{"id":17356,"date":"2014-04-08T13:57:54","date_gmt":"2014-04-08T13:57:54","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=110934"},"modified":"2014-04-08T13:57:54","modified_gmt":"2014-04-08T13:57:54","slug":"o-celeiro-agricola-colombiano-perde-peso-e-sabor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/o-celeiro-agricola-colombiano-perde-peso-e-sabor\/","title":{"rendered":"O celeiro agr\u00edcola colombiano perde peso e sabor"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_110935\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Colombia-chica-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-110935 \" alt=\"Colombia chica 629x472 O celeiro agr\u00edcola colombiano perde peso e sabor\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Colombia-chica-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"O celeiro agr\u00edcola colombiano perde peso e sabor\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma prec\u00e1ria moradia de uma fam\u00edlia camponesa empobrecida, nas montanhas de Cajamarca, no departamento colombiano de Tolima. Foto: Helda Mart\u00ednez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ibagu\u00e9, Col\u00f4mbia, 8\/4\/2014 \u2013 \u201cIsto est\u00e1 cada vez pior\u201d, disse com tristeza no olhar Enrique Mu\u00f1oz, um campon\u00eas de 67 anos de Cajamarca, munic\u00edpio do departamento de Tolima, que foi um dos maiores celeiros agr\u00edcolas da Col\u00f4mbia. \u201cEm cinco d\u00e9cadas a situa\u00e7\u00e3o mudou radical e negativamente\u201d, acrescentou \u00e0 IPS o ativista Miguel Gordillo sobre o que ocorre em Tolima, cuja capital \u00e9 Igabu\u00e9, 195 quil\u00f4metros a sudoeste de Bogot\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 50 anos, Ibagu\u00e9 era uma pequena cidade rodeada por cultivos: enormes \u00e1reas de algod\u00e3o pareciam de longe um imenso len\u00e7ol branco\u201d, recordou Gordillo, coordenador da n\u00e3o governamental Associa\u00e7\u00e3o Nacional para a Salva\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria. \u201cEm Tolima cultiv\u00e1vamos milho, tabaco, soja, sorgo, frutas, e as montanhas que rodeiam Cajamarca estavam cobertas de verdes cafezais, protegidos com laranjas, milho, banana e cercados por aipo\u201d, contou Mu\u00f1oz.<\/p>\n<p>Com a voz perdida no passado, Mu\u00f1oz tamb\u00e9m disse que n\u00e3o faltavam nas propriedades \u201cos porcos, as galinhas, as mulas, as vacas, tudo era muito diferente\u201d. \u201cAo norte do departamento t\u00ednhamos frutas de todas as esp\u00e9cies, e os peixes n\u00e3o cabiam nos rios. Persiste o arroz, um pouco de milho, caf\u00e9, mas at\u00e9 os peixes desapareceram\u201d, contou Gordillo. \u201cDefinitivamente, em cinco d\u00e9cadas mudou a imagem de regi\u00e3o agr\u00edcola, e hoje est\u00e1 cercada por estradas, conjuntos residenciais, postos de combust\u00edveis e por a\u00ed um ou outro cultivo\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, tudo mudou para Mu\u00f1oz. \u201cMinha mulher e eu agora vivemos do que nos d\u00e3o os filhos que trabalham, um em Ibagu\u00e9 e duas em Bogot\u00e1. Na propriedade temos uma vaca, com cujo leite fazemos queijo e vendemos, e cultivos de pancoger\u201d, como se chama nestas regi\u00f5es cafeeiras as planta\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da dieta local, acrescentou.<\/p>\n<p>Por isso Mu\u00f1oz vai participar da Segunda Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional Camponesa, programada para o dia 27 deste m\u00eas e que o governo tenta evitar. A primeira foi entre 19 de agosto e 9 de setembro de 2013, e mobilizou plantadores de caf\u00e9, arroz, algod\u00e3o, cana-de-a\u00e7\u00facar, batata e cacau, cobrando do governo de Juan Manuel Santos revis\u00e3o dos cap\u00edtulos agr\u00edcolas dos tratados de livre com\u00e9rcio (TLC) assinados pelo pa\u00eds, especialmente com os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ao protesto uniram-se mineradores artesanais, transportadores, trabalhadores da sa\u00fade, professores e estudantes, com cinco grandes manifesta\u00e7\u00f5es em Bogot\u00e1 e mais 30 cidades. A paralisa\u00e7\u00e3o deixou 12 mortos, 485 feridos e quatro desaparecidos.<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia tem vigentes mais de 50 TLC, segundo o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico. Entre eles se destacam os estabelecidos com os Estados Unidos, assinado em 2006 e em vigor desde maio de 2012, com a Uni\u00e3o Europeia, cujo tr\u00e2mite legislativo terminou em julho de 2013, al\u00e9m de Canad\u00e1 e Su\u00ed\u00e7a entre os pa\u00edses do Norte industrial. Agora o governo negocia outro com o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2011, a Col\u00f4mbia fundou o bloco comercial da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, com Chile, M\u00e9xico e Peru, do qual Panam\u00e1 \u00e9 observador, enquanto pertence a outros grupos de integra\u00e7\u00e3o regional anteriores. \u201cOs governos colombianos, que desde a d\u00e9cada de 1990 impulsionaram o lema Bem-Vindos ao Futuro, o cumpriram: esse futuro tem sido nefasto em Tolima e em todo o pa\u00eds\u201d, assegurou Gordillo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos, os produtores de caf\u00e9 protagonizaram paralisa\u00e7\u00f5es at\u00e9 conseguirem subs\u00eddios de US$ 80 por carga de caf\u00e9 em um caminh\u00e3o de grande tonelagem, que antecederam as duas mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais de camponeses. Nesse pa\u00eds de 48,2 milh\u00f5es de habitantes, o setor agropecu\u00e1rio representa 6,5% do produto interno bruto (PIB), com caf\u00e9, flores, arroz e banana na lideran\u00e7a. Em 2000, o setor representava 14% do PIB e, em 1975, chegava a 20%.<\/p>\n<p>\u201cA agricultura est\u00e1 mal em todas as partes, e Tolima n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS o secret\u00e1rio de Defesa Agropecu\u00e1ria do departamento, Carlos Alberto Cabrera. \u201cO arroz, forte no departamento, n\u00e3o passa por um bom momento. De caf\u00e9, somos o terceiro produtor nacional e aspiramos o primeiro lugar. Algod\u00e3o tem pouco. De sorgo, somos o segundo produtor do pa\u00eds. A soja acabou, o tabaco tamb\u00e9m, e muitos produtos ficaram para a seguran\u00e7a alimentar de nossos camponeses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para promover solu\u00e7\u00f5es, \u201cconvidamos ministros da regi\u00e3o, mas sua resposta foi que devemos plantar o que se vende para permanecer no mercado da oferta e procura\u201d, contou Cabrera. Ele rejeitou que no caso de Tolima os respons\u00e1veis sejam os TLC. \u201cN\u00e3o temos sentido nenhum efeito, porque s\u00f3 o que exportamos \u00e9 caf\u00e9. O arroz \u00e9 para consumo nacional e o sorgo para a ind\u00fastria\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Gordillo, no entanto, criticou que, quando os ministros visitam o departamento, \u201cafirmam que os camponeses devem cultivar o que outros pa\u00edses n\u00e3o produzem, o que n\u00e3o podem nos vender. Isto \u00e9, insistem em favorecer outros. Se esquecem de que em primeiro lugar deve estar a seguran\u00e7a alimentar de nosso povo, n\u00e3o o contr\u00e1rio\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Por essas vis\u00f5es erradas, assegurou Gordillo, \u201cnossos camponeses voltar\u00e3o \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o nacional. Os de Tolima e os de muitas regi\u00f5es do pa\u00eds, porque o governo n\u00e3o cumpre o acordo, e tanta pobreza os obriga a abrir os olhos\u201d. O governo afirma que cumpriu 70 dos 183 compromissos assumidos com os agricultores em raz\u00e3o da paralisa\u00e7\u00e3o do ano passado.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, foram cobradas solu\u00e7\u00f5es para a crise agropecu\u00e1ria, que iam da posse da terra ao investimento social na \u00e1rea rural e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o perante outros setores em auge, como a grande minera\u00e7\u00e3o e o petr\u00f3leo, at\u00e9 um subs\u00eddio aos combust\u00edveis de uso agr\u00e1rio. O governo assegura que incluiu US$ 500 milh\u00f5es para apoiar a agropecu\u00e1ria no or\u00e7amento de 2014.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o Minist\u00e9rio de Agricultura e Desenvolvimento Rural aumentou nas \u00faltimas semanas a campanha sobre sua gest\u00e3o, e o presidente Santos insiste em afirmar nos atos p\u00fablicos que \u201cn\u00e3o se justifica uma nova paralisa\u00e7\u00e3o camponesa\u201d.<\/p>\n<p>As autoridades tamb\u00e9m promovem di\u00e1logos com o setor para desenvolver um Grande Pacto Nacional Campon\u00eas, como parte dos esfor\u00e7os para desativar a paralisa\u00e7\u00e3o convocada para menos de um m\u00eas antes das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 25 de maio, nas quais Santos disputar\u00e1 a reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na C\u00fapula Agr\u00e1ria, Camponesa, \u00c9tnica e Popular, entre 15 e 17 de mar\u00e7o, os participantes fixaram oito eixos para um di\u00e1logo, que incluem a reforma agr\u00e1ria, o acesso \u00e0 terra, o estabelecimento de zonas de reserva camponesa, a consulta pr\u00e9via e prote\u00e7\u00e3o diante dos TLC, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e ao petr\u00f3leo, e um plano de choque em infraestrutura.<\/p>\n<p><b>As sementes, outras v\u00edtimas do TLC<\/b><\/p>\n<p>Miguel Gordillo, acrescentou outro problema causado pelos acordos de livre com\u00e9rcio: as sementes. O governamental Instituto Colombiano Agropecu\u00e1rio (ICA) proibiu, em 2010, que os camponeses armazenassem sementes pr\u00f3prias colhidas para serem plantadas no futuro, recordou o especialista.<\/p>\n<p>Em sua Resolu\u00e7\u00e3o 970, o ICA estabelece que s\u00f3 podem ser usadas sementes certificadas, produzidas por empresas transnacionais de biotecnologia como Monsanto, Syngenta e DuPont, l\u00edderes mundiais em transg\u00eanicos.<\/p>\n<p>A medida \u201cdesconhece uma tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos, desde os ind\u00edgenas, que escolhiam sempre as melhores sementes para reproduzi-las vegetativamente. Hoje, nas sementes, nos adubos, nos agroqu\u00edmicos, estamos \u00e0 merc\u00ea do mercado internacional\u201d, ressaltou Gordillo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ibagu&eacute;, Col&ocirc;mbia, 8\/4\/2014 &ndash; &ldquo;Isto est&aacute; cada vez pior&rdquo;, disse com tristeza no olhar Enrique Mu&ntilde;oz, um campon&ecirc;s de 67 anos de Cajamarca, munic&iacute;pio do departamento de Tolima, que foi um dos maiores celeiros agr&iacute;colas da Col&ocirc;mbia. &ldquo;Em cinco d&eacute;cadas a situa&ccedil;&atilde;o mudou radical e negativamente&rdquo;, acrescentou &agrave; IPS o ativista Miguel Gordillo sobre [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/o-celeiro-agricola-colombiano-perde-peso-e-sabor\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2228,2229,1176,2230,989,3178],"class_list":["post-17356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-agricola","tag-celeiro","tag-colombia","tag-credito-agricola","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17356\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}