{"id":17319,"date":"2014-03-28T15:30:41","date_gmt":"2014-03-28T15:30:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110341"},"modified":"2014-03-28T15:30:41","modified_gmt":"2014-03-28T15:30:41","slug":"america-latina-e-plurinacional-e-seus-estados-etnocidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/america-latina-e-plurinacional-e-seus-estados-etnocidas\/","title":{"rendered":"\u201cAm\u00e9rica Latina \u00e9 plurinacional e seus Estados etnocidas\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110342\" style=\"width: 362px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Bolivia-chica-352x472.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-110342\" alt=\"Bolivia chica 352x472 \u201cAm\u00e9rica Latina \u00e9 plurinacional e seus Estados etnocidas\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/Bolivia-chica-352x472.jpg\" width=\"352\" height=\"472\" title=\"\u201cAm\u00e9rica Latina \u00e9 plurinacional e seus Estados etnocidas\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O vice-presidente da Bol\u00edvia, \u00c1lvaro Garc\u00eda Linera, durante sua visita a Santiago. Foto: Marianela Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>Santiago, Chile, 28\/3\/2014 \u2013 Se autodefine como marxista seduzido pela emerg\u00eancia ind\u00edgena e \u00e9 considerado um dos pensadores latino-americanos mais influentes do s\u00e9culo 21. \u00c1lvaro Garc\u00eda Linera tem 51 anos e para muitos \u00e9 o \u201cbra\u00e7o direito\u201d do presidente da Bol\u00edvia, Evo Morales. O vice-presidente boliviano participou da cria\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Guerrilheiro T\u00fapac Katari, cujo objetivo era apoiar a insurg\u00eancia ind\u00edgena, e em 1997 foi libertado ap\u00f3s passar cinco anos na pris\u00e3o de San Pedro, em La Paz.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 um dos principais defensores da demanda mar\u00edtima que a Bol\u00edvia apresentou contra o Chile no Tribunal Internacional de Justi\u00e7a de Haia, com a qual busca recuperar uma sa\u00edda soberana para o mar, que perdeu na Guerra do Pac\u00edfico (1879-1883).<\/p>\n<p>Desde 1978, a Bol\u00edvia n\u00e3o tem rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Chile, mas no primeiro governo da atual presidente, Michelle Bachelet (2006-2010), houve uma aproxima\u00e7\u00e3o importante com Morales, no poder desde 2006, que esfriou durante o governo de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era (2010-2014). Agora, com o regresso, no dia 11, da socialista ao poder, La Paz pretende relan\u00e7ar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Santiago afirmou que o di\u00e1logo est\u00e1 aberto, mas que o desfecho do processo se ver\u00e1 em Haia.<\/p>\n<p>Linera n\u00e3o esconde sua esperan\u00e7a de que \u201cas coisas possam mudar\u201d. \u201cSe um ditador como Pinochet prop\u00f4s uma sa\u00edda para o mar para a Bol\u00edvia na d\u00e9cada de 1970, esperamos que um governo democr\u00e1tico e socialista possa tornar realidade esse direito em pleno s\u00e9culo 21\u201d, ressaltou durante uma r\u00e1pida visita ao Chile, no dia 25.<\/p>\n<p>Ele esteve em Santiago para receber o diploma de doutor honoris causa da Universidade de Arte e Ci\u00eancias Sociais, onde deu uma confer\u00eancia magistral para cerca de 350 pessoas. Em entrevista exclusiva \u00e0 IPS, Linera garantiu que a Bol\u00edvia deu uma li\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina ao formar um Estado plurinacional, estabelecido na Constitui\u00e7\u00e3o de 2009. Morales, um aimar\u00e1 de 54 anos, \u00e9 o primeiro presidente ind\u00edgena da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>IPS: Depois da experi\u00eancia do governo ind\u00edgena na Bol\u00edvia, com v\u00ea o movimento de outros povos origin\u00e1rios latino-americanos que tamb\u00e9m pretendem reivindicar seus direitos e eventualmente tomar o poder pol\u00edtico?<\/p>\n<p>\u00c1LVARO GARC\u00cdA LINERA: O que ocorreu na Bol\u00edvia marca o in\u00edcio de um grande despertar ind\u00edgena e popular. Nenhuma experi\u00eancia se repete da mesma maneira e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esperar algo parecido em outros pa\u00edses, mas o que \u00e9 comum no continente \u00e9 que todas as sociedades latino-americanas s\u00e3o plurinacionais, os Estados n\u00e3o. H\u00e1 uma diversidade social, cultural, uma presen\u00e7a forte de povos ind\u00edgenas em maior ou menor medida na \u00e1rea social, mas o Estado continua sendo monocultural e, at\u00e9 certo ponto, etnocida, porque mata as culturas diversas. E ent\u00e3o, o que a Bol\u00edvia antecipa \u00e9 a necessidade de Estados plurinacionais.<\/p>\n<p><b>IPS: O processo na Bol\u00edvia deixa li\u00e7\u00f5es para o resto da Am\u00e9rica Latina?<\/b><\/p>\n<p><b>AGL: <\/b>Em primeiro lugar, no caso da Bol\u00edvia, a chegada do social ao poder foi organizada pelo movimento ind\u00edgena porque \u00e9 maioria, e em outras partes talvez n\u00e3o corresponda ao movimento ind\u00edgena liderar, mas obrigatoriamente qualquer outro setor social, cultural, oper\u00e1rio, urbano, que queira defender a igualdade, a justi\u00e7a e o reconhecimento est\u00e1 obrigado a incorporar em suas bandeiras a quest\u00e3o do reconhecimento da plurinacionalidade social na plurinacionalidade estatal. \u00c9 isso o que falta e \u00e9 a mensagem da Bol\u00edvia. A segunda mensagem \u00e9 que o popular, em suas diversas acep\u00e7\u00f5es, pode ser o eixo articulador do Estado e da na\u00e7\u00e3o, e que \u00e9 poss\u00edvel pensar a condu\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds, a defini\u00e7\u00e3o de suas metas, a partir do \u00e2mbito do popular, da organiza\u00e7\u00e3o social, dos movimentos sociais.<\/p>\n<p><b>IPS: Que papel concreto t\u00eam atualmente os ind\u00edgenas em seu pa\u00eds? Conseguiram o predom\u00ednio pol\u00edtico e econ\u00f4mico, em equil\u00edbrio com a propor\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na popula\u00e7\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p><b>AGL: <\/b>Sim. Os setores subalternos, anteriormente dominados, discriminados, considerados como inferiores, como n\u00e3o aptos, como incapazes, hoje s\u00e3o governo e hoje s\u00e3o poder. A l\u00f3gica ind\u00edgena e as estruturas organizacionais ind\u00edgenas de mobiliza\u00e7\u00e3o, delibera\u00e7\u00e3o, tomada de decis\u00f5es, s\u00e3o o n\u00facleo da organiza\u00e7\u00e3o estatal. Os movimentos sociais, \u00e0 cabe\u00e7a do movimento ind\u00edgena, s\u00e3o hoje poder estatal. E, a partir da tomada desse poder estatal, h\u00e1 igualdade de direitos, mudan\u00e7as da legisla\u00e7\u00e3o para consolidar essa igualdade de direitos, igualdade de oportunidades, reconhecimento de direitos coletivos especiais para os povos ind\u00edgenas, incorpora\u00e7\u00e3o da narrativa ind\u00edgena na narrativa do boliviano, e uso dos recursos p\u00fablicos n\u00e3o s\u00f3 para reduzir as desigualdades, mas tamb\u00e9m para potencializar economicamente as atividades econ\u00f4micas, culturais, dos setores ind\u00edgenas anteriormente exclu\u00eddos.<\/p>\n<p><b>IPS: No contexto da revolu\u00e7\u00e3o cultural liderada por Morales, o que falta para acabar com a pobreza e completar os programas de assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais desfavorecida?<\/b><\/p>\n<p><b>AGL: <\/b>Avan\u00e7amos muito. A extrema pobreza, as pessoas que vivem com menos de um d\u00f3lar por dia, h\u00e1 oito anos chegava a 45%. De cada dez bolivianos, quatro, quase cinco, viviam com menos de um d\u00f3lar por dia. Uma barbaridade. Em oito anos isso caiu para 20%. Continua sendo uma barbaridade, mas a redu\u00e7\u00e3o de mais de 15 pontos em oito anos marca essa decis\u00e3o inapel\u00e1vel de utilizar os bens comuns para acabar com essa iniquidade hist\u00f3rica de extrema pobreza. H\u00e1 muito por fazer. Setores sociais anteriormente n\u00e3o considerados em pol\u00edticas p\u00fablicas, o movimento campon\u00eas e ind\u00edgena, hoje s\u00e3o os que fazem as pol\u00edticas p\u00fablicas em consulta com outros setores, mas s\u00e3o os que lideram a elabora\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas. Agora, quase metade do investimento p\u00fablico, os recursos que tem o Estado, se multiplicaram quase nove vezes devido \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s e do petr\u00f3leo, que anteriormente estavam centrados em segmentos estritamente empresariais, e agora se dirigem aos setores antes marginalizados de nosso pa\u00eds. H\u00e1 uma crescente potencializa\u00e7\u00e3o da economia ind\u00edgena, da economia camponesa, dos setores urbanos populares abandonados, que permite que possam ir melhorando suas condi\u00e7\u00f5es de vida. Antes que cheg\u00e1ssemos ao governo, a renda m\u00e9dia anual de um boliviano era de US$ 800. Agora \u00e9 de US$ 3,3 mil. Continua sendo muito baixa, mas a multiplicamos por quase quatro. E se mantivermos esse ritmo de estabilidade e crescimento, temos por objetivo que em 2020 a renda m\u00e9dia real de um boliviano gire em torno dos US$ 12 mil. Ainda ser\u00e1 pequena em compara\u00e7\u00e3o com o resto da Am\u00e9rica Latina, mas j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o baixa. Um dado: h\u00e1 oito anos a riqueza que o Chile produzia era 13 vezes maior do que a gerada pela Bol\u00edvia. A diferen\u00e7a era abismal. Hoje a diferen\u00e7a \u00e9 de um para oito, e quando terminar a d\u00e9cada ser\u00e1 de um para quatro, e em 2025 ser\u00e1 de um para dois. Isto \u00e9, gera\u00e7\u00e3o de mais riqueza e distribui\u00e7\u00e3o dessa riqueza entre os que mais necessitam e os que anteriormente n\u00e3o eram levados em considera\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 28\/3\/2014 &ndash; Se autodefine como marxista seduzido pela emerg&ecirc;ncia ind&iacute;gena e &eacute; considerado um dos pensadores latino-americanos mais influentes do s&eacute;culo 21. &Aacute;lvaro Garc&iacute;a Linera tem 51 anos e para muitos &eacute; o &ldquo;bra&ccedil;o direito&rdquo; do presidente da Bol&iacute;via, Evo Morales. 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