{"id":17375,"date":"2014-04-11T16:25:53","date_gmt":"2014-04-11T16:25:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=111208"},"modified":"2014-04-11T16:25:53","modified_gmt":"2014-04-11T16:25:53","slug":"dilema-adolescente-em-uganda-digo-ou-nao-que-tenho-hvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/04\/ultimas-noticias\/dilema-adolescente-em-uganda-digo-ou-nao-que-tenho-hvi\/","title":{"rendered":"Dilema adolescente em Uganda: Digo, ou n\u00e3o, que tenho HVI?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_111209\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/uganda640.jpg\"><img class=\" wp-image-111209 \" alt=\"uganda640 Dilema adolescente em Uganda: Digo, ou n\u00e3o, que tenho HVI?\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/uganda640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Dilema adolescente em Uganda: Digo, ou n\u00e3o, que tenho HVI?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Muitos adolescentes com HIV temem revelar sua condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade aos seus parceiros. Foto: Mercedes Sayagu\u00e9s\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 11\/4\/2014 \u2013 A ugandesa Constance Nansamba (nome fict\u00edcio) pagou um pre\u00e7o alto por n\u00e3o revelar aos 18 anos que \u00e9 HIV positiva e estava gr\u00e1vida. \u201cEstava horrorizada. Fugi da casa do meu irm\u00e3o. N\u00e3o consegui seguir os passos para prevenir a transmiss\u00e3o m\u00e3e-filho, e por isso meu beb\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 HIV positivo\u201d, contou \u00e0 IPS. Nansamba sabia que nascera com HIV (v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana, causador da Aids), mas por medo da rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o contou ao seu noivo.<\/p>\n<p>\u201cUs\u00e1vamos camisinha, mas ele sempre se queixava, ent\u00e3o deixamos de usar e engravidei\u201d, contou a jovem. Embora ela n\u00e3o o tenha contagiado, se separaram. Agora Nansamba tem 20 anos e encontrou coragem para contar sua hist\u00f3ria a fim de ajudar outras pessoas. Integra a organiza\u00e7\u00e3o Jovens Positivos de Uganda, que oferece orienta\u00e7\u00e3o sobre HIV, al\u00e9m de aconselhar a realiza\u00e7\u00e3o de exames e tratamento. Muitos adolescentes que nasceram como o v\u00edrus n\u00e3o conhecem seu estado de sa\u00fade quando come\u00e7am a manter rela\u00e7\u00f5es sexuais, ou sabem mas n\u00e3o contam aos seus parceiros, explicou a jovem \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Uma pesquisa do Centro de Sa\u00fade Mildmay, de Uganda, da qual participaram 200 adolescentes que recebiam tratamento antirretroviral, concluiu que 75% n\u00e3o estavam dispostos a revelar aos seus parceiros sexuais que t\u00eam HIV e que 30% n\u00e3o queriam usar preservativos. \u201cEles simplesmente n\u00e3o t\u00eam informa\u00e7\u00e3o que os ajude a negociar a revela\u00e7\u00e3o (de sua situa\u00e7\u00e3o), a prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua e o uso de camisinha\u201d, pontuou Nansamba. \u201cEu enfrentei o mesmo desafio porque n\u00e3o podia falar de sexo com meu irm\u00e3o mais velho, que era como meu pai\u201d. Seus pais faleceram quando ela era beb\u00ea e seu irm\u00e3o a criou.<\/p>\n<p>Uganda \u00e9 um pa\u00eds de jovens: quase 80% de seus 34 milh\u00f5es de habitantes t\u00eam menos de 30 anos. A preval\u00eancia nacional de HIV \u00e9 de 7,2% e lentamente est\u00e1 crescendo. Na faixa entre 15 e 24 anos, 5% das mulheres e 2% dos homens vivem com HIV, segundo a Pesquisa Indicadora da Aids de Uganda 2011. O estudo <i>Para uma Gera\u00e7\u00e3o Livre de Aids. A Inf\u00e2ncia e a Aids: Sexto Invent\u00e1rio da Situa\u00e7\u00e3o 2013<\/i>, divulgado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), estima que esse pa\u00eds tem cerca de 110 mil adolescentes entre dez e 19 anos que vivem com HIV, dos quais 64 mil s\u00e3o do sexo feminino e 48 mil do masculino.<\/p>\n<p>Emmanuel Elwanu tinha 14 anos quando soube que nascera com o v\u00edrus HIV. Por medo de ser discriminado, n\u00e3o quis contar sua situa\u00e7\u00e3o aos amigos. \u201cTive que receber muita orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para me abrir\u201d, disse \u00e0 IPS. Elwanu teve sorte: sua escola tinha sess\u00f5es semanais sobre o v\u00edrus com psic\u00f3logos e ele participou da iniciativa sobre HIV\/aids na par\u00f3quia de Mbuya. \u201cMuitos de meus colegas HIV positivos vivem momentos realmente dif\u00edceis com suas rela\u00e7\u00f5es\u201d, detalhou o jovem, hoje com 18 anos. \u201cPenso em sexo, mas n\u00e3o \u00e9 minha prioridade\u201d. Seus pais morreram quando era crian\u00e7a e ele decidiu praticar a abstin\u00eancia sexual at\u00e9 completar seus estudos.<\/p>\n<p>Pobbly Nuwagaba, conselheira do Centro Naguru de Informa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade Adolescente de Kampala, disse \u00e0 IPS que a maioria dos adolescentes tem problemas em revelar que s\u00e3o portadores do v\u00edrus. \u201cSe veem s\u00e3os, atraem parceiros HIV negativos e t\u00eam desejos sexuais\u201d, explicou. \u201cAlguns nos dizem que quando revelam serem portadores do v\u00edrus n\u00e3o acreditam, e acabam mantendo rela\u00e7\u00f5es sexuais sem prote\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Sabrina Kitaka, especialista em sa\u00fade adolescente da Universidade de Makerere, em Kampala, destacou a brecha existente nos servi\u00e7os de sa\u00fade para os jovens. \u201cH\u00e1 poucos centros de sa\u00fade ambulatoriais amig\u00e1veis com os adolescentes, enquanto as salas de interna\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica recebem crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos. Portanto, os adolescentes costumam ser admitidos em salas de adultos\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Em 2013, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) alertou que, por falta de servi\u00e7os efetivos de tratamento do HIV, as mortes relacionadas com a aids entre os adolescentes do mundo aumentaram 50% entre 2005 e 2012, enquanto entre a popula\u00e7\u00e3o geral essa mortalidade caiu 30%. A OMS pediu aos governos que revisem suas leis para facilitar aos adolescentes a realiza\u00e7\u00e3o de exames para detectar o HIV sem o consentimento dos pais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os funcion\u00e1rios de sa\u00fade de Uganda n\u00e3o se colocam em acordo sobre oferecer servi\u00e7os de planejamento familiar e preservativos aos adolescentes. Stephen Watiti, m\u00e9dico que vive com HIV, observou que as leis e pol\u00edticas sobre as camisinhas e os anticoncepcionais para adolescentes n\u00e3o est\u00e3o claras e s\u00e3o interpretadas de modo incoerente. Isso dificulta que tanto os jovens quanto o pessoal da sa\u00fade entendam as op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Oficialmente, s\u00f3 quem tem 18 anos ou mais tem direito a servi\u00e7os de planejamento familiar e a receber profil\u00e1ticos. Por\u00e9m, mais da metade das mulheres entre 18 e 24 anos mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es antes dos 18 anos, segundo a Pesquisa de Demografia e Sa\u00fade de Uganda 2011. \u201cComo m\u00e9dicos, n\u00e3o podemos ir \u00e0s escolas e promover o uso de camisinha ou anticoncepcionais. Mas quando se encontra com um adolescente de 14 anos que \u00e9 sexualmente ativo, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 outro rem\u00e9dio a n\u00e3o ser ensin\u00e1-lo a usar a camisinha\u201d, ressaltou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o de Jovens Positivos de Uganda, realizada no final de janeiro em Kampala, Nansamba disse aos participantes: \u201cPessoal, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil viver com HIV. A gente sempre se sente culpado quando dorme com algu\u00e9m, mas, ao mesmo tempo, temos desejos sexuais que devem ser saciados\u201d. Sua decis\u00e3o atualmente \u00e9 praticar a abstin\u00eancia sexual. \u201cN\u00e3o quero colocar ningu\u00e9m em risco de contrair o HIV\u201d, afirmou. Entretanto, para muitos adolescentes soropositivos se abster n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Tampouco o \u00e9 revelar que vivem com o v\u00edrus ou manter rela\u00e7\u00f5es sexuais seguras. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 11\/4\/2014 &ndash; A ugandesa Constance Nansamba (nome fict&iacute;cio) pagou um pre&ccedil;o alto por n&atilde;o revelar aos 18 anos que &eacute; HIV positiva e estava gr&aacute;vida. &ldquo;Estava horrorizada. Fugi da casa do meu irm&atilde;o. 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