{"id":17352,"date":"2014-04-07T14:58:31","date_gmt":"2014-04-07T14:58:31","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110839"},"modified":"2014-04-07T14:58:31","modified_gmt":"2014-04-07T14:58:31","slug":"como-entrar-no-inferno-do-qual-tantos-querem-sair","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/como-entrar-no-inferno-do-qual-tantos-querem-sair\/","title":{"rendered":"Como entrar no inferno do qual tantos querem sair"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_110840\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/car-camp-640-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-110840 \" alt=\"car camp 640 629x472 Como entrar no inferno do qual tantos querem sair\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/car-camp-640-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Como entrar no inferno do qual tantos querem sair\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mais de 600 mil pessoas fugiram de suas casas em todo o pa\u00eds. S\u00f3 na capital foram mais de 177 mil. Foto: EU\/ECHO Jean-Pierre Mustin\/cc by 2.0.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Na\u00e7\u00f5es Unidas, 7\/4\/2014 \u2013 Ter acesso \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Centro-Africana \u2013 que sofre o que a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) chama de \u201climpeza \u00e9tnico-religiosa\u201d, mais uma estrutura estatal inexistente e uma \u201cbrutalidade sect\u00e1ria inaceit\u00e1vel\u201d \u2013, \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil e \u00e0s vezes mortal para os trabalhadores humanit\u00e1rios. \u201cPara todos nesse pa\u00eds, a seguran\u00e7a \u00e9 um desafio, porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito inst\u00e1vel e violenta. No ano passado morreram nove trabalhadores humanit\u00e1rios\u201d, disse \u00e0 IPS, de Bangui, Judith L\u00e9veill\u00e9e, vice-representante do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) na Rep\u00fablica Centro-Africana.<\/span><\/p>\n<p>\u201cNunca vi nada como isto, e esta \u00e9 minha s\u00e9tima miss\u00e3o\u201d, ressaltou L\u00e9veill\u00e9e. O conflito come\u00e7ou em 2012, quando rebeldes mu\u00e7ulmanos s\u00e9l\u00e9ka lan\u00e7aram ataques contra o governo. Durante os dois anos seguintes a viol\u00eancia escalou segundo par\u00e2metros sect\u00e1rios: as mil\u00edcias crist\u00e3s antibalaka (antifac\u00e3o) pegaram em armas contra os s\u00e9l\u00e9ka. Embora os civis mu\u00e7ulmanos constituam o grosso das v\u00edtimas, os crist\u00e3os tamb\u00e9m s\u00e3o amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 situa\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o podemos ter acesso \u00e0s pessoas \u00e0s quais precisamos chegar porque as for\u00e7as em combate n\u00e3o permitem\u201d, contou \u00e0 IPS o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Steve Taravella. \u201cAs estradas est\u00e3o bloqueadas, os comboios s\u00e3o desviados, os suprimentos de alimentos s\u00e3o saqueados, e isso quando n\u00e3o h\u00e1 ataques contra a popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, devido ao aumento das for\u00e7as internacionais e \u00e0 sa\u00edda em massa de mu\u00e7ulmanos, a ONU registrou uma parada das hostilidades na capital. Por\u00e9m, a viol\u00eancia extrema e aleat\u00f3ria da Rep\u00fablica Centro-Africana cria grande emaranhado de problemas de seguran\u00e7a para os trabalhadores humanit\u00e1rios que tentam chegar aos 2,2 milh\u00f5es de pessoas que precisam de ajuda.<\/p>\n<p>\u201cEm um momento, a \u00fanica estrada que vai de Camar\u00f5es a Bangui, que usamos como corredor para os alimentos, esteve fechada completamente, porque os motoristas que chegavam de Camar\u00f5es, e que eram principalmente mu\u00e7ulmanos, n\u00e3o queriam cruzar a fronteira. Durante semanas tiveram medo\u201d, afirmou \u00e0 IPS Fabienne Pompey, encarregada de comunica\u00e7\u00f5es regionais do PMA radicada no pa\u00eds. \u201cAgora a estrada est\u00e1 aberta para o transporte de alimentos a partir da fronteira, mas usamos uma escolta militar da Miss\u00e3o de Paz da Uni\u00e3o Africana na Rep\u00fablica Centro-Africana\u201d (Misca), acrescentou.<\/p>\n<p>Marie-Servane Desjonqueres, porta-voz do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha para a \u00c1frica central e austral, disse \u00e0 IPS que \u201ca inseguran\u00e7a e o banditismo est\u00e3o crescendo, e isso, naturalmente, \u00e9 um problema muito grande para as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. \u00c9 dif\u00edcil dirigir nas estradas e \u00e9 complicado ter ve\u00edculos no pr\u00f3prio complexo, porque existe o risco de serem roubados\u201d.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de um contexto seguro para a entrega de ajuda humanit\u00e1ria na Rep\u00fablica Centro-Africana e uma presen\u00e7a maior de tropas internacionais foram elementos fundamentais da recomenda\u00e7\u00e3o de seis pontos, apresentada no dia 20 de fevereiro pelo secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon. Mas o pessoal humanit\u00e1rio continua sendo alvo de ataques por parte de grupos armados, informou a ONU no dia 3 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>No momento, as for\u00e7as militares internacionais na Rep\u00fablica Centro-Africana est\u00e3o compostas por cerca de dois mil soldados franceses, sob a miss\u00e3o Sangaris, e aproximadamente seis mil da Uni\u00e3o Africana, no contexto da Misca. Ap\u00f3s o pedido de Ban, a Uni\u00e3o Europeia comprometeu quase mil soldados para dar mais apoio, mas esta for\u00e7a ainda n\u00e3o se concretizou.<\/p>\n<p>Para o Unicef e o PMA, o uso de escoltas armadas permite chegar a \u00e1reas do pa\u00eds com graves problemas de seguran\u00e7a. \u201cAtuamos com escoltas da Sangaris ou da Misca, mas como \u00faltimo recurso\u201d, detalhou L\u00e9veill\u00e9e. \u201c\u00c9 muito importante que mantenhamos nossa neutralidade. N\u00e3o necessariamente queremos que nos associem com guardas armados\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>No dia 3 de mar\u00e7o, Ban prop\u00f4s uma miss\u00e3o da ONU de 12 mil soldados. Se prev\u00ea que o Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas vote a resolu\u00e7\u00e3o de aprova\u00e7\u00e3o esta semana, com vistas a um deslocamento em setembro, informou a atual presidente do Conselho, a embaixadora nigeriana Joy Ogwu.<\/p>\n<p>Embora algumas organiza\u00e7\u00f5es, como a M\u00e9dicos Sem Fronteiras (MSF) e a Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Cruz Vermelha e da Meia-Lua Vermelha (IFRC) n\u00e3o apelem \u00e0 cust\u00f3dia armada, negociar com as partes em conflito \u00e9 uma ferramenta universal nesse tipo de opera\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. \u201cN\u00e3o temos pessoal armado para tarefas de seguran\u00e7a, dependemos do respeito das partes em conflito\u201d, pontuou \u00e0 IPS o chefe da miss\u00e3o do MSF em Bangui, Sylvain Groulx.<\/p>\n<div id=\"attachment_110841\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/eu-airlift-640.jpg\"><img class=\" wp-image-110841 \" alt=\"eu airlift 640 Como entrar no inferno do qual tantos querem sair\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/eu-airlift-640.jpg\" width=\"540\" height=\"380\" title=\"Como entrar no inferno do qual tantos querem sair\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Uni\u00e3o Europeia envia avi\u00f5es de carga com suprimentos humanit\u00e1rios \u00e0 Rep\u00fablica Centro-Africana. Foto: EU\/ECHO Jean-Pierre Mustin\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">\u201cN\u00f3s n\u00e3o portamos armas e nunca usamos escoltas armadas\u201d, disse \u00e0 IPS o porta-voz da IFRC, Benoit Matsha-Carpentier. \u201cNa verdade, este \u00e9 um de nossos princ\u00edpios\u201d, destacou, acrescentando que \u201ch\u00e1 debates de alto n\u00edvel em curso, com o governo ou por parte dos volunt\u00e1rios, seja com que for que esteja no comando, para garantir que o pessoal humanit\u00e1rio chegue com seguran\u00e7a aos que passam necessidades\u201d. A IFRC tem uma rede de sociedades espec\u00edficas em cada pa\u00eds, que facilita o apoio em um \u00e2mbito local.<\/span><\/p>\n<p>A sociedade nacional da IFRC na Rep\u00fablica Centro-Africana tem impacto importante em apoiar a Federa\u00e7\u00e3o e outras organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que se veem limitadas para fazer chegar a ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o centro-africana. \u201cSe \u00e9 muito perigoso permanecer no terreno, ent\u00e3o distribu\u00edmos a ajuda mediante um s\u00f3cio local\u201d, explicou Desjonqueres. \u201cNosso principal s\u00f3cio na Rep\u00fablica Centro-Africana \u00e9 a Cruz Vermelha (local), que tem uma rede muito forte em todo o pa\u00eds e muitos volunt\u00e1rios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Desjonqueres, \u201cum de nossos mandatos \u00e9 difundir o respeito internacional pelos direitos humanos. Durante muitos anos, realizamos sess\u00f5es para falar sobre essas regras b\u00e1sicas de humanidade que \u00e9 necess\u00e1rio serem respeitadas em tempos de guerra, e que incluem a passagem segura para os trabalhadores humanit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Pompey enfatizou que \u201cestamos distribuindo alimentos para quem sofre necessidades, este \u00e9 nosso crit\u00e9rio. \u00c9 muito importante repetir isso cada vez, para que as partes envolvidas no conflito nos deixem ir\u201d. Na crise da Rep\u00fablica Centro-Africana, com milhares de mortos e mais de 600 mil refugiados, a ajuda \u00e9 um objetivo imediato, mas n\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo. \u201cA melhor op\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um acordo pol\u00edtico\u201d interno que ponha fim ao conflito \u201ce ajude a concretizar a paz\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 7\/4\/2014 &ndash; Ter acesso &agrave; popula&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Centro-Africana &ndash; que sofre o que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) chama de &ldquo;limpeza &eacute;tnico-religiosa&rdquo;, mais uma estrutura estatal inexistente e uma &ldquo;brutalidade sect&aacute;ria inaceit&aacute;vel&rdquo; &ndash;, &eacute; uma tarefa dif&iacute;cil e &agrave;s vezes mortal para os trabalhadores humanit&aacute;rios. &ldquo;Para todos nesse pa&iacute;s, [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/como-entrar-no-inferno-do-qual-tantos-querem-sair\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2346,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1138,989,3178,1080,1459],"class_list":["post-17352","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-crise","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-onu","tag-republica-centro-africana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17352","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2346"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17352"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17352\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17352"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17352"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17352"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}