios pa&iacute;ses, desde 1983, com diferentes projetos, por meio de seu grupo empresarial, que inclui a MPX (energia), AMX (recursos h&iacute;dricos) e MMX (siderurgia). Em junho de 2005, a empresa brasileira se registrou na Bol&iacute;via com o objetivo de produzir ferro-gusa e a&ccedil;o, com base em carv&atilde;o vegetal, mas, segundo o governo, n&atilde;o identificou em seu projeto as &aacute;reas de floresta de onde o extrairia. A empresa alega que se abasteceria unicamente de desmontes autorizados com certifica&ccedil;&atilde;o da Superintend&ecirc;ncia Florestal.<\/p>\n<p> Entretanto, segundo dados fornecidos ao Terram&eacute;rica pelo vice-minist&eacute;rio de Biodiversidade, Recursos Florestais e Meio Ambiente, com os desmontes seria poss&iacute;vel cobrir somente uma pequena porcentagem da demanda anual de carv&atilde;o vegetal na primeira fase do projeto. &quot;Desta forma, seria afetada a convers&atilde;o de solos e haveria altera&ccedil;&atilde;o no regime h&iacute;drico da regi&atilde;o, com os conseq&uuml;entes impactos negativos em &aacute;reas n&atilde;o autorizadas para desmonte, isto &eacute;, desmatamento; perda de h&aacute;bitat; impacto sobre ecossistemas fr&aacute;geis pr&oacute;ximos, como os parques nacionais de San Matias e Otuquis&quot;, disse esse &oacute;rg&atilde;o.<\/p>\n<p> O n&atilde;o-governamental F&oacute;rum Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Fobomade) disse ao Terram&eacute;rica que a EBX queria n&atilde;o s&oacute; desmatar todo o Pantanal (o maior p&acirc;ntano de &aacute;gua doce do mundo) boliviano e toda a prov&iacute;ncia Germ&aacute;n Busch, a sudeste de Santa Cruz, como tamb&eacute;m toda a floresta nativa deste departamento, na base de 12,75 mil hectares por ano, revelando ainda que a empresa se propunha a plantar eucaliptos.<\/p>\n<p> O influente analista Carlos Valverde denunciou a planta&ccedil;&atilde;o de cem mil eucaliptos que consumiriam toda a &aacute;gua do Pantanal. Fernando Tuma, da Zoframaq, desmentiu essas den&uacute;ncias: &quot;A EBX j&aacute; desmontou o viveiro onde preparava 13 milh&otilde;es de mudas anuais, n&atilde;o s&oacute; de eucalipto, mas de todas as esp&eacute;cies do lugar. Tamb&eacute;m assegurou que as zonas para desmatar n&atilde;o estavam no Pantanal, e sim em &aacute;reas degradadas e abandonadas. O fornecimento de carv&atilde;o viria do aproveitamento dos res&iacute;duos florestais de mais de dois milh&otilde;es de hectares certificados que possui Santa Cruz e de todos os res&iacute;duos dos desmontes agr&iacute;colas e pecu&aacute;rios autorizados&quot;, assegurou Tuma.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; colaborador do Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TARIJA, 02\/05\/2006 &ndash; A sa&iacute;da da empresa brasileira EBX da Bol&iacute;via deixa a salvo milhares de hectares de florestas, mas afeta a rela&ccedil;&atilde;o bilateral.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/05\/america-latina\/populao-sada-de-siderrgica-turva-relaes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}