{"id":17321,"date":"2014-03-31T18:39:01","date_gmt":"2014-03-31T18:39:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110396"},"modified":"2014-03-31T18:39:01","modified_gmt":"2014-03-31T18:39:01","slug":"gas-de-xisto-e-terremotos-crescem-lado-a-lado-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/gas-de-xisto-e-terremotos-crescem-lado-a-lado-no-mexico\/","title":{"rendered":"G\u00e1s de xisto e terremotos crescem lado a lado no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110397\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/extrafigura1-629x433.jpg\"><img class=\" wp-image-110397 \" alt=\"extrafigura1 629x433 G\u00e1s de xisto e terremotos crescem lado a lado no M\u00e9xico\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/extrafigura1-629x433.jpg\" width=\"529\" height=\"333\" title=\"G\u00e1s de xisto e terremotos crescem lado a lado no M\u00e9xico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mapa sismol\u00f3gico do Estado de Nuevo Le\u00f3n, nordeste do M\u00e9xico, entre outubro de 2013 e mar\u00e7o de 2014. Foto: Universidade Aut\u00f4noma de Nuevo Le\u00f3n<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 31\/3\/2014 \u2013 Os cientistas alertam: a explora\u00e7\u00e3o em grande escala de g\u00e1s depositado em rochas de xisto, programada pelo cons\u00f3rcio estatal Petr\u00f3leos Mexicanos (Pemex), vai agravar o quadro sismol\u00f3gico do norte do pa\u00eds, uma regi\u00e3o j\u00e1 propensa aos tremores de terra. Os especialistas vinculam a sequ\u00eancia de tremores de 2013, nos Estados de Tamaulipas e Nuevo Le\u00f3n, no norte, com a explora\u00e7\u00e3o e prospec\u00e7\u00e3o de g\u00e1s nas bacias gas\u00edferas de Burgos e Eagle Ford, esta \u00faltima compartilhada com o Estado do Texas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do pesquisador Ruperto de la Garza \u00e9 clara, ao identificar uma liga\u00e7\u00e3o entre os movimentos tel\u00faricos e a fratura hidr\u00e1ulica, conhecida como fracking por seu nome em ingl\u00eas. Esse m\u00e9todo extrai o g\u00e1s das rochas de xisto, ard\u00f3sia ou argila compactada onde est\u00e1 represado, mediante seu rompimento horizontal a grande profundidade.<\/p>\n<p>\u201cO resultado final \u00e9 o deslocamento da estrutura geol\u00f3gica, para permitir que, ao ser pulverizado, o g\u00e1s possa escapar\u201d, contou \u00e0 IPS esse especialista da consultoria Gest\u00e3o Ambiental e de Riscos, de Saltillo, capital do Estado de Coahuila, tamb\u00e9m no norte. Com esse objetivo s\u00e3o introduzidas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas o que, \u201cao desagregar as part\u00edculas de lutitas (rochas sedimentares), faz com que a terra se reacomode\u201d, afirmou. \u201cN\u00e3o \u00e9 surpresa haver acomoda\u00e7\u00f5es de terra. No pecado est\u00e1 a penit\u00eancia\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>De la Garza tamb\u00e9m tra\u00e7ou um exaustivo mapeamento dos movimentos s\u00edsmicos de 2013 e das \u00e1reas gas\u00edferas de prospec\u00e7\u00e3o ou perfura\u00e7\u00e3o comercial. Sua descoberta, divulgada no dia 22, \u00e9 que existe coincid\u00eancia entre as duas atividades.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas do Servi\u00e7o Sismol\u00f3gico Nacional mostram um aumento na intensidade e na frequ\u00eancia dos tremores em Nuevo Le\u00f3n, onde foram registrados pelo menos 31 entre 3,1 e 4,3 graus de intensidade na escala Richter. A maioria desses sismos ocorreu em 2013. Tamb\u00e9m foram registrados, de 2 a 3 deste m\u00eas, os de maior intensidade, segundo registraram os sism\u00f3grafos oficiais. De la Garza considera maiores as quantidades de tremores nesse Estado no ano passado e no que vai de 2014.<\/p>\n<p>A bacia de Burgos se estende pelos Estados de Nuevo Le\u00f3n, Tamaulipas e Coahuila (ao norte) e abriga grandes reservas de g\u00e1s convencional, que come\u00e7aram a ser explorados na d\u00e9cada passada. Nesses dep\u00f3sitos tamb\u00e9m h\u00e1, segundo prospec\u00e7\u00f5es, g\u00e1s de rochas. Desde 2011, a Pemex perfurou ao menos seis po\u00e7os em rochas de xisto, ard\u00f3sia ou argila compacta em Nuevo Le\u00f3n e Coahuila. Tamb\u00e9m desenvolve um novo projeto explorat\u00f3rio no norte do Estado de Veracruz.<\/p>\n<p>A empresa identificou cinco regi\u00f5es com potenciais recursos de g\u00e1s n\u00e3o convencional, do norte de Veracruz at\u00e9 Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos. A Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o de Energia (EIA), dos Estados Unidos, situa o M\u00e9xico em sexto lugar mundial em reservas de g\u00e1s n\u00e3o convencional tecnicamente recuper\u00e1vel, atr\u00e1s de China, Argentina, Arg\u00e9lia, Estados Unidos e Canad\u00e1, em um exame de 137 dep\u00f3sitos em 41 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto exige grande volume de \u00e1gua, e a escava\u00e7\u00e3o e fratura horizontal geram enorme quantidade de res\u00edduos l\u00edquidos. Estes podem conter qu\u00edmicos dissolvidos e outros contaminantes que requerem tratamento antes de serem jogados fora, segundo a organiza\u00e7\u00e3o ambientalista Greenpeace.<\/p>\n<p>O estudo <i>Sismologia no Estado de Nuevo Le\u00f3n<\/i>, publicado em janeiro, conclui que os tremores no nordeste do M\u00e9xico est\u00e3o associados tanto a estruturas naturais com a a\u00e7\u00f5es humanas que modificam as rochas e as press\u00f5es nos fluidos pr\u00f3ximos \u00e0 superf\u00edcie. O informe, elaborado por acad\u00eamicos da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade Aut\u00f4noma de Nuevo Le\u00f3n, atribui v\u00e1rios tremores ocorridos desde 2004 a atividades como a extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural e n\u00e3o convencional na bacia de Burgos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio assegura que tamb\u00e9m influi a superexplora\u00e7\u00e3o de aqu\u00edferos por cultivo de batata na zona lim\u00edtrofe entre Coahuila e Nuevo Le\u00f3n, bem como a explora\u00e7\u00e3o de barita neste \u00faltimo Estado. At\u00e9 2044, foram perfurados 4.881 po\u00e7os de \u00e1gua na bacia, e atualmente o n\u00famero chega aos sete mil.<\/p>\n<p>O estudo sobre o impacto ambiental do Projeto Regional Petroleiro Poza Rica Altamira e Aceite Terciario do Golfo 2013-2035, que se estende pelos Estados de Veracruz, Hidalgo (centro) e Puebla (sul), antecipa uma alta da demanda de \u00e1gua para o <i>fracking<\/i> e explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto no norte do pa\u00eds, onde \u00e9 escassa. O documento, de 844 p\u00e1ginas, ao qual a IPS teve acesso, foi enviado no dia 10 deste m\u00eas pela Pemex ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente para seu aval, e enumera obras projetadas, como constru\u00e7\u00e3o de caminhos e represas met\u00e1licas, os grandes tanques de armazenamento da \u00e1gua destinada \u00e0 multifratura.<\/p>\n<p>O documento estabelece que para cada dez multifraturas seriam necess\u00e1rios cerca de 12.718 metros c\u00fabicos de \u00e1gua. Al\u00e9m disso, calcula que a produ\u00e7\u00e3o mexicana de g\u00e1s atingir\u00e1, em 2026, cerca de 11,472 bilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos por dia, os quais viriam da maior produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto dos dep\u00f3sitos de Eagle Ford e La Casita, que cruzam Chihuahua, Coahuila, Nuevo Le\u00f3n e Tamaulipas.<\/p>\n<p>Em 2026, o g\u00e1s natural n\u00e3o associado representar\u00e1 55% da produ\u00e7\u00e3o total desse hidrocarbono, enquanto o restante ser\u00e1 fornecido pelas jazidas n\u00e3o convencionais do norte do pa\u00eds, cuja produ\u00e7\u00e3o se prev\u00ea que aumentar\u00e1 at\u00e9 ent\u00e3o ao ritmo de 8,6% ao ano. A previs\u00e3o \u00e9 de que a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s n\u00e3o convencional estar\u00e1 a cargo de empresas privadas, ap\u00f3s a reforma energ\u00e9tica que foi promulgada em dezembro e que abre os setores dos hidrocarbonos e da eletricidade ao capital estrangeiro.<\/p>\n<p>Os estudos mexicanos se somam a outros feitos nos Estados Unidos, que tamb\u00e9m vinculam as cadeias de sismos no centro e sul do pa\u00eds vizinho com a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto. A an\u00e1lise <i>Terremotos Significativos (Induzidos?) no Centro e Leste dos Estados Unidos Desde 2008<\/i>, realizada em 2012 por tr\u00eas investigadores do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico norte-americano, identificou 683 tremores desde 2008 de magnitude 4 na escala Richter.<\/p>\n<p>Esse documento, que tamb\u00e9m menciona sismos em Chihuahua e Nuevo Le\u00f3n, detalha seis modalidades de inje\u00e7\u00e3o de fluidos em profundidade, entre elas l\u00edquidos para a fratura hidr\u00e1ulica. Segundo De la Garza, os tremores \u201cv\u00e3o se agravar com a maior explora\u00e7\u00e3o. No governo est\u00e3o enganados. O <i>fracking<\/i> deve ser proibido\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 31\/3\/2014 &ndash; Os cientistas alertam: a explora&ccedil;&atilde;o em grande escala de g&aacute;s depositado em rochas de xisto, programada pelo cons&oacute;rcio estatal Petr&oacute;leos Mexicanos (Pemex), vai agravar o quadro sismol&oacute;gico do norte do pa&iacute;s, uma regi&atilde;o j&aacute; propensa aos tremores de terra. 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