{"id":17331,"date":"2014-04-02T14:24:38","date_gmt":"2014-04-02T14:24:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110623"},"modified":"2014-04-02T14:24:38","modified_gmt":"2014-04-02T14:24:38","slug":"as-mulheres-rurais-costarriquenhas-pensam-em-arvores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/as-mulheres-rurais-costarriquenhas-pensam-em-arvores\/","title":{"rendered":"As mulheres rurais costarriquenhas pensam em \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110625\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/CRica-chica-629x418.jpg\"><img class=\" wp-image-110625 \" alt=\"CRica chica 629x418 As mulheres rurais costarriquenhas pensam em \u00e1rvores\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/CRica-chica-629x418.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"As mulheres rurais costarriquenhas pensam em \u00e1rvores\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Olga Vargas no viveiro com que a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres de Quebrada Grande de Pital come\u00e7ou a revitalizar seu neg\u00f3cio sustent\u00e1vel, que tem como prioridade o reflorestamento. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pital, Costa Rica, 2\/4\/2014 \u2013 Olga Vargas tem 57 anos, acaba de superar um c\u00e2ncer de mama e est\u00e1 de volta ao campo, fazendo retornar um programa florestal no norte da Costa Rica, com o qual um grupo de mulheres busca mitigar os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e, ao mesmo tempo, assumir o controle de suas vidas. Sua enfermidade e uma disputa comunit\u00e1ria sobre seu terreno anterior, cedido pelo Instituto de Desenvolvimento Agr\u00edcola, onde havia plantado 12 mil \u00e1rvores, frearam desde 2012 o projeto de reflorestamento e educa\u00e7\u00e3o ambiental em Pital, no distrito de San Carlos, nas plan\u00edcies do norte. Mas o grupo recome\u00e7ou.<\/p>\n<p>\u201cDepois do c\u00e2ncer sinto que Deus me deu uma segunda oportunidade, para continuar com o projeto e ajudar minhas companheiras\u201d, declarou Vargas \u00e0 IPS, na reserva florestal de Quebrada Grande, que seu grupo ajuda a manter. Ela tem quatro filhos, sendo duas mulheres que participam do grupo, seis netos e o marido que a apoia sempre, destacou com orgulho.<\/p>\n<p>Desde 2000, a Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres de Quebrada Grande de Pital, presidida por Vargas, integrada por 14 mulheres de v\u00e1rias idades, reflorestou o terreno cedido, montou cursos de prote\u00e7\u00e3o ambiental e tanques de til\u00e1pias para pesca sustent\u00e1vel, al\u00e9m de outras iniciativas de turismo rural e agricultura org\u00e2nica, sempre tendo as \u00e1rvores como prioridade.<\/p>\n<p>Um grupo de homens do lugar, que sempre foram contra a cess\u00e3o do terreno \u00e0s mulheres, exigiu que as instala\u00e7\u00f5es e os neg\u00f3cios passassem \u00e0 comunidade. Em contrapartida receberam outro terreno, de menos de um hectare, mas que est\u00e1 no nome da Associa\u00e7\u00e3o, enquanto suas instala\u00e7\u00f5es anteriores quase foram abandonadas.<\/p>\n<p>\u201cAprendi a import\u00e2ncia do manejo florestal em um encontro de que participei na Guatemala. Al\u00e9m disso, v\u00e1rias de n\u00f3s viajaram tamb\u00e9m para Panam\u00e1, El Salvador e Argentina para conhecer iniciativas semelhantes e trocar experi\u00eancias\u201d, contou Vargas, que, antes de se dedicar \u00e0s \u00e1rvores, era contadora em Pital, 135 quil\u00f4metros ao norte de San Jos\u00e9.<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo que a associa\u00e7\u00e3o ganhou foi US$ 14 mil em um ano. \u201cPode ser que 50 mil colones (US$ 100) pare\u00e7am pouco, mas para n\u00f3s, mulheres rurais que depend\u00edamos da renda do marido para comprar coisas dom\u00e9sticas b\u00e1sicas ou ir a uma consulta m\u00e9dica, \u00e9 muito\u201d, pontuou Vargas.<\/p>\n<p>O grupo de Pital, de mulheres com idades entre 18 e 67 anos, n\u00e3o est\u00e1 sozinho. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada come\u00e7aram a surgir organicamente grupos de mulheres costarriquenhas que promovem solu\u00e7\u00f5es contra o desmatamento nas comunidades rurais. Assumiram a batuta e come\u00e7aram a plantar \u00e1rvores em suas terras agr\u00edcolas e a criar programas de viveiros, que elas mesmas administram, em resposta \u00e0 falta de a\u00e7\u00e3o das autoridades de seus munic\u00edpios frente \u00e0s consequ\u00eancias da mudan\u00e7a no uso dos solos.<\/p>\n<p>\u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetou muit\u00edssimo a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u00c9 preciso ver os calores que acontecem, e os rios d\u00e3o d\u00f3. H\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos, os rios tinham um caudal excelente e agora t\u00eam um ter\u00e7o ou um quarto da \u00e1gua\u201d, ressaltou Vargas.<\/p>\n<div id=\"attachment_110624\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Crica-chica-2.jpg\"><img class=\" wp-image-110624 \" alt=\"Crica chica 2 As mulheres rurais costarriquenhas pensam em \u00e1rvores\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Crica-chica-2.jpg\" width=\"540\" height=\"326\" title=\"As mulheres rurais costarriquenhas pensam em \u00e1rvores\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Em Quebrada Grande, o Instituto de Desenvolvimento Agr\u00e1rio destinou 119 hectares \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o florestal, dos quais uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres cuida a uma d\u00e9cada. Foto: Diego Arguedas Ortiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em San Rampon de Turrialba, 65 quil\u00f4metros a leste de San Jos\u00e9, seis mulheres cuidam de um viveiro com produ\u00e7\u00e3o de 20 mil \u00e1rvores ao ano. Desde 2007, o Grupo de Mulheres Agroindustriais de San Ram\u00f3n mant\u00e9m um contrato com o Instituto Costarriquenho de Eletricidade de fornecimento de mudas de ac\u00e1cia, cedro amargo e eucalipto.<\/p>\n<p>Sua coordenadora, Nuria C\u00e9spedes, explicou \u00e0 IPS que o grupo nasceu quando ela pediu ao seu marido um peda\u00e7o da propriedade particular para montar o viveiro. \u201cH\u00e1 sete anos fui a umas reuni\u00f5es de corredores biol\u00f3gicos e me chamou a aten\u00e7\u00e3o o desmatamento, porque dizem que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 agravada pelo desmatamento\u201d, explicou C\u00e9spedes, que conta com o ativo apoio de seu marido e cujo grupo ampliou sua carteira de clientes.<\/p>\n<p>As florestas s\u00e3o um dos elementos distintivos que fazem a Costa Rica se destacar em n\u00edvel internacional, por ser um dos poucos pa\u00edses do mundo que reverteu sua alta taxa de desmatamento. Em 1987, seu ponto mais baixo, o pa\u00eds tinha apenas 21% de seu territ\u00f3rio coberto por florestas, contra 75% em 1940.<\/p>\n<p>Foi quando come\u00e7ou um agressivo programa de reflorestamento, gra\u00e7as ao qual as florestas cobriam, em 2012, 52,3% do territ\u00f3rio. Eles s\u00e3o, tamb\u00e9m, sua carta de apresenta\u00e7\u00e3o contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a ponto de esperarem que a mitiga\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es por captura de carbono em florestas cubra 75% da meta de carbono neutro at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>No modelo florestal desse pa\u00eds de 4,4 milh\u00f5es de habitantes, as mulheres encontraram um nicho de a\u00e7\u00e3o que as ajuda, tamb\u00e9m, a enfrentar situa\u00e7\u00f5es como os padr\u00f5es culturais patriarcais e a concentra\u00e7\u00e3o da terra em m\u00e3os masculinas. \u201cUm dos pontos fortes (da participa\u00e7\u00e3o das mulheres) \u00e9 ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o que lhes deu a possibilidade de participar de pain\u00e9is e capacita\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou \u00e0 IPS o respons\u00e1vel t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o Coordenadora Ind\u00edgena e Camponesa de Agroreflorestamento Comunit\u00e1rio Centro-Americano, Arturo Ure\u00f1a.<\/p>\n<p>Isso ocorreu com a Associa\u00e7\u00e3o de Pital. Quando come\u00e7aram seu projeto, receberam cursos do Instituto Nacional de Aprendizagem, e inclusive duas analfabetas realizaram suas provas finais oralmente. Junto com essas iniciativas comunit\u00e1rias, ocorrem as do governo. Em programas estatais de fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agroflorestal, como o EcoMercado, do Fundo Nacional de Financiamento Florestal (Fonafifo), cada vez mais mulheres se incorporam.<\/p>\n<p>O EcoMercado \u00e9 parte do Programa de Servi\u00e7os Ambientais do Fonafifo, um dos pilares costarriquenhos para a fixa\u00e7\u00e3o de carbono. Desde sua implanta\u00e7\u00e3o, em meados dos anos 1990, foram submetidos ao modelo florestal 770 mil hectares, dos 5,1 milh\u00f5es do pa\u00eds, com iniciativas que v\u00e3o de reflorestamento a projetos agroflorestais.<\/p>\n<p>Lucrecia Guill\u00e9n, chefe do Departamento de Gest\u00e3o de Servi\u00e7os Ambientais do Fonafifo e que responde pelas estat\u00edsticas do Fundo, ratificou \u00e0 IPS a crescente presen\u00e7a feminina nos projetos de reflorestamento. Ela ressaltou que no caso do EcoMercado o aumento, entre 2009 e 2013, foi de 185%, o que se traduziu em que as propriet\u00e1rias de terras passaram de 474 para 877, embora tenha apontado que a posse da terra e a ind\u00fastria agroflorestal ainda \u00e9 dominada por homens.<\/p>\n<p>Dados do Fonafifo indicam que no projeto EcoMercado s\u00f3 16% das propriedades est\u00e3o em m\u00e3os femininas, enquanto 37% pertencem a homens e 47% s\u00e3o de sociedades an\u00f4nimas, com predom\u00ednio masculino \u00e0 sua frente. Mas Guill\u00e9n n\u00e3o v\u00ea raz\u00f5es para des\u00e2nimo. \u201cAs mulheres agora est\u00e3o mais informadas e isso melhora a participa\u00e7\u00e3o\u201d, e continuar\u00e1 melhorando, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pital, Costa Rica, 2\/4\/2014 &ndash; Olga Vargas tem 57 anos, acaba de superar um c&acirc;ncer de mama e est&aacute; de volta ao campo, fazendo retornar um programa florestal no norte da Costa Rica, com o qual um grupo de mulheres busca mitigar os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e, ao mesmo tempo, assumir o controle [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/as-mulheres-rurais-costarriquenhas-pensam-em-arvores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2342,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2213,2065,989,3178,24,2214],"class_list":["post-17331","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-arvores","tag-costa-rica","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-mulheres","tag-reflorestamento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2342"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17331"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17331\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}