{"id":17338,"date":"2014-04-03T14:43:10","date_gmt":"2014-04-03T14:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110680"},"modified":"2014-04-03T14:43:10","modified_gmt":"2014-04-03T14:43:10","slug":"somalianos-em-uganda-ainda-nao-querem-ou-nao-podem-voltar-para-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/somalianos-em-uganda-ainda-nao-querem-ou-nao-podem-voltar-para-casa\/","title":{"rendered":"Somalianos em Uganda ainda n\u00e3o querem, ou n\u00e3o podem, voltar para casa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110681\" style=\"width: 535px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Somalia-625x472.jpg\"><img class=\" wp-image-110681 \" alt=\"Somalia 625x472 Somalianos em Uganda ainda n\u00e3o querem, ou n\u00e3o podem, voltar para casa\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Somalia-625x472.jpg\" width=\"525\" height=\"372\" title=\"Somalianos em Uganda ainda n\u00e3o querem, ou n\u00e3o podem, voltar para casa\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Estima-se que no assentamento de Kisenyi, em Kampala, vive grande parte dos quase 12 mil imigrantes somalianos que residem em Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 3\/4\/2013 \u2013 Alguns homens vestidos com kamis, as longas t\u00fanicas brancas tradicionais, sobem alguns degraus e entram na Somcity Travel, pequena ag\u00eancia de viagens no assentamento de Kisenyi, na capital de Uganda. A empresa familiar se orgulha de \u201cvoar para todo o mundo\u201d, mas seu grande destino \u00e9 a Som\u00e1lia. \u201cEm um dia podemos ter at\u00e9 cinco clientes e quatro costumam ser somalianos\u201d, contou Mohammad Abdullahi, de 25 anos e gerente da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>A Somcity Travel fica em frente \u00e0 loja de cosm\u00e9ticos Al Baraka e da Cadaysay, dedicada \u00e0 transfer\u00eancia de dinheiro por telefone celular, que tamb\u00e9m vende junto com seus acess\u00f3rios. \u201cAlguns deles voltam \u00e0 Som\u00e1lia para f\u00e9rias. Mas sempre regressam. O neg\u00f3cio est\u00e1 no auge. Estamos reservando muitas passagens\u201d, disse Abdullahi \u00e0 IPS. Kisenyi, apelidada de Pequena Mogad\u00edsicio, \u00e9 o centro da comunidade somaliana nesse pa\u00eds da \u00c1frica oriental desde a d\u00e9cada de 1990, acrescentou.<\/p>\n<p>A abertura de in\u00fameras empresas come\u00e7ou em 2002. Atualmente, as ruas de Kisenyi est\u00e3o repletas de ag\u00eancias de viagens, hot\u00e9is, restaurantes, postos de servi\u00e7o, supermercados e outros neg\u00f3cios, todos com propriet\u00e1rios somalianos. E tamb\u00e9m h\u00e1 uma mesquita. \u201cSomos muito duros na hora de negociar, \u00e0s vezes at\u00e9 podemos desafiar os indianos\u201d, disse \u00e0 IPS o diplomata Abdul Kadir Farah Guled, da embaixada da Som\u00e1lia em Kampala, que est\u00e1 em Uganda desde 1974. \u201cTemos mau g\u00eanio, \u00e0s vezes n\u00e3o nos damos bem por conflitos tribais, mas nos apoiamos uns aos outros\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil ter acesso a estat\u00edsticas oficiais, mas Guled calcula que at\u00e9 12 mil somalianos viveriam dispersos por Uganda, que cerca de 85% da popula\u00e7\u00e3o de Kisenyi \u00e9 de somalianos e que grande parte deles \u00e9 de refugiados ou ugandeses de origem somaliana. Acredita-se que no assentamento vivem aproximadamente quatro mil refugiados somalianos. A \u00e1rea \u00e9 um lugar de transi\u00e7\u00e3o para muitos, um degrau para uma vida melhor.<\/p>\n<p>\u201cOs somalianos s\u00e3o respeitados pelos ugandeses e o governo tamb\u00e9m os apoia\u201d, afirmou Abdullahi. O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, o observa de um retrato emoldurado e pendurado em seu escrit\u00f3rio. Na mesma parede h\u00e1 uma carta da Brussels Airlines que diz: \u201c\u00c1frica, toda para voc\u00ea\u201d. Abdullahi vivia em Mogad\u00edscio, mas em 2007 fugiu da Som\u00e1lia com parentes e amigos. Tinha apenas 17 anos. \u201cVim para c\u00e1 em busca de educa\u00e7\u00e3o e uma vida diferente da que tinha l\u00e1, onde h\u00e1 uma guerra civil\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Insurgentes da rede terrorista Al Shabaab foram expulsos de Mogad\u00edscio em 2011, mas ainda controlam muitas \u00e1reas rurais da Som\u00e1lia. Quando Abdullahi chegou a Uganda, onde seu tio Ahmed se instalara em 2003, n\u00e3o falava ingl\u00eas. Na Som\u00e1lia, a l\u00edngua oficial \u00e9 o \u00e1rabe. Mas atualmente ele fala ingl\u00eas fluentemente e trabalha seis horas di\u00e1rias na Somcity Travel, onde ganha US$ 200 por m\u00eas. \u201cNa Som\u00e1lia est\u00e1 melhor, mas ainda h\u00e1 alguns problemas, como bombardeios contra moradias. \u00c9 um problema sair para caminhar \u00e0 noite\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para a maioria dos somalianos que chegam pela primeira vez a Uganda, a barreira do idioma \u00e9 um grande problema, ressaltou Shukri Islow, de 28 anos, fundadora da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Somali Youth Action For Change. Ela criou a organiza\u00e7\u00e3o para ajudar os jovens somalianos em Uganda e reduzir a brecha entre as duas comunidades.<\/p>\n<p>\u201cQuando se conhece o idioma, se tem um senso de pertencimento\u201d, pontuou Islow, que nasceu na Som\u00e1lia e saiu do pa\u00eds quando tinha oito anos. Ela viveu na Su\u00e9cia, no Egito e na Ar\u00e1bia Saudita antes de se instalar em Uganda, em 2009. \u201cDamos a eles essa inspira\u00e7\u00e3o, motiva\u00e7\u00e3o e empoderamento, para que sintam que podem fazer, que nunca \u00e9 tarde demais\u201d, contou.<\/p>\n<p>Atualmente, Islow, que em novembro se formou em rela\u00e7\u00f5es internacionais e diplomacia pela Universidade Cavendish, de Uganda, \u00e9 o rosto da comunidade de jovens somalianos neste pa\u00eds. Ela tamb\u00e9m assessora os soldados ugandeses da Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana na Som\u00e1lia (Amisom) estacionados em seu pa\u00eds, sobre o quanto a Som\u00e1lia \u00e9 diferente e o que esperar ao chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>Uganda foi o primeiro pa\u00eds a enviar tropas para a Som\u00e1lia no contexto da Amisom, em 2007. Uma for\u00e7a de 22 mil efetivos da Uni\u00e3o Africana opera ali sob mandato da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Uganda lidera a for\u00e7a, com 6.223 soldados, mas no come\u00e7o de mar\u00e7o disse que enviaria at\u00e9 410 militares extras para garantir instala\u00e7\u00f5es da ONU.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez que Islow esteve na Som\u00e1lia foi em 2002, quando a situa\u00e7\u00e3o era \u201cmuito, muito melhor\u201d. Ela destacou \u00e0 IPS que \u201choje n\u00e3o se sabe quem vai te matar a qualquer momento, e tampouco o motivo. Atacam por seu estilo de vida ou por sua ideologia\u201d. Ela est\u00e1 consciente de que corre perigo se viajar ao seu pa\u00eds. \u201cTenho muito risco de ser atacada pela Al Shabaab se for \u00e0 Som\u00e1lia porque estou nas redes sociais e h\u00e1 fotografias minhas com soldados ugandeses\u201d na internet, afirmou.<\/p>\n<p>Ela tem familiares que ainda vivem na Som\u00e1lia e gostaria, algum dia, de poder voltar para casa de modo permanente. Mas, no momento, continuar\u00e1 vivendo em outra parte, e espera continuar seus estudos em Melbourne, na Austr\u00e1lia. Abdullahi espera fazer o mesmo. Ele tem um tio na Austr\u00e1lia e se matriculou em um curso de administra\u00e7\u00e3o que come\u00e7ar\u00e1 em julho em uma faculdade de Sydney. \u201cQuero prosseguir minha educa\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo trabalhar e ter uma vida melhor, casar e ter filhos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em janeiro, a embaixada da Som\u00e1lia em Uganda realizou seu primeiro compromisso na hist\u00f3ria com a di\u00e1spora somaliana em Kampala para debater sobre o processo de paz e estabiliza\u00e7\u00e3o em curso naquele pa\u00eds. Os funcion\u00e1rios esperam que os jovens educados, como Abdullahi e Islow, voltem para ajudar a reconstruir o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A di\u00e1spora j\u00e1 contribuiu muito com a Som\u00e1lia. Um informe de 2011 do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estima que os somalianos que vivem no exterior somam entre um milh\u00e3o e 1,5 milh\u00e3o de pessoas. Segundo esse relat\u00f3rio, calcula-se que os somalianos da di\u00e1spora fazem remessas num total de US$ 1,3 bilh\u00e3o a US$ 2 bilh\u00f5es anualmente, o que ajuda muito os que ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Em julho de 2013, a Air Uganda iniciou voos diretos do Aeroporto Internacional de Entebe para Mogad\u00edscio. Abdullahi n\u00e3o voltou nunca \u00e0 Som\u00e1lia. E se o fizer, como muitos de seus clientes, possivelmente a passagem ser\u00e1 de ida e volta. \u201cMe adaptei a esta vida no estrangeiro, e algumas coisas n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis na Som\u00e1lia, por isso viver l\u00e1 n\u00e3o seria bom\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 3\/4\/2013 &ndash; Alguns homens vestidos com kamis, as longas t&uacute;nicas brancas tradicionais, sobem alguns degraus e entram na Somcity Travel, pequena ag&ecirc;ncia de viagens no assentamento de Kisenyi, na capital de Uganda. A empresa familiar se orgulha de &ldquo;voar para todo o mundo&rdquo;, mas seu grande destino &eacute; a Som&aacute;lia. &ldquo;Em um [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/somalianos-em-uganda-ainda-nao-querem-ou-nao-podem-voltar-para-casa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2036,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1346,989,3178,2218,1542],"class_list":["post-17338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-imigrantes","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-somalianos","tag-uganda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2036"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17338"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17338\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}