{"id":17311,"date":"2014-03-26T15:04:46","date_gmt":"2014-03-26T15:04:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110155"},"modified":"2014-03-26T15:04:46","modified_gmt":"2014-03-26T15:04:46","slug":"para-o-negocio-da-moda-na-etiopia-nada-melhor-que-a-tradicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/para-o-negocio-da-moda-na-etiopia-nada-melhor-que-a-tradicao\/","title":{"rendered":"Para o neg\u00f3cio da moda na Eti\u00f3pia, nada melhor que a tradi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110157\" style=\"width: 484px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img class=\"size-full wp-image-110157 \" alt=\" Para o neg\u00f3cio da moda na Eti\u00f3pia, nada melhor que a tradi\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Etiopia.jpeg\" width=\"474\" height=\"472\" title=\"Para o neg\u00f3cio da moda na Eti\u00f3pia, nada melhor que a tradi\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma modelo apresenta um vestido de YeFikir. O reconhecimento internacional dos desenhos africanos, e em particular et\u00edopes, \u00e9 em parte resultado da demanda cada vez maior por roupa produzida de modo \u00e9tico. Foto: Kyle La Mere\/IPS<\/p><\/div>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 26\/3\/2014 \u2013 As mulheres que se dedicam a criar moda na Eti\u00f3pia lan\u00e7am m\u00e3o de seu rico patrim\u00f4nio cultural e o mesclam com modernidade para conseguir \u00eaxito local e alcance internacional. O desenho de modas est\u00e1 demonstrando ser um dos setores mais din\u00e2micos do pa\u00eds, com pequenas empresas e margens de lucro de 50% at\u00e9 mais de 100%, segundo Mahlet Afework, de 25 anos, fundadora da linha Mafi em Adis Abeba.<\/span><\/p>\n<p>Esse pa\u00eds africano \u00e9 o sonho de qualquer estilista por sua diversidade de grupos \u00e9tnicos, que s\u00e3o fonte de inspira\u00e7\u00e3o, disse Afework \u00e0 IPS. Sua cole\u00e7\u00e3o mais recente se baseou nos desenhos de Dinguza, da regi\u00e3o de Chencha, ao sul. Pequenas empresas como a sua podem florescer diante da falta de grandes redes e pelos custos relativamente baixos de abrir um neg\u00f3cio, em compara\u00e7\u00e3o com os elevados pre\u00e7os que o p\u00fablico est\u00e1 disposto a pagar por roupas de qualidade feitas \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n<p>A economia em geral se beneficia do interesse internacional na ind\u00fastria t\u00eaxtil e do vestu\u00e1rio da Eti\u00f3pia. As pequenas empresas, que empregam no m\u00e1ximo dez trabalhadores, venderam para o exterior US$ 62,2 milh\u00f5es em 2011, contra US$ 14,6 milh\u00f5es em 2008. O governo acredita que essa ind\u00fastria pode alcan\u00e7ar uma produ\u00e7\u00e3o com valor agregado de US$ 2,5 bilh\u00f5es at\u00e9 o final de 2015.<\/p>\n<div id=\"attachment_110158\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Etiopiatecido.jpeg\"><img class=\" wp-image-110158 \" alt=\" Para o neg\u00f3cio da moda na Eti\u00f3pia, nada melhor que a tradi\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Etiopiatecido.jpeg\" width=\"540\" height=\"327\" title=\"Para o neg\u00f3cio da moda na Eti\u00f3pia, nada melhor que a tradi\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um tecido de algod\u00e3o branco feito em tear tradicional et\u00edope. Foto: Salima Punjani\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os que se dedicam com \u00eaxito ao desenho de moda s\u00e3o, sobretudo, mulheres, segundo Afework e outras colegas que cresceram cercadas por tecidos de algod\u00e3o feitos do modo tradicional, aprendendo com suas m\u00e3es e tias as habilidades da confec\u00e7\u00e3o e o bordado de roupas bonitas e delicadas. Esta heran\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o feminina n\u00e3o se esquece. Afework trabalha exclusivamente com mulheres tecel\u00e3s, que mant\u00eam a si mesmas e suas fam\u00edlias, apesar de o setor t\u00eaxtil ser dominado por homens.<\/p>\n<p>Mesmo que muitas estilistas contem com a vantagem de terem aprendido em casa a arte da moda, sem educa\u00e7\u00e3o formal t\u00eam dificuldade de acesso ao mercado internacional, explicou Afework, que \u00e9 autodidata e atribui ao Google o m\u00e9rito de ser seu principal tutor. Outro problema na arena internacional \u00e9 concretizar as vendas.<\/p>\n<p>Considerada uma jurisdi\u00e7\u00e3o de alto risco em mat\u00e9ria de corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, a Eti\u00f3pia sofre penalidades pelas quais n\u00e3o h\u00e1 bancos estrangeiros instalados no pa\u00eds. E frequentemente os clientes internacionais s\u00e3o reticentes em pagar atrav\u00e9s de contas africanas, disse \u00e0 IPS a estilista Fikirte Addis, fundadora da YeFikir Design, com sede em Adis Abeba. Atualmente a empresa tem de vender por interm\u00e9dio do Polo de Desenho da \u00c1frica, uma loja virtual operada nos Estados Unidos e fundada em 2013 por duas mulheres ocidentais para divulgar a moda africana.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s viver na \u00c1frica oriental por v\u00e1rios anos, vimos o potencial dos desenhos africanos no mercado mundial\u201d, contou \u00e0 IPS a cofundadora da loja, Elizabeth Brown. Ela tamb\u00e9m observou uma brecha entre a ind\u00fastria e os consumidores mundiais, que o Centro de Desenho da \u00c1frica busca superar. No momento, quase todos os clientes do polo est\u00e3o nos Estados Unidos, embora os planos para este ano sejam iniciar a venda para Canad\u00e1 e pa\u00edses asi\u00e1ticos como Coreia do Sul, Jap\u00e3o e Taiwan, que mostraram interesse no artesanato e na moda da \u00c1frica.<\/p>\n<p>O sucesso do desenho de moda na Eti\u00f3pia tamb\u00e9m depende de abra\u00e7ar o presente, sem perder de vista o passado, destacou Addis. Todas as pe\u00e7as da YeFikir s\u00e3o confeccionadas \u00e0 m\u00e3o ou em teares tradicionais com t\u00e9cnicas que datam de s\u00e9culos, quando os et\u00edopes faziam suas pr\u00f3prias roupas. \u201cMe encanta o aspecto tradicional das roupas\u201d, disse Rihana Aman, dona de uma cafeteria em Adis Abeba que visitou a loja da YeFikir para comprar um vestido de noiva. \u201cAgora h\u00e1 muitos vestidos extremamente modernos, e usam tecidos nos quais se perde o sentido de ser et\u00edope\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Addis trata diretamente com as tecel\u00e3s para garantir que as habilidades e a renda permane\u00e7am nas comunidades, e que as pr\u00e1ticas sejam \u00e9ticas. Na ind\u00fastria t\u00eaxtil existe explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil, afirmou. Pelo tempo e trabalho que consome a produ\u00e7\u00e3o das roupas, os vestidos da YeFikir podem ser vendidos por at\u00e9 US$ 850, em um pa\u00eds onde muitos trabalham duramente para ganhar US$ 3 por dia.<\/p>\n<p>Apesar de t\u00e3o evidentes desigualdades, muitos et\u00edopes, especialmente a crescente classe m\u00e9dia, est\u00e3o contentes em pagar somas elevadas por roupas sob medida que mant\u00eam as influ\u00eancias tradicionais, enfatizou Afework. Os et\u00edopes se orgulham muito de sua diversidade \u00e9tnica. Aqui s\u00e3o falados 84 idiomas e 200 dialetos, acrescentou.<\/p>\n<p>A linha criada por Afework, a MAFI, se especializa em roupas pr\u00eat-\u00e0-porter (prontas para usar), com um toque de not\u00e1vel originalidade no cadinho \u00e9tnico do pa\u00eds. E esse toque tem resultado. Em 2012, Afework exibiu seus modelos na Semana da Moda Africana de Nova York. Por\u00e9m, ainda h\u00e1 preconceitos. Em um voo europeu, ela estava sentada ao lado de um passageiro que se surpreendeu ao ouvir que na Eti\u00f3pia h\u00e1 estilistas de moda.<\/p>\n<p>\u201cA Eti\u00f3pia tem um artesanato maravilhoso\u201d, afirmou \u00e0 IPS o prestigiado estilista Markus Lupfer, radicado em Londres, que desde 2010 trabalha com colegas et\u00edopes. Esse crescente reconhecimento internacional \u00e9 em parte resultado de uma demanda cada vez maior por uma moda produzida com \u00e9tica, pontuou Lupfer.<\/p>\n<p>Entretanto, no momento, esse reconhecimento ainda evita muitos estilistas et\u00edopes. Embora a demanda local seja importante, os estilistas concordam que a internacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave do sucesso. Da\u00ed Afework e Addis buscarem colocar suas empresas na internet. Ambas compartilham o objetivo de exportar para lojas f\u00edsicas e online e querem mostrar ao mundo o que s\u00e3o capazes de fazer. \u201cA ind\u00fastria da moda est\u00e1 mudando a imagem da Eti\u00f3pia. Est\u00e1 mostrando a diversidade e a beleza da cultura et\u00edope e entregando alguns dos melhores tecidos artesanais de algod\u00e3o do mundo\u201d, enfatizou Addis. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 26\/3\/2014 &ndash; As mulheres que se dedicam a criar moda na Eti&oacute;pia lan&ccedil;am m&atilde;o de seu rico patrim&ocirc;nio cultural e o mesclam com modernidade para conseguir &ecirc;xito local e alcance internacional. 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