{"id":17322,"date":"2014-03-31T15:08:58","date_gmt":"2014-03-31T15:08:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110393"},"modified":"2014-03-31T15:08:58","modified_gmt":"2014-03-31T15:08:58","slug":"vinte-anos-apos-o-genocidio-ruanda-impulsiona-economia-com-reconciliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/03\/ultimas-noticias\/vinte-anos-apos-o-genocidio-ruanda-impulsiona-economia-com-reconciliacao\/","title":{"rendered":"Vinte anos ap\u00f3s o genoc\u00eddio, Ruanda impulsiona economia com reconcilia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110394\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/ruanda640.jpg\"><img class=\" wp-image-110394 \" alt=\"ruanda640 Vinte anos ap\u00f3s o genoc\u00eddio, Ruanda impulsiona economia com reconcilia\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/ruanda640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Vinte anos ap\u00f3s o genoc\u00eddio, Ruanda impulsiona economia com reconcilia\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Kigali, a capital de Ruanda, \u00e9 descrita como uma das cidades mais seguras e limpas da \u00c1frica, enquanto o governo tenta atrair mais investimentos e turistas. Foto: Aimable Twahirwa\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kigali, Ruanda, 31\/3\/2014 \u2013 H\u00e1 quase 20 anos, o hutu Sylidio Gashirabake participou do genoc\u00eddio de Ruanda. E h\u00e1 tamb\u00e9m quase duas d\u00e9cadas seu vizinho, o tutsi Augustin Kabogo, perdeu a irm\u00e3 e outros familiares naquela viol\u00eancia sect\u00e1ria. Mas agora ambos trabalham lado a lado em um empreendimento, no distrito de Kirehe.<\/p>\n<p>Estima-se que 800 mil membros da minoria tutsi e moderados hutus morreram no massacre que come\u00e7ou ap\u00f3s a morte dos ent\u00e3o presidentes de Ruanda, Juvenal Habyarimana, e de Burundi, Cyprien Ntaryamira, quando em 6 de abril de 1994 o avi\u00e3o em que viajavam foi derrubado por um m\u00edssil perto de Kigali, para impedir que assinassem um acordo de paz. A autoria dessa a\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<p>Gashirabake saiu da pris\u00e3o em 2006, ap\u00f3s confessar, dois anos antes, seus crimes e de revelar ao seu vizinho o paradeiro dos restos de sua fam\u00edlia. Kabogo se salvou da matan\u00e7a ao se esconder em um p\u00e2ntano pr\u00f3ximo. Mas Gashirabake nega ter participado da morte dos familiares de Kabogo. \u201cConfessei deliberadamente para tirar esse peso da minha consci\u00eancia, j\u00e1 n\u00e3o o suportava depois de v\u00e1rios anos\u201d, contou Gashirabake \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, Kabogo o perdoou, e desde ent\u00e3o os dois s\u00e3o s\u00f3cios empresariais. Ambos integram um grupo de 30 pessoas que participam de um projeto de cria\u00e7\u00e3o de porcos em Kireche, impulsionado por um volunt\u00e1rio japon\u00eas em 2012, com a finalidade de reconciliar v\u00edtimas e algozes do genoc\u00eddio de Ruanda. Tanto Gashirabake quanto Kabogo est\u00e3o convencidos de que para ter \u00eaxito \u00e9 imperativo que a reconcilia\u00e7\u00e3o seja uma realidade em Ruanda.<\/p>\n<p>Atualmente, com seu neg\u00f3cio ganham em m\u00e9dia US$ 200 mensais. Kabogo est\u00e1 convencido de que j\u00e1 n\u00e3o importa se Gashirabake matou ou n\u00e3o sua fam\u00edlia. O importante, disse, \u00e9 que ele se desculpou pelos crimes que cometeu. \u201cDevo admitir que a reconcilia\u00e7\u00e3o mediante a redu\u00e7\u00e3o da pobreza est\u00e1 lentamente se tornando uma realidade em Ruanda 20 anos depois do genoc\u00eddio\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Nos 30 distritos desse pa\u00eds do centro da \u00c1frica h\u00e1 v\u00e1rios projetos, apoiados pelo governo ou por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, destinados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pobreza. Isso inclui o projeto Girinka (podes ter uma vaca). Criado em 2006, distribui vacas entre fam\u00edlias pobres de \u00e1reas rurais afastadas. At\u00e9 2013, cerca de 350 mil pessoas se beneficiaram do programa, segundo seus respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quase 90% dos ruandeses dependem da agricultura para sobreviver e o governo adotou uma s\u00e9rie de reformas para garantir o apoio \u00e0s fam\u00edlias pobres e aos sobreviventes do genoc\u00eddio. Entre essas reformas, h\u00e1 um Fundo Governamental de Assist\u00eancia para Sobreviventes do Genoc\u00eddio, que criou, em 1998, com or\u00e7amento total de US$ 117 milh\u00f5es para dar educa\u00e7\u00e3o, com programas de cuidados com a sa\u00fade e moradia para sobreviventes do genoc\u00eddio em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Desde que assumiu o poder, ap\u00f3s derrubar o regime genocida em julho de 1994, o ex-grupo rebelde e atual governante Frente Patri\u00f3tica de Ruanda (RPF) vem impulsionando reformas importantes, entre elas algumas econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>O informe do Banco Mundial <i>Ruanda: Reconstruindo uma Sociedade Equitativa. Pobreza e Redu\u00e7\u00e3o da Pobreza Depois do Genoc\u00eddio<\/i> mostra que, em 1993, cerca de 70% dos 11,5 milh\u00f5es de ruandeses viviam abaixo da linha de pobreza. Quatro anos depois, a porcentagem caiu para 53%. Segundo os \u00faltimos dados divulgados na terceira Pesquisa Integral sobre Condi\u00e7\u00f5es de Vida nas Fam\u00edlias 2011, entre 2006 e 2011, outro milh\u00e3o de pessoas saiu da pobreza.<\/p>\n<p>Ruanda \u00e9 elogiada por seus s\u00f3cios para o desenvolvimento \u2013 Banco Mundial, Uni\u00e3o Europeia e Fundo Monet\u00e1rio Internacional \u2013 por esses \u00eaxitos e pelo sucesso das reformas econ\u00f4micas. Contudo, tamb\u00e9m h\u00e1 consenso de que persistem os desafios para o crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Pascal Nshizirungu, especialista em ci\u00eancias socioecon\u00f4micas da Universidade de Kigali, pontuou \u00e0 IPS que os esfor\u00e7os nacionais para atrair investimentos deveriam estar acompanhados de planos para reduzir as brechas sociais. O governo, com a segunda fase de sua Estrat\u00e9gia de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Redu\u00e7\u00e3o da Pobreza, est\u00e1 investindo em \u00e1reas estrat\u00e9gicas para que Ruanda seja reclassificado em 2020 como pa\u00eds de renda m\u00e9dia, com renda por pessoa de US$ 1.240. Atualmente, \u00e0 renda por habitante da classe m\u00e9dia do pa\u00eds \u00e9 estimada em US$ 693.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m promoveu os investimentos estrangeiros, mediante privatiza\u00e7\u00e3o de empresas e setores que estavam sob controle estatal. \u201cAl\u00e9m da estabilidade pol\u00edtica, o pa\u00eds conta com um bem do qual carecem outras na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o: infraestrutura, o que atrai muito mais investimentos privados\u201d, ressaltou Robert Mathu, diretor-executivo da governamental Autoridade do Mercado de Capitais de Ruanda. \u201cO pa\u00eds busca estimular o crescimento nacional e criar um clima que incentive a participa\u00e7\u00e3o do setor privado\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em 2013, a economia de Ruanda cresceu 4,6%. \u201cAcreditamos que, ao termos s\u00f3cios fortes no setor privado, reduziremos a pobreza, e que, ao mesmo tempo, isso pode contribuir para o crescimento econ\u00f4mico\u201d, declarou \u00e0 IPS o ministro de Finan\u00e7as e Planejamento Econ\u00f4mico, Claver Gatete.<\/p>\n<p>Atul Ajela, gerente-geral da Dodoma, fabricante de colch\u00f5es que iniciou suas atividades h\u00e1 dois anos em Ruanda, acredita que, 20 anos depois do genoc\u00eddio, o pa\u00eds \u00e9 um lugar seguro e o melhor para iniciar uma empresa. \u201cRuanda tem um entorno empresarial claro, que est\u00e1 dando incentivos e facilidades, o que torna f\u00e1cil nossa tarefa de atender pa\u00edses vizinhos\u201d, enfatizou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kigali, Ruanda, 31\/3\/2014 &ndash; H&aacute; quase 20 anos, o hutu Sylidio Gashirabake participou do genoc&iacute;dio de Ruanda. E h&aacute; tamb&eacute;m quase duas d&eacute;cadas seu vizinho, o tutsi Augustin Kabogo, perdeu a irm&atilde; e outros familiares naquela viol&ecirc;ncia sect&aacute;ria. Mas agora ambos trabalham lado a lado em um empreendimento, no distrito de Kirehe. 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