{"id":17325,"date":"2014-04-01T13:44:19","date_gmt":"2014-04-01T13:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110494"},"modified":"2014-04-01T13:44:19","modified_gmt":"2014-04-01T13:44:19","slug":"enfrentamentos-dao-lugar-a-doencas-entre-refugiados-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/enfrentamentos-dao-lugar-a-doencas-entre-refugiados-na-siria\/","title":{"rendered":"Enfrentamentos d\u00e3o lugar a doen\u00e7as entre refugiados na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110495\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/siria640.jpg\"><img class=\" wp-image-110495 \" alt=\"siria640 Enfrentamentos d\u00e3o lugar a doen\u00e7as entre refugiados na S\u00edria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/siria640.jpg\" width=\"529\" height=\"321\" title=\"Enfrentamentos d\u00e3o lugar a doen\u00e7as entre refugiados na S\u00edria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As comemora\u00e7\u00f5es pela ajuda alimentar no acampamento de refugiados de Yarmouk, em Damasco, tiveram vida curta. Foto: Mutawalli Abou Nasser\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Damasco, S\u00edria, 1\/4\/2014 \u2013 Os rep\u00f3rteres cinematogr\u00e1ficos partiram depois de cobrirem a chegada da ajuda alimentar ao acampamento de refugiados de Yarmouk, em Damasco. Agora, quando j\u00e1 n\u00e3o se considera que esse bairro seja not\u00edcia, a fome, a viol\u00eancia e as enfermidades voltam a atormentar os palestinos ali perdidos. S\u00f3 naquele momento o acampamento foi not\u00edcia. Ap\u00f3s meses de fome e morte \u00e0 sombra da guerra civil s\u00edria, em janeiro chegaram pacotes de alimentos&#8230; com c\u00e2meras nas costas.<\/p>\n<p>Os refugiados inundaram as ruas, em um rio de desespero, para reclamar as primeiras entregas da ajuda que conseguiram entrar na \u00e1rea sitiada. Homens adultos se desfizeram em l\u00e1grimas ao interromper-se, momentaneamente, seu terror e isolamento. Mas os rep\u00f3rteres cinematogr\u00e1ficos foram embora, e a fome, a viol\u00eancia, as doen\u00e7as voltaram a atormentar os que vivem no acampamento.<\/p>\n<p>O de Yarmouk costumava agrupar a maior comunidade de palestinos que viviam na S\u00edria e que chegaram ap\u00f3s as guerras de 1948 e 1967. Era um bairro florescente e vibrante da capital, com mais de cem mil habitantes. No final de 2012, o acampamento ficou envolto em um conflito civil cada vez mais intenso. Os rebeldes travam batalhas longas e sangrentas com as for\u00e7as do presidente Bashar al Assad.<\/p>\n<p>Yarmouk enfrenta s\u00edtios t\u00e1ticos, bombardeios indiscriminados e fogo de franco-atiradores, como outros bairros. A estrat\u00e9gia parece ser dominar popula\u00e7\u00f5es inteiras, e parece ter sucesso. Em muitas das \u00e1reas sitiadas, incluindo Yarmouk, os rebeldes acordaram uma fr\u00e1gil tr\u00e9gua com as for\u00e7as do governo e suas mil\u00edcias aliadas no come\u00e7o do ano. Foram mediados v\u00e1rios acordos locais para suspender os enfrentamentos, bem como para permitir que entrassem e sa\u00edssem alimentos, rem\u00e9dios e civis.<\/p>\n<p>O al\u00edvio do s\u00edtio e da guerra em janeiro foi t\u00e3o curto como desesperador. \u201cA Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Pr\u00f3ximo (UNRWA) est\u00e1 profundamente preocupada pela desesperadora situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria em Yarmouk e pelo fato de que o reiterado recurso \u00e0 for\u00e7a armada tenha desbaratado seus esfor\u00e7os para aliviar a desesperada situa\u00e7\u00e3o dos civis\u201d, afirmou em um comunicado o porta-voz dessa entidade, Chris Gunness.<\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 pouco, volunt\u00e1rios trabalharam para manter algum sistema educacional rudimentar para crian\u00e7as e adolescentes presos no acampamento. Por n\u00e3o ter apoio institucional, fizeram o que puderam para garantir que o conflito n\u00e3o deixasse uma gera\u00e7\u00e3o perdida. Agora, os professores volunt\u00e1rios tiveram que encerrar as aulas.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram s\u00f3 as bombas e os franco-atiradores que interromperam seu trabalho, mas tamb\u00e9m as enfermidades. O colapso do sistema de sa\u00fade, a escassez cr\u00f4nica de alimentos e \u00e1gua limpa, e o ac\u00famulo de lixo, combinam para dar lugar a v\u00e1rias epidemias.<\/p>\n<p>\u201cUm de nossos estudantes desmaiou na aula, o levamos ao hospital e foi diagnosticada hepatite\u201d, disse Jalil Jalil, professor fundador do improvisado projeto escolar, ouvido pela IPS. \u201cEnt\u00e3o fizemos exames em todos nossos estudantes e constatamos ao menos mais sete casos. A propaga\u00e7\u00e3o desta e outras doen\u00e7as contagiosas implica tomar uma decis\u00e3o para deixar de convocar aulas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para piorar as coisas, voltaram os combates. \u201cA recente tr\u00e9gua fracassou, e a quantidade de vacinas e outros medicamentos que entrou no acampamento n\u00e3o foi suficiente nem minimamente para tratar as enfermidades que vemos propagar no lugar, especialmente entre meninos e meninas\u201d, disse \u00e0 IPS Wissam Al-Ghoul, trabalhador comunit\u00e1rio no local Hospital Palestina.<\/p>\n<p>Os combatentes dos dois lados usaram as quantidades insuficientes de ajuda que entrou no acampamento para recompensar sua pr\u00f3pria gente. \u201cMembros do servi\u00e7o de seguran\u00e7a nos postos de controle confiscaram parte da ajuda para distribuir entre sua gente, e combatentes rebeldes roubaram uma parte para suas fam\u00edlias e pessoas pr\u00f3ximas a eles. N\u00e3o h\u00e1 ordem, sofremos por isso\u201d, enfatizou Abou Salmi, organizador da assist\u00eancia alimentar.<\/p>\n<p>Acredita-se que cerca de sete mil pacotes de ajuda venceram o bloqueio em janeiro. A URWA admite que isso foi \u201cuma gota no oceano\u201d para as cerca de 20 mil pessoas presas no acampamento. No per\u00edodo em que foi levantado o s\u00edtio, as for\u00e7as do governo e as fac\u00e7\u00f5es palestinas aliadas a elas sequestraram muitos dos suspeitos de apoiar os rebeldes, inclusive crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Pelo menos 30 homens e adolescentes foram detidos, e se desconhece seu paradeiro. \u201cMembros dos servi\u00e7os de seguran\u00e7a s\u00edrios, junto com seus aliados do PFLP-GC (uma fac\u00e7\u00e3o palestina aliada do governo s\u00edrio) detiveram pelo menos dez homens jovens diante dos meus olhos. Tamb\u00e9m sabemos de pessoas atra\u00eddas para edif\u00edcios afastados que acabaram sequestradas\u201d, disse uma funcion\u00e1ria da UNRWA que integrava a equipe que vigiava a ajuda alimentar, que pediu para n\u00e3o ser identificada.<\/p>\n<p>Cada lado culpa o outro pela interrup\u00e7\u00e3o do cessar-fogo. \u201cO regime n\u00e3o liberou nenhum dos presos que havia prometido soltar, nem garantiu a passagem segura de alimentos\u201d, disse Abu Jitaab, do batalh\u00e3o rebelde extremista Jubhet al-Nusra. \u201cNos retiramos totalmente do acampamento, como hav\u00edamos acordado, mas, em lugar de libertar os presos, o regime come\u00e7ou a sequestrar jovens estudantes e ativistas e a ocupar alguns pr\u00e9dios dentro do acampamento. N\u00e3o pudemos tolerar isso, ent\u00e3o voltamos e reiniciamos a batalha\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Independente de quem seja o respons\u00e1vel por violar o acordo que estabeleceu o cessar-fogo, para os inocentes que vivem no acampamento de Yarmouk a realidade voltou a apresentar as mesmas dificuldades: volta a um encarceramento virtual e ao caos da luta. E agora tamb\u00e9m com as doen\u00e7as. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Damasco, S&iacute;ria, 1\/4\/2014 &ndash; Os rep&oacute;rteres cinematogr&aacute;ficos partiram depois de cobrirem a chegada da ajuda alimentar ao acampamento de refugiados de Yarmouk, em Damasco. Agora, quando j&aacute; n&atilde;o se considera que esse bairro seja not&iacute;cia, a fome, a viol&ecirc;ncia e as enfermidades voltam a atormentar os palestinos ali perdidos. 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