{"id":17361,"date":"2014-04-09T14:13:23","date_gmt":"2014-04-09T14:13:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111043"},"modified":"2014-04-09T14:13:23","modified_gmt":"2014-04-09T14:13:23","slug":"pobreza-infantil-envergonha-a-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/pobreza-infantil-envergonha-a-espanha\/","title":{"rendered":"Pobreza infantil envergonha a Espanha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111044\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Espa%C3%B1a-chica-539x472.jpg\"><img class=\" wp-image-111044 \" alt=\"Espa\u00f1a chica 539x472 Pobreza infantil envergonha a Espanha\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Espa%C3%B1a-chica-539x472.jpg\" width=\"439\" height=\"372\" title=\"Pobreza infantil envergonha a Espanha\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Manifestantes reivindicando direito a um teto, diante do despejo pelas autoridades de 132 fam\u00edlias e uma dezena de menores de idade que ocupavam a corrala Buenaventura, na cidade espanhola de M\u00e1laga. Foto: In\u00e9s Ben\u00edtez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e1laga, Espanha, 9\/4\/2014 \u2013 \u201cN\u00e3o quero que cres\u00e7am com a no\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o pobres\u201d, disse Catalina Gonz\u00e1lez sobre seus dois filhos, com os quais vive desde dezembro em um apartamento cedido gratuitamente por seu propriet\u00e1rio em troca de reformas, na cidade espanhola de M\u00e1laga. H\u00e1 seis meses, Gonz\u00e1lez, de 40 anos, e seus filhos Manuel e Le\u00f3nidas, de 4 e 5, respectivamente, foram despejados pelas autoridades da corrala Buenaventura, que ocupavam junto com 13 fam\u00edlias sem recursos com uma dezena de crian\u00e7as. Desde ent\u00e3o as crian\u00e7as \u201ct\u00eam ojeriza da pol\u00edcia, por acharem que ela roubou sua casa\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Corralas s\u00e3o antigos pr\u00e9dios quadrados, com p\u00e1tio central de acesso a cada moradia, um tipo de constru\u00e7\u00e3o coletiva caracter\u00edstica da Espanha, similar a uma vila. Esses pr\u00e9dios t\u00eam sido ocupados pela popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem onde morar.<\/p>\n<p>A Espanha \u00e9 o segundo pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia com maior pobreza infantil, atr\u00e1s da Rom\u00eania, informa o documento <i>A Crise Europeia e seu Custo Humano. Um Chamado para Alternativas e Solu\u00e7\u00f5es Justas<\/i>, apresentado no dia 27 de mar\u00e7o em Atenas pela organiza\u00e7\u00e3o C\u00e1ritas Europa. O terceiro lugar \u00e9 da Bulg\u00e1ria, seguida da Gr\u00e9cia, segundo essa entidade cat\u00f3lica. As medidas de austeridade impostas nos pa\u00edses europeus afogados pela d\u00edvida externa, \u201cfalharam na hora de solucionar os problemas e gerar crescimento\u201d, afirmou o secret\u00e1rio-geral da C\u00e1ritas Europa, Jorge Nu\u00f1o, durante a apresenta\u00e7\u00e3o do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos bem. As crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o pr\u00e9-matriculadas no col\u00e9gio para o pr\u00f3ximo curso\u201d, disse Gonz\u00e1lez. Origin\u00e1ria de Barcelona, ela deixou na It\u00e1lia o pai de seus filhos ao descobrir que os \u201cmaltratava\u201d. Recome\u00e7ou do zero em M\u00e1laga sem fam\u00edlia, emprego, renda, cobrindo as necessidades gra\u00e7as \u00e0 solidariedade de v\u00e1rios coletivos sociais e redes de apoio m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Um informe deste ano do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) assegura que, em 2012, mais de 2,5 milh\u00f5es de meninos e meninas viviam em fam\u00edlias espanholas pobres, cerca de 30% do total. O Unicef afirma que 19% da popula\u00e7\u00e3o infantil espanhola vive em fam\u00edlias de quatro membros, com renda anual inferior a US$ 15 mil. \u201cA pobreza infantil \u00e9 uma realidade na Espanha, embora os pol\u00edticos queiram fazer vista grossa a respeito e n\u00e3o gostem que falemos sobre isso porque se associa a pa\u00edses terceiro-mundistas\u201d, disse \u00e0 IPS o fundador e presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Mensageiros da Paz, o padre cat\u00f3lico \u00c1ngel Garc\u00eda.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda da Espanha, Crist\u00f3bal Montoro, assegurou, no dia 28 de mar\u00e7o, que os dados divulgados pela C\u00e1ritas Europa \u201cn\u00e3o correspondem \u00e0 realidade\u201d porque se baseiam em \u201cmedi\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas\u201d. Mas em M\u00e1laga \u201ccada vez s\u00e3o mais as m\u00e3es que fazem fila para conseguir alimento\u201d, pontuou \u00e0 IPS o presidente da Anjos Malaguenhos da Noite, \u00c1ngel Mel\u00e9ndez. Essa organiza\u00e7\u00e3o fornece diariamente 500 desjejuns, 1.600 almo\u00e7os e 600 jantares para pessoas sem recursos.<\/p>\n<p>Gonz\u00e1lez e seus filhos se alimentaram durante meses no Er Banco G\u00fceno, um restaurante social gerenciado pelos pr\u00f3prios moradores no desfavorecido bairro malaguenho de Palma-Palmilla, que funciona em uma ag\u00eancia banc\u00e1ria desativada. Segundo o padre \u00c1ngel, a pobreza infantil \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 n\u00e3o ter o que comer\u201d, mas tamb\u00e9m \u201co n\u00e3o poder adquirir livros para ir \u00e0 escola ou n\u00e3o ter comprado uma roupa nova nos \u00faltimos dois anos. \u00c9 a desigualdade de oportunidades entre as crian\u00e7as\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>A crise na Espanha afetou os setores tradicionalmente mais fracos e tamb\u00e9m fam\u00edlias de classe m\u00e9dia. Em 2013, o governo do direitista Mariano Rajoy aprovou um Plano Nacional de A\u00e7\u00e3o para a Inclus\u00e3o Social 2013-2016, destinado a reduzir a pobreza infantil. A divis\u00e3o europeia da C\u00e1ritas diz em seu informe que pelo menos um milh\u00e3o e meio de fam\u00edlias espanholas sofrem uma situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o social severa, 69,8% mais do que em 2007, ano anterior ao surgimento da crise financeira mundial.<\/p>\n<p>\u201cFam\u00edlias inteiras se viram na rua por n\u00e3o poderem pagar o aluguel. H\u00e1 mais solicita\u00e7\u00f5es de alimentos. Pedem at\u00e9 fraldas para os rec\u00e9m-nascidos porque n\u00e3o t\u00eam como enfrentar situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o prec\u00e1ria\u201d, explicou \u00e0 IPS a diretora do Centro de Acolhida municipal, Rosa Mart\u00ednez, durante uma visita \u00e0 institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, 26% carece de emprego, a metade jovens, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica, enquanto cresce a brecha entre ricos e pobres. Ao terminar mar\u00e7o, havia 4,8 milh\u00f5es de desempregados, segundo dados oficiais, com ligeira queda em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro. Mas os n\u00fameros tamb\u00e9m mostram que aumentaram os desempregados que n\u00e3o recebem dinheiro algum. Agora s\u00e3o quatro em cada dez.<\/p>\n<p>O descontentamento social se aviva tamb\u00e9m por causa de algumas medidas de austeridade que concentraram seus cortes em setores como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O informe <i>Emerg\u00eancia Habitacional no Estado Espanhol<\/i>, da Plataforma de Afetados pela Hipoteca e do Observat\u00f3rio Desc, calcula que 70% das fam\u00edlias despejadas ou em processo de despejo t\u00eam ao menos um menor de idade sob sua responsabilidade. \u201cO direito \u00e0 igualdade de oportunidades \u00e9 papel rasgado se uma crian\u00e7a fica na rua\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o advogado Jos\u00e9 Cos\u00edn, que denuncia a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade dos menores despejados junto com suas fam\u00edlias em 3 de outubro do ano passado da <i>corrala<\/i> Buenaventura.<\/p>\n<p>Quinze afetados por esse despejo apresentaram uma queixa judicial pelas garantias fundamentais dos menores constantes na Conven\u00e7\u00e3o dos Direitos da Crian\u00e7a, de 20 de novembro de 1989. Esta estabelece que \u201cos Estados partes proporcionar\u00e3o assist\u00eancia material e programas de apoio, particularmente com rela\u00e7\u00e3o a nutri\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e moradia\u201d.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias sem nenhuma renda passaram de 300 mil, em meados de 2007, para quase 700 mil no final de 2013, segundo o documento <i>Precariedade e Coes\u00e3o Social. An\u00e1lises e Perspectivas 2014<\/i> da C\u00e1ritas Espanhola e da Funda\u00e7\u00e3o Foessa, que ressalta o valor das rela\u00e7\u00f5es sociais como um recurso para evitar a fratura social. Enquanto isso, 27% das fam\u00edlias s\u00e3o mantidas por aposentados com suas pens\u00f5es. Os filhos retornam com suas fam\u00edlias para viver com seus pais a fim de sobreviverem, ou os av\u00f3s pensionistas financiam parte dos gastos dos filhos e netos, com sua renda \u00e0s vezes m\u00ednima.<\/p>\n<p>\u201cDiante da dureza das situa\u00e7\u00f5es, o tecido humano se fortalece\u201d, destacou Gonz\u00e1lez, ressaltando a solidariedade de diferentes grupos malaguenhos, que por tr\u00eas meses a ajudaram a limpar e deixar decente sua casa atual, um d\u00e9cimo andar sem elevador, que estava cheio de lixo, sem porta de entrada, janelas nem encanamentos. Ela lamentou \u201ca falta de or\u00e7amento e efici\u00eancia dos servi\u00e7os sociais, dos quais nada recebe\u201d.<\/p>\n<p>Seus filhos t\u00eam os caprichos pr\u00f3prios de suas idades, mas sua m\u00e3e explica a eles que \u00e9 mais importante gastar oito euros com comida do que em dois peixes de borracha. Demorou v\u00e1rias semanas para comprar-lhes os bonecos. No \u00faltimo Natal, foram ao cinema pela primeira vez. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; M&aacute;laga, Espanha, 9\/4\/2014 &ndash; &ldquo;N&atilde;o quero que cres&ccedil;am com a no&ccedil;&atilde;o de que s&atilde;o pobres&rdquo;, disse Catalina Gonz&aacute;lez sobre seus dois filhos, com os quais vive desde dezembro em um apartamento cedido gratuitamente por seu propriet&aacute;rio em troca de reformas, na cidade espanhola de M&aacute;laga. 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