{"id":17328,"date":"2014-04-01T13:17:09","date_gmt":"2014-04-01T13:17:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110484"},"modified":"2014-04-01T13:17:09","modified_gmt":"2014-04-01T13:17:09","slug":"gambianas-reclamam-seu-lugar-na-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/gambianas-reclamam-seu-lugar-na-politica\/","title":{"rendered":"Gambianas reclamam seu lugar na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110485\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Dr-Isatou-Touray-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-110485 \" alt=\"Dr Isatou Touray 629x472 Gambianas reclamam seu lugar na pol\u00edtica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Dr-Isatou-Touray-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Gambianas reclamam seu lugar na pol\u00edtica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Isatou Touray, diretora-executiva do Comit\u00ea de G\u00e2mbia sobre Pr\u00e1ticas Tradicionais que Afetam a Sa\u00fade das Mulheres e das Crian\u00e7as, que lan\u00e7ou esta semana uma campanha por maior participa\u00e7\u00e3o das gambianas na pol\u00edtica. Foto: Saikou Jammeh\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Banjul, G\u00e2mbia, 1\/4\/2014 \u2013 J\u00e1 come\u00e7ou a contagem regressiva para as elei\u00e7\u00f5es gerais de G\u00e2mbia em 2016, e com ela uma vigorosa iniciativa para garantir uma justa representa\u00e7\u00e3o feminina em todo o espectro pol\u00edtico. O n\u00e3o governamental Comit\u00ea de G\u00e2mbia sobre Pr\u00e1ticas Tradicionais que Afetam a Sa\u00fade das Mulheres e das Crian\u00e7as (Gamcotrap) lan\u00e7ou, na semana passada, uma campanha por reformas que garantam uma efetiva participa\u00e7\u00e3o das gambianas em todos os postos de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos dizendo \u00e9 que queremos ir buscar nossa \u00e1gua e beb\u00ea-la com os homens do mesmo po\u00e7o\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora-executiva do Gamcotrap, Isatou Touray. A organiza\u00e7\u00e3o recebeu apoio do National Endowment for Democracy, grupo norte-americano sem fins lucrativos que promove a liberdade no mundo.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos fazendo nada tem a ver com pol\u00edtica partid\u00e1ria\u201d, explicou Touray. \u201cN\u00e3o se trata de tirar poder dos homens. \u00c9 sobre desenvolvimento e pol\u00edticas de g\u00eanero. Quando falamos de pol\u00edtica de g\u00eanero estamos falando de mulheres de diferentes partidos pol\u00edticos que se re\u00fanem para discutir seus temas e promov\u00ea-los sob uma mesma bandeira\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os resultados preliminares de um censo realizado no ano passado neste pequeno pa\u00eds da \u00c1frica ocidental indicam que as mulheres s\u00e3o mais de 51% dos quase 1,8 milh\u00e3o de habitantes. Al\u00e9m disso, at\u00e9 2011 eram 58% dos habilitados a votar. Por\u00e9m, sua fortaleza num\u00e9rica n\u00e3o se reflete em postos no governo ou de lideran\u00e7a em n\u00edvel nacional ou local.<\/p>\n<p>A not\u00f3ria exce\u00e7\u00e3o \u00e9 Isatou Njie Saidy, que ocupa a vice-presid\u00eancia desde 1997. \u201cDos 53 membros da Assembleia Nacional (legislativo), s\u00f3 temos quatro mulheres eleitas e uma suplente designada. Isso representa 9%\u201d, disse \u00e0 IPS a ativista pol\u00edtica e de g\u00eanero Amie Sillah. \u201cAl\u00e9m disso, dos 1.873 chefes de aldeias, apenas cinco s\u00e3o mulheres. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma governadora nem chefe de distrito\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>As estruturas partid\u00e1rias, no melhor dos casos, relegam as mulheres \u00e0 perp\u00e9tua supl\u00eancia dos homens. Em sua maioria, elas s\u00f3 ocupam postos de lideran\u00e7a nos setores femininos de seus partidos e investem seu tempo em campanhas destinadas a reunir votos e doa\u00e7\u00f5es para seus colegas homens.<\/p>\n<p>\u201cAinda que a mulher seja designada presidente de um comit\u00ea partid\u00e1rio, cumpre-se o prov\u00e9rbio: \u2018Eles te nomeiam cabe\u00e7a, mas tiram sua l\u00edngua\u2019, porque a mulher n\u00e3o pode falar. Os homens s\u00f3 d\u00e3o um poder nominal. Em resumo, voc\u00ea faz campanha pelo que eles querem\u201d, explicou Sillah. A Constitui\u00e7\u00e3o garante \u00e0s mulheres o direito de participar da pol\u00edtica e pro\u00edbe toda discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos foram aprovadas pelo menos tr\u00eas leis importantes sobre quest\u00f5es de g\u00eanero: A Lei de Mulheres, de 2010, a Lei Contra a Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e a Lei contra Crimes Sexuais, ambas de 2013. Mas as gambianas continuam sendo marginalizadas politicamente. Ativistas explicaram que a elite pol\u00edtica masculina dominante suavizou o texto dessas leis. \u201cA maioria dos temas (importantes para as mulheres) n\u00e3o se converteram em leis. E se o fazem, s\u00e3o eliminadas cl\u00e1usulas essenciais\u201d, afirmou Touray.<\/p>\n<p>\u201cTiraram todas as coisas boas, todas as disposi\u00e7\u00f5es cruciais da Lei de Mulheres referentes ao casamento, \u00e0 heran\u00e7a. Al\u00e9m disso, se negaram a aprovar a provis\u00e3o sobre mutila\u00e7\u00e3o genital feminina. Retiraram isso e se trata de direitos de sa\u00fade reprodutiva das mulheres\u201d, afirmou Sillah. Esta ativista prop\u00f4s adotar pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa, como um sistema de cotas para a Assembleia Nacional que garanta 30% das cadeiras para as mulheres. \u201c\u00c9 hora de as mulheres estarem onde s\u00e3o feitas as leis\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Haddy Nyang-Jagne \u00e9 uma das quatro gambianas que integram a Assembleia Nacional. Esta legisladora, da governante Alian\u00e7a para a Reorienta\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica e a Reconstru\u00e7\u00e3o (APRC), acredita que o governo faz muito para promover a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica. Al\u00e9m disso, ressaltou que as principais barreiras que as mulheres enfrentam para ter acesso a postos de poder s\u00e3o basicamente culturais.<\/p>\n<p>\u201cO governo criou um ambiente favor\u00e1vel e sens\u00edvel \u00e0s mulheres, mas elas t\u00eam medo porque as pessoas falam mal delas\u201d, afirmou Nyang-Jagne, que est\u00e1 em seu segundo mandato. \u201cS\u00e3o barreiras religiosas e culturais. Algumas pessoas dir\u00e3o que nossa religi\u00e3o, o Isl\u00e3, n\u00e3o aceita que as mulheres tomem parte na vida pol\u00edtica, mas sabemos que essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 infundada\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Entretanto, mulheres da oposi\u00e7\u00e3o afirmam que o espa\u00e7o democr\u00e1tico em G\u00e2mbia se tornou notoriamente reduzido, e que as deten\u00e7\u00f5es de cr\u00edticos do governo s\u00e3o a norma. Mariama B. Secka, secret\u00e1rio-geral da ala feminina do opositor Partido Democr\u00e1tico Unido, explicou que \u00e9 dif\u00edcil enfrentar o governo neste pa\u00eds.<\/p>\n<p>G\u00e2mbia tem um partido dominante desde 1996, quando o l\u00edder do ex\u00e9rcito e agora presidente, Yahya Jammeh, formou a APRC, depois de ter dado um golpe de Estado em 1994. \u201cFui convidada a um f\u00f3rum da Federa\u00e7\u00e3o de Mulheres. Quando me apresentei como integrante de um partido da oposi\u00e7\u00e3o, fui vaiada e assediada. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Precisamos de igualdade de condi\u00e7\u00f5es\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>E quem tem a capacidade de mudar isso \u00e9 o majorit\u00e1rio eleitorado feminino. \u201cNotamos que nem mesmo as mulheres com mais instru\u00e7\u00e3o votam. \u00c9 que querem permanecer em suas zonas de conforto. Enquanto as mulheres educadas n\u00e3o forem \u00e0s ruas, n\u00e3o poderemos conseguir o que queremos\u201d, afirmou Touray.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ela se mostra otimista, e n\u00e3o descarta que se apresente uma candidata para a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2016. \u201cClaro, por que n\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel\u201d, afirmou. \u201cA pol\u00edtica \u00e9 para todos. As mulheres est\u00e3o dizendo que temos o direito de estar ali, e queremos postos eletivos em lugar de designa\u00e7\u00f5es\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Banjul, G&acirc;mbia, 1\/4\/2014 &ndash; J&aacute; come&ccedil;ou a contagem regressiva para as elei&ccedil;&otilde;es gerais de G&acirc;mbia em 2016, e com ela uma vigorosa iniciativa para garantir uma justa representa&ccedil;&atilde;o feminina em todo o espectro pol&iacute;tico. 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