{"id":17347,"date":"2014-04-04T14:46:59","date_gmt":"2014-04-04T14:46:59","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110769"},"modified":"2014-04-04T14:46:59","modified_gmt":"2014-04-04T14:46:59","slug":"represas-brasileiras-culpadas-por-inundacoes-na-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/represas-brasileiras-culpadas-por-inundacoes-na-bolivia\/","title":{"rendered":"Represas brasileiras, culpadas por inunda\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110770\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Bolivia-629x451.jpg\"><img class=\" wp-image-110770 \" alt=\"Bolivia 629x451 Represas brasileiras, culpadas por inunda\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia?\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Bolivia-629x451.jpg\" width=\"529\" height=\"351\" title=\"Represas brasileiras, culpadas por inunda\u00e7\u00f5es na Bol\u00edvia?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher tenta guardar alguns pertences durante as inunda\u00e7\u00f5es no amaz\u00f4nico departamento de Beni, na Bol\u00edvia. Foto: Cortesia do jornal Opini\u00f3n.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>La Paz, Bol\u00edvia, 4\/4\/2014 \u2013 Um extraordin\u00e1rio aumento das chuvas, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o desmatamento e, como novidade, duas represas brasileiras, s\u00e3o apontados como origem das maiores inunda\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o amaz\u00f4nica da Bol\u00edvia desde que existem registros, segundo diferentes fontes ouvidas pela IPS. Organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas debatem se apresentam uma den\u00fancia internacional contra as hidrel\u00e9tricas brasileiras de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, responsabilizadas pelo desastre que na Bol\u00edvia j\u00e1 custou este ano a vida de 59 pessoas e preju\u00edzos de US$ 111 milh\u00f5es, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio presidente Evo Morales aderiu, no dia 2, aos que suspeitam que as duas represas brasileiras tiveram a ver com as inunda\u00e7\u00f5es amaz\u00f4nicas. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma profunda investiga\u00e7\u00e3o para saber se de fato as hidrel\u00e9tricas do Brasil t\u00eam influ\u00eancia\u201d, pontuou. Morales encomendou \u00e0 chancelaria que lidere as investiga\u00e7\u00f5es. \u201cH\u00e1 um informe preliminar que preocupa muito, e se deve verificar em um trabalho conjunto dos dois pa\u00edses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o dos 327 munic\u00edpios bolivianos e cerca de 30 mil fam\u00edlias suportaram inunda\u00e7\u00f5es sem precedentes nas regi\u00f5es do vale e das plan\u00edcies, e a busca pelas responsabilidades se tornou um assunto diplom\u00e1tico e pol\u00edtico. Os ecologistas est\u00e3o convencidos de que, entre os culpados, est\u00e3o essas represas constru\u00eddas em Rond\u00f4nia no rio Madeira, o maior afluente do Amazonas e cuja bacia \u00e9 compartilhada por Brasil, Bol\u00edvia e Peru.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, onde nasce, desembocam no Madeira 250 rios que se originam em cordilheiras e vales andinos. \u201cSabia-se que as represas Jirau e Santo Ant\u00f4nio se converteriam em um obst\u00e1culo para as \u00e1guas dos rios afluentes do Madeira\u201d, destacou \u00e0 IPS a ambientalista independente Teresa Flores. \u201cA constru\u00e7\u00e3o de uma represa provoca a eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de \u00e1gua com rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis naturais e como consequ\u00eancia a redu\u00e7\u00e3o da velocidade de fluxo\u201d (efeito remanso), observou \u00e0 IPS a vice-presidente do F\u00f3rum Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Fobomade), Patricia Molina.<\/p>\n<p>Sua afirma\u00e7\u00e3o se baseia no estudo <i>O Impacto das Represas do Rio Madeira na Bol\u00edvia<\/i>, publicado pelo Fobomade, em 2008. \u201cAs represas do Madeira (projeto do Brasil) provocar\u00e3o inunda\u00e7\u00f5es, perda de florestas de castanha, da flora e fauna nativas, de peixes, o surgimento e recorr\u00eancia de enfermidades, como febre amarela, mal\u00e1ria, dengue, o deslocamento de pessoas, e pobreza e desaparecimento de comunidades inteiras\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>\u201cConsiderando toda a informa\u00e7\u00e3o gerada por ativistas ambientais no Brasil e na Bol\u00edvia, at\u00e9 o final de 2013 tudo parecia indicar que os elementos para um grande desastre ambiental estavam prontos\u201d, escreve o pesquisador da Liga de Defesa do Meio Ambiente, Marco Octavio Ribera, em um artigo publicado no dia 22 de fevereiro.<\/p>\n<p>Mas o diretor-presidente do cons\u00f3rcio Energia Sustent\u00e1vel do Brasil (ESBR), V\u00edctor Paranhos, recha\u00e7ou as acusa\u00e7\u00f5es. As represas nem provocam nem agravam as inunda\u00e7\u00f5es bolivianas \u201cporque s\u00e3o centrais a fio de \u00e1gua, \u00e9 \u00e1gua que entra e logo sai. As represas s\u00e3o pequenas e ficam a muitos quil\u00f4metros da fronteira\u201d, garantiu \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A seu ver, \u201co que acontece \u00e9 que nunca choveu tanto\u201d na regi\u00e3o boliviana afetada. O fluxo do Madeira, que em Jirau chegava a um m\u00e1ximo de \u201caproximadamente 46 mil metros c\u00fabicos por segundo, agora chegou a 54,35 mil metros c\u00fabicos por segundo\u201d, acrescentou. Al\u00e9m disso, na Bol\u00edvia, as inunda\u00e7\u00f5es ocorrem em grande parte do pa\u00eds, e n\u00e3o apenas perto das hidrel\u00e9tricas do Madeira, ressaltou.<\/p>\n<p>A ESBR \u00e9 concession\u00e1ria da hidrel\u00e9trica de Jirau, a 80 quil\u00f4metros da fronteira com a Bol\u00edvia, e est\u00e1 encabe\u00e7ada pelo grupo franco-belga GDF Suez, com participa\u00e7\u00e3o de duas empresas estatais brasileiras e da Mizha energia, subsidi\u00e1ria da japonesa Mtsui. Em Jirau e Santo Ant\u00f4nio j\u00e1 foram constru\u00eddas as duas represas e em ambas est\u00e1 sendo instalada meia centena de turbinas de cada central. Quando estiverem plenamente operacionais, contar\u00e3o com capacidade instalada superior a 3.500 megawatts.<\/p>\n<p>Claudio Maretti, respons\u00e1vel pela Iniciativa Amaz\u00f4nia Viva, do Fundo Mundial para a Natureza, afirmou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias nem estudos concludentes que comprovem que as represas constru\u00eddas no Madeira s\u00e3o a causa das inunda\u00e7\u00f5es nos territ\u00f3rios amaz\u00f4nicos boliviano-brasileiro nesses primeiros meses de 2014, pelo menos at\u00e9 agora\u201d. Em um comunicado, Maretti recomendou um \u201cplanejamento integrado de conserva\u00e7\u00e3o, monitoramento de impactos dos projetos de infraestrutura na liga\u00e7\u00e3o e no fluxo dos rios, na biodiversidade aqu\u00e1tica, nos recursos pesqueiros e na capacidade dos ecossistemas de se adaptarem \u00e0s fortes altera\u00e7\u00f5es impostas pelo ser humano\u201d.<\/p>\n<p>A intensidade das chuvas \u00e9 reconhecida em uma an\u00e1lise da Funda\u00e7\u00e3o Mil\u00eanio, que compara as precipita\u00e7\u00f5es do \u00faltimo ano no eixo central do departamento de Beni, o mais afetado, e do altiplano e sul da Bol\u00edvia, para concluir que \u201cchoveu o dobro do normal\u201d. Foram dados v\u00e1rios alertas, como o de 23 de fevereiro, para as popula\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas ao rio Pira\u00ed, que cruza de sul a norte o departamento de Santa Cruz, vizinho ao sul de Beni. Na ocasi\u00e3o, uma \u201ccheia extraordin\u00e1ria\u201d, a maior dos \u00faltimos 31 anos, atingiu 7,5 metros, isolou uma dezena de pessoas em uma ilhota e obrigou \u00e0 sua evacua\u00e7\u00e3o urgente.<\/p>\n<p>Os dados constam de um informe do Servi\u00e7o de Canaliza\u00e7\u00e3o de \u00c1guas e Regulariza\u00e7\u00e3o do Rio Pira\u00ed (Searpi), na cidade de Santa Cruz de la Sierra, ao qual a IPS teve acesso. Suas caudalosas \u00e1guas desembocam nas plan\u00edcies de Beni e contribu\u00edram para as inunda\u00e7\u00f5es, junto com os grandes volumes pluviais nas zonas andinas e de vales. O Searpi registra como dado m\u00e1ximo hist\u00f3rico um n\u00edvel de 16 metros de altura no Pira\u00ed, em 1983.<\/p>\n<p>A ecologista Flores tamb\u00e9m admite \u201cexcessos extraordin\u00e1rios\u201d de chuvas, que atribui a impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica nos departamentos de La Paz, Cochabamba e nos munic\u00edpios de Rurrenabaque, Reyes e San Borja, em Beni. Molina, do Fobomade, identifica \u201cincurs\u00f5es intensificadas de fluxos de umidade do Atl\u00e2ntico tropical sul para o sul da bacia amaz\u00f4nica\u201d como explica\u00e7\u00e3o das intensas precipita\u00e7\u00f5es. Ela e Flores coincidem em apontar o desmatamento nas cabeceiras dessa bacia como o terceiro grande fator que agrava as inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Cochabamba, o ex-senador Gast\u00f3n Cornejo lidera uma corrente a favor de uma auditoria ambiental internacional e de um processo em um tribunal da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para evitar uma cat\u00e1strofe na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. \u201cO Estado da Bol\u00edvia peca por neglig\u00eancia e mant\u00e9m um sil\u00eancio irrespons\u00e1vel\u201d, declarou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Molina prop\u00f5e denunciar ao Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, com sede em Haia, os supostos danos ambientais das duas represas brasileiras. Tamb\u00e9m pede ao governo de Morales que \u201cdeixe de negar os impactos porque n\u00e3o s\u00e3o advogados dos cons\u00f3rcios\u201d el\u00e9tricos do Brasil. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com a colabora\u00e7\u00e3o de Mario Osava (Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; La Paz, Bol&iacute;via, 4\/4\/2014 &ndash; Um extraordin&aacute;rio aumento das chuvas, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, o desmatamento e, como novidade, duas represas brasileiras, s&atilde;o apontados como origem das maiores inunda&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica da Bol&iacute;via desde que existem registros, segundo diferentes fontes ouvidas pela IPS. 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