{"id":17341,"date":"2014-04-04T14:35:59","date_gmt":"2014-04-04T14:35:59","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110765"},"modified":"2014-04-04T14:35:59","modified_gmt":"2014-04-04T14:35:59","slug":"criancas-hiv-positivas-noticia-negativa-no-zimbabue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/criancas-hiv-positivas-noticia-negativa-no-zimbabue\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as HIV positivas, not\u00edcia negativa no Zimb\u00e1bue"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110766\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/zimbabwe640.jpg\"><img class=\" wp-image-110766 \" alt=\"zimbabwe640 Crian\u00e7as HIV positivas, not\u00edcia negativa no Zimb\u00e1bue\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/zimbabwe640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Crian\u00e7as HIV positivas, not\u00edcia negativa no Zimb\u00e1bue\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Por medo de perder amigos e companheiros de brincadeiras, no Zimb\u00e1bue as crian\u00e7as escondem que s\u00e3o HIV positivas. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bulawayo, Zimb\u00e1bue, 4\/4\/2014 \u2013 H\u00e1 tr\u00eas anos Robert Ngwenya (nome fict\u00edcio) e seu pai se envolveram em uma acalorada discuss\u00e3o sobre medicamentos. O rapaz, na \u00e9poca com 15 anos, se negava a tomar os comprimidos, que lhe causavam n\u00e1useas e que consumia desde que tinha 12 anos, e os jogava na privada. Durante a discuss\u00e3o, Ngwenya entendeu que havia nascido HIV positivo, que tomou medicamentos antirretrovirais e n\u00e3o vitaminas e antial\u00e9rgicos, e que seu pai tamb\u00e9m vivia com o v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana, causador da aids e com a culpa de t\u00ea-lo infectado.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 injusto! O que fiz para merecer isto?\u201d, lamentou Ngwenya. Ele vive no superpovoado sub\u00farbio de Pumula, em Bulawayo, a segunda cidade mais importante do pa\u00eds, com seu pai, um mec\u00e2nico de autom\u00f3veis, e seu irm\u00e3o menor, que n\u00e3o tem o HIV. Sua m\u00e3e morreu quando ele tinha dez anos, e seu pai n\u00e3o voltou a se casar. O jovem tinha toda sua vida planejada: acabaria a escola secund\u00e1ria, se formaria em tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, encontraria um emprego e compraria um carro. Mas agora tudo mudou.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo adolescente extrovertido cuja companhia fazia fam\u00edlia e amigos sorrirem. \u201cComo direi aos meus amigos? Como posso come\u00e7ar uma rela\u00e7\u00e3o sabendo que algu\u00e9m ter\u00e1 que suportar meu peso?\u201d, questionou Ngwenya. Como o de Ngwenya, outros pais s\u00e3o HIV positivos e est\u00e3o esmagados pela culpa n\u00e3o sabem como dizer aos filhos que nasceram com o v\u00edrus. Quem e como explicar a uma crian\u00e7a ou um adolescente que viver\u00e1 com o v\u00edrus o resto de sua vida?<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 terapia antirretroviral, cada vez mais crian\u00e7as infectadas com HIV chegam \u00e0 adolesc\u00eancia. Em 2012, o Zimb\u00e1bue tinha 180 mil crian\u00e7as entre zero e 15 anos e 1,2 milh\u00e3o de pessoas acima de 15 anos que viviam com HIV. Segundo o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida). \u201cNa medida em que essas crian\u00e7as crescem e superam a amea\u00e7a imediata da morte, surge o assunto de inform\u00e1-las que s\u00e3o HIV positivas\u201d, diz um estudo sobre adolescentes nascidos com o v\u00edrus no Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>Mas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente com crian\u00e7as menores, onde se exige seguir certos crit\u00e9rios adequados \u00e0 idade, diz o documento. Adolescentes entre 16 e 20 anos entrevistados para o estudo disseram preferir ser informados de sua condi\u00e7\u00e3o por trabalhadores da sa\u00fade em cl\u00ednicas, com a presen\u00e7a de fam\u00edlias. \u201cRevelar a not\u00edcia a esse grupo et\u00e1rio em um entorno de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade pode ajudar a superar algumas das barreiras, que ocorrem quando os seus respons\u00e1veis o fazem em casa, e fazer com que o <i>status<\/i> de HIV pare\u00e7a mais cr\u00edvel para um adolescente\u201d, diz o informe.<\/p>\n<p>Zivai Mupambireyi, pesquisadora do Centro para a Sa\u00fade Sexual e a Pesquisa sobre HIV\/aids (CeSHHAR) e coautora de um estudo de 2013 sobre crian\u00e7as HIV positivas entre 11 e 13 anos no Zimb\u00e1bue, ressaltou \u00e0 IPS que estas preferem saber de sua situa\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica porque acreditam que os trabalhadores da sa\u00fade lhes d\u00e3o mais e melhor informa\u00e7\u00e3o do que os seus respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as disseram que os adultos que cuidavam delas demoravam para explicar a situa\u00e7\u00e3o, escondiam informa\u00e7\u00e3o e mentiam sobre os comprimidos. \u201cA maioria dessas crian\u00e7as era cuidada por pessoas com as quais n\u00e3o tinham v\u00ednculo biol\u00f3gico, pois seus pais foram a primeira gera\u00e7\u00e3o de pacientes com aids e morreram antes da exist\u00eancia dos antirretrovirais\u201d, explicou Mupambireyi. Seja pelo fato de os pais carregarem o peso da culpa ou de os tutores estarem aflitos pela enormidade da revela\u00e7\u00e3o, dizer aos adolescentes que s\u00e3o HIV positivos \u00e9 uma tarefa repleta de dor e ambival\u00eancia.<\/p>\n<p>Mupambireyi concluiu que as crian\u00e7as HIV positivas acreditam que revelar sua condi\u00e7\u00e3o aos seus colegas os expor\u00e1 \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. Embora frequentemente isso n\u00e3o ocorra, por medo de se isolar socialmente e perder amigos, as crian\u00e7as escondem essa informa\u00e7\u00e3o. \u201cEmbora contar que se tem HIV seja nobre e recomendado, as preocupa\u00e7\u00f5es e os temores das crian\u00e7as em torno disso devem ser abordadas antes de incentiv\u00e1-los \u00e0 revela\u00e7\u00e3o\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Trabalhadores da sa\u00fade, pais e educadores ficam com medo de contar, sem saber qual \u00e9 o momento mais oportuno e a melhor maneira de revelar a um jovem que tem HIV. Definate Nhamo coordena o Shaping the Health of Adolescents in Zimbabwe (SHAZ), um projeto de pesquisa. Em uma filial, o SHAZ for Positives, chega a mais de 700 jovens que vivem com o v\u00edrus em Chitungwiza, um sub\u00farbio de Harare.<\/p>\n<p>O pesquisador indicou \u00e0 IPS que a melhor idade para revelar a uma crian\u00e7a que ela \u00e9 HIV positiva provavelmente seja em torno dos nove ou dez anos, e de prefer\u00eancia na presen\u00e7a de pais, tutores e psic\u00f3logos. \u201cQuando a crian\u00e7a \u00e9 menor, confia, e crescer\u00e1 sabendo que deve tomar os medicamentos religiosamente\u201d, destacou \u00e0 IPS. Os membros da SHAZ for Positives concordam que conhecer sua situa\u00e7\u00e3o mais cedo ajuda as crian\u00e7as a aceitarem sua condi\u00e7\u00e3o e falar abertamente sobre ela, acrescentou.<\/p>\n<p>Alguns adultos dizem \u00e0s crian\u00e7as que os comprimidos antirretrovirais s\u00e3o para tuberculose, sem se darem conta de que podem fazer uma busca na internet e conferir a verdade por si mesmos. \u201cOs adolescentes simplesmente deixam de tomar os antirretrovirais e n\u00e3o dizem aos pais, porque sentem que est\u00e3o mais informados por terem acesso \u00e0 internet\u201d, observou Nhamo.<\/p>\n<p>Uma jovem participante do estudo da SHAZ contou \u00e0 IPS que sua m\u00e3e, martirizada por t\u00ea-la infectado, nunca contou a verdade. Aos 17 anos, a jovem fez um exame de HIV rotineiro e o resultado deu positivo. Como nunca mantivera rela\u00e7\u00f5es sexuais, confrontou sua m\u00e3e e assim soube de que suas duas irm\u00e3s eram HIV negativas, mas que ela tinha o v\u00edrus. \u201cMe senti com raiva e frustrada. Se minha m\u00e3e tivesse contado antes, eu poderia ter aceito melhor minha situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Zvandiri, que significa \u201co que sou\u201d no idioma shona, \u00e9 um grupo de apoio que ajuda os adolescentes a enfrentarem o HIV. Em 2013, a organiza\u00e7\u00e3o produziu uma can\u00e7\u00e3o de ninar com um DVD, <i>Como Dan\u00e7ar<\/i>, interpretada por jovens que soltaram suas esperan\u00e7as e seus medos. \u201cTamb\u00e9m tenho sonhos de uma vida melhor, de que algu\u00e9m me queira como sou\u201d, diz a letra, que pergunta \u201ccomo dan\u00e7ar na tempestade?\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 4\/4\/2014 &ndash; H&aacute; tr&ecirc;s anos Robert Ngwenya (nome fict&iacute;cio) e seu pai se envolveram em uma acalorada discuss&atilde;o sobre medicamentos. O rapaz, na &eacute;poca com 15 anos, se negava a tomar os comprimidos, que lhe causavam n&aacute;useas e que consumia desde que tinha 12 anos, e os jogava na privada. 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