{"id":17336,"date":"2014-04-03T15:00:17","date_gmt":"2014-04-03T15:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110688"},"modified":"2014-04-03T15:00:17","modified_gmt":"2014-04-03T15:00:17","slug":"russia-nao-chora-porta-fechada-pelo-g-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/russia-nao-chora-porta-fechada-pelo-g-8\/","title":{"rendered":"R\u00fassia n\u00e3o chora porta fechada pelo G-8"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110690\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Putin.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-110690\" alt=\"Putin 300x199 R\u00fassia n\u00e3o chora porta fechada pelo G 8\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Putin-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" title=\"R\u00fassia n\u00e3o chora porta fechada pelo G 8\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O presidente russo, Vladimir Putin, espera a chegada dos l\u00edderes do G-20 para a c\u00fapula do grupo em S\u00e3o Petersburgo, no dia 5 de setembro de 2013. Foto: UN Photo\/Eskinder Debebe<\/p><\/div>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 3\/4\/2014 \u2013 Quando as pot\u00eancias ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, decidiram expulsar a R\u00fassia do Grupo dos Oito (G-8) pa\u00edses mais industrializados, se propuseram \u201cisolar\u201d o presidente Vladimir Putin por ter \u201canexado\u201d a Crimeia. \u201cE depois? Expulsar a R\u00fassia das Na\u00e7\u00f5es Unidas (e do Grupo dos 20)?\u201d, perguntou em tom de piada um diplomata asi\u00e1tico nos corredores da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), insinuando que s\u00f3 poderia ser uma fantasia pol\u00edtica do Ocidente.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o da R\u00fassia do G-8 n\u00e3o teve maiores tr\u00e2mites, pois foi uma decis\u00e3o dos demais membros do seleto grupo: Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o, com apoio da Uni\u00e3o Europeia como bloco. Mas o G-20 \u00e9 uma coaliz\u00e3o integrada tanto por na\u00e7\u00f5es do Norte industrializado como do Sul em desenvolvimento, na qual t\u00eam grande peso as pot\u00eancias econ\u00f4micas emergentes do Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China, \u00c1frica do Sul).<\/p>\n<p>A Austr\u00e1lia havia advertido a R\u00fassia de que poderia ser exclu\u00edda da pr\u00f3xima c\u00fapula do G-20, prevista para novembro, em Brisbane, nesse pa\u00eds. Mas isso \u00e9 mais f\u00e1cil de falar do que de fazer. Reunidos paralelamente \u00e0 C\u00fapula de Seguran\u00e7a Nuclear, realizada em Haia, nos dias 24 e 25 de mar\u00e7o, os chanceleres do Brics responderam \u00e0 amea\u00e7a australiana. Em uma declara\u00e7\u00e3o divulgada durante a c\u00fapula, os ministros disseram que \u201ca cust\u00f3dia do G-20 pertence a todos os Estados membros por igual, e nenhum Estado pode determinar unilateralmente sua natureza e seu car\u00e1ter\u201d.<\/p>\n<p>O G-20 agrupa \u00c1frica do Sul, Alemanha, Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Austr\u00e1lia, Brasil, Canad\u00e1, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, M\u00e9xico, R\u00fassia, Turquia e a Uni\u00e3o Europeia. Tamb\u00e9m conta com alguns convidados fixos. Quando, em 28 de mar\u00e7o, foi votada na Assembleia Geral da ONU uma resolu\u00e7\u00e3o implicitamente cr\u00edtica \u00e0 atitude de Moscou frente \u00e0 crise na Ucr\u00e2nia, os quatro s\u00f3cios da R\u00fassia no Brics se abstiveram, junto com outros 54 pa\u00edses. A resolu\u00e7\u00e3o obteve cem votos a favor, 11 contra e 58 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Chakravarthi Raghavan, editor em\u00e9rito do <i>South-North Development Monitor<\/i>, com sede em Genebra, relativizou o impacto do G-8 e do G-20. \u201cNo melhor dos casos, s\u00e3o agrupa\u00e7\u00f5es informais, autoformadas sem nenhuma legitimidade como meros exerc\u00edcios anuais custosos onde ocasionalmente s\u00e3o produzidas reuni\u00f5es paralelas de alguma utilidade\u201d, opinou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Raghavan tamb\u00e9m explicou que o G-8 nasceu (na realidade G-7, sem a R\u00fassia) para atender problemas econ\u00f4micos comuns e enfrentar a crise do petr\u00f3leo de 1973, quando os pa\u00edses \u00e1rabes se negaram a exportar petr\u00f3leo para as na\u00e7\u00f5es que haviam apoiado Israel na guerra do Yom Kippur. Mas logo ficou claro que o processo dentro da agrupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era efetivo, e o objetivo inicial de estimular um franco e espont\u00e2neo interc\u00e2mbio de ideias entre seus l\u00edderes fracassara. \u201cA pr\u00f3pria burocracia e os minist\u00e9rios dos governos n\u00e3o queriam que o processo avan\u00e7asse\u201d, pontuou o veterano jornalista, ex-editor chefe do <i>Press Trust of India<\/i>, que cobriu temas da ONU por v\u00e1rias d\u00e9cadas para a IPS, em Nova York e Genebra.<\/p>\n<p>No entanto, em lugar de suspender seus encontros anuais, os l\u00edderes do grupo continuaram se reunindo, mesmo depois de perderem seu enfoque original na economia e quando os resultados dessas c\u00fapulas sempre estavam decididos de antem\u00e3o. O ent\u00e3o G-7 pouco a pouco come\u00e7ou a se pronunciar sobre todo tipo de assunto, mas nenhum de seus l\u00edderes assegurava que as decis\u00f5es fossem cumpridas em seus pr\u00f3prios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Vijay Prashad, autor do livro <i>The Poorer Nations: A Possible History of the Global South<\/i> (As Na\u00e7\u00f5es Mais Pobres: Uma Poss\u00edvel Hist\u00f3ria do Sul Global), disse \u00e0 IPS que o processo que rege a agrupa\u00e7\u00e3o a partir de 1998, quando a R\u00fassia passou a integr\u00e1-la, \u00e9 t\u00e3o opaco quanto o que levou \u00e0 virtual expuls\u00e3o de Moscou. O G-7 nasceu em 1974, nas palavras do presidente norte-americano Gerald Ford, \u201cpara garantir que a crise econ\u00f4mica mundial n\u00e3o fosse vista como uma crise do sistema democr\u00e1tico ou capitalista\u201d, recordou. A crise \u201cdeveria ser vista como um choque moment\u00e2neo, n\u00e3o como um desafio sistem\u00e1tico\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um novo posicionamento neoliberal, ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, permitiu o ingresso da R\u00fassia, a quem foi prometido que a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) n\u00e3o avan\u00e7aria al\u00e9m da fronteira alem\u00e3, explicou Prashad, da American University de Beirute. No entanto, Raghavan disse que o G-8 se pronuncia sobre uma ampla gama de temas pol\u00edticos, econ\u00f4micos e de outras \u00e1reas, mas cada vez com menos efeito, como quando chamou sem \u00eaxito a conclus\u00e3o da rodada de negocia\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n<p>Algumas de suas posturas sobre a situa\u00e7\u00e3o financeira mundial se dilu\u00edram e n\u00e3o se traduziram em decis\u00f5es ou normas devido \u00e0 forte press\u00e3o dos grandes grupos financeiros de Nova York e Londres, explicou o analista, autor do livro <i>Third World in the Third Millennium<\/i> (O Terceiro Mundo no Terceiro Mil\u00eanio). Os especialistas consideram pouco prov\u00e1vel uma expuls\u00e3o da R\u00fassia do G-20. E, no caso de ocorrer, ter\u00e1 limitadas consequ\u00eancias. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 3\/4\/2014 &ndash; Quando as pot&ecirc;ncias ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, decidiram expulsar a R&uacute;ssia do Grupo dos Oito (G-8) pa&iacute;ses mais industrializados, se propuseram &ldquo;isolar&rdquo; o presidente Vladimir Putin por ter &ldquo;anexado&rdquo; a Crimeia. &ldquo;E depois? 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