{"id":17318,"date":"2014-03-28T15:37:32","date_gmt":"2014-03-28T15:37:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110335"},"modified":"2014-03-28T15:37:32","modified_gmt":"2014-03-28T15:37:32","slug":"aborto-seguro-e-legal-tambem-e-essencial-para-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/aborto-seguro-e-legal-tambem-e-essencial-para-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Aborto seguro e legal tamb\u00e9m \u00e9 essencial para o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110336\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/aborto640.jpg\"><img class=\" wp-image-110336 \" alt=\"aborto640 Aborto seguro e legal tamb\u00e9m \u00e9 essencial para o desenvolvimento\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/aborto640.jpg\" width=\"500\" height=\"350\" title=\"Aborto seguro e legal tamb\u00e9m \u00e9 essencial para o desenvolvimento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2014\/03\/aborto-seguro-y-legal-tambien-es-clave-para-el-desarrollo\/<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 28\/3\/2014 \u2013 Legisladores e l\u00edderes da sociedade civil de aproximadamente 30 pa\u00edses lan\u00e7aram a Declara\u00e7\u00e3o de Airlie, que pede o acesso universal a abortos seguros e legais. Divulgado no dia 26, em Washington, o texto surge no contexto de uma avalia\u00e7\u00e3o realizada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) ao se completarem 20 anos da Confer\u00eancia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, realizada em 1994 no Cairo.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3rica confer\u00eancia exigiu o acesso a abortos seguros em pa\u00edses onde o procedimento era legal, enquanto a declara\u00e7\u00e3o desta semana pede a despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez em todos os pa\u00edses. A Declara\u00e7\u00e3o de Airlie tamb\u00e9m se antecipa \u00e0 nova agenda de desenvolvimento internacional que ser\u00e1 adotada a partir de 2015. Seus promotores querem incluir o direito ao aborto na pr\u00f3xima s\u00e9rie de metas mundiais que entrar\u00e3o em vigor quando expirarem os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM).<\/p>\n<p>\u201cA verdadeira igualdade de g\u00eanero n\u00e3o pode ser obtida sem acesso ao aborto seguro e legal. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, cerca de um milh\u00e3o de mulheres e meninas morreram e mais de cem milh\u00f5es sofreram sequelas \u2013 muitas delas por toda a vida \u2013 devido a complica\u00e7\u00f5es de abortos inseguros\u201d, diz a Declara\u00e7\u00e3o. O quinto ODM chama para a redu\u00e7\u00e3o de tr\u00eas quartos na mortalidade materna e acesso universal \u00e0 sa\u00fade reprodutiva. Mas n\u00e3o inclui os abortos seguros em sua defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, os ativistas planejam apresentar formalmente essas recomenda\u00e7\u00f5es em uma c\u00fapula pelo vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da confer\u00eancia do Cairo. O encontro acontecer\u00e1 em abril em Adis Abeba.<\/p>\n<p>No processo de elabora\u00e7\u00e3o de novos objetivos de desenvolvimento, \u201ca \u00fanica meta que n\u00e3o consideraram foi a da sa\u00fade sexual e reprodutiva para todos\u201d, ressaltou \u00e0 IPS Nafis Sadik, assessora especial do diretor-executivo da Onusida e ex-diretora-executiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A nova declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 aponta para incidir na pr\u00f3xima agenda de desenvolvimento internacional mas tamb\u00e9m influir nos pol\u00edticos norte-americanos.<\/p>\n<p>As leis vigentes nos Estados Unidos h\u00e1 quatro d\u00e9cadas impedem que programas de ajuda exterior financiem campanhas relacionadas com o aborto. Cr\u00edticos afirmam que o resultado \u00e9 uma desconex\u00e3o entre o trabalho feito pela Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e os servi\u00e7os de sa\u00fade feminina oferecidos.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o ao problema da pol\u00edtica norte-americana, n\u00e3o se trata apenas de apoio financeiro, mas tamb\u00e9m de lideran\u00e7a moral\u201d, pontuou Sadik. \u201cOs Estados Unidos restringirem as \u00e1reas de apoio ou de financiamento de qualquer organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que facilite abortos representa uma grande diferen\u00e7a\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o de Airlie foi elaborada ap\u00f3s uma confer\u00eancia de dois dias pr\u00f3ximo a Washington. Foi redigida por representantes de aproximadamente 30 pa\u00edses, entre eles ministros da Sa\u00fade, parlamentares e l\u00edderes m\u00e9dicos, al\u00e9m de delegados da ONU e da sociedade civil. \u201cNosso objetivo \u00e9 transmitir esta mensagem e criar uma coaliz\u00e3o mais ampla\u201d, declarou \u00e0 IPS a ativista Elizabeth Maguire, presidente da Ipas, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental internacional contra enfermidades e incapacidades causadas por abortos inseguros. \u201cCada participante est\u00e1 comprometido em atuar\u201d, acrescentou Maguire, que liderou a \u00faltima confer\u00eancia na qualidade de respons\u00e1vel por sua convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos participantes foi John Paul Bagala, presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Associa\u00e7\u00f5es Africanas de Estudantes de Medicina. Ele trabalha em um hospital no norte de Uganda que tratou 480 mulheres por casos de abortos inseguros entre 2011 e 2012, e outras 500 entre 2012 e 2013. Segundo ele, proporcionar acesso a abortos seguros tamb\u00e9m \u00e9 economicamente rent\u00e1vel. Tratar os ferimentos causados por um aborto ilegal em Uganda pode custar mais de US$ 100, enquanto o custo de um aborto seguro pode ser inferior a US$ 10, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cComo estudantes de medicina na \u00c1frica, lutamos para divulgar a declara\u00e7\u00e3o em nossas respectivas institui\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou Bagala \u00e0 IPS. E tamb\u00e9m para \u201cerradicar o estigma de nossos trabalhadores da sa\u00fade quando ainda est\u00e3o no sistema de forma\u00e7\u00e3o, para garantir que as mulheres, quando buscam servi\u00e7os, recebam o melhor que precisam em termos de seguran\u00e7a e qualidade. Nos dedicamos a integrar os aspectos desta declara\u00e7\u00e3o sobre direitos \u00e0 sa\u00fade reprodutiva no programa de capacita\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da sa\u00fade na \u00c1frica\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, Maguire ressaltou que garantir acesso universal aos servi\u00e7os de sa\u00fade reprodutiva n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 crucial, como tamb\u00e9m poss\u00edvel. No caso do Nepal, por exemplo, a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto melhorou a sa\u00fade feminina. \u201cO Nepal \u00e9 um dos poucos pa\u00edses que cumpriram o quinto ODM, e o que os especialistas dizem \u00e9 que melhorou o acesso ao planejamento familiar, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica de emerg\u00eancia e cuidados de emerg\u00eancia em casos de aborto\u201d, detalhou \u00e0 IPS a parlamentar nepalesa Arzu Rana Deuba.<\/p>\n<p>Deuba recordou a hist\u00f3ria de uma jovem de seu pa\u00eds que esteve na pris\u00e3o por 12 anos ap\u00f3s ter sido violada e tentado, sem \u00eaxito, fazer um aborto ilegal. Sua hist\u00f3ria chamou a aten\u00e7\u00e3o internacional, e o Nepal acabou despenalizando o aborto em 2002. \u201c\u00c9 uma hist\u00f3ria de esperan\u00e7a\u201d, enfatizou a parlamentar. \u201cDepois de 2004, tivemos 1.500 provedores de sa\u00fade qualificados e 75 hospitais oferecendo servi\u00e7os de abortos m\u00e9dicos. A partir de 2014, 500 mil mulheres t\u00eam acesso a aborto seguro, e isso \u00e9 bastante para n\u00f3s, que n\u00e3o somos um pa\u00eds grande.\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo Deuba, o \u00eaxito do Nepal n\u00e3o se deve apenas ao fato de haver mais servi\u00e7os m\u00e9dicos, mas tamb\u00e9m houve uma mudan\u00e7a de atitude cultural em rela\u00e7\u00e3o ao aborto. \u201cO que sabemos agora \u00e9 que a lei muda as atitudes sociais\u201d, ressaltou.\u201cTrabalho em n\u00edvel comunit\u00e1rio, e os trabalhadores me dizem que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais estigma, que o aborto \u00e9 visto como parte dos direitos femininos, que as mulheres falam mais sobre o aborto. \u00c9 visto como parte da aten\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Agora as mulheres n\u00e3o t\u00eam motivo para morrer de aborto inseguro, e h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e seguran\u00e7a entre elas\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 28\/3\/2014 &ndash; Legisladores e l&iacute;deres da sociedade civil de aproximadamente 30 pa&iacute;ses lan&ccedil;aram a Declara&ccedil;&atilde;o de Airlie, que pede o acesso universal a abortos seguros e legais. 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