{"id":17343,"date":"2014-04-04T14:32:06","date_gmt":"2014-04-04T14:32:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110762"},"modified":"2014-04-04T14:32:06","modified_gmt":"2014-04-04T14:32:06","slug":"jovens-africanos-fogem-da-pouco-tentadora-vida-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/jovens-africanos-fogem-da-pouco-tentadora-vida-rural\/","title":{"rendered":"Jovens africanos fogem da pouco tentadora vida rural"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110763\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/africa640.jpg\"><img class=\" wp-image-110763 \" alt=\"africa640 Jovens africanos fogem da pouco tentadora vida rural\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/africa640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Jovens africanos fogem da pouco tentadora vida rural\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um agricultor na \u00e1rea de Woliyta, na Eti\u00f3pia. Preocupa cada vez mais que n\u00e3o se esteja fazendo o suficiente para comprometer os jovens africanos na produ\u00e7\u00e3o alimentar. Foto: Ed McKenna\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00fanis, Tun\u00edsia e Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 4\/4\/2014 \u2013 Ketsela Negatu \u00e9 filho de um et\u00edope que cria cabras perto de Adis Abeba e se nega a seguir seus passos. O jovem de 19 anos v\u00ea de maneira negativa o of\u00edcio familiar, ap\u00f3s observar as sombrias perspectivas econ\u00f4micas oferecidas por seu pai. \u201cIrei para a cidade e tentarei encontrar trabalho. N\u00e3o sei o que farei, mas quero um emprego que pague mais e ter uma boa vida\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Negatu pensa como muitos outros jovens na \u00c1frica, pois os magros retornos financeiros e as perspectivas pouco animadoras da economia rural do continente os levam a abandonar o campo e migrar para as cidades. Al\u00e9m disso, preocupa cada vez mais que n\u00e3o se esteja fazendo o suficiente para comprometer a maior for\u00e7a de trabalho africana, seus jovens, na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pois eles s\u00e3o essenciais para salvaguardar a seguran\u00e7a alimentar no continente, erradicar a fome e ter acesso aos mercados de alimento mundiais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 est\u00edmulo suficiente para os jovens participarem da agricultura nos pa\u00edses africanos. Os agricultores jovens precisam de bons pre\u00e7os para bons produtos. De outro modo, os perderemos quando partirem para as cidades\u201d, disse Gebremedhine Birega, representante et\u00edope da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental East and South African Food Security Network. \u201cPor que deveriam fazer o trabalho duro e continuar sendo pobres?\u201d, perguntou em conversa com a IPS.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de jovens na for\u00e7a de trabalho da \u00c1frica \u00e9 a mais alta do mundo, com cerca de 35% na \u00c1frica subsaariana e 40% no norte da \u00c1frica, em compara\u00e7\u00e3o com 30% na \u00cdndia, 25% na China e 20% na Europa. Proje\u00e7\u00f5es do Banco Mundial indicam que 60% do aumento da for\u00e7a de trabalho mundial ser\u00e3o registrados na \u00c1frica entre 2010 e 2050. A previs\u00e3o \u00e9 de que o crescimento econ\u00f4mico na \u00c1frica subsaariana alcan\u00e7ar\u00e1 6,3% em 2014, muito acima da m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<p>Entretanto, os dirigentes do setor agr\u00e1rio que participaram da confer\u00eancia regional da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), realizada entre 24 e 29 de mar\u00e7o em T\u00fanis, na Tun\u00edsia, concordam que esse crescimento prodigioso n\u00e3o est\u00e1 se traduzindo de modo suficientemente r\u00e1pido no emprego para os jovens africanos.<\/p>\n<p>Gerda Verburg, presidente do Comit\u00ea sobre Seguran\u00e7a Alimentar Mundial, disse \u00e0 IPS que uma maior comercializa\u00e7\u00e3o da agricultura aproveitar\u00e1 os jovens desempregados nas zonas rurais de \u00c1frica e criar\u00e1 um setor agr\u00edcola produtivo e rent\u00e1vel. Portanto, incentivar\u00e1 a seguran\u00e7a alimentar e criar\u00e1 renda decente e oportunidades de trabalho para os jovens.<\/p>\n<p>\u201cTemos que tentar reverter a mentalidade rural que diz que a agricultura \u00e9 a \u00faltima op\u00e7\u00e3o. Para impedir essa perda de m\u00e3o de obra precisamos nos fixar em como melhorar as perspectivas financeiras daqueles que trabalham no setor agr\u00edcola\u201d, afirmou Verburg. \u201cAs finan\u00e7as do setor privado e das agroind\u00fastrias est\u00e3o ajudando a modernizar a agricultura, criando cadeias de valor agregado que pagar\u00e3o ao agricultor mais por seu trabalho do que o mercado local\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico no continente, e as vacilantes tend\u00eancias na dieta da emergente classe m\u00e9dia da \u00c1frica tamb\u00e9m proporcionam cadeias de valor atraentes e lucrativas para que os jovens produtores agr\u00edcolas participem delas, destacou \u00e0 IPS o diretor-geral da FAO, o brasileiro Jos\u00e9 Graziano da Silva. \u201cH\u00e1 mercados emergentes, como o da aquicultura, onde estamos vendo um bom potencial para o crescimento. Mais investimentos nesses mercados dar\u00e3o maiores oportunidades para o emprego juvenil\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se espera que a maior eletrifica\u00e7\u00e3o da \u00c1frica rural ajude a reter a popula\u00e7\u00e3o jovem nessas \u00e1reas e a atender a aspira\u00e7\u00e3o de um estilo de vida moderno, onde t\u00eam um papel importante as telecomunica\u00e7\u00f5es e a conectividade \u00e0 internet. Atualmente, menos de 10% das fam\u00edlias rurais da \u00c1frica subsaariana t\u00eam acesso a eletricidade.<\/p>\n<p>Cheij Ly, secret\u00e1rio da confer\u00eancia regional da FAO, disse \u00e0 IPS que um importante fator por tr\u00e1s da decis\u00e3o dos jovens de emigrar para \u00e1reas urbanas \u00e9 a falta de eletricidade nas \u00e1reas rurais do continente. \u201cA eletrifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade fundamental para a economia rural da \u00c1frica. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola moderna n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem acesso confi\u00e1vel \u00e0 eletricidade. Tamb\u00e9m perderemos os jovens que querem estar conectados e se comunicar por telefones e internet, se essas necessidades n\u00e3o forem atendidas\u201d, pontuou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Um investimento maior na agricultura africana pareceu um fato consumado quando os l\u00edderes africanos se reuniram, em 2003, em Maputo, para comprometer um m\u00ednimo de 10% de seus or\u00e7amentos nacionais para a agricultura e para aumentar o crescimento. Por\u00e9m, dos 54 pa\u00edses da \u00c1frica, apenas nove (Gana, Burkina Faso, Malawi, Mali, Eti\u00f3pia, N\u00edger, Senegal, Cabo Verde, Guin\u00e9) conseguiram manter esses compromissos.<\/p>\n<p>O baixo investimento est\u00e1 causando uma baixa produtividade e desbaratando o setor agr\u00edcola africano, que emprega cerca de 60% da for\u00e7a de trabalho do continente, mas representa apenas 25% de seu produto interno bruto. A falta de vontade dos l\u00edderes africanos est\u00e1 atrasando a expans\u00e3o agr\u00edcola, ressaltou David Adama, da Action Aid International.<\/p>\n<p>\u201cPalavras vazias n\u00e3o encher\u00e3o est\u00f4magos vazios. Os governos africanos devem cumprir suas promessas e dar mais dinheiro para a agricultura, al\u00e9m de garantir que seja melhor abordada para ajudar os milh\u00f5es de pequenos agricultores, que s\u00e3o a maioria de seus cidad\u00e3os e produzem a maior parte dos alimentos da \u00c1frica\u201d, opinou Adama \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Converter a agricultura em um neg\u00f3cio atraente para a juventude africana deveria estar ao alcance de seus pa\u00edses. A \u00c1frica tem cerca de 50% das terras f\u00e9rteis e n\u00e3o aproveitadas do mundo, enquanto se espera que os investimentos estrangeiros na agricultura do continente superem os US$ 45 bilh\u00f5es em 2020, segundo estat\u00edsticas do Banco Mundial.<\/p>\n<p>No entanto, os jovens da \u00c1frica ainda n\u00e3o sentem o impulso de um novo \u201crenascimento agr\u00edcola\u201d no continente. \u201cFicarei e trabalharei no campo, mas s\u00f3 se as coisas melhorarem aqui. Se n\u00e3o for assim, irei para a cidade e verei se h\u00e1 algo melhor\u201d, enfatizou Negatu . Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&uacute;nis, Tun&iacute;sia e Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 4\/4\/2014 &ndash; Ketsela Negatu &eacute; filho de um et&iacute;ope que cria cabras perto de Adis Abeba e se nega a seguir seus passos. 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